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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

SOMOS NÓS OS PRIMITIVOS CELTAS?

"Verificamos afinal que "a "misteriosa chegada" dos Celtas ao Ocidente da Europa (...) é substituída pelo panorama de uma mais primitiva diferenciação dos Celtas, enquanto grupo indo-europeu mais ocidental da Europa (1). E que a Europa Ocidental deve ter sido sempre céltica" (...)

 A estes testemunhos sobre a celticidade do território português temos agora de acrescentar um dos mais recentes estudos sobre a escrita tartéssica (abrangendo todo o Sul de Portugal e boa parte do Sudoeste de Espanha e datável entre 800-550 a. C.) de John T. Koch (2). Este investigador vem, aliás, ao encontro do já aventado Xaverio Ballester (3), um dos mais famosos defensores do novo paradigma da continuidade paleolítica: o tartéssico (tal como o galaico-lusitano, para Ballester) deverá ser talvez acrescentado à lista das línguas célticas mais primitivas. Também nesta obra de Koch se inclui um texto (4), devidamente fundamentado, a questionar seriamente as teorias tradicionais. Mapas muito elucidativos, inseridos neste artigo, apresentam o que hoje, à luz de novos conhecimentos, se considera ser muito mais provável: foi no Extremo Ocidental da Europa que se situou o berço dos povos Celtas.

(1) Alinei, M., A Teoria da Continuidade Paleolítica das Origens Indo-Europeias: Uma Introdução, Lisboa, Apenas Livros, 2008

(2) Koch, John T., Tartessian, Celtic in the South-West at the Dawn of History, Aberystwyth, 2009

(3) Ballester, Xaverio, Sobre el Origen de las Lenguas Indoeuropeas Prerromanas de la Península Ibérica, www.continuitas.com

(4) O'Donnell, Charles James, Celtic Studies Lectures, 2008 (Was the Atlantic Zone the Celts Homeland? e People called Keltoi, the La Tène Style, and Ancient Celtic Languages: the Threefold Celts in the Light of Geography), in Koch, John T., op. cit, pp. 132 a 142

in Portugal, Mundo dos Mortos e das Mouras Encantadas, Vol. I,  Fernanda Frazão e Gabriela Morais, Apenas Livros, Lisboa, 2009

Imagem Google

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O SOLSTÍCIO DO INVERNO NA TRADIÇÃO DE AVALON E DA LUSITÂNIA



"Este momento do ano marca o princípio da segunda fase do Inverno, quando nos movemos para a quietude da hibernação e para o foco na interioridade que vai até ao Imbolc.

Este é o momento de fazermos cerimónias para honrarmos a Mãe do Ar. Em Avalon Ela é Nolava do Ar, Danu, a Morgen Tyronoe, Cailleach, Arianrhod da Roda de Prata. Nesta fase exploramos a nossa vida espiritual, aprendemos a orar, a criar altares, começamos um diário de sonhos, aprendemos a limpar a aura e a abençoarmo-nos mutuamente usando o elemento ar. Momento ainda de aprendermos sobre proteção psíquica, de caminharmos pelas paisagens sagradas d@s noss@s antepassad@s. Momento propício para irmos mais fundo na nossa árvore genealógica e reivindicarmos a nossa linhagem.

A Mãe do Ar é a respiração espiritual da Terra, a amorosa essência invisível que permeia todas as formas criadas, tanto no mundo visível como no invisível. Ela é a Senhora dos Ossos, a Senhora da Pedra, Calaica/Cale/Beira, a Anciã do Inverno que perdeu toda a carne, que se tornou luz e imaterialidade.


Enquanto a Deusa Anciã nos conduz para a morte, Calaica é a própria morte, o espaço entre vidas, entre a morte e o renascimento. Ela á a quietude absoluta, a experiência do espírito antes da forma, a antepassada imaterial do nosso povo. Através dela, podemos conectar-nos com @s antepassad@s primordiais, os seres de Fogo, Gelo, Água, Ar e Terra que criaram o maravilhoso mundo em que nós vivemos. Em visões ou em transe podemos voar com os Seus pássaros do ar até Avalon, ou até ao Jardim das Hespérides, no nosso caso, para encontrarmos @s noss@s antepassad@s remot@s.


A Mãe do Ar é ao mesmo tempo o ponto da morte e a Eterna Vida que continua entre encarnações. Ela é o Ar e o Vento, o Movimento do Invisível, Respiração, Ideia e Inspiração, a própria Sabedoria e todos os seus frutos.

Frequentemente, quando nos aproximamos d’Ela, o vento da Mãe do Ar sopra nas nossas vidas, limpando as velhas teias de aranha na nossa mente, mudando o nosso modo habitual de vermos as coisas. Ela pode ser suave como a brisa num dia de verão, que nos alivia do calor excessivo, ou assustadora como um furacão, chamando a nossa atenção para o Seu incomensurável poder. Ela despe as árvores e faz voar as telhas dos telhados por cima das nossas cabeças, expondo o nosso medo e a nossa vulnerabilidade. Podemos sentir o Seu toque quando subimos as encostas da Sua paisagem, de onde por vezes Ela parece querer arrancar-nos. Somos muitas vezes obrigad@s a dobrar-nos com a força das Suas rajadas e a aconchegar-nos nos Seu abraço para nos mantermos de pé e no nosso centro. Por vezes, abrindo os braços como asas, quase nos sentimos voar com Ela.


Os pássaros do ar pertencem-Lhe e pela noite estrelada voam as Suas corujas, enquanto durante o dia pairam no ar os abutres. Seus são os bandos de pequenos pássaros que buscam o que comer na natureza e nos nossos quintais, agradecendo as sementes que deixamos para eles. Em muitos dias do ano, é possível vê-los voando nas Suas correntes, subindo nos céus ou descendo sobre a terra, inspirando-nos com o seu mágico poder de voar.


O ar é o elemento mais subtil e simboliza a nossa natureza espiritual, é o elemento que nos conecta a todas as criaturas. Human@s, plantas, animais, tod@s respiramos o mesmo ar…

Kathy Jones, Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess (traduzido e adaptado em alguns pontos à Roda do Ano do Jardim das Hespérides por Luiza Frazão) 

Imagens Google:
1. Serra da Estrela
2. Cabeça da Velha, Serra da Estrela
3. Deusa Arianrhod da Roda de Prata
4. Capela dos Ossos, Campo Maior
5. Coruja

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

UM RITUAL PAGÃO NUNCA INTERROMPIDO



Tigh nam Bodach (the Hag’s House)

Localizado em Glen Calliche, perto de Glen Lyon, fica Tig nam Bodach (a Casa da Bruxa). Esta pequena estrutura em pedra contendo pedras moldadas pela água é conhecida como a  "Cailleach e as suas crianças". Nos meses de verão, do primeiro de maio ao primeiro de novembro, as pedras são colocadas fora do santuário, até que no começo do inverno elas regressam ao seu interior pelas mãos dos pastores locais.

Este é considerado o mais antigo ritual pagão nunca interrompido na Britânia e até mesmo, segundo algumas fontes,  em toda a Europa.

Trata-se de rituais relacionados com a divisão primordial do ano em duas estações, verão e inverno, o tempo da Deusa enquanto Donzela e o Seu tempo enquanto Anciã.

Fontes:
Sorita d’Este & David Rankin, Visions of the Cailleach)

Imagem: Google