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terça-feira, 10 de maio de 2016

MAQUILHAGEM E BRUXARIA


No final do século XVIII, o Parlamento Inglês atribuiu às mulheres a mesma pena que era atribuída a quem praticava a bruxaria.
O termo desobrigava os maridos de permanecerem casados, caso constatassem que suas mulheres usavam de adornos como maquilhagem e perfumes para seduzir e induzí-los ao casamento.

“Todas as mulheres que a partir deste ato tirarem vantagem, seduzirem ou atraírem ao matrimónio qualquer súbdito de Sua Majestade por meio de perfumes, pinturas, cosméticos, loções, dentes artificiais, cabelo falso, lã de Espanha, espartilhos de ferro, armação para saias, sapatos altos ou anquilhas, ficam sujeitas à penalidade da lei que agora entra em vigor contra a bruxaria e contravenções semelhantes e que o casamento, se condenadas, seja anulado…”
(Fonte desconhecida)

"O material pictórico com sua plasticidade mancha gruda desliza brilha surpreende prende dança em sensação som tom cor cheiro invade aliso acaricio vejo arranho
retoco não dá já foi sinto a pintura foge esconde se não revela e desvela maquia 
o rito de caça borra esbarra no impulso interno encontra único material externo disponível momento presente “in tenso” explode urgente pulsão pede expressão
necessita se fazer “ex pressão”.
Transgressão na intenção ação e função
entre real e imaginário entre olho e olhar.

Pintei mulher com o que a mulher se pinta.
Efêmera talvez?
Batom, lápis, rímel, sombra, esmalte e o uso deste recurso constitui a própria questão e cerne da obra aqui apresentada."
Andrea Honaiser 

De Andrea Honaiser são ainda as obras que seguem, inspiradas nas lendas e mitos do divino feminino da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil.





terça-feira, 12 de abril de 2016

O ETERNO FEMININO OU A ANULAÇÃO DA MULHER REAL


"Woman are sublimated into something symbolic without presence"
(Susana Sidhe Aguilar, Ancient Roots of Goddess Culture)

Referência ao conceito de Eterno Feminino introduzido por Goethe:

“Empurra para o alto poetas e filósofos, ideal de pureza contemplativa, de mulher passiva e vazia de poder, compêndio de nobre feminilidade e canonização do “anjo do lar”, dedicada integralmente a ser a intercessora do homem entre ele e o seu bem-estar, encarnada numa santa ou numa obra de arte, condenada à abnegação, carente de história ou morta em vida. e como se não bastasse, enfrentando eternamente a dicotomia anjo ou monstro, pomba ou serpente, Branca de Neve ou madrasta, em definitivo, “a principal criatura gerada pelo homem, “a mulher criada por, a partir de e para o homem, as filhas dos cérebros, costelas e engenhos masculinos*.”

Angie Simonis, La Diosa: un discurso en torno al poder de las mujeres, aproximaciones al ensayo y la narrativa sobre lo Divino Femenino y sus repercusiones en España; Universidade de Alicante; 2012
*Citando Sandra M. Gilbert e Susan Hubar, La Loca del Desván. La escritora y la imaginación literaria del siglo XIX


 Pré-rafaelitas do século XIX, exprimindo na pintura a mesma sublimação da mulher, a idealização do "anjo do lar", a passividade do túmulo, o epítome da passividade, que leva o nosso poeta Soares de Passos, como era moda na época, a escrever o célebre "Noivado de Sepúlcro" http://www.citador.pt/poemas/o-noivado-do-sepulcro-soares-de-passos

 




domingo, 6 de março de 2016

O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, O FOGO DAS ESTRELAS



O sangue que o Cálice original continha era nada mais nada menos que o sangue da vida, o sangue menstrual...

 Do ponto de vista de civilizações antigas, principalmente suméria e egípcia, uma substância chamada Star Fire (Fogo das Estrelas) foi nada mais nada menos do que o extrato que dá vida, o divino sangue menstrual da Deusa. Na sua forma original, Star Fire foi a essência lunar (menstrual) de uma das quatorze deusas do nascimento. Mas, mesmo ao nível mundano, sabemos que o fluxo menstrual contém as mais valiosas secreções endócrinas das glândulas pineal e pituitária. O Dicionário de Inglês Oxford vai ainda mais longe ao descrever a ação menstrual como tendo "um paralelo alquímico com a transmutação em ouro."

