O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de chegada a casa.Jean Shinoda Bolen
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quinta-feira, 10 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
CANTIGAS DE AMIGO – um caso de usurpação de propriedade intelectual
Tão óbvio, não?… como é que não conseguimos ver antes?...
Ria Lemaire é uma
académica de origem holandesa, ligada à universidade de Poitiers, França, que há
largos anos estuda a tradição poética medieval galaico-portuguesa das Cantigas de Amigo e que desenvolveu uma
tese de doutoramento sobre elas e a sua autoria. O que descobriu na sua investigação, surpreendentemente, choca com a análise
oficial que todos os dias se ensina aos alunos e às alunas de literatura das nossas
escolas, ou seja, que nelas o sujeito poético, quem fala, é uma mulher, mas
quem compõe é o trovador… na verdade, o estudo de Ria Lemaire prova que, pelo menos em grande parte dos casos, o trovador
apenas recolhe uma tradição oral feminina, imbuída de vestígios da antiga religião pagã, passa-a da oralidade à escrita e assina por
baixo com o seu próprio nome… um caso de pura usurpação de propriedade intelectual…
“Quando comecei a estudar
português, encontrei as Cantigas de Amigo e nelas reconheci imediatamente as pegadas
da minha própria tradição alemã e holandesa, que também começa com antigos
fragmentos de canções femininas. Notei porém que aqui essas canções eram
atribuídas aos grandes trovadores da época, e fiquei espantada. Supõe-se que
esses autores com uma genial intuição da alma feminina teriam colocado essas
músicas na boca das mulheres para explicar os seus sentimentos…”
A análise de Lemaire também
muda a nossa perspectiva sobre a mulher na Idade Media.
“Não são mulheres chorosas,
infelizes e traídas por homens. Elas surgem nas cantigas como agentes ativos. O
verbo mais usado é “ir”, trata-se de pessoas que procuram ativamente o seu
namorado com metáforas que falam de desejo feminino e da necessidade
de o satisfazer. Aparece uma mulher sexualmente activa, que sabe o que quer fazer
e o que vai fazer. Isto revela uma cultura diferente daquela que nos é
normalmente ensinada, e que também está muito relacionada com a cultura que havia
na altura no resto da Europa. As mulheres nem sempre foram aquilo que a
sociedade burguesa do XIX considerou que foram.”
Reportagem desenvolvida aqui neste jornal galego:
segunda-feira, 19 de março de 2018
AS HEROÍNAS PORTUGUESAS DA HISTORIADORA FINA D' ARMADA
Acabo de receber este presente fabuloso! Bem na energia de Ostara, do tempo de honrar e celebrar a Donzela Exploradora. Precioso...
HEROÍNAS PORTUGUESAS:
Mulheres que Enganaram o Poder e a História. Ésquilo. 2012
INTRODUÇÃO
"Heroínas! O que são
Heroínas?
Tal como a Terra gira e se renova, na marcha do tempo e da vida, também as
heroínas mudam com os ventos da História.
Disse Robert Charroux que, se um homem matava outro, ia parar à cadeia como
criminoso. Se matava dez, metiam-no num hospital psiquiátrico, era tolo. Mas,
se matava milhares numa batalha, virava herói e erigiam-lhe uma estátua em
praça pública.
Outrora, as heroínas eram as mulheres “virago”, as que imitavam os homens
nas suas lutas guerreiras. Se alguma mulher pusesse esse mundo em causa, era
mal vista e desprezada pela sociedade.
Houve tempos em que as heroínas eram as que morriam em defesa da sua fé.
Nasceram assim as santas.
As “minhas” heroínas não estão em paralelo com os heróis. São outras.
Não sei se as heroínas selecionadas para esta obra serão heroínas para toda
a gente. Mas são as “minhas” heroínas, aquelas que considero valorosas em nosso
tempo.
Heroínas são, para mim, mulheres que fizeram algo fora do comum, novo,
digno de registo, que provocou transformações sociais e mudanças de
mentalidade. Estão ligadas à via, à mudança, nunca à morte. São aquelas que
superaram a tragédia ou estigma de terem nascido do sexo feminino. As que
vieram ao mundo para pôr em causa esse mesmo mundo. As que romperam o próprio
conceito de sagrado que até esse tem sido masculino. Assim, uma moça de Coimbra
foi morta pela Inquisição, porque não era filha amada de Deus como sempre lhe
disseram. Ela atreveu-se a ser representante Dele na terra e ser padre jesuíta
durante 18 anos.
Também houve mulheres que descobriram que, afinal, não eram filhas dos homens.
Estes, os que tinham poder, em vez de as tornarem felizes, como filhas amadas,
serviram-se delas, roubando-lhes os filhos e bens, e nas leis destinaram-lhes
apenas proibições. Rompendo essas proibições, não cumprindo o determinado pelos
senhores, o que exigiu sempre coragem e sofrimento, eis as novas heroínas!
