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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

HONRAR A ANCIÃ - DALILA PEREIRA DA COSTA

Como este é o momento especial do ano para honrarmos a Anciã, o Yule, quero prestar aqui a minha homenagem a DALILA PEREIRA DA COSTA, mística, filósofa, investigadora portuguesa, que escreve como ninguém sobre o nosso glorioso matriarcado neolítico. Sim, sim, a nossa época de todas a mais gloriosa, diz ela. Grande conhecedora do território, especialmente dos seus lugares de poder, bem como da literatura e da alma portuguesa, o que ela conclui sobre a origem da Saudade, por exemplo, é muito surpreendente...

Vive no Porto, onde nasceu, tem agora 93 anos e está com alguns problemas de saúde. Fico muito triste por saber que está prestes a partir alguém que sabe de nós segredos tão incríveis!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

MORREU A ATIVISTA AMBIENTAL E FEMINISTA QUENIANA WANGARI MAATHAI


Morre queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz, ícone popular e mundial
De Boris BACHORZ (AFP)

NAIROBI — A queniana Wangari Maathai, que lutou em favor do meio ambiente e dos direitos das mulheres, recebendo o reconhecimento internacional e ganhando a simpatia de seus compatriotas, morreu neste domingo aos 71 anos por complicações causadas por um câncer.
"É com imensa tristeza que a família de Wangari Maathai anuncia sua morte no dia 25 de setembro de 2011 após um longo e corajoso combate contra o câncer", anunciou o Green Belt Movement (Movimento do Cinturão Verde), movimento de luta contra o desflorestamento que ela criou em 1977.
Foi por sua ação nesta área que a militante recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004. Ela foi a primeira mulher africana a receber o Nobel.
Sua luta busca promover a biodiversidade, criar empregos para as mulheres e valorizar a imagem destas na sociedade. O Movimento do Cinturão Verde afirma ter plantado 47 milhões de árvores no continente africano.
Manifestações de respeito e carinho se multiplicaram nesta segunda-feira depois do anúncio da morte de Wangari Maathai.
Para Achim Steiner, diretor executivo da Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a militante "era uma força da natureza".
"Enquanto outros usam seu poder e força vital para destruir e degradar o meio ambiente para fazer lucro em pouco tempo, ela utilizou (suas capacidades) para criar obstáculos, mobilizar as populações e defender a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável", afirmou.
O presidente queniano Mwai Kibaki lamentou a perda de um "ícone internacional, que deixará um vazio no mundo da proteção do meio ambiente".

Wangari Maathai era uma "voz poderosa em favor de um desenvolvimento partilhado e harmonioso" que "vai deixar saudades no mundo", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.
Um resultado amargo do exercício do poder
Wangari Maathai colecionou honrarias depois de seu prêmio Nobel da paz. Em 2009, por exemplo, foi nomeada mensageira da paz pela ONU.
Apesar dos títulos e prêmios, Wangari continuou muito popular e próxima aos quenianos, que comentavam nesta segunda-feira a "triste novidade" de sua morte nas ruas e transportes públicos.

A prêmio Nobel da paz "nasceu em uma pequena cidade, mas deixou sua marca no cenário internacional", um comentário, entre os muitos, deixados na página do Facebook pela memória de Wangari. Ela era "a mais importante militante pelo meio ambiente no Quênia. Serviu ao seu país com diligência", acrescentou um outro internauta.
Primeira a receber o título de doutorado na África Central e do Leste, diplomada em biologia nos Estados Unidos graças a uma bolsa, Wangari Maathai liderou o combate contra o autoritarismo do regime do ex-presidente Daniel Arap Moi nos anos de 1980 e 1990, o que a levou diversas vezes à prisão.
Após o advento do multipartidarismo e a eleição de Mwai Kibaki, motivo de grandes esperanças para o Quênia em 2002, ela se tornou secretária de Estado para o Meio Ambiente de 2003 a 2005, mas tirou desta experiência no poder uma lição amarga.
Wangari expandiu seu combate pelos Direitos Humanos e pelo meio ambiente para outros países. Foi nomeada em 2005, embaixadora para a proteção da floresta da Bacia do Congo na África central, segunda maior floresta tropical do mundo.
Em 2010, tornou-se administradora da Fundação para a Educação e Meio Ambiente da Karura Forest, uma floresta do subúrbio norte de Nairobi, para a qual conseguiu a proteção em uma das batalhas mais emblemáticas do país.

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ittuMHHWIE-zN_IicE-BVXmASRjg?docId=CNG.30ce3beeb1f6b07f2dceba95421a148f.01

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A CAUSA DE LILITH



MINHA DEUSA, A NATÁLIA CORREIA ESCREVEU ESTE LIVRO QUE EU NÃO CONHECIA... COMO É POSSÍVEL???...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O CULTO DO ESPÍRITO SANTO EM PORTUGAL


"A simbologia do culto do Espírito Santo virá a ser retomada por Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e Natália Correia, entre outros pensadores, poetas ou filósofos portugueses. Citando uma análise recente [37]: se em Fernando Pessoa a ideia quinto-imperialista era uma espécie de ecumenismo multicolor, ou melhor, de total fusão das raças, culturas, povos e religiões do mundo pela capacidade unificadora da língua e da cultura portuguesas transformando tudo num Paganismo Superior; se em Agostinho da Silva a Era do Espírito Santo era a assunção do domínio sereno da inocência infancial pela diluição das hierarquias contra a estreiteza da ordenação da racionalidade ortodoxa e pela miscigenação de todas as raças ao sabor do exemplo português; para Natália Correia o Quinto Império é a harmonização das relações humanas pela afirmação dos valores tutelares associados ao universo feminino.
Na teoria joaquimita colocavam-se assim as três idades, nas palavras de Joaquim de Flora [38]: o chicote para o primeiro, a acção para o segundo, a contemplação para o terceiro; sucessivamente, o temor, a fé, a caridade; o estado de escravos, o estado de homens livres, o estado de amigos; de velhos, de adultos, de crianças.

Existem tríades onde o género feminino é dominante. Na Sé de Lisboa (igreja de Santa Maria Maior) tem-se uma imagem na capela do Espírito Santo, também designada da Trindade: a capela foi erguida no final do século XIII [39] e a imagem é designada de Nossa Senhora da Pombinha e estava referenciada por frei Agostinho de Santa Maria como a mais antiga em mãos de cristãos, titular da paróquia de Sé, antecessora da invocação de Santa Maria [40]. O culto de Nossa Senhora da Pomba é reportado aos séculos XI/XII, datando de 1136 o início da construção da abadia do seu nome, próxima do povoado de Alseno, por S. Bernardo [41]. Trata-se aqui de uma trindade com um conceito predominantemente feminino, já que a figura de Deus Pai é agora mulher, Nossa Senhora, que domina a tríade, segurando numa mão a pomba e na outra o menino - a pomba apresenta-se horizontal e o menino transporta numa mão a bola do mundo. Recorda-se uma significação mítica: no livro do Genesis refere-se que foi uma pomba largada por Noé que levava no bico um raminho de oliveira e assim anunciava o fim do Dilúvio, promessa de paz."

http://www.triplov.com/novaserie.revista/numero_07/jose_casquilho/index.html

sábado, 16 de julho de 2011

SEM ESTA CONSCIÊNCIA, QUERIDAS IRMÃS, NÃO VAMOS LONGE...


Olhar para dentro da alma da mulher

A IMPORTÃNCIA DAS RELAÇÕES COM AS NOSSAS ANCESTRAIS...

Olhar para dentro da alma da mulher é ir ao encontro de um sofrimento abafado há milénios...não é tarefa fácil. Por isso estamos aqui, para que juntas percorramos esse caminho da exploração de nós, do inconsciente feminino.

A história, tal como é ensinada, conta só metade da mesma e há nela lacunas imensas, sendo a mais importante, a história vivida e vista pelas mulheres. Esta parte da grande história da humanidade não está escrita em pergaminhos e encontra-se fechada à chave nas nossas memórias individuais e colectivas. Cabe a cada uma de nós ir ao encontro da sua, a da nossa linhagem feminina.

Na minha perspectiva é um trabalho importante a fazer para o resgate do feminino sagrado; como é que na minha família as mulheres se situam, que lugares ocupam elas na dinâmica familiar? Quais foram os legados das minhas antepassadas? O que me foi dito em surdina ou explicitamente sobre os homens, sobre as mulheres? Como me sinto eu na relação que tenho com elas; Com a mãe, com as irmãs, com as avós? E finalmente, o que escolho eu de largar e o que vou eu guardar delas?

Ana Vieira

Publicada por Rosa Leonor Pedro

DESDE QUE DEIXÁMOS DE CULTUAR A RAINHA DOS CÉUS, FICÁMOS SOB A LEI DA ESPADA


“Vieira da Natividade acrescentou às referências da procissão das Candeias na Ataíja: “Por uma tradição cujas origens não atingimos, em todas as casas se fazem filhozes. É como uma prece, um voto à patrona dos olivais que se faz em toda a região serrana. Diz-se que “quem não tem (farinha) que fritar, frita folhinhas de oliveira”. Este costume das mulheres fazerem filhozes a 2 de Fevereiro, era comum às regiões envolventes. Foi uma homenagem à deusa-mãe da Natureza. A Senhora do Fetal (Batalha), é festejada com candeias e também com “cavacas” (bolos de açúcar). Já a Astarté fenícia, que tinha o título de Rainha dos Céus, era cultuada com bolos pelos cananitas (fenícios) e pelos judeus da Grécia e do Egipto em favor da agricultura, no século VII a. C. O livro bíblico de Jeremias, dessa época, até conta a azáfama da feitura dos bolos: “Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres amassam a farinha para fazer os bolos à Rainha dos Céus, tudo isto para ofender Yaveh”.

