"Este momento do ano marca o princípio da segunda fase do
Inverno, quando nos movemos para a quietude da hibernação e para o foco na
interioridade que vai até ao Imbolc.
Este é o momento de fazermos
cerimónias para honrarmos a Mãe do Ar. Em Avalon Ela é Nolava do Ar, Danu, a
Morgen Tyronoe, Cailleach, Arianrhod da Roda de Prata. Nesta fase exploramos a nossa vida
espiritual, aprendemos a orar, a criar altares, começamos um diário de sonhos,
aprendemos a limpar a aura e a abençoarmo-nos mutuamente usando o elemento ar.
Momento ainda de aprendermos sobre proteção psíquica, de caminharmos pelas
paisagens sagradas d@s noss@s antepassad@s. Momento propício para irmos mais
fundo na nossa árvore genealógica e reivindicarmos a nossa linhagem.
A Mãe do Ar é a respiração
espiritual da Terra, a amorosa essência invisível que permeia todas as formas
criadas, tanto no mundo visível como no invisível. Ela é a Senhora dos Ossos, a
Senhora da Pedra, Calaica/Cale/Beira, a Anciã do Inverno que perdeu toda a
carne, que se tornou luz e imaterialidade.
Enquanto a Deusa Anciã nos conduz
para a morte, Calaica é a própria morte, o espaço entre vidas, entre a morte e
o renascimento. Ela á a quietude absoluta, a experiência do espírito antes da
forma, a antepassada imaterial do nosso povo. Através dela, podemos conectar-nos
com @s antepassad@s primordiais, os seres de Fogo, Gelo, Água, Ar e Terra que
criaram o maravilhoso mundo em que nós vivemos. Em visões ou em transe podemos
voar com os Seus pássaros do ar até Avalon, ou até ao Jardim das Hespérides, no
nosso caso, para encontrarmos @s noss@s antepassad@s remot@s.
A Mãe do Ar é ao mesmo tempo o
ponto da morte e a Eterna Vida que continua entre encarnações. Ela é o Ar e o
Vento, o Movimento do Invisível, Respiração, Ideia e Inspiração, a própria
Sabedoria e todos os seus frutos.
Frequentemente, quando nos
aproximamos d’Ela, o vento da Mãe do Ar sopra nas nossas vidas, limpando as
velhas teias de aranha na nossa mente, mudando o nosso modo habitual de vermos
as coisas. Ela pode ser suave como a brisa num dia de verão, que nos alivia do
calor excessivo, ou assustadora como um furacão, chamando a nossa atenção para o
Seu incomensurável poder. Ela despe as árvores e faz voar as telhas dos
telhados por cima das nossas cabeças, expondo o nosso medo e a nossa
vulnerabilidade. Podemos sentir o Seu toque quando subimos as encostas da Sua
paisagem, de onde por vezes Ela parece querer arrancar-nos. Somos muitas vezes obrigad@s
a dobrar-nos com a força das Suas rajadas e a aconchegar-nos nos Seu abraço
para nos mantermos de pé e no nosso centro. Por vezes, abrindo os braços como
asas, quase nos sentimos voar com Ela.

Os pássaros do ar pertencem-Lhe e
pela noite estrelada voam as Suas corujas, enquanto durante o dia pairam no ar os
abutres. Seus são os bandos de pequenos pássaros que buscam o que comer na
natureza e nos nossos quintais, agradecendo as sementes que deixamos para eles.
Em muitos dias do ano, é possível vê-los voando nas Suas correntes, subindo nos
céus ou descendo sobre a terra, inspirando-nos com o seu mágico poder de voar.
O ar é o elemento mais subtil e
simboliza a nossa natureza espiritual, é o elemento que nos conecta a todas as
criaturas. Human@s, plantas, animais, tod@s respiramos o mesmo ar…
Kathy Jones, Priestess of Avalon,
Priestess of the Goddess (traduzido e adaptado em alguns pontos à Roda do Ano
do Jardim das Hespérides por Luiza Frazão)
Imagens Google:
1. Serra da Estrela
2. Cabeça da Velha, Serra da Estrela
3. Deusa Arianrhod da Roda de Prata
4. Capela dos Ossos, Campo Maior
5. Coruja