Esta última ideia é realmente interessante porquanto um dicionário anterior (antes de certos significados terem sido editados fora do texto), The American Heritage Dictionary, define mênstruo como: "Um solvente, especialmente utilizado na extracção e preparação de drogas”. [Inglês médio, do menstruum do latim medieval, solvente, originalmente "sangue menstrual" (os alquimistas consideravam o solvente que transmutava o ouro como sendo semelhante ao sangue menstrual, que, acreditavam eles, transmutava o esperma no útero num embrião).

No antigo Egito e en outras partes do Mediterrâneo, fluxo menstrual foi ritualmente coletado de sacerdotisas, conhecidas como Scarlet, designação que continha o significado original de "bem-amadas". As várias traduções posteriores, entretanto, acabaram por degradar esse sentido original que degenerou em "prostitutas" (whores). Mas esse nunca foi o caso, elas nunca foram consideradas prostitutas ou adúlteras, sendo esta interpretação uma estratégia instrumental da Igreja Romana na sua tentativa para denegrir estas mulheres, as Scarlet.

Originalmente, os primeiros patriarcas foram aparentemente alimentados com este sangue menstrual das Deusas (das Scarlet), a fim de garantir a sua longevidade e habilidades. Posteriormente, entretanto, com o dilúvio as coisas mudaram. O edital do Gênesis 9: 4 entrou em jogo. Mas como a maioria desses decretos, é sempre bom saber a fundamentação destes interditos. 

Laurence Gardner, Holy Grail
http://www.halexandria.org/dward481.htm

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Livro A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Já saíu finalmente!

A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES: DESVELANDO A DIMENSÃO ENCOBERTA DO SAGRADO FEMININO NO NOSSO TERRITÓRIO
LUIZA FRAZÃO

Cale é a Deusa tutelar do nosso território, cujo nome, Portugal, deriva do Seu próprio nome. Ela é igualmente Calaica, Cailícia ou Beira, Anciã e Donzela, Senhora do Tempo, Guardiã dos Mistérios da Vida e da Morte. Nos nossos mitos e narrativas populares, Cale é lembrada como a Velha, muito velha, que se transforma numa cabaça, cuja forma evoca as antigas representações da Deusa; mas também como Dona Marinha, a Mulher-sereia; como a Pastorinha, como Iria-Brígida, Britiande, Senhora das Águas de Cura, da Poesia, do Fogo da Forja, como a Senhora da Oliveira, como Dona Chama; como a Senhora do Ó, a Senhora do Leite, a Senhora da Boa Hora, a Senhora do Monte, do Fetal, da Fonte, a Ninfa das Águas e dos Bosques. 

Ela é a Moura Encantada, Ofiusa, a Cobra-moura, e é Hespéria, Ibéria, a Senhora do Almurtão. A Sua dimensão é o Jardim das Hespérides, um paraíso de sororidade, onde o círculo das Nove Irmãs do Poente guarda as maçãs de ouro da sabedoria e nos dispensa os dons da imortalidade.

A Deusa está viva no Jardim das Hespérides, viva na nossa paisagem, nos Seus lugares de poder. A Sua cabeça talhada na pedra, como em S. Romão, na Serra da Estrela, em Sortelha ou em Idanha-a-Nova, inunda a terra da Sua presença, cada vez mais e mais notada e sentida neste momento em que por todo o lado se celebra o ressurgimento da Deusa na consciência da humanidade. O Seu corpo é suave e curvilíneo, como os montes, o Seu ventre, com as suas caves uterinas, ou os Seus seios quando se erguem aos pares. Águas uterinas escorrem das límpidas fontes e nascentes, lugares de Ninfas, onde a Senhora se manifesta por vezes em breves epifanias.

Ela está viva, cada vez mais viva, no coração das mulheres e dos homens, que por todo o lado e afinal desde sempre a vêm celebrando, o coração agradecido e reverente, aberto a receber mais e mais da graça da Sua beleza, do Seu amor e inspiração.