Perante isto, o profeta escreveu uma carta aos maridos para que eles impusessem a disciplina religiosa às mulheres. Mas eles, reunidos em assembleia, responderam ao profeta: “Quanto à mensagem que nos mandaste, sobre as ordens de Yaveh (no que toca aos bolos à Rainha dos Céus), nós nem te queremos ouvir. Pelo contrário: continuaremos a fazer como os nossos pais fizeram. No tempo deles havia pão com fartura, eram felizes e sem nenhuma desgraça. Desde que deixámos de oferecer bolos à Rainha dos Céus, começámos a faltar de tudo e morremos pela espada e pela fome.”*

*citando Franz Cumont, “Las Religiones Orientales y el Paganismo Romano”, Madrid, Akal Universitária, 1987

in “Cinco Mil Anos de Cultura a Oeste”, Moisés Espírito Santo, Assírio & Alvim, 2004

domingo, 3 de julho de 2011

TANIT - UMA DAS DEUSAS DAS NOSSAS ORIGENS FENÍCIAS


Tanit was a Phoenician lunar goddess, worshiped as the patron goddess at Carthage where from the fifth century BCE onwards her name is associated with that of Baal Hammon and she is given the epithet pene baal ("face of Baal"). Tanit and Baal Hammon were worshiped in Punic contexts in the Western Mediterranean, from Malta to Gades into Hellenistic times. In North Africa, where the inscriptions and material remains are more plentiful, she was, as well as a consort of Baal, a heavenly goddess of war, a virginal mother goddess and nurse, and, less specifically, a symbol of fertility. Several of the major Greek goddesses were identified with Tanit. Tanit was also a goddess among the ancient Berber people, and so may be one of the ancestral goddesses of ancient North Africa

Encontrei referências ao seu culto na Nazaré, assim como a Isis

ANTIQUÍSSIMA VIRGEM NEGRA EM PORTUGAL - ANTIGO TEMPLO DE ÍSIS?



Hoje, veio até mim uma fantástica Virgem Negra, aqui bem perto naquele que é, ao que consta, o primeiro santuário mariano da Península Ibérica, o SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA NAZARÉ

Jung dizia que as Virgens Negras eram representações de Ísis, cujo culto abrangeu uma vasta área. Haverá alguma relação entre o culto de Ísis e as 7 saias usadas pelas mulheres da Nazaré? Dois dados muito interessantes que encontrei nestes textos da Wikipedia: o Seu culto estendeu-se por todo o mundo greco-romano e Ela era adorada pelos... pescadores!

O local é poderoso e absolutamente fascinante!

A VIRGEM NEGRA

"Centenas de ícones de Maria, mãe de Jesus de Nazaré, possuem as mãos e o rosto negros. Em França, elas são chamadas “Vièrges Noires” e noutros lugares da Europa “Madonas Negras”. Alguns chamam à sua imagem “a Outra Maria”, Carl Jung dizia que eram representações de Ísis e a sua iconografia remonta ao culto pré-histórico da Mãe Terra. Ela possuia analogia com as Deusas Cybele, Diana e Vénus e associações culturais com Kali, Innana e Lilith. Historicamente, Ela foi introduzida pelos cruzados voltando da Palestina e os conquistadores espanhóis levaram-na para o Novo Mundo. Seguindo as tradições esotéricas, os Templários chamavam-lhe Maria Madalena. Como a negra Sara-la-Kali, ela é reverenciada pelos ciganos em todo o mundo, possuindo a sua data e lugares sagrados: 24 de Maio, Sainte- Marie- de- la-Mer , na região francesa da Camargne.
Para os psicólogos modernos, Ela expressa o Feminino Sombrio. Mas independentemente daquilo que Ela possa parecer, ou daquilo que possam dizer dela, o seu culto continua poderoso e exerce uma estranha fascinação em milhões de devotos em todo o planeta. Os Seus lugares sagrados são centros de energia telúrica, enlaçados com as Linhas Ley e a arquitetura sagrada. Desde os tempos remotos até hoje, multidões peregrinam até aos Seus santuários, entregando-se aos seus milagrosos trabalhos de cura, transformação interior e inspiração. A França possui mais de 300 lugares de Virgens Negras e existem mais de 150 outros no mundo.
Nos meios herméticos e pagãos, incluindo a Wicca, Ela é a imagem da sábio ctónica Anciã."

(Autor(a) desconhecid@)

Mais sobre Virgens Negras

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A DIMENSÃO HUMANA ANTES DA DIMENSÃO CÓSMICA


"Penso que a mulher deve resgatar, antes da sua dimensão cósmica, a sua dimensão humana, numa imagem corpo de mulher que a dignifique e devolva a sua integridade...Há muitas mulheres a fugir para uma dimensão espiritual sem resolver os seus conflitos entre a imagem da mulher que os mídea e a cultura em geral lhes oferece de si e as avilta e deforma, e a sua realidade física e psicológica...Muitas mulheres buscam consolo e compensação para o que julgam ser os seus complexos e inibições ou frustrações em terapias ou caminhos espirituais sem primeiro terem consciência do que realmente as oprime e sem se aperceberem sequer do quanto precisam de consciencializar-se do seu ser essencial enquanto Mulher-mulher.
A mulher parte muitas vezes ou quase sempre para a sua busca espiritual sem primeiro entender a sua natureza intrínseca e isso leva-a a viver processos simulados porque a sua estrutura interior e a sua consciência enquanto mulher integral não está activa...Isso acontece sistematicamente porque a mulher estando dividida em estereótipos e fragmentada na sua pessoa, (carregando sempre consigo a imagem da mulher séria e a da pecadora) luta antes de tudo consigo mesma e espelhando essa luta contra as outras mulheres através da competição, do ciúme e da inveja, tal como o faziam com filhos e maridos e pais...fazem-no com os mestres e guias...e mentores."

Rosa Leonor Pedro

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dominar o Predador


"A mulher que ouve a sua intuição, que percebe os seu sonhos, que ouve a voz interior das velhas e das mulheres guerreiras de sua ancestralidade e que possui o olhar suspeito dos desconfiados, essa sim, é uma ameaça ao predador natural da história e da cultura. Por isso o predador tem medo dela quando ela percebe a violência de seu algoz.

Para dominar esse predador que está dentro dela, e fora dela na sua cultura, ela precisa tomar posse de seu instinto selvagem, de seus poderes intuitivos, de seu ser resistente, ser guerreira, ser questionadora, ter insight, ter tenacidade e personalidade no amor que procura, ter percepção aguçada, ter audição apurada, ouvir os cantos dos mortos, ter sensibilidade, ter alcance de visão, cuidar de seu fogo criativo, ter espiritualidade, mesmo que para tudo isso ela sofra, ela sangre, ela trema, ela se rasgue e grite ou que vá ao fundo do poço do sofrimento humano para renascer mais bela !!!!! É UMA LUTA DELA CONTRA ELA MESMA. O predador natural da história faz com que ela se sinta ESGOTADA, mas mesmo assim ela vence, se quiser vencer. Ela renascida fará renascer também seus descendentes, inclusive os masculinos."
(...)
ELIANE POTIGUARA

segunda-feira, 30 de maio de 2011

INVOCAÇÃO DAS DIVINDADES DO CABEÇO DAS FRÁGUAS


A CONFIANÇA NOUTRA MULHER



“Creio que iniciaticamente, toda a mulher nasce uma segunda vez de outra mulher que não é a sua mãe. Pela confiança noutra mulher, que já não é vista como uma rival, ela reconhece o seu feminino, abre-se a uma outra dimensão de amor."
Paule Salomon

Imagem: a Astróloga Maria Flávia de Monsaraz, que ajudou já muitas mulheres a renascerem...

sábado, 28 de maio de 2011

Apostar numa visão - Mães de Transição


"As Mães de Transição pretendem constituir-se rede de apoio local e ao mesmo tempo família alargada.
Assim, existe uma componente concreta, prática, de resolução concreta de problemas, de dificuldades ou do puro e simples isolamento que faz tão mal.
E existe uma outra componente mais de carácter emocional, que pressupõe o estreitamento de laço e a continuidade no tempo.

Assim, quem procura uma pessoa amiga encontra. Quem precisa de apoio com os filhos, encontra. Quem precisa de resolver questões da casa, das compras, do dia-a-dia; encontra. E quem imagina projectos mas não tem contexto, nem enquadramento e precisa de formar equipa com pessoas dentro do mesmo comprimento de onda... encontra.

As mulheres juntas sem competir são uma força extremamente poderosa, porque utilizam a empatia como ferramenta de rede e coisas espantosas acontecem quando dezenas de pessoas utilizam a Empatia como forma de estar na vida.

As mulheres juntas, em apoio mútuo, deixam de sentir solidão, desamparo. Deixam de ter de pôr tudo em causa e a elas mesmas. Podem curtir a vida. Podem ter coragem. Podem cuidar dos filhos com alegria.
É por isso que ajudar uma mãe a sentir-se bem, é ajudar uma família inteira e com isso novos valores de integração na próxima geração.

Ajudar uma mãe a sentir-se bem, não é ser terapeuta dela, ou conselheira, ou psico-analista.
é ser IGUAL.
É ser igual no essencial, no fundo de tudo o que realmente importa.
É por isso que apostamos na aceitação, na partilha, da importância de todos os pequenos gestos, sem cobrar, sem querer mudar a outra pessoa, sem querer nada que não seja participar com alegria num projecto de companhia.

Isto passa por trabalharmos estes valores, divulgamos estes valores, e mantermos uma relação estreita, com apoios, iniciativas e envolvimento; nos quais esta forma de estar vá encontrando cada vez mais raízes e mais fortes, dentro do coração de mulher e de mãe, de cada uma de nós.

