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domingo, 13 de agosto de 2017

CONFERÊNCIA DA DEUSA DE GLASTONBURY 2017



22.ª CONFERÊNCIA DA DEUSA DE GLASTONBURY

Incrível esta 22.ª edição da mundialmente famosa Conferência da Deusa de Glastonbury, onde pelo terceiro ano consecutivo fui uma das Sacerdotisas do Círculo, designadas este ano por World Temple Priestesses. Éramos nove Sacerdotisas do Templo do Mundo, cada uma de nós simbolizando um dos pilares do Templo, tema representado graficamente nos nossos respetivos estandartes.  Esta Conferência foi ainda mais incrível pelo facto de ter sido a primeira organizada pela dupla Marion Brigantia, Katinka Soetens, a quem Kathy Jones, a fundadora, passou a pasta no ano passado. O par esforçou-se, trabalhou duro, esmerou-se, imprimiu ao projeto a excelente qualidade que já conhecemos do seu trabalho e o resultado foi para lá de brilhante.

 Pessoalmente, sinto-me grata por também ter feito parte do painel das apresentadoras, com um trabalho sobre a nossa Deusa de Duas Faces.

Mas voltando à Conferência, vou mencionar aquilo que mais me marcou no meio dum leque de trabalhos de extraordinária qualidade, o que ao nível dos workshops é apenas uma pequena amostra, uma vez que sendo em simultâneo apenas pude escolher 4. O primeiro deles entretanto já teria valido a deslocação a Glastonbury… Foi dinamizado pelas Mothers of the New Time, lideradas por Yeshe Rabbit Matthews, dos Estados Unidos. 12 mulheres (a 13.ª não pôde deslocar-se), todas elas líderes na sua própria comunidade, trabalhando em conjunto, sem perderem pitada do seu poder pessoal, em irmandade e parceria. Muito curador da forma como fomos educadas dentro do sistema patriarcal a competir e a “dividir para reinar”… Destaco ainda a pesquisa sobre a Deusa na República Checa, um trabalho profundo, criativo, inovador e inspirador, coordenado por Lilia Khousnoutdinova. Também foi inspirador ouvir sobre a criação da Roda do Ano da Deusa no Canadá, por Roz Bound, uma pesquisa vasta e delicada, que, garantiu-nos a investigadora, apenas verá a luz do dia caso obtenha d@s líderes das várias etnias indígenas permissão para incluir Deusas que pertencem aos seus panteões, evitando assim uma apropriação cultural que é outra forma de colonialismo…

Adorei o Egyptian Grove, onde trabalhámos com a poderosa energia de várias Deusas egípcias, uma oficina coordenada pela egiptóloga Olivia Kinsman e por Annabelle Markwick-Staff com a participação de outras sacerdotisas da tradição egícia.

Uma das autoras mais famosas da Deusa, a holandesa Annine Van der Meer, que escreveu “The Language of Ma, the Primal Mother”, trouxe-nos o seu mais recente e fascinante trabalho sobre a relação entre a Virgem Negra, Maria Madalena, a França e os lugares de poder do planeta, tema do livro neste momento em fase de tradução para o inglês. E depois a fantástica Jane Meredith, da Austrália, que não apenas nos falou mas nos deu a realizar como os poderosos símbolos da Deusa (romã, espiga de trigo, etc.) são uma imanência da própria Deusa… Sublime!

Destaco por último a sueca Elin Baath, sacerdotisa, professora e co-fundadora do partido Feminista da ilha de Gotland, na Suécia. Sim, precisamos de descer ao concreto, de meter mãos à obra na transformação do mundo, de trazer uma nova forma de lidar com as questões práticas e concretas, de governar o mundo numa perspetiva diferente, pondo o bem comum em primeiro lugar. Get political! E logo a seguir a grande revelação: a visão MotherWorld (MãeMundo), concebida por Kathy Jones e desenvolvida por um grupo ligado ao Templo da Deusa de Glastonbury, será transformada em partido político em Inglaterra! Blessed be!

No meio disto tudo, deixei para trás coisas fantásticas, como o espetáculo de quinta-feira à noite, the Wonderment Evening, com o show de marionetas sagradas das sul-africanas Aja Nomoya Marneweck, Makgathi Mokwena e Noxolo Blandile e a assistência musical de Heloise Pilkington, do UK. A noite acabou com o drama sagrado, um encontro de Deusas do mundo antigo – “The return of the top girls”… deslumbrante e cheio de graça.

É isso, a conferência de Glastonbury é mais do que um evento, é uma escola onde somos incentivadas a alcançar e a dar o melhor de nós mesm@s e por isso reúne cada vez mais o melhor do mundo inteiro. Abençoada seja!

Só acrescentar como é terapêutico estar num evento criado e abrilhantado por mulheres, sentindo e usufruindo do nosso poder, talento, sabedoria e criatividade - zona livre de patriarcado... Vários homens, que entendem que no centro agora é importante e urgente que esteja o Feminino e a Mulher, colaboram neste evento e são bem-vindos e muito amados e estimados, note-se.

Luiza Frazão

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