Heroínas, para mim, foram as que abriram caminhos. As que derrubaram portas
fechadas. As que enganaram o poder e as normas para sobreviver. As que
suportaram a morte, o desprezo, a crítica, o abandono para que um novo mundo nascesse.
Para que na vida houvesse mais felicidade e as mulheres, meia humanidade deste
planeta, também pudessem saborear o conceito de liberdade.
As heroínas deste livro, na medida em que são desconhecidas, ou quase, demonstram
que o próprio tempo as aprisionou e foi enganado por elas. Este livro tenta
libertá-las da prisão da história e de mentalidades de tempos idos. Esta é uma
maneira de as cantar e de lhes agradecer.
As heroínas perpetuadas nesta obra são mulheres de quem me orgulho, como
vindoura."
Fina d’ Armada
Rio Tinto
Junho de 2012
Fina d’ Armada (1945-2014) foi uma das historiadoras e escritoras mais originais
e prestigiadas do nosso tempo. Recebeu em 2005 “Mulher investigação Carolina
Michaëlis”.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
CONFERÊNCIA DA DEUSA PORTUGAL 2019
Atenção interessadas e interessados do BRASIL neste evento:
Monica Giraldez e Yasmin Meera, de Florianópolis, estão organizando um grupo para viajarem até à Conferência da Deusa Portugal, em maio de 2019
Este é um texto de 2015, que decidi republicar porque entretanto o projeto de uma Conferência da Deusa para Portugal saiu do armário!... não sendo mais apenas o meu projeto, mas sim o projeto da Associação Cultural Jardim das Hespérides.
Monica Giraldez e Yasmin Meera, de Florianópolis, estão organizando um grupo para viajarem até à Conferência da Deusa Portugal, em maio de 2019
Este é um texto de 2015, que decidi republicar porque entretanto o projeto de uma Conferência da Deusa para Portugal saiu do armário!... não sendo mais apenas o meu projeto, mas sim o projeto da Associação Cultural Jardim das Hespérides.
Sugiro então que salvem as datas de 17, 18 e 19 de maio de 2019.
Para as nossas antepassadas e os nossos antepassados, o momento das colheitas, Lammas e Mabon, entre agosto e setembro, depois de todo o esforço despendido, era tempo de celebrar e sobretudo de agradecer à Deusa por todos os dons recebidos, pela manifestação das nossas intenções e projetos. Ainda hoje assim é no nosso território, onde em todos os fins-de-semana de verão várias localidades honram a sua Senhora ou o santo que Lhe tomou o lugar. Na espiritualidade da Deusa, a grande festa anual foi concebida por Kathy Jones em Glastonbury, Reino Unido, com a designação de Conferência da Deusa. O conceito de conferência neste caso pouca semelhança tem com aquilo que a palavra evoca para nós. Poderíamos chamar-lhe Festival, e várias pessoas no início alertaram a sua fundadora para a excessiva seriedade patriarcal de que o conceito se reveste, o que poderia desmotivar o público, constituído como é óbvio por mulheres e homens “da Deusa”. Kathy Jones, entretanto, não se deixou demover e levou a sua ideia por diante, até porque também queria que o evento se revestisse de seriedade. O facto é que o modelo se impôs e serve hoje em dia de referência e de inspiração para todas as Conferências da Deusa que anualmente acontecem por esse mundo fora.
Quando em 2011 fui pela primeira à de
Glastonbury, senti que a minha vida só teria mesmo sentido se eu pudesse
repetir a experiência, ir todos os anos participar naquilo que considero serem
os Mistérios da Deusa, semelhantes a uma atualização das antigas vivências dos
povos da Grécia em Elêusis. Pensar que a Conferência poderia estar a acontecer
sem a minha presença seria demasiado doloroso, e este sentimento é partilhado
por muitas pessoas que conheço e que aí vão todos os anos, custe o que custar.
Vários testemunhos de mulheres, entretanto, comprovam que o que aconteceu
comigo é um sentimento muito generalizado: uma profunda transformação nas
nossas vidas. Isso deve-se não apenas a tudo aquilo que compõe o programa,
comunicações, cerimónias, performances, workshops, como também a tudo o que lhe
é transversal e que é igualmente sublime. De repente realizamos que somos
criativas o suficiente, capazes o suficiente, fortes o suficiente, divertidas o
suficiente, brilhantes o suficiente para criar eventos cheios de significado e
de grandiosidade, feitos por e especialmente para mulheres. Percebemos como é
relaxante e libertador estarmos em zonas livres de patriarcado, zonas de
empoderamento do feminino e da mulher, e tomamos consciência da expansão que
representa para nós enquanto seres humanos ocuparmos o centro, normalmente
saturado de androcracia e patriarcalismo. Exultamos de alegria, de
exuberância, de autoaceitação e de aceitação de toda a gente, mulheres, homens,
crianças. Todas as formas, cores, tamanhos, géneros e idades são aceites e
apreciadas tal como são, pelo que são, incorporações da Deusa, manifestações da
Sua infinita criatividade.