Esta é a minha visão.
Quem quiser participar nisto comigo é bem vindo, precisamente por isso:
- Porque juntas somos incrivelmente mais fortes.

Aceitam-se colaborações concretas em todo país e mesmo fora do país.
Entrem em contacto com 92 778 36 02 ou mail maesdetransicao@gmail.com
http://participarnasmaes.blogspot.com/ "

Sofia Machado

Imagem: Laurie Blank, Sunday Morning

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Elizabeth Taylor - Uma colossal deusa pagã



Ela conquistou o Oscar por Butterfield 8
"Butterfield 8 foi a minha bíblia. Elizabeth não queria fazer esse filme. Odiou o papel durante toda sua vida. Mas Butterfield 8 significou tudo para mim como adolescente. O filme formou muitas das minhas ideias sobre a tradição pagã que nos chegou da Babilônia e sobreviveu à violenta investida cristã na Idade Média. A primeira vez que você a vê no filme, naquela combinação apertada, colada no corpo, é fascinante. O vestido jogado no chão, ela escova os dentes com uísque, vai para diante do espelho e escreve, raivosamente, "não estou à venda" com batom. Para mim ela representava o poder supremo da mulher sexual. Houve um grande ataque feminista contra o símbolo sexual de Hollywood como se fosse mero objeto, uma commodity, passivo diante do olhar masculino. Isso é estupidez. Em Butterfield 8 há uma cena no bar em que ela está usando um vestido preto e brigando com Laurence Harvey. Ele a agarra pelo braço e ela pisa no pé dele com o salto fino do sapato. É o macho versus a fêmea - um jogo feroz em pé de igualdade. Ele é forte, mas ela também é. Essa cena mostra o poder e a intensidade da heterossexualidade, com todas as suas tensões e conflitos. Mostra também quão terrível é o cinema de Hollywood atual - com seu sexo falso e manufaturado. Butterfield 8 crepita de erotismo por causa da distância psicológica e a atração animal entre o macho e a fêmea. O filme captura as complexidades e lutas da sexualidade - tudo isso foi perdido neste nosso período de mudança de gênero fácil. A era das grandes rainhas do cinema acabou. Sharon Stone teve seu momento estelar em Instinto Selvagem. Não só na famosa cena do interrogatório na delegacia de polícia, mas em todas as outras ela comandou o sexo e a câmera. Ali, tive um breve momento de esperança: será que o sexo finalmente voltou a Hollywood? Mas não, eles jamais apresentaram novamente alguma coisa boa como essa para Sharon Stone."

Camille Paglia

Vale a pena ler toda a entrevista em:

http://zelmar.blogspot.com/2011/04/camille-paglia-entrevista.html

terça-feira, 17 de maio de 2011

MARIA


Me sentindo vazia
Fria
Nua
Fui pra rua
Respirar a Lua
E me vestir de pérolas
E ao raiar do dia
Eu vi Maria
Saindo pra luta
Pra labuta
De toda manhã
De toda tarde
De toda noite
Pra todo gosto
Todo desgosto
Pra qualquer troço
Qualquer troco
Na valentia
Trazer o pão-nosso
De cada dia
Na fábrica
Na calçada
Na empresa
Na mesa
Na cama
Na casa
Na carga
Da dupla jornada
Eu vi Maria
Na tia
Na avó
Na empregada
Na doce amada
Na inocente
Na demente
Na vadia
Eu vi Maria...
Há muitas eras
Em muitas terras
Com muitos nomes
Sagrada
Consagrada
És Senhora da Terra
Senhora das Águas
Senhora dos Céus
Senhora do Mar
Senhora do Escuro
Senhora da Luz...
Me olho no espelho
Me acho sem graça
E o que vejo é Maria
Cheia de graça
Sorrindo pra mim...
Maria dos montes
Das fontes
Das brumas
Maria pagã
Maria cristã
Maria das virgens
Maria das santas
Das meretrizes
Das cicatrizes
Guardadas na alma
Maria que acalma
As filhas
As mães
As avós
Velai por nós...

Ana Paim

http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com/2011/05/maria.html

sábado, 14 de maio de 2011

GAROTAS BOAZINHAS


O que nós somos muitas vezes é garotas boazinhas, com medo de fazer errado, de DESAGRADAR, de apanhar…

Então tu podes, tu deves quebrar essa imagem, esse espelho, gritar, barafustar. SER EXCESSIVA! SER TU MESMA, de forma egoísta, autocentrada, emocional…

Depois de saberes que podes ser tudo, agradar e desagradar, calar e falar, gritar e cantar… depois disso, e só depois disso, tu podes começar a sentir o que é melhor para ti, o que te desequilibra e equilibra, a ouvir o silêncio, a intuição que é exactamente abrires-te, depois de teres feito silêncio, para a grande mente cósmica…

Agora não penses que o consegues fazer antes de teres explorado os teus territórios e reclamado a sua posse… Vais ficar como uma panela de pressão prestes a explodir à primeira oportunidade, uma bomba relógio…

Imagem: Kate Kretz

HONRAR O CONHECIMENTO INTUITIVO


"As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente à sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos das suas tribos há séculos. As mulheres precisam de aprender a amar, compreender, e desta forma, curarem-se umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade.

O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido no nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados com os órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua." Jamie Sams

“Se você, Mulher, Mãe, jovem ou anciã ouve esse chamamento...

Esteja num círculo de mulheres!” Carol Magri

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A LUA QUE MENSTRUA




Aviso da Lua Que Menstrua
Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe, de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende, enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

A REPUGNÂNCIA DO CRISTIANISMO PELO CORPO FEMININO


“O povo amava as senhoras pejadas. Ardentemente as veneravam as mulheres. Orando por uma hora “breve”, uma “hora pequenina”, um “bom sucesso” no parto. Apelando à Senhora como seu princípio, o princípio feminino no céu.”

“A Senhora Mãe acalentando o seu filho. Nos braços. No regaço. Ao seio, nessas quase desconhecidas Senhoras do Leite. Mas, além destas imagens expostas, divulgadas, outras há. Durante anos e anos estiveram escondidas. Foram veladas. Foram enterradas. E até destruídas: são imagens das virgens pejadas, prenhadas, as senhoras do Ó ou da Expectação. Virgens grávidas. O repúdio oficial que as atingiu é significativo do que Simone de Beauvoir chama “a repugnância do cristianismo pelo corpo feminino” que “é tal que consente em votar o seu deus a uma morte ignominiosa, mas afasta-o da "mancha” do nascimento”.

Excertos de artigo de Helena Neves

in O Público 2004

Imagem Google (Nossa Senhora do Leite)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ORAÇÃO DAS MULHERES GUARDIÃS DA TERRA


MEDITAÇÃO COLETIVA PELA TERRA A 21 DE MAIO, ÀS 22H30.

ORAÇÃO DAS MULHERES GUARDIÃS DA TERRA

“O meu coração de mulher é aspergido

com o doce néctar da cura

que a Mãe Cósmica faz chegar até mim.

Neste momento sou parte do Círculo Sagrado de Mulheres de Luz,

e unida às minhas irmãs, activo a minha força espiritual

para irradiar energia amorosa

através das minhas mãos e da minha consciência.

Peço-te, Mãe Cósmica, que abençoes as minhas mãos

e as mãos d@s meus e minhas irmãs e irmãos de todo o mundo

para poder canalizar aqui e agora a tua Luz Curadora para a Mãe Terra.

Peço-te, Mãe Divina, que faças de nós um instrumento da tua paz.

Peço-te, Mãe Divina, que faças de nós um instrumento do teu amor.

Ajuda-nos a despertarmos como Mulheres Sagradas, guerreiras do Amor, defensoras da Vida.

Acompanhada pela força espiritual de todas as minhas irmãs,

envolvo a Terra numa intensa Luz Violeta

e limpo-a de todas as suas feridas.

Liberto neste instante a sua dor e sofrimento,

e envolvo a terra numa serena Luz Rosa,

enchendo de vibração amorosa cada recanto deste planeta.

O poder de gestação do meu útero une-se ao poder de gestação dos úteros das minhas irmãs,

E entre todas formamos um círculo sagrado de proteção da Mãe Terra.

Estando juntas e conscientes do nosso poder feminino unido,

o nosso Amor é uma arma concreta,

mais poderosa que qualquer arma de guerra.

Abro nas minhas circunstâncias atuais canais para a Graça Divina.

Comprometo-me a ser Guardiã da Mãe Natureza,

amando e cuidando de tudo aquilo que a Deusa criou na Terra.

Comprometo-me a manter sempre viva esta oração,

fortalecendo o Círculo de Mulheres de Luz.

E através dos meus atos quotidianos

Comprometo-me a semear Amor em toda a Terra.”

“2.222 mulheres em meditação poderiam mudar o mundo.”

https://www.facebook.com/event.php?eid=138391236232100

http://circulomujeres.wordpress.com/


segunda-feira, 9 de maio de 2011

AS DEUSAS DUPLAS - O CULTO DA MÃE E DA FILHA


Entre as inúmeras imagens de deusas antigas, encontram-se com frequência esculturas – em pedra, osso, argila – pinturas ou vasos em forma de deusas duplas ou geminadas. Elas simbolizam a polaridade biológica e oculta do princípio feminino, a eterna dança entre vida e morte, luz e escuridão, as fases da Lua, os ciclos da Natureza e da vida humana. Nos antigos Mistérios Femininos, as deusas duplas - aparecendo como mãe e filha ou irmãs - expressam os elos profundos dos laços de sangue, a solidariedade e parceria femininas, sendo um incentivo para a reformulação dos conceitos contemporâneos de cooperação e competição entre as mulheres.

