Conteúdos

sábado, 30 de junho de 2012

CROSS BONES GRAVEYARD - curar as feridas do Feminino transformando lugares, e funções, de exclusão e de ignomínia em lugares de respeito e reverência


A primeira referência a este lugar encontrei-a na página do Facebook de Jacqueline Gemini Honeybee, e creio que a primeira foto é dela. Ao pesquisar sobre o cemitério de Cross Bones, encontrei também um blogue notável, cuja designação é Radical Joy for Hard Times (alegria radical para tempos difíceis...). O propósito da autora é contribuir para trazer harmonia, beleza e inclusão a lugares degradados e desprezados do planeta. Vale a pena visitar o blogue.




Então, Cross Bones Graveyard é um antigo cemitério de prostitutas no sudeste de Londres, um exemplo de como uma atenção amorosa a um lugar e às pessoas que com ele se relacionam satisfaz um profundo desejo da alma humana de reparar ultrajes e injustiças.

Perto duma estação de metro de Londres um portão metálico no meio de uma parede de tijolos foi adornado com hera, fitas coloridas, algumas com orações escritas sobre elas, flores, penas, ramos de ervas secas e outros presentes. Dentro do recinto, um pequeno canteiro bem cuidado com a forma dum coração.
Trata-se do famoso Cross Bones Graveyard , um cemitério onde as prostitutas foram enterrados há centenas de anos, começando em tempos medievais. As mulheres eram conhecidas como "Winchester Geese" (os gansos de Winchester), por terem sido licenciadas pelo Bispo de Winchester para trabalharem em bordéis legalizados, e não podiam ser enterrados em solo sagrado.

O terreno foi vendido para construção na década de 1880, mas durante mais de 100 anos nada foi construído até que o metro de Londres instalou aí uma sub-estação elétrica em 1990. Foi quando começaram a escavar que surgiram inúmeros esqueletos, muitos deles de prostitutas ainda crianças.
Desde então, esse lugar de anonimato e ignomínia foi embelezado e valorizado, informal e formalmente, através de cerimónias, como a celebração da noite de Halloween, ou simplesmente através duma atenção respeitosa.

John Constable, autor duma série de poemas e peças de teatro, Os Mistérios de Southwark, basead@s na vida imaginada de uma das mulheres, escreve:
"Temos realizado muitos rituais e eventos da comunidade no cemitério. Os rituais são simples, inclusivos e não-dogmáticos, enfatizando o respeito dos antepassados​​, e honrando o espírito deste lugar especial.  Cada noite de Halloween, desde 1998, centenas de pessoas fazem uma procissão à luz de velas, honrando estas mulheres que um dia foram proscritas com velas, incenso, cânticos e oferendas".


Membros da comunidade recolhem o lixo e enchem o santuário improvisado no portão com flores frescas. Estão a ser desenvolvidos esforços para obter permissão para transformar pelo menos parte do cemitério num jardim memorial.

'I was born a Goose of Southwark
by the Grace of Mary Overie
whose Bishop gives me licence
To sin within The Liberty.'
from The Book of The Goos, The Southwark Mysteries, John Constable

Fontes:

Imagens: Google

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O PRIMEIRO PASSO PARA HARMONIZAR O FEMININO É RECUPERAR AS NOSSAS ÁGUAS


Redescobrindo o princípio do divino feminino na água


Nos tempos atuais, quase se perdeu a consciência de que a água é a manifestação do Feminino no nosso planeta. E não é por acaso que numa cultura patriarcal e machista, onde o divino feminino é tão desrespeitado, as águas, justamente, estão tão poluídas e são cada vez mais escassas.
É a interessante reflexão que faz Kathi von Koerber, dançarina/curandeira e diretora de cinema, que vive na Alemanha e África do Sul.

“Estamos vivendo uma época em que nos damos conta de que durante séculos o valor real da água como a verdadeira forma do feminino foi negligenciado. Por milénios a humanidade reverenciou o elemento fogo, o filho do Sol. O fogo é uma manifestação do masculino no planeta Terra, e a água é o aspecto feminino. Na nossa história, fogo significou riqueza, potencial, capacidade de forjar ouro, massacrar e queimar impérios, conquistar territórios, cruzadas e caça às bruxas; e continua a ser usado como elemento de impacto e poder. Desta maneira, civilizações imperiais governaram com desdém pelo equilíbrio entre os elementos água e fogo. Este último, como relativo ao Sol no planeta Terra, tornou-se a celebrada força do elemento masculino de força e poder, e as águas, elemento feminino, lenta mas consistentemente foram depreciadas e poluídas.
Hoje as nossas águas estão em estado de profunda crise e nós human@s refletimos esse estado em nós mesm@s. Sem dúvida o ciclo da vida está a ser desafiado enquanto o aquecimento global acelera, barragens estão a interferindo com o fluxo da natureza e até mesmo o rio Amazonas está experimentando secas.

