Conteúdos

segunda-feira, 16 de maio de 2016

SACERDOTISA EM VIAGEM - A MAGIA DAS ILHAS SAGRADAS



Fui ao Brasil, como sacerdotisa de Avalon, mais propriamente a Florianópolis, Estado e Ilha de Santa Catarina, entre 28 de abril e 5 deste ano de 2016, a convite de quatro fantásticas mulheres maduras e bem resolvidas, que conciliam academia com espiritualidade, dentro da área da Psicologia Transpessoal, uma mistura que muito me agrada e me faz sentir em terreno seguro. As quatro uniram-se no Consorcium Celeritas para juntas terem mais força, poder, impacto e também para ser muito mais divertido (o que não é divertido não é sustentável), claro.
Esta é a lista completa das pessoas e instituições que organizaram este evento que levou Avalon e o Jardim das Hespérides à Ilha da Magia (Santa Catarina), criando pontes entre paraísos, Terras sem Mal, onde é soberana a visão MãeMundo (MotherWorld): 


Dulce Magalhães 
                                                                                                                                                                  Dra em Filosofia, coach, palestrante internacional e facilitadora de cursos com abordagem transdisciplinar holística. Mentora do Festival Mundial da Paz, presidente da Unipaz Santa Catarina em dois períodos e membro do Conselho Gestor. Terapeuta do CIT.
Eneida Lima de Oliveira
Psicóloga. Especialista em Psicologia Transpessoal
Mentora e Coordenadora da Pós-Graduação Izen/Itecne de Psicologia Transpessoal

Lorena Machado e Silva / Lorena Carvalho 
                                                                                                                                   
Enfermeira obstetra e Psicóloga. Conselheira da UNIPAZ e terapeuta do CIT. Palestrante e facilitadora de cursos com abordagem transdisciplinar holística.

 Mônica Giraldez 
                                                                                                                                  
Jornalista. Criadora do curso Gineterapia- Cuidado da Mulher.  Conselheira da UNIPAZ e terapeuta do CIT. Palestrante e facilitadora de cursos com abordagem transdisciplinar holística.

INSTITUIÇÕES PARCEIRAS
UNIPAZ –Universidade Internacional da Paz
Cursos presentes: Formação Transdisciplinar Holística (1 turma) –                                                               Intensivo de Gineterapia Cuidado da Mulher (1 turma)
FACULDADES ITECNE
Pós-graduação em Psicologia Transpessoal ( 2 turmas)                                                                                Pós-graduação em Gineterapia-Cuidado da Mulher (1 turma)
Faculdade de Tecnologia em Saúde CIEPH – (Centro Integrado de Estudos e Pesquisas do Homem)
Pós-graduação em Psicologia Transpessoal ( 1 turmas)  
CIT- Colégio Internacional dos Terapeutas  
Casa I de Florianópolis esteve presente

O evento de 5 dias, que compreendeu palestras (a primeira foi sobre Avalon e o Movimento da Deusa), cursos/workshops e cerimónias (algumas na terra), teve lugar maioritariamente no hotel Praia Mole, muito agradável e confortável. A assistência durante o fim-de-semana foi de mais de 250 pessoas, essencialmente mulheres, vindas de vários pontos do Brasil, com grande recetividade, abertura de coração, alegria, carinho e entusiasmo, que acabaram por muito me nutrir também a mim. Celebrámos Beltane, apesar de estarmos no Hemisfério Sul, porque, seguindo a Astrologia, estamos na amorosa energia de Touro, signo regido por Vénus, Deusa do Amor, e porque, segundo a perspetiva de várias pessoas, como Mirella Faur, a Roda do Ano é algo que pertence ao Hemisfério Norte e se a seguimos não faz sentido invertermos as datas, a própria Páscoa cristã se celebra no outono quando mudamos de Hemisfério. Mas, claro, a religião da Deusa é a religião da Terra e uma Roda do Ano está neste momento a ser concebida para Santa Catarina por um grupo de mulheres/sacerdotisas muito conscientes e preparadas, com Mónica Giraldez, que já celebra a Deusa há cerca de 24 anos, mantendo o centro nesta pesquisa, na qual me sinto muito honrada por ter sido convidada a participar, embora de longe. Trabalho importante nesta área já foi igualmente feito no Brasil, nomeadamente pela própria Mónica Giraldez, pela investigadora Mirella Faur e por Maria Lalla Cy, autora de Juremar Yacy Uaruá.