A dupla de deusas simbolizava a soberania feminina na maioria das culturas pré-patriarcais, no nível espiritual e profano, representada pelos cultos matrifocais e a linhagem matrilinear. Com o passar do tempo, o ícone da Deusa Dupla metamorfoseia-se em Duas Mães, Senhoras, Irmãs ou Rainhas, reafirmando os laços de sangue e a parceria femininas. A iconografia da Deusa Dupla fortalece o conceito da natureza ambivalente da Grande Mãe, cujos polos de vida e morte se complementam numa mandala que mescla as forças de nascimento, crescimento, morte e renascimento. As mulheres espelham esta biologia bipolar, alternando nos seus corpos as fases hormonais (ovulação/menstruação), emocionais (expansão/retração) e espirituais (manifestação/contemplação). Nas culturas antigas ambas as polaridades eram honradas e consagradas, os rituais sendo organizados em função desta dualidade rítmica.

Assim como em outras mitologias, no Egito o tema da Deusa Dupla permaneceu durante milénios e era representado por várias deusas como Nekhbet/Wadjet, Tauret/Mut e Ísis/Nepthys.

A conexão complementar entre Ísis e Nephtys é muito antiga, dividindo entre si as regências: a luz lunar, a estrela matutina e o mundo visível e manifesto pertenciam a Ísis enquanto a face negra e oculta da Lua, a estrela vespertina e o mundo invisível e não manifestado eram o domínio de Nephtys. A sua dualidade – como faces opostas mas complementares da Grande Mãe – espelhava a dos seus maridos e irmãos, Osiris, deus da luz e fertilidade da terra e Seth, regente da escuridão e aridez do deserto.

Irmã gémea de Ísis, filha da deusa celeste Nut e do deus da terra Geb, Nepthys – ou Nebet Het - tem uma simbologia complexa e aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que representa o fim da vida – seu nome simbolizava os “confins da terra e do tempo” - ela também anunciava o renascimento. O Seu tempo sagrado era o anoitecer, quando o barco solar mergulhava nas profundezas da terra, delas ressurgindo na manhã seguinte abençoado pela luz de Ísis. O Seu título era a “Senhora da Casa” reproduzido pelo hieróglifo e a imagem sobre a sua cabeça, o de Ísis sendo “A Senhora do trono”, que adornava a sua cabeça.

Enquanto Ísis governava o céu e a terra, o domínio de Nephtys era o mundo desconhecido e misterioso dos sonhos, do inconsciente e dos fenómenos psíquicos, bem como a realidade desafiadora da transformação dos mortos em seres de luz .O que acontecia no mundo astral (de Nephtys) afetava o mundo natural (de Ísis), assim como também o contrário. A morte era uma passagem estreita da luz para a escuridão, mas a alma precisava de atravessar esta escuridão para alcançar novamente a luz, conforme dizia esta frase gravada nos sarcófagos egípcios: “Que possas acordar para uma nova vida com as bênçãos de Nephtys, que te renovou durante a noite fria e escura”.

Nephtys era a padroeira do sofrimento feminino e também da cura, enviando sonhos curadores e energias de alívio aos doentes, bem como apoiando os moribundos na sua passagem, o que a tornou a deusa guardiã dos ritos fúnebres. Juntamente com Ísis, ela foi a criadora dos rituais de reverência aos deuses e das práticas templárias e mortuárias. Chamadas de Ma’aty – a dupla verdade – as irmãs eram “As Senhoras”, que apareciam em forma de pássaros migratórios nos sarcófagos para descrever o inverno (e a morte), bem como a primavera (e o renascer). Representadas juntas e com as asas estendidas ao lado dos faraós sobre os seus sarcófagos, elas não apenas simbolizavam a sua proteção, mas também o seu renascimento. O espaço entre as suas asas forma o símbolo ka, o abraço divino que contém o todo e todas as suas partes.Isis e Nephtys tornam-se uma deusa só quando juntam as suas energias complementares e assistem Osiris na sua ressurreição, assim como fazem com o Sol (na sua passagem entre noite e dia) e acredita-se que farão com todas as almas na sua transição entre vida/morte e renascimento.

Mirella Faur

in. http://witchclubhouse.blogspot.com/2010/03/o-culto-da-mae-e-da-filha.html

Imagem Google (as deusas egípcias Íris e Nephtys)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PARA UMA MULHER QUE NOS INSPIRA TANTO


PARA ROSA LEONOR PEDRO

"Rosa, minha deusa…aceita meu amor…
Meu amor de filha, minha Ceres Iluminada...
Meu amor de aprendiz, rebelde às vezes... mas leal...

Às vezes, nós, meninas mais crescidas, ainda demoramos muito tempo a perceber toda essa intricada trama patriarcal, com as suas fantasias-armadilhas... ainda nos deixamos enredar por elas, ainda nos sufocamos e ficamos com os pés no ar, no cadafalso... Só quando sentimos de novo a chama ardente, e o grito que coa de dor dentro de nós, lembramos quem nós verdadeiramente somos...


Ainda serei rebelde muitas vezes, como uma filha perdida no inferno de Hades...

Ainda, se calhar, cairei na armadilha, vou desmaiar de medo, fazer xixi na cama, vou voltar com a cabeça cheia de piolho... kkkkkkkkkkkkkk... coisas q só uma mãe sabe cuidar...
Você ainda vai ralhar comigo, ficar zangada e rabugenta, praguejando as suas bruxarias.... kkkkkkkkkkk... mas eu estou aprendendo... eu, como tantas irmãs...

Já posso me sentar de noite na mesa da cozinha e beberiscar qualquer coisa, delirar, voar com minha vassoura... Vamos rir de madrugada, aquelas risadas de bruxa e fofocar das meninas ainda perambulando pelos reinos dos Hades modernos... tão perdidas, tão tontinhas... kkkkkkkkkkkkkkkk... vamos rir risadas de bruxa, fazer uma fogueira de madrugada no nosso quintal e dançar nuas, na chegada de alguma primavera... e não vamos dançar sozinhas... da sua semente, da minha, e de outras... novas flores e frutos irão ser ofertados a Ostara, à Ceres, a todas as deusas diânicas que zelam pelo feminino do mundo e preparam seu retorno...

Acho que eu só conheço uma mulher que não tem medo de ser bruxa, que não tem vergonha; muitas são ainda aprendizes como eu, algumas se apegam a receitas, alegorias, vassouras e chapéus, mas não são bruxas no essencial... são cinderelas brincando de bruxa... completamente submissas ao patriarcado, ainda dedicadas aos homens... e não estão de verdade ligadas às mulheres... nem à mulher em si mesma, nem à mulher ancestral... Queremos isso, mas ainda não chegamos lá... é que algumas mulheres, mesmo despertas, só tem coragem de seguir, segurando a mão do homem, ele é quem dá segurança, ainda não estamos religadas com as deusas altivas, fortes, poderosas, ainda não estamos no ciclo sagrado, apenas queremos entrar... Sonhamos com ele, desejamos a tenda sagrada das velhas sábias, desejamos de todo coração, tocar suas mãos, ajoelhar e pedir a bênção, como eu fazia com minha avozinha quando era pequena... Queríamos ao menos espiar, como meninas ainda, de pés no chão, que acordam de madrugada curiosas e ouvem o buchicho vindo da tenda, o burburinho das vozes, as melodias dos instrumentos, o cracalhar da fogueira... vemos os vultos, da dança... indecente, libidinosa, daquelas deusas safadinhas e serelepes...

Hoje, me sinto uma menina, que acordou a meio da noite, junto com outras, e espiamos as velhas bruxas, dançando nuas, para além daquela fogueira, e nós só vemos os vultos, esperamos o dia em que também estaremos em volta da fogueira... acho que eu ainda tenho tanto a aprender que nem sei andar ainda, estou engatinhando... mas tenho muita sede... sede de aprender e de fazer parte desse trabalho, de leva rosas para o altar, e descalçar minhas sandálias, para dançar nua, festejar a chegada da primavera... e homenagear deusas como você, Rosa Leonor, a Ceres de todas nós, ainda perdida nos subterrâneos de Hades, nós, Persefones virtuais... todas q queremos ser bruxas de verdade... e ainda estamos engatinhando, dando os primeiros passos... desejo de todo coração viver o dia em q as mulheres finalmente serão de fato leais umas com as outras, sem medo... essa força feminina, essa rede de amor fraterno, essa rede de luz, q fará de todas nós mulheres verdadeiras... muito diferente do que hoje em dia se considera ser mulher (se deitar debaixo de um falo...)

Seremos mulheres, deusas e bruxas... dançando descalças em volta da fogueira...
Celebrando mulheres como você, incansável Sacerdotisa...
Aceita-me, como uma menina de joelhos, com a mão estendida, esperando a sua bênção, como adulta, na mesma posição, expressando o meu reconhecimento ao seu valoroso trabalho em prol de todas nós e do feminino do mundo... o meu agradecimento por todo esse percurso em que me ensina tanto...

Aceita meu amor, minha gratidão e minha lealdade... te amo Rainha Rosa..."

NANA ODARA

Imagem: Google (altar de Hécate, Deusa da Sabedoria)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

EM DEFESA DA RAPARIGA EM NÓS



LEGENDADO EM PORTUGUÊS

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EU SOU UMA CRIATURA EMOTIVA

Adoro ser uma rapariga.
Posso sentir o que tu estás a sentir
como te estás a sentir agora
e aquilo que sentias
antes.

Eu sou uma criatura emotiva.
As coisas não vêm a mim
como teorias intelectuais ou ideias muito estruturadas.
Elas pulsam através dos meus órgãos, sobem pelas minhas pernas
e queimam os meus ouvidos.
Eu sei quando a tua namorada está farta
mesmo que penses que ela te está a dar aquilo
que tu queres.
Eu sei quando uma tempestade se aproxima.
Posso sentir a vibração no ar.
Posso dizer-te que ele não vai voltar a ligar.
É cá um feeling que eu tenho.