Igualmente, a saúde e o bem-estar interior da humanidade está experimentando pobreza espiritual e existencial. Desordens mundiais como a ansiedade, depressão, esquizofrenia, insónia, vícios e personalidades maníacas são resultado da crise interior. Desordens femininas como a TPM extrema, fibrose, cancro de útero, infertilidade e cancro da mama são apenas alguns exemplos que refletem a luta do sexo feminino para encontrar equilíbrio e saúde num mundo moderno afastado da natureza. Esta crise é resultado da falta de harmonia entre @s human@s; homens, mulheres e a sua relação mútua e consigo mesmos, a natureza e os elementos. E mais especificamente o desequilíbrio da água e do fogo nas nossas vidas.



Como passámos a compreender nas últimas décadas, a água é fundamental para a nossa sobrevivência futura. Mais do que nunca imaginámos. Como habitantes da Terra, nós entramos numa época onde precisamos de dar prioridade e de reverenciar mais a terra e os seus habitantes femininos para nos reequilibrar e harmonizar.

O princípio do feminino no planeta Terra pode ser encontrado no fluxo das águas. Os lagos, rios, tudo o que flui, acumula, nutre e eventualmente origina o oceano. Nos textos Védicos é dito que existem sete tipos de águas: nascentes, corredoras, rios, lagoas, lagos, aquíferos e o mar. Por exemplo, os lagos e lagoas representam o ventre, os rios e as cachoeiras a fertilidade e virilidade das águas e os oceanos representam o líquido amniótico. Os mares e oceanos são conhecidos em muitas tradições com a mãe das águas, também conhecido no Brasil como Yemanjá.




O elemento água é o sangue do nosso planeta, os rios são as veias da Terra e por natureza, as mulheres cuidam e abençoam a água. O princípio feminino é nutrir, manter seguro, como a mãe segurando e alimentando seu bebé. Ao nutrir o seu ventre, as suas crianças, as mulheres efetivamente nutrem as águas e a si mesmas. Portanto, as mulheres têm a responsabilidade de agir como guardiãs das águas. Toda água que flui traz a marca da nutrição, da mãe e da cuidadora.


A natureza do feminino é muito similar a um cristal. Cristais são condutores de energia, assim como as mulheres. Mulheres são geralmente mais sensíveis que homens, elas absorvem e transformam a energia, como uma mãe que cuida de seu filho com leite do seio. Da mesma maneira, pensamentos e emoções são absorvidos e armazenados nos nossos corpos através das nossas águas, como o nosso sangue que leva nutrientes para as células e órgãos. A água é um condutor e portanto precisamos de tomar cuidado com os pensamentos que colocamos na água pois ela pode absorvê-los. Quando absorvem e não libertam, as nossas águas podem ficar fisicamente desequilibradas, resultando em desarmonia ou doença. Então, para reestabelecer a harmonia, é preciso aprender a equilibrar as emoções e estar consciente de que estamos poluindo as nossas águas interiores com pensamentos negativos.

É o entendimento de que precisamos de participar ativamente dos ciclos da vida e não nos considerarmos separad@s da natureza. Para cada recebimento há uma retribuição. Assim como há um negativo, há um positivo, como uma bateria. Para cada recebimento de água há uma oferta. Para cada emoção há um ato de harmonização e limpeza. Como na natureza, para cada noite há um dia, enquanto o Sol e a Lua vivem harmoniosamente, as energias do fogo e da água podem novamente se realinhar.


Então para cada gole de água que sacia a nossa sede e limpa os nossos corpos, deve haver um ato recíproco. Um ato de devolver é um agradecimento em uma tentativa de harmonização das nossas águas internas e externas. Pensando positivamente quando cozinhamos, ou quando movemos as nossas águas internas através da dança, ou ao cantarmos e vibrarmos durante o banho. Compreender que toda a água que usamos foi usada pelos nossos ancestrais e será usada pelos nossos filhos e que portanto devemos honrar a linhagem e a continuidade da vida.
Com o tempo podemos reintegrar o ciclo da água nas nossas vidas, seja através de um estilo de vida sustentável, coletando as águas cinzas ou sabendo de onde vem a nossa água potável. Assim, o nosso conhecimento torna-se mais consciente do design sagrado da vida e das leis da natureza. Para homens e mulheres poderem também compreender que a cozinha, para uma mulher, é o ponto central da família e o altar vivo do equilíbrio alquímico da água e do fogo.

Não Podemos viver sem água. Água é vida, água dá vida e água tira vida.
Estamos vivendo no limiar da maior crise que a humanidade já vivenciou, que é a falta de água fresca e limpa. Portanto é extremamente importante como iremos tratar a água interna e externa. Uma crise planetária da água revela-se de três formas: água contaminada, falta de água e excesso de água. Nos nossos corpos, a água poluída manifesta-se como raiva, falta de água relaciona-se com tristeza e o excesso de água é o ciúme e ganância, todos levando a tormentos e desequilíbrio. Para quaisquer formas de turbulência sobre a água que falemos, o antídoto são a oração e as boas ações.