Imagens:
1 e 2 - Glastonbury Goddess Conference 2017
3 - Glastonbury Goddess Conference 2015, com Lydia Ruyle
terça-feira, 14 de novembro de 2017
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
TEMPO DE HONRAR A DEUSA ANCIÃ
A
DEUSA NEGRA - A SOMBRA FEMININA
In MYSTERIES OF
THE DARK MOON – The Healing Power of the Dark Goddess, Demetra George,
HarperSanFrancisco, 1992
Traduzido
por Luiza Frazão
“Não
basta dizermos que é preciso uma nova relação com o feminino. Aquilo de que
precisamos mesmo é de nos relacionar com o lado negro do feminino.” Fred
Gustafson, The Black Madonna (Boston, Sigo Press, 1990)
Nas
sociedades tradicionais, que reverenciavam a lua como Deusa, a 3.ª fase negra
era personificada pela Deusa Negra, sábia e compassiva, que governava os
mistérios da morte, transformação e renascimento. Com o tempo, sucessivas
culturas foram gradualmente esquecendo o antigo culto da lua, e o antigo conhecimento
da ciclicidade da realidade, reflectida nas suas fases perdeu-se.
Na
nossa sociedade actual a maior parte de nós desconhece o potencial de cura e de
renovação que existe como qualidade intrínseca do processo cíclico da fase
escura da lua. Em vez disso, associamos a ideia de escuridão à da morte, do
mal, da destruição, isolamento e perda. Numa sociedade governada pela clara
consciência solar, fomos ensinad@s a temer, rejeitar, desvalorizar e
desempoderar tudo quanto se relaciona com os conceitos de escuridão – pessoas
de cor, mulheres, sexualidade, menstruação, natureza, o oculto, o paganismo, a
noite, o inconsciente, o irracional e a própria morte. Do ponto de vista
mítico, associamos todos estes medos da escuridão à imagem do feminino demoníaco
conhecido como a Deusa Negra, intimamente relacionada com a lua negra.
Ao
longo da história, o poder original da Deusa Negra enquanto renovadora foi
esquecido e ela tornou-se assustadora e destruidora. Em muitas mitologias do
mundo, ela foi descrita como a Tentadora, a Mãe Terrível, a Anciã que traz a
morte. As suas biografias mais tardias descrevem-na como negra, malvada,
venenosa, demoníaca, terrível, malevolente, fogosa. À medida que a cultura
patriarcal se tornou dominante, ela foi-se transformando num símbolo da
devoradora sexualidade feminina que faz com que o homem transgrida as suas
convicções morais e religiosas, consumindo-lhe a essência vital no seu abraço
mortífero.
Na
imaginação mítica das culturas dominadas pelo homem, a sua natureza original foi
distorcida e ela tomou proporções horríficas. Enquanto Kali, ela surge nos
crematórios, adornada com uma grinalda de caveiras, empunhando a cabeça cortada
do seu companheiro, Shiva, escorrendo sangue. Enquanto Lilith, ela voa pelos
céus nocturnos como uma demoníaca criatura que seduz os homens e mata
criancinhas. Enquanto Medusa, a sua bela e abundante cabeleira tornou-se uma
coroa de serpentes sibilantes e o seu olhar feroz transforma os homens em
pedra. Enquanto Hécate, ela persegue os homens nas encruzilhadas pela noite com
os seus ferozes cães do inferno.
Podemos
perguntar-nos por que razão a Deusa Negra apresenta uma imagem tão terrífica e
de que modo ela e a sua contraparte psicológica, o feminino negro, ameaçam a
nossa sociedade e criam destruição nas nossas vidas. E ainda como é que o seu
poder destruidor se relaciona com as suas qualidades de cura que permitem a
renovação. De que formas a Deusa Negra representa o nosso medo do escuro, do
oculto, da morte, da mudança; o nosso medo do sexo, bem como o do confronto com
o nosso ser e essencialmente com a nossa essência e a nossa própria
interpretação da verdade. As respostas para estas questões podem encontrar-se
na transição de uma cultura matriarcal para uma cultura patriarcal que ocorreu
há 5 mil anos. As pesquisas actuais sobre a história antiga, nos domínios da
teologia, da arqueologia, da história da arte e da mitologia, estão a trazer à
evidência que, com início há 3 mil anos AC, ocorreu uma transformação nas
estruturas religiosas e políticas que governavam a humanidade. Sociedades
matriarcais que cultuavam as Deusas da terra e da lua, como Innana, Ishtar,
Ísis, Deméter e Artemis, deram lugar a sociedades patriarcais, seguidoras do
deus solar e dos heróis masculinos, como Gilgamesh, Amon Ra, Zeus, Yahweh e
Apolo.