Eu sou uma criatura emotiva.
Adoro levar as coisas a peito.
Tudo para mim é intenso.
O meu estilo de andar na rua.
A forma como a minha mãe me acorda.
A maneira como ouço as más notícias.
Como fico bera quando perco.

Eu sou uma criatura emotiva.
Estou ligada a tudo e a tod@s.
Nasci assim.
Não te atrevas a dizer que tudo isto é mau
coisas de adolescentes
ou que é só porque eu não passo duma rapariga.
Estes sentimentos fazem-me melhor.
Fazem-me estar pronta.
Estar presente.
São eles que me dão força.

Eu sou uma criatura emotiva.
Há uma forma específica de saber.
E as mulheres mais velhas já a esqueceram.
Que bom que ela ainda esteja no meu corpo.

Eu sei quando o coco está prestes a cair
Eu sei que nós já abusámos demais da terra.
Eu sei que o meu pai não vai voltar.
Que ninguém está preparado para o fogo.
Eu sei que o batom
não é só aquilo que parece.
Eu sei que os rapazes se sentem super-inseguros
e que os terroristas não nascem já feitos.
Eu sei que um beijo pode acabar
com a minha habilidade para tomar decisões
e, sabes, às vezes, é bom que assim seja.

Isso não é o fim do mundo.
São coisas de raparigas.
O que todos devíamos ser
se a grande porta dentro de nós continuasse aberta.
Não me digas para não chorar.
Para acalmar
Para não ser tão exagerada
Para ter juízo.
Eu sou uma criatura emotiva.
Foi assim que a terra foi feita.
É assim que o vento continua a polinização.
Tu não podes dizer ao Atlântico
que tenha modos.

Eu sou uma criatura emotiva.
Por que me queres derrubar
ou desligar?
Eu sou aquilo que resta da tua memória.
Eu estou ligada à tua fonte.
Nada foi ainda diluído.
Nada vazou.
Eu posso trazer tudo de volta.
Eu adoro poder sentir o que vai na tua alma
os teus sentimentos,
mesmo que eles acabem com a minha vida
mesmo que magoem muito
ou me façam descarrilar
mesmo que destrocem o meu coração.
Ela tornam-me responsável.
Eu sou uma criatura emotiva
devotada, incondicional
E, ouve-me, eu adoro,
adoro, adoro
ser uma rapariga.


Eve Ensler, dramaturga e ativista, é a fundadora da V-Day, um movimento global para acabar com a violência contra mulheres e raparigas. Em conjunto com o EU SOU UMA CRIATURA EMOCIONAL, V-Day criou um programa-piloto, V-Girls, para mobilizar as mulheres jovens para o "empowerment filantrópico" proporcionando-lhes uma plataforma que lhes permite amplificarem as suas vozes.

(Tradução Luiza Frazão)

domingo, 1 de maio de 2011

A EXPERIÊNCIA DO FEMININO NA SUA MAIS PURA ESSÊNCIA


"Uma penteadeira toda cercada de espelhos que refletiam frascos de cristal; tinha pequenas gavetas que eram um fascínio, com caixas de perfumes e de pó-de-arroz e, entre a tampa da caixa e o pó, uma espécie de esponja levíssima que quando a gente soprava parecia voar. Uma cama de casal com um medalhão de madeira clara desenhado na cabeceira. A cama usualmente era coberta com um forro de cetim e, sobre este, uma colcha de cambraia branca com bordados abertos; no centro, outro medalhão de renda de filé fazendo o desenho de um cupido.

No quadro que em mim ficou gravado, a colcha de cambraia tinha sido dobrada; sobre travesseiros e deitadas no forro de cetim, duas mulheres amigas de minha mãe, e talvez minha mãe fosse uma delas, amamentavam seus bebês. Tinham tirado seus vestidos e estavam de combinações de cores claras, também de cetim. Outras mulheres estavam em volta, sentadas nos pés da cama e na banqueta da penteadeira. Todas falavam ao mesmo tempo e riam. Eu, a mais velha de muitas crianças que vieram depois, fui naturalmente admitida a um momento que era todo suavidade e graça. Participava de um mundo colorido e cheio de perfumes, de brilho de espelhos, cetins e cristais, um mundo cujo significado e mistério eu busca- ria sempre decifrar. Não se perpetuou como símbolo de maternidade mas de algo em que a maternidade simplesmente está inserida. Algo mais leve - uma realidade que ecoa dentro de mim como notas arpejadas, tênues, doces, traduzindo a experiência do feminino em sua mais pura essência."

Zelita Seabra (através de Mulheres & Deusas)

Imagem: Laurie Blank

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma doçura implacável


Mulheres E Deusas Blogue 29 de Abril de 2011

A Mãe diz:
Toda a energia é uma só, todas as experiências de sensibilidade de sentimentos são diferenciações da única grande experiência de Sensibilidade e de Sentimento. No corpo emocional a Mãe vai fazer descer uma Doçura implacável, um Carinho terrível, uma Pureza erótica, uma Transubstanciação.

O que é um Carinho e uma Doçura implacáveis? É a força da Mãe repensando as substâncias dos teus veículos, e essa ondulação estabelece um princípio de paz, quietude e transparência para com o princípio Filho que já está estabelecido em ti.
Quando se fala de uma Pureza erótica, significa que toda a potência que antes era utilizada no fogo vermelho é organizada pelo poder da Mãe; então tem que ser a Mãe que vem e diz assim:
Agora este fogo vermelho vai passar a azul. E tu não sentes quebra nenhuma no circuito da Energia, Ela Transubstanciou, Ela Modulou os Fogos."

André Louro de Almeida - Portugal - 1999

Imagem: Google

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A DESUNIÃO ENTRE AS MULHERES SERVE PROPÓSITOS PATRIARCAIS




..."diria até que um dos grandes trunfos masculinos é de facto a poderosa força de união e cumplicidade relativamente ao feminino, em contrapartida a forma como as mulheres se relacionam umas com as outras é por vezes de uma extrema dureza.As mulheres no contexto social actual são rivais entre si perante o masculino e portanto desunidas na sua base sendo muito comum tomarem o partido do homem em detrimento de outras mulheres.



A própria sociedade porque baseada nos modelos de actuação masculinos fomenta esta desunião e torna-nos enfraquecidas e isoladas umas das outras. Parece-me que a fim de superar este desiquilibrio a primeira onda tem que partir de nós individualmente, somos nós mulheres que necessitamos mudar o nosso comportamento umas com as outras e apoiar-nos mutuamente. Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós proprias e sobre os nossos preconceitos."


Lurdes Oliveira (comentário ao blogue Mulheres & Deusas)


Imagem Google (filme "The Other Boleyn Girl")

E O HOMEM CRIOU A MULHER... À SUA MEDIDA E CONVENIÊNCIA...


O INSTINTO E A RAZÃO...E O EROTISMO

“(...) O instinto que nós apelidamos de sexual, sensual e erótico, ler “baixos instintos”, não é senão a procura de um estado de beatitude interna a que alguns chamam felicidade. Esta felicidade é a finalidade em que nos fixamos. Como a não conseguimos atingir, a ação acaba num efeito no resultado que é o prazer e não um fim em si nem um meio mas o acabar num acto incompleto ou num acto pelo qual todas as causas para o seu sucesso não estavam à partida reunidas. O prazer é de algum modo a forma imperfeita do que nós julgamos ser a felicidade, mas no mundo relativo que é o nosso será possível atingir essa felicidade?
Somos obrigados com isto a chegar a um outra constatação: o prazer é o que resta ao ser humano de mais desejável quando ele quer satisfazer o seu instinto.

É este instinto que a “civilização” nos fez esquecer e que os diferentes sistemas de educação colocam deliberadamente sob repressão em detrimento da natureza humana e evidentemente simbolizado nas sociedades paternalistas pela Mulher. Se o instinto é oposto à produção, a Mulher que é Instinto, que é Sensibilidade, que é Intuição, opõe-se fatalmente ao Homem que é Razão, que é Lógica, que é o Construtor, que é o Produtor, que é Organizador. E depois, os antigos terrores face à Mulher ficam bem presentes: a Mulher é também o Amor, e o amor culpado.
(...)

“Pelo seu poder sexual a mulher torna-se perigosa para a colectividade, cuja estrutura social assenta na angústia que, antigamente era inspirada pela mãe e hoje em dia tem como fonte o pai.” E se esta mulher é perigosa, ela é afastada, e remetemo-la às cavernas mais profundas, mascaramo-la, ou masculinizamo-la por vezes. A Deusa-Mãe tornou-se Deus-Pai. Mas como os homens têm necessidade ainda das mulheres, para quê aborrecer-se? Deus criou o homem à sua imagem, porque não haveria o homem de criar a mulher à sua imagem?” (...)

(in JEAN MARKALE – LA FEMME CELTE)

Imagem: Laurie Blank

DOMINAR O PREDADOR DENTRO DE NÓS

(...)
"A mulher que ouve a sua intuição, que percebe os seu sonhos, que ouve a voz interior das velhas e das mulheres guerreiras de sua ancestralidade e que possui o olhar suspeito dos desconfiados, essa sim, é uma ameaça ao predador natural da história e da cultura. Por isso o predador tem medo dela quando ela percebe a violência de seu algoz.