O evento teve também a participação da sacerdotisa, investigadora e autora Bianca Furtado (última à direita na imagem), que escreveu o delicioso livro Brumas da Ilha, resultado da sua investigação sobre um grupo de bruxas açorianas que no séc. XVIII aportou a Santa Catarina fugindo da Inquisição. A lenda destas mulheres permanece muito viva, trazendo a esta terra, igualmente guardada por um Dragão, como o nosso Jardim das Hespérides, laivos da cultura céltica que tanto apelam às gentes locais. Podemos considerar, de resto, que essa camada cultural céltica é uma das que se mesclam na espiritualidade brasileira, uma vez que é nossa e nós, portugues@s, hélas, fomos o seu principal povo colonizador. Assim, não só levámos o Cristianismo como também a nossa celticidade mais antiga, que se mesclou com a espiritualidade autóctone e depois com a africana levada pel@s escrav@s. A Ilha de Santa Catarina (Santa que se considera que foi nem mais nem menos que a própria Hipátia de Alexandria, filósofa assassinada, num ato bárbaro de pura misoginia, pelos primeiros cristãos) é conhecida pela designação de “Ilha da Magia” e @s Guarani chamavam-lhe “Terra sem Mal”. Existem inúmeros monumentos megalíticos no lugar, relacionados com antigos (e atuais) lugares sagrados de poder, e a espiritualidade das suas gentes, a alegria, candura, autenticidade, abertura de coração levam-nos a sentir que chegámos mesmo ao Paraíso… Catarina, ou Hipátia, levou-lhe o gosto pelo saber académico, pelo conhecimento e a investigação e por isso mesmo o convite para ir até lá partiu do meio académico…

Para mim foi uma experiência inimaginável e que sempre lembrarei com muito amor e muita gratidão à Deusa, à Vida e às pessoas que organizaram o evento e que tão bem me acolheram. Foram 5 dias completamente fora da dimensão ordinária, em que o meu trabalho como sacerdotisa de Avalon fluiu e foi aceite e acolhido da maneira mais harmoniosa e reverente que é possível conceber-se. Abençoad@s!
  
Assistindo ao nascer do sol na Praia Mole, dia 1.º de maio, 2016 

Primeira imagem: da esquerda para a direita, Eneida Lima de Oliveira, Dulce Magalhães, Lorena Carvalho e Mónica Giraldez                                                                                 

terça-feira, 10 de maio de 2016

MAQUILHAGEM E BRUXARIA


No final do século XVIII, o Parlamento Inglês atribuiu às mulheres a mesma pena que era atribuída a quem praticava a bruxaria.
O termo desobrigava os maridos de permanecerem casados, caso constatassem que suas mulheres usavam de adornos como maquilhagem e perfumes para seduzir e induzí-los ao casamento.

“Todas as mulheres que a partir deste ato tirarem vantagem, seduzirem ou atraírem ao matrimónio qualquer súbdito de Sua Majestade por meio de perfumes, pinturas, cosméticos, loções, dentes artificiais, cabelo falso, lã de Espanha, espartilhos de ferro, armação para saias, sapatos altos ou anquilhas, ficam sujeitas à penalidade da lei que agora entra em vigor contra a bruxaria e contravenções semelhantes e que o casamento, se condenadas, seja anulado…”
(Fonte desconhecida)

"O material pictórico com sua plasticidade mancha gruda desliza brilha surpreende prende dança em sensação som tom cor cheiro invade aliso acaricio vejo arranho
retoco não dá já foi sinto a pintura foge esconde se não revela e desvela maquia 
o rito de caça borra esbarra no impulso interno encontra único material externo disponível momento presente “in tenso” explode urgente pulsão pede expressão
necessita se fazer “ex pressão”.
Transgressão na intenção ação e função
entre real e imaginário entre olho e olhar.