Antes
disso, uma conexão entre a morte e o renascimento estava implícita na cíclica
renovação da Deusa Lua, cultuada pelos povos antigos. A Deusa ensinava que a
morte mais não é do que a precursora do renascimento e que o sexo não serve apenas
para a procriação, serve também para o êxtase, a cura, a regeneração e a
iluminação espiritual. Quando a humanidade adoptou o culto dos deuses solares,
os símbolos da Deusa começaram a desaparecer da cultura e os seus ensinamentos
foram esquecidos, distorcidos e reprimidos.
Académic@s
contemporâne@s começam a descobrir evidências de como o culto da Deusa foi
suprimido, os seus templos e artefactos destruídos, os seus e as suas seguidr@s
perseguid@s e assassinad@s e a sua realidade negada. O novo sistema de crenças
das tribos dos conquistadores solares patriarcais renegaram a renovação
cíclica, negando assim o ciclo natural do nascimento, morte e regeneração da
Deusa Lua, o terceiro aspecto da Deusa Tripla. A Deusa Tripla da Lua, na sua
fase nova, cheia e escura, era o modelo da natureza feminina enquanto Donzela,
Mãe e Anciã. No seu culto original da Deusa Negra, como o terceiro aspecto
desta trilogia lunar, ela era honrada, amada e aceite pela sua sabedoria, pelo
seu conhecimento dos mistérios da renovação.
Durante
a prevalência da cultura patriarcal, entretanto, ela e os seus ensinamentos
foram banidos e remetidos para os recantos escondidos do nosso inconsciente.
(…)
Com
a diminuição da luz da lua, ela transforma-se na Anciã Negra na lua escura
minguante que recebe @ mort@ e @ prepara para o renascimento. Na sua sabedoria
que deriva da experiência, ela relaciona-se com a estação do inverno e o mundo
subterrâneo. Enraizada na sua força interior, a Deusa da Lua Negra está repleta
de compaixão e de compreensão da fragilidade da natureza humana e o seu
conselho é sábio e justo.
Ela
governa as artes da magia, o conhecimento secreto, os oráculos. A Anciã da Lua
Negra era artisticamente representada como a terrível face da Deusa que devora
a vida, e algumas imagens representam a sua vulva como símbolo da subsequente
renovação. Rainhas da magia e do submundo, como Hécate, Kali, Eresh-Kigal, são
símbolos da fase minguante da Deusa da Lua Negra.
(…)
@s
antig@s sabiam que tal como ela morria todos os meses com a velha Lua Negra,
também renasceria na Lua Nova crescente. Era a Anciã da Lua Negra que tomava a
vida no seu útero; mas @s antig@s também sabiam que a Deusa Virgem da Lua Nova
daria à luz a nova vida. A anciã era a doadora da morte assim como a virgem era
a que trazia o renascimento. A reencarnação era representada pela
refertilização da anciã-tornada-virgem. Sabia-se que a interacção contínua
entre a destruição que se transforma em nova criação é a eterna dança que
sustém o cosmos.
A
Deusa Negra eliminava e consumia aquilo que estava velho, degradado,
desvitalizado e sem préstimo. Tudo isso era transformado no seu caldeirão e
oferecido depois como elixir. Como podemos ver nos seus antigos rituais
sagrados, as antigas religiões partilhavam o conceito dum submundo para onde a
Deusa Negra conduzia a alma através dos negros espaços do sem forma, onde ela
exercia os seus secretos poderes de regeneração.
A
palavra inglesa “hell” vem do nome da terra subterrânea da Deusa escandinava
Hel. O seu subterrâneo não era entretanto um lugar de punição, mas antes o
escuro útero, simbolizado pela cave, o caldeirão, o fosso, a cova, o poço. A
Deusa Negra não era temida e o seu espaço não era um lugar de tortura. Ela
guardava os seus e as suas iniciad@s nos cemitérios, a entrada do seu templo.
Através da morte o indivíduo entra no ciclo da fase escura da lua; aí encontra
a Deusa Negra que o conduz através da passagem intermédia de volta à vida.
Quando
este natural desfecho do tempo de vida era compreendido e aceite, a Deusa Negra
era honrada pela sua sabedoria e amada pela sua ilimitada aceitação e compaixão
para com os habitantes da terra. Ela não era temida pelos povos que cultuavam a
lua, que entendiam a morte como um hiato no tempo entre vidas.
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