Para dominar esse predador que está dentro dela, e fora dela na sua cultura, ela precisa tomar posse de seu instinto selvagem, de seus poderes intuitivos, de seu ser resistente, ser guerreira, ser questionadora, ter insight, ter tenacidade e personalidade no amor que procura, ter percepção aguçada, ter audição apurada, ouvir os cantos dos mortos, ter sensibilidade, ter alcance de visão, cuidar de seu fogo criativo, ter espiritualidade, mesmo que para tudo isso ela sofra, ela sangre, ela trema, ela se rasgue e grite ou que vá ao fundo do poço do sofrimento humano para renascer mais bela !!!!! É UMA LUTA DELA CONTRA ELA MESMA. O predador natural da história faz com que ela se sinta ESGOTADA, mas mesmo assim ela vence, se quiser vencer. Ela renascida fará renascer também seus descendentes, inclusive os masculinos.
(...)
ELIANE POTIGUARA

terça-feira, 26 de abril de 2011

OS CICLOS DA NATUREZA SÃO OS CICLOS DA MULHER


“Os ciclos da natureza são os ciclos da mulher. A feminidade biológica é uma sequência de retornos circulares, que começa e acaba no mesmo ponto. A centralidade da mulher confere-lhe uma identidade estável. Ela não tem que tornar-se, basta-lhe ser. A sua centralidade é um grande obstáculo para o homem, cuja busca de identidade é bloqueada pela mulher. Ele tem que se transformar num ser independente, isto é, libertar-se da mulher. Se o não fizer acabará simplesmente por cair em direcção a ela. A união com a mãe é o canto da sereia que assombra constantemente a nossa imaginação. Onde existiu inicialmente felicidade agora existe uma luta. As recordações da vida anterior à traumática separação do nascimento podem estar na origem das fantasias arcádicas acerca de uma idade de ouro perdida. A ideia ocidental da história como movimento propulsor em direcção ao futuro, um desígnio progressivo ou providencial que atinge o seu apogeu na revelação de um Segundo Advento, é uma formulação masculina. Não creio que alguma mulher pudesse ter concebido tal ideia, já que a mesma é uma estratégia de evasão em relação à própria natureza cíclica da mulher, na qual o homem teme ser aprisionado. A história evolutiva ou apocalíptica é uma espécie de lista de desejos masculinos que desemboca num final feliz, num fálico cume”

In Personas Sexuais, de Camille Paglia (através de Rosa Leonor Pedro)

A PASSAGEM DO CULTO DA TERRA AO CULTO CELESTE DESLOCOU A MULHER PARA A ESFERA INFERIOR


“É correcta a identificação mitológica entre a mulher e a natureza. O contributo masculino para a procriação é fugaz e momentâneo. A concepção resume-se a um ponto diminuto no tempo, apenas mais um dos nossos fálicos pico de acção, após o qual o macho, tornado inútil, se afasta. A mulher grávida é demonicamente (diamon), diabolicamente completa. Como entidade ontológica, ela não precisa de nada nem de ninguém. Eu defendo que a mulher grávida, que vive durante nove meses absorta na sua própria criação, representa o modelo de todo o solipsismo, e que a atribuição do narcisismo às mulheres é outro mito verdadeiro. A aliança masculina e o patriarcado foram os recursos a que o homem teve de deitar a mão a fim de lidar com o que sentia ser o terrível poder da mulher. O corpo feminino é um labirinto no qual o homem se perde. É um jardim murado, o hortus conclusus do pensamento medieval, no qual a natureza exerce a demónica feitiçaria. A mulher é o construtor primordial, o verdadeiro Primeiro Motor. Converte um jacto de matéria expelida na teia expansível de um ser sensível, que flutua unido ao serpentino cordão umbilical, essa trela com que ela prende o homem.”*

In Personas Sexuais de Camille Paglia (através de Rosa Leonor Pedro)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

LEALDADE FEMININA



"A lealdade entre mulheres só pode acontecer a partir de um determinado estado de consciência das ditas mulheres. Ou seja: quem são, ao que se sujeitam ou não, qual a sua “estratégia” pessoal de emancipação. Donde vêm, o que as divide, o que as pode unir. Bem sei que há a força de certos laços afectivos mas eles empalidecem frequentemente perante os cancros da competição face ao homem, dos padrões sociais extremamente redutores do seu poder inato e da autonomia do seu ser. A ordem estabelecida (patriarcal) fomenta o culto e a superioridade da beleza física e da juventude, fomenta a intriga, a inveja e a deslealdade entre as mulheres (dividir para controlar), desencoraja o aprofundamento dos aspectos hoje herméticos e quase esquecidos da Mulher Inteira.
Para ser leal é preciso saber desmontar as armadilhas sistémicas antes que elas nos manipulem e nos afastem umas das outras.
Ser leal é estar com, ao lado de, é substituir-se a, quando necessário. Ser leal é dar a mão, acarinhar, proteger, pôr acima de tudo, amar, acarinhar...na alegria, na celebração mas em especial na hora amarga, na hora da dor, do desamparo. De forma consequente, continuada, firme. Não episódicamente, por capricho ou impulso momentâneo. Mas por uma corrente subterrânea, anímica, um fundo comum, um laço sagrado ligado à própria essência da Vida."

MARIANA INVERNO
Imagem do filme "My Best Friend Girl" (Google)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

SERÁ POSSÍVEL A AMIZADE ENTRE MULHERES?


Hoje uma amiga pede-me que fale das relações entre mulheres. Acreditamos que tais amizades sejam possíveis, pergunta ela, depois de citar alguém, um homem, muito cético sobre o assunto.

O que seria da minha vida sem as amizades, sem os laços que estabeleci com as várias mulheres com as quais fui sentindo afinidade ao longo dos anos? Garantidamente um deserto. As mulheres são seres vivos, animados, vibrantes, apaixonados, criativos, inteligentes, versáteis, compassivos, tolerantes. Antes de também serem carentes e inseguras. Tudo qualidades que reconheço em mim.

Mas o maior problema das mulheres é serem tão pouco livres e autónomas. Logo que entramos de cabeça na grande armadilha patriarcal chamada casamento, ou logo que a nossa vida começa a gravitar muito em torno dos homens – e é raro que isso não aconteça -, chapéu! Todo o nosso raciocínio fica ensombrado, já não somos “nós nem o outro, mas qualquer coisa de intermédio, pilar da ponte de tédio que vai de um para outro”, atrapalhando um bocadinho os famosos versos do poeta Mário de Sá Carneiro (O Outro).

Por que são, lamentavelmente, os homens muito mais centrais na vida das mulheres do que o contrário, já todas sabemos sobejamente, não vale a pena repetir tudo outra vez. Mas só para recapitular: quem nos mete medo tem muito poder sobre nós. Tem-nos na mão. Uma simples questão de sobrevivência. O poder que deixamos que os homens tenham sobre nós, visto de perto, é absolutamente ridículo e conseguiríamos neutralizá-lo se houvesse mais coesão entre as mulheres. Mas é a pescadinha de rabo na boca: seríamos mais livres se nos apoiássemos umas às outras; não nos apoiamos tanto como devíamos porque somos pouco livres.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando menstruo fica instaurado o meu tempo sagrado de mulher



"É tempo de se falar, mostrar e partilhar o conhecimento das mulheres. É tempo das mulheres descobrirem e reconstituírem os seus próprios mistérios – os seus processos de menstruação e nascimento e os ciclos das suas emoções. "O que é isto que eu estou sentindo?" "O que diria aos outros se explicasse o que é ser mulher?" A Deusa interior é aquela que sabe, que leva informação de um sistema para o outro.
Pela Deusa, foi concebido às mulheres o dom de criar (gerar) e nutrir. É necessário, para caminhar com beleza e saúde, alinhar-se com as forças cósmicas, as mesmas forças que as medicinas tradicionais nativas reverenciam, identificando-nos com os elementos da natureza (ar, fogo, terra, água e éter) que estão em tudo. Este alinhamento com a natureza traz-nos o shakti-prana, ou a respiração da Grande Mãe, que se move em cada célula do nosso corpo. Esta energia permeia os dois chakras inferiores localizados perto do períneo e do osso sacro. O shkati-prana tem de estar em equilíbrio para que o aparelho reprodutor feminino, órgãos genitais, útero e abdómen estejam sadios. Em outras palavras, a mulher necessita tomar conhecimento do seu poder de criação.
A saúde e o bem-estar da família, da sociedade e da cultura giram em redor da mulher e dependem em grande parte da sua própria saúde, ou seja, se a capacidade de manter o fluxo de suas energias criativas está em dia.
A característica mutante da mulher presente desde a pré-história revela hoje ser a grande chance para a reintegração das perspectivas femininas no pensamento da corrente dominante. E é claro que a consciência ecofeminista é a via política e ativista para garantir a consciência dos ciclos femininos. (…)

DeAnna L'am (através de Rosa Leonor Pedro)

domingo, 17 de abril de 2011

Morremos de tão boazinhas...



“Não é o bom comportamento, mas a actividade lúdica que é a artéria central, o cerne, o bulbo cerebral da vida criativa. O impulso para o lúdico é instintivo. Sem o lúdico, não há vida criativa. Com o comportamento restrito ao “bom”, não há vida criativa. Quando estamos sentadas sem nos mexer, não há vida criativa. Quando falamos, pensamos e agimos apenas com modéstia, não há vida criativa. Qualquer grupo, sociedade, instituição ou organização que incentive as mulheres a desprezar o que for excêntrico; a suspeitar do que for novo e incomum; a evitar o que for inovador, vital, veemente; a desprezar o que lhe for característico, estará à procura de uma cultura de mulheres mortas.”
Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que Correm com os Lobos

sábado, 16 de abril de 2011

O PREDADOR – MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA



“Ao trabalhar com adolescentes mais velhas que vivem convencidas de que o mundo é bom se conseguirem lidar com ele de forma correta, sinto-me sempre como um velho cão grisalho. Tenho vontade de pôr as patas diante dos olhos e de gemer, porque vejo o que elas não vêem e sei, especialmente se forem determinadas e exuberantes, que elas vão insistir em se envolver com o predador pelo menos uma vez antes que sejam despertadas com um choque.