Pintei mulher com o que a mulher se pinta.
Efêmera talvez?
Batom, lápis, rímel, sombra, esmalte e o uso deste recurso constitui a própria questão e cerne da obra aqui apresentada."
Andrea Honaiser 

De Andrea Honaiser são ainda as obras que seguem, inspiradas nas lendas e mitos do divino feminino da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil.





terça-feira, 12 de abril de 2016

O ETERNO FEMININO OU A ANULAÇÃO DA MULHER REAL


"Woman are sublimated into something symbolic without presence"
(Susana Sidhe Aguilar, Ancient Roots of Goddess Culture)

Referência ao conceito de Eterno Feminino introduzido por Goethe:

“Empurra para o alto poetas e filósofos, ideal de pureza contemplativa, de mulher passiva e vazia de poder, compêndio de nobre feminilidade e canonização do “anjo do lar”, dedicada integralmente a ser a intercessora do homem entre ele e o seu bem-estar, encarnada numa santa ou numa obra de arte, condenada à abnegação, carente de história ou morta em vida. e como se não bastasse, enfrentando eternamente a dicotomia anjo ou monstro, pomba ou serpente, Branca de Neve ou madrasta, em definitivo, “a principal criatura gerada pelo homem, “a mulher criada por, a partir de e para o homem, as filhas dos cérebros, costelas e engenhos masculinos*.”

Angie Simonis, La Diosa: un discurso en torno al poder de las mujeres, aproximaciones al ensayo y la narrativa sobre lo Divino Femenino y sus repercusiones en España; Universidade de Alicante; 2012
*Citando Sandra M. Gilbert e Susan Hubar, La Loca del Desván. La escritora y la imaginación literaria del siglo XIX


 Pré-rafaelitas do século XIX, exprimindo na pintura a mesma sublimação da mulher, a idealização do "anjo do lar", a passividade do túmulo, o epítome da passividade, que leva o nosso poeta Soares de Passos, como era moda na época, a escrever o célebre "Noivado de Sepúlcro" http://www.citador.pt/poemas/o-noivado-do-sepulcro-soares-de-passos

 




domingo, 6 de março de 2016

O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, O FOGO DAS ESTRELAS



O sangue que o Cálice original continha era nada mais nada menos que o sangue da vida, o sangue menstrual...

 Do ponto de vista de civilizações antigas, principalmente suméria e egípcia, uma substância chamada Star Fire (Fogo das Estrelas) foi nada mais nada menos do que o extrato que dá vida, o divino sangue menstrual da Deusa. Na sua forma original, Star Fire foi a essência lunar (menstrual) de uma das quatorze deusas do nascimento. Mas, mesmo ao nível mundano, sabemos que o fluxo menstrual contém as mais valiosas secreções endócrinas das glândulas pineal e pituitária. O Dicionário de Inglês Oxford vai ainda mais longe ao descrever a ação menstrual como tendo "um paralelo alquímico com a transmutação em ouro."

Esta última ideia é realmente interessante porquanto um dicionário anterior (antes de certos significados terem sido editados fora do texto), The American Heritage Dictionary, define mênstruo como: "Um solvente, especialmente utilizado na extracção e preparação de drogas”. [Inglês médio, do menstruum do latim medieval, solvente, originalmente "sangue menstrual" (os alquimistas consideravam o solvente que transmutava o ouro como sendo semelhante ao sangue menstrual, que, acreditavam eles, transmutava o esperma no útero num embrião).

No antigo Egito e en outras partes do Mediterrâneo, fluxo menstrual foi ritualmente coletado de sacerdotisas, conhecidas como Scarlet, designação que continha o significado original de "bem-amadas". As várias traduções posteriores, entretanto, acabaram por degradar esse sentido original que degenerou em "prostitutas" (whores). Mas esse nunca foi o caso, elas nunca foram consideradas prostitutas ou adúlteras, sendo esta interpretação uma estratégia instrumental da Igreja Romana na sua tentativa para denegrir estas mulheres, as Scarlet.

Originalmente, os primeiros patriarcas foram aparentemente alimentados com este sangue menstrual das Deusas (das Scarlet), a fim de garantir a sua longevidade e habilidades. Posteriormente, entretanto, com o dilúvio as coisas mudaram. O edital do Gênesis 9: 4 entrou em jogo. Mas como a maioria desses decretos, é sempre bom saber a fundamentação destes interditos. 

Laurence Gardner, Holy Grail
http://www.halexandria.org/dward481.htm