As mulheres foram abençoadas com o presente da auto-limpeza na forma de nosso ciclo menstrual. Assim como a terra tem os seus ciclos, os sistemas reprodutivos da mulher e o ciclo menstrual são um mecanismo de limpeza sintonizado com a lua. A lua é a guardiã do feminino que alinha as águas femininas e a menstruação aos ciclos do cosmos. Assim como a água se limpa a si mesma por osmose, evaporação, precipitação e filtragem durante a sedimentação, as mulheres libertam e transformam toxinas acumuladas, energias estagnadas e emoções através da menstruação. A menstruação é uma maneira do corpo e da mente se limparem para toda a família, pois a mulher é a peça central da família, pois é a que dá a luz e nutre. A menstruação foi suprimida pela sociedade ao ponto das pessoas tentarem escondê-la, fingir que não está acontecendo e ignorando-a. Todos os sintomas da TPM, ou saúde debilitada em torno da menstruação ou dos sistemas reprodutivos são claras indicações de alguma sorte de desarmonia espiritual ou física. Os ciclos naturais nunca deveriam ser considerados como certezas; o mesmo vale para o sistema menstrual da mulher.


O ciclo natural da mulher é um método altamente avançado para as mulheres se reconectarem à terra e limparem o seu ser interior. As mulheres precisam de aprender a honrar esse momento sagrado e serem apoiadas pelo seu entorno neste feito. Devolver o sangue menstrual como matéria fértil para o solo é uma prática ancestral, contrastante com o conveniente descarte na descarga do banheiro. A verdadeira reza da mulher para devolver seu sangue menstrual para a terra, através do uso do moderno e conveniente coletor de silicone (mooncupe) fortalece a comunicação direta com a terra e o eu interior da mulher. Isso permite que as mulheres novamente se tornem as suas próprias curandeiras e revigora a relação deteriorada com o planeta Terra. As emoções ficam ancoradas ao solo e não na água. Quando o sangue menstrual é depositado na água, a água se torna mais volátil com emoções e toxicidade. Mesmo a água sendo reciclada muitas vezes, nós beberemos esta volatilidade e será difícil equilibrar mente, espírito e a harmonia masculino/feminino no planeta.

O elemento terra tem a habilidade de acalmar as águas.


O primeiro passo para harmonizar o papel do divino feminino é recuperar as nossas águas. Como humanidade, temos de reclamar as nossas águas. Numa jornada interior para curar e garantir águas tranquilas é importante integrar a si mesmo nos ciclos naturais das leis do universo. Num nível ambiental é importante estar Ségur@ de onde vem a nossa água potável, como foi tratada e para onde fluirá depois. É a responsabilidade pessoal com a saúde interior e sua manutenção, para que então possamos ser úteis na preservação e continuidade da comunidade. A oração no dia-a-dia, significa balancear as águas internas e externas permitindo a nós mesmas honrar e ouvir a fluidez das águas femininas."

Kathi von Koerber é uma bailarina/curandeira e diretora de cinema da Alemanha/África do Sul. Conviveu com idosos das tribos Bushmen no sul da África do Sul, os Tuareg no Saara, a princesa da Iboga no Gabão, Bernardette Riebenot, Lakota, Navajo e Cherokee nos EUA, Xawante e Fulnio no Brasil e os Camsra e Kogi na Colômbia. Kathi ensina dança e faz apresentações internacionais há 15 anos, e dedica a sua vida para preservar a sabedoria indígena e praticar rituais como elementos chave na evolução humana e iniciação na vida adulta.

Kathi fundou a Kiahkeya em 2004 com o objetivo de informar e disseminar a arte, criatividade e espiritualidade com o propósito da tolerância e igualdade cultural e ambiental.

Vários projetos incluem filmes sobre a tribo Bushmen na África do Sul, o filme “Footsteps in Africa” sobre a música, dança e capacidade de sobrevivência dos nómadas Tamakesh no Saara e um filme ambiental de dança Butoh feito nas geleiras do Alaska, que ela atualmente está editando.
O projeto mais recente de Kathi é um filme sobre os poderes místicos da água chamado “Moving Waters”. Kiahkeya também produz workshops interculturais, incluindo dança, medicina sagrada com plantas medicinais, rezas de diferentes tradições, treino em liderança selvagem e vida sustentável.
www.kiahkeya.com
www.imovewater.net

http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/12/03/redescobrindo-o-principio-do-divino-feminino-na-agua/
Colaboração: Vanessa Reis
Imagens: recolhidas este fim de semana: poços antigos no meio de vinhas semi-abandonadas.

Águas profundas

Aqui, na cratera deixada pela extração de areias, a Mãe Natureza, não podendo ter terra, usou da Sua imensa criatividade e juntou águas suficientes para criar um ecossistema lacustre. Transforma-te ou morre! - diz-nos Ela... Águas profundas, quietas... Lugar estranho, um tanto assustador,  numinoso, onde a Senhora do Lago pode manifestar-se... apontando-nos o vazio, os terrores, as feridas mais profundas da nossa alma... Lugar de cura...