No início das nossas vidas, o nosso ponto de vista feminino é muito ingénuo, o que quer dizer que a nossa compreensão emocional do que está oculto é muito ténue. No entanto, é assim que todas começamos. Somos ingénuas e convencemo-nos a entrar em situações muito confusas. Não ser iniciada nos detalhes dessas questões significa estar num estágio das nossas vida em que somos propensas a perceber apenas o que está às claras.

Entre os lobos, quando a mãe deixa os filhotes para ir caçar, os pequenos tentam ir com ela para fora da toca, pela trilha abaixo. Entretanto, a mãe rosna-lhes e apavora-os, até que eles voltem atabalhoadamente para dentro da toca. A mãe sabe que os filhotes ainda não têm condições para pesar e avaliar outras criaturas. Eles não sabem quem é um predador e quem não é. Mas com o tempo ela irá ensiná-los com rigidez e eficácia.

À semelhança dos filhotes de lobo, as mulheres precisam duma iniciação semelhante, que lhes revele que o mundo interior, assim como o exterior, nem sempre são locais propícios. Muitas mulheres não chegam a receber os ensinamentos básicos a respeito de predadores que a mãe loba dá aos filhotes como, por exemplo, se for ameaçador e maior do que você, fuja; se for mais fraco, pense no que quer fazer; se estiver doente, deixe-o em paz; se tiver espinhos, veneno, presas ou garras aguçadas, recue e vá na direção oposta; se tiver um cheiro bom, mas estiver cercado de garras de ferro, passe a direito.”

Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que Correm com os Lobos
Imagem: Google

quinta-feira, 14 de abril de 2011

QUERIDA MULHER

Filme maravilhoso, Dear Woman no original, em que vários homens pedem perdão às mulheres por todas as ofensas cometidas pela sociedade patriarcal contra o Feminino. Lamento não ter encontrado ainda nenhuma versão legendada em Português, mas logo que encontre trago-a.
O texto que homens de várias idades e culturas dizem é o do Manifesto dos Homens Conscientes (A Manifesto for Conscious Men), criado no Facebook, e já subscrito por milhares de pessoas.
A polémica, entretanto, instalou-se e os autores, Arjuna Ardagh e Gay Hendricks, já foram até ameaçados de morte. Os argumentos são idênticos aos usados por quem considera desajustado estar-se agora a pedir desculpa aos povos que no passado estiveram sujeitos ao regime de escravatura, por exemplo. Além disso, não reconhecem legitimidade aos dois autores do Manifesto/filme para representarem a totalidade dos homens do planeta.

Apesar de tudo, considero este gesto muito importante, bonito e sobretudo curador. Sugiro que vejam o filme, porque mesmo que não compreendam as palavras, vão sentir a intenção, a autenticidade e a beleza destes homens lindíssimos.



quarta-feira, 13 de abril de 2011

Homens e Mulheres - denunciar os jogos que até aqui têm prevalecido




A DICOTOMIA DA MULHER



“Há muito tempo que o homem e a mulher não falam a mesma linguagem. A imagem de um não se sobrepõe ao outro. Anjo ou demónio, Virgem ou Bruxa, Mãe ou Puta, o homem vê a mulher como uma ameaça e como uma necessidade imperiosa numa ambiguidade Ódio-Amor. A mulher vê o homem como um opressor do qual é vítima porque ela esforça-se para o satisfazer, andando à volta dele e das suas necessidades, aliena-se de si mesma tornando-se indispensável pensando que só assim será amada. A negação ou a usurpação dos papéis fez despender uma enorme energia, sofrimentos e erros que continuam a alimentar os jogos. Dois seres, cada um deles cego para a sua verdade interior, procurando ao longo de uma vida perceber um pouco deste mistério, caminhando na direcção um do outro pedindo-se mutuamente um pouco de luz...”


Paule Salomon (através de Rosa Leonor Pedro)




Imagem: Laurie Blank

terça-feira, 12 de abril de 2011

A feminilidade é uma dor colectiva de profundidade indescritível

O excerto do livro NIKETCHE, de Pauline Chiziane, publicado por Rosa Leonor Pedro no grupo Mulheres & Deusas (Facebook) fez-me lembrar este outro de Marianne Williamson. Não resolvemos nada fingindo que essa dor não existe ou que é coisa do passado, não deste tempo em que supostamente as mulheres já “conquistaram tudo”, como ingenuamente crêem algumas pessoas. A nossa única saída é a coragem para olhar de frente a verdade e sentir uma profunda compaixão por todas as nossas irmãs e por nós mesmas. “Em todas as cidades do mundo, a cada minuto e em cada momento, há mais mulheres a chorar, aos gritos ou em silêncio, do que qualquer pessoa – homem ou mulher – poderia imaginar. Choramos pelos nossos filhos, pelos nossos amantes, pelos nossos pais e por nós mesmas. Choramos de vergonha porque sentimos que não temos o direito de chorar, e choramos em paz porque sabemos que é a nossa hora de chorar. Choramos em gemidos e choramos em grandes soluços. Choramos pelo mundo em que vivemos. Mas, ainda assim, julgamos estar a chorar sozinhas. Sentimos que ninguém nos ouve. E agora devemos prestar atenção. Precisamos de pegar na mão desta mulher que chora, e consolá-la ternamente, senão ela – esse reflexo do eu colectivo feminino – transformar-se-á num monstro que ninguém deixará de ouvir.” “(...) ela vive neste momento, prisioneira embora ainda coberta de todas as suas antigas e aviltadas regalias. Ela parece uma criança embora não seja criança. Ele é a nossa mãe, nossa filha, nossa irmã, nossa amante. Ela precisa de nós, e nós precisamos dela. A feminilidade hoje é experimental e precária, algo mais definido pelo que não é do que por aquilo que é. Para algumas mulheres isso não é um problema. Elas superaram as complexidades das projecções e dos equívocos da sociedade e agora pairam acima das nuvens. Para a maioria, entretanto, as resistências que encontraram quando tentavam alcançar as alturas foram tão fortes que as suas asas agora pendem inertes, e elas não se aventuram mais. A feminilidade é uma dor colectiva de profundidade indescritível, e quando tentamos expressá-la, estamos sujeitas a ouvir: “Lá estão vocês outra vez a reclamar!” Enquanto isto acontecer, nada menos que toda a humanidade estará impedida de prosseguir na sua jornada até ao destino cósmico.” Marianne Williamson, in O Valor da Mulher Imagem do filme Lágrimas e Suspiros, Ingmar Bergman

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A GRANDE CISÃO DO FEMININO


Excertos da análise, muito interessante, do caso duma paciente, feita à luz da Psicologia Arquetípica:


O ESPECTRO DO FEMININO: DO SAGRADO AO PROFANO


Ana Carolina Silva Freire

Elisa Maria Chab Billwiller

Márcia Helena Mendonça

“(…) S. traz, em suas manifestações conscientes, clara identificação com o arquétipo de Deméter, a deusa maternal. Em contrapartida, em seus sonhos, aparece o arquétipo de Afrodite, a deusa do amor. Tal aspecto é confirmado pelo fato de S. manifestar grandes dificuldades em conciliar seus impulsos maternais e eróticos. Da análise dos sonhos e discurso da paciente, estabeleceu-se com clareza a díade Deméter-Afrodite, Lilith-Eva, reforçando a idéia da cisão do feminino em S. Segundo CORBETT (1990), o mesmo díptico aparece na mitologia cristã, entre a Virgem Maria e Maria Madalena. A Virgem Maria é a idealização da feminilidade, pessoa de absoluta pureza sobre a qual não há sombra de pecado. Sua primeira associação é com o filho, que é sacrificado; o papel de Maria como esposa e mulher é insignificante. No lado oposto, está Maria Madalena, o lado sexualizado da díade, como figura feminina com quem as mulheres podem se relacionar sem trair sua natureza essencial. Sua imagem, como o da prostituta sagrada, é capaz de encerrar todos os aspectos dinâmicos e transformadores do feminino - paixão, espiritualidade e prazer. Através dela, a Grande Deusa, vive no cristianismo. Da mesma maneira as mulheres do mundo patriarcal, as modernas Evas, frequentemente encontram sua natureza Lilith no espelho, isto é, na sua reflexão narcísica. A mulher precisa ficar atenta a seus próprios valores naturais, unir Lilith a Eva, e viver o eterno ciclo de alternância entre estes opostos. Esta divisão entre o sagrado consciente (identificado com Deméter, Eva e a Virgem Maria) e o profano inconsciente (representado por Afrodite, Lilith e Maria Madalena), tornam o feminino consciente de S. unilateral e portanto neurótico.

(…)


Pela imensa dificuldade de integrar seu feminino, o consciente da paciente tende a chamar para si o rapto e a violência pois, aquilo de que ela se defende e que constitui o oposto de sua atitude consciente, não lhe dará sossego e a perturbará até que seja aceito.


Segundo JUNG (1995), a única pessoa que escapa da lei sinistra da enantiodromia* é aquela que sabe como se afastar do inconsciente, não reprimindo-o - porque neste caso o inconsciente haverá de atacá-la pelas costas - mas, colocando-o claramente à sua frente, como aquilo que ela, a pessoa, não é. Esta atitude permitiria, por um lado, despojar o ego da falsa cobertura da persona, e por outro, do poder de sugestão das imagens primordiais, o que para Jung representa o objetivo do processo de individuação. A moralidade judaico-cristã tem, de forma direta ou indireta, influenciado poderosamente as atitudes com relação ao feminino. Esta visão convencional relega o feminino ao exílio, negando o instinto, o sentimento e dissocia a maternidade da sexualidade. Este legado milenar de cisão interna toca indiscriminadamente a todas as mulheres, destituindo-lhes de identidade como tal. Mulheres eternamente em busca de si mesmas, com a única e suprema pretensão de serem apenas o que lhes é inalienável por herança genética, por direito e por justiça: serem mulheres na mais profunda e plena acepção da palavra.”




*Enantiodromia é um conceito introduzido na psicologia pelo psiquiatra Carl Gustav Jung no qual a superabundância de qualquer 'força' inevitavelmente produz o oposto do que é expectativado. É de certo modo equivalente ao princípio de estabilidade no mundo natural, onde qualquer extremo vem a ser incompatível com a idéia de equilíbrio, tal como esse conceito é entendido.

Jung o utilizou particularmente para se referir à ação inconsciente, conflitante com os desígnios da mente consciente. ("Aspectos da Masculinidade",capítulo 7). Wikipedia


Imagem: Perséfone, Dante Gabriel Rossetti

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O FEMININO MULTIFACETADO


"(...)Na verdade, muito do que Inana simbolizava para os Sumérios foi exilado desde aquela época. Muitas das qualidades ostentadas pelas deusas do mundo superior foram dessacralizadas no Ocidente, assumidas por divindades masculinas e/ou extremamente comprimidas, idealizadas pelo código moral e estético do patriarcado. É por isso que a maioria das deusas gregas foram engolidas pelos seus pais e a deusa hebraica foi despotenciada. Restaram-nos apenas deusas minimizadas ou restritas apenas a determinados aspetos. E muitos dos poderes antes apresentados pela deusa perderam a conexão com a vida da mulher: o feminino apaixonadamente erótico e lúdico; o feminino multifacetado dotado de vontade própria, ambicioso, real.


Na verdade, AS MULHERES TÊM VIVIDO APENAS NO DOMÍNIO PESSOAL, na periferia da cultura do Ocidente, em funções fortemente circunscritas, frequentemente subordinadas a homens, posição social, filhos, etc., OCULTANDO A SUA NECESSIDADE DE PODER E PAIXÃO, vivendo em segurança e secundariamente na relação com nomes sobrecarregados, NOS QUAIS SE PROJETOU TODO O PODER QUE A CULTURA LEGITIMA PARA ELAS. O que então se tornou comportamento coletivamente aceite para as mulheres perdeu a conexão com o sagrado, ao mesmo tempo em que a estatura natural da deusa era reduzida. Tornou-se cada vez mais hipertrófico o superego patriarcal, originalmente necessário para inculcar a sensibilidade estética; a seguir, esse superego foi fortalecido pela Igreja Cristã institucional, com o fim de disciplinar as emoções tribais e selvagens do mundo medieval. A partir do Utilitarismo e do Vitorianismo, o superego comprimiu e regrediu tanto essas energias vitais, que agora elas têm de irromper, forçando, entre outras coisas, o retorno da deusa à cultura ocidental.”


Sylvia B. Perera, Caminho para a Iniciação Feminina

O CORPO INVISÍVEL DA DEUSA


As Aves, as Cobras e o corpo invisível da Deusa


"As aves e os objetos do céu formam um aspecto do corpo visível. O ar, no entanto, conduz-nos ao reino do invisível. Podemos senti-lo quando ele sopra sobre nós, e conhecemo-lo no nosso corpo quando respiramos. A respiração transmite vida e espírito, uma palavra que deriva do latim spiritus, que significa "respiração, sopro de vida". Mas na nossa extensão normal dos sentidos, não conseguimos ver nem tocar o ar.


A ideia do corpo invisível da Deusa foi-me sugerida pela primeira vez quando pensei no significado das aves nas religiões e nas mitologias do mundo. Na arte neolítica, descobrimos uma grande série de esculturas, cerâmicas e pinturas de Deusas aladas. Muitas Deusas, como Afrodite e Athena, têm aves como companheiras. Outras Deusas e Deuses transformam-se em aves, ou recebem mensagens de aves, como o Deus escandinavo Odin, cujos corvos gémeos, Hugin e Munin - o Pensamento e a Memória – lhe trazem notícias do mundo inteiro. Também os xamãs de muitas culturas se vestem como aves para viajar pelas regiões dos espíritos.


As aves representam a Deusa porque viajam no ar, o seu corpo invisível, enquanto os humanos só podem viajar no corpo visível da terra; para viajar no mar, precisamos de criar barcos, que com a sua forma semelhante a um útero, adquirem o caráter de fêmeas. E como estas aves "falam" sob a forma de canto, elas podem ser as portadoras da sabedoria codificada da Deusa, assim como a inspiração para a arte, outra maneira do seu corpo invisível se movimentar rumo ao visível.


As aves ligam-nos às cobras, mesmo que apenas através da sua oposição simbólica. Elas movem-se através do ar invisível. Já as cobras, mais que qualquer outra criatura, deslizam através do corpo invisível da imaginação. As mitologias de todo o mundo descrevem a conexão íntima - frequentemente a antipatia - existente entre as aves e as cobras. Em quase todas as culturas, ambas aparecem como as criaturas primárias da Deusa. E nem sempre são inimigas. Muitos mitos e histórias de fadas contam a versão de um herói que prova o sangue de uma cobra e aprende a "linguagem das aves", ou seja, todo o conhecimento. A ave viaja para os mundos invisíveis do alto; as cobras deslizam pelos mistérios que há debaixo da terra.


As aves e as cobras parecem representar a cisão (ou o jogo) entre o consciente e o inconsciente, a racionalidade e o instinto. É fácil compreender o fascínio pelas aves com a sua capacidade de voarem com graça rumo ao céu. Mas o que proporciona às cobras o seu mistério, a sua acalentada resistência em quase toda a mitologia?


Podemos considerar várias possibilidades. Para se desenvolver, as cobras precisam de trocar a sua pele periodicamente, o que lhes proporciona uma aura de imortalidade. As cobras têm uma qualidade andrógina: esticadas, parecem falos; enroladas, assemelham-se às dobras da vulva. (...) Com essa mistura de imagens masculina e feminina, as cobras são a sexualidade encarnada. E quando observamos as cobras enroladas em volta dos braços da Deusa, ou movendo-se através do seu cabelo, vemos a força dos nossos mais antigos primórdios unindo-se à imagem do poder divino."


Rachel Pollack


Imagem: a Deusa Serpente de Creta

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nasci no dia dedicado a Ártemis, Druantia e Ishtar...

O ANUÁRIO DA GRANDE MÃE Já tenho, é da Mirella Faur. Tive de pedir que mo trouxessem do Brasil."O mais completo estudo sobre a Deusa publicado em língua portuguesa". As deusas de cada mês, de cada celebração da Roda do Ano, de cada dia. Mirella Faur é uma das minhas autoras preferidas sobre este assunto.
29 de Março

"Delphinia ou Ártemis Soteira, celebração grega da deusa virgem lunar Ártemis, protetora dos recém-nascidos e dos animais.


Comemoração de Druantia, a deusa celta da fertilidade, da paixão e da sexualidade. Era tida como a Senhora das Árvores, sendo-lhe creditada a invenção de "Calendário das Árvores", o poder do conhecimento e da criatividade. Os Druidas, posteriormente, associaram este calendário ao alfabeto ogâmico, criado pelo deus Ogma, bardo da tribo dos seres sobrenaturais Tuatha de Danann, detentor da eloquência e inspiração artística.


Festival de Ishtar, a versão assíria da deusa suméria Inanna, contendo em si a complexidade das qualidades femininas: a alegre donzela, a mãe benevolente, a guerreira altiva, a amante instável, a conselheira sábia e a anciã severa.


Invoque a deusa Ishtar ao cair da noite, procurando conectar-se ao planeta Vénus. Medite sob a forma como está a viver a sua feminilidade. reforce os atributos que lhe são necessários na sua fase atual, preservando sempre a sua independência e auto-suficiência.

domingo, 27 de março de 2011

ALTARES

ANUKET - DEUSA VIRGEM


A MULHER LIVRE É FIEL AO "ARQUÉTIPO DA DEUSA VIRGEM"

"A Deusa Anuket está associada à Lua Crescente e a característica da Deusa desta fase é ser virgem. Mas virgem, no sentido de ser essencialmente uma-em-si-mesma. Isto explica o porquê de ser considerada uma Deusa andrógina. Ela não é, portanto, a contraparte feminina dum deus masculino. Ao contrário, ela tem um papel próprio. Ela é a mais Antiga e Eterna, a Mãe do deus Ra e Mãe de todas as coisas.

Da mesma forma, a mulher contemporânea que incorpora o arquétipo de Anuket é "virgem" na sua conotação psicológica. Uma mulher que é dependente do que outras pessoas pensam, o que a faz dizer e fazer coisas que realmente não aprova, não é virgem no sentido do termo. A mulher virgem é livre para ser como deseja. Ela é o que é.

Mas romper leis convencionais, não pode levá-la ao egocentrismo, pois deste modo a cura seria pior que a doença. Mas, como pode então a mulher libertar-se da sua orientação egocêntrica? Quando buscar objetivos não-pessoais e relacionar-se corretamente com a sua Deusa Interior, terá como resultado a libertação do egotismo e do egoísmo. Ela deixará então de ser vista como uma egoísta, para consolidar uma personalidade de significação mais profunda. Para tanto, deve ser conhecedora dos ensinamentos antigos da Deusa. É entendendo a conceção primitiva das deidades lunares, que eram tanto provedoras da fertilidade, como destruidoras da vida, que poderemos incorporar os princípios femininos das Deusas, tornando-nos então, "virgens", uma-em-si-mesma. "

Rosane Volpatto, através de Rosa Leonor Pedro (adaptado).

ANUKET : SIGNIFICA AQUELA QUE ABRAÇA...


Imagem: Google