Neste livro apresento o resultado da ,minha investigação de vários anos na tradição da Deusa no nosso território, trabalho esse de que resultou a criação duma Roda do Ano de Cale. Aqui a ficamos a conhecer com a energia própria de cada momento e as correspondentes faces de Cale; com as Hespérides, os animais totémicos, as árvores sagradas, lugares de poder e as tradições com que celebramos cada uma das oito festividades que marcam o ano da Deusa.

Testemunhos:


"Voltei a pegar no livro da Luiza Frazão que me chegou ontem, A Deusa do Jardim das Hespérides...e estou a dar-me conta comovida de um trabalho muito sério e aplicado de uma mulher estudiosa e dedicada à causa da Deusa que nele faz uma abordagem muito conscienciosa e alargada da nossa história (não contada) e de toda esta ânsia que temos de nos reencontrarmos com a nossa Memória ancestral e sentir esta imperiosa necessidade da volta da Deusa Mãe. Como é reconfortante reencontrar e saber dos lugares de origem do Culto e da tradição da Mãe na nossa terra em que a Mulher era soberana e senhora de si. Em que a mulher era Sacerdotisa, e sobretudo Mulher inteira!
Ah como é sensível acordar para as nossas memórias mais recônditas...e como eu me lembro delas...como tenho saudades de um tempo assim... e como sonhei revivê-lo na pele... Obrigada Luiza Frazão por me ajudar a reviver esse sonho que tanto desejamos que se torne realidade para todas nós! Este livro é do interesse de todas e sinto que a Luiza não só colocou nele muito de si como tem a marca de uma grande honestidade e empenho! Estou muito contente por si...por os nossos caminhos se terem tocado e haver uma mulher séria como a Luiza que levou tanto a sério a Deusa...”


Rosa Leonor Pedro, autora do blogue Mulheres & Deusas e do livro com o mesmo nome (entre outros sobre o sagrado feminino).

     
      Pode ser encomendado através do email: adeusadojardimdashesperides@gmail.com



domingo, 11 de outubro de 2015

CERIMÓNIAS DA DEUSA - UNIÃO DE MÃOS (HANDFASTING)

Cerimónias da Deusa
União de Mãos


por Luiza Frazão

A MAGIA CERIMONIAL

Na espiritualidade da Deusa, Cerimónias são atos poderosos e transformadores, imbuídos de beleza e de sagrado, em que a energia da Deusa é invocada a fim de que Ela atue em nós, nas nossas vidas e no mundo.
Cerimónias podem ser concebidas e desenhadas para todos os momentos importantes da vida, todos os ritos de passagem, ou simples momentos em que nos sentimos aptas/os a entrar em outro ritmo e dimensão e que por isso mesmo queremos impregnar da marca do sagrado, convidando amigas/os e familiares para serem nossas testemunhas e apoiantes e para connosco celebrarem, ou fazendo-o em privado.

PLANIFIQUE A SUA UNIÃO DE SONHO

O ambiente onde se realiza esta cerimónia é o de um Templo sagrado, que pode ser criado especialmente para a ocasião num interior, ou ser um sítio de sonho na natureza, bosque, jardim ou praia. A cerimónia inclui a invocação da Deusa e de todas as entidades divinas cuja presença na ocasião seja desejada pelo casal. Depois de ter recebido bênçãos dos elementos, Ar, Fogo, Água e Terra, o casal é convidado a exprimir os sentimentos que os/as unem, honrando o seu amor, compromisso e ligação de almas. Nesse espaço sagrado serão então pronunciados os votos solenes que unirão o par de forma profunda, na presença da Deusa e de todos os seres divinos invocados, da família e das pessoas amigas que terão o especial privilégio de igualmente serem abençoadas pela celebração e irradiação do Amor.

Unção sagrada

Esta celebração pode ainda tornar-se mais profunda, significativa e transformadora quando complementada com a cerimónia preparatória da unção das/os noivas/as, uma antiquíssima tradição, realizada no âmbito do Hieros Gamos, o casamento sagrado. É enquanto Sacerdotisa dedicada ao serviço da Deusa Rhiannon que Luiza Frazão realiza esta cerimónia na qual a noiva é igualmente convidada a desempenhar a função de Sacerdotisa.

AMAI-VOS

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja antes um mar ondulante
entre as praias da vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai o vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida
pode conter o vosso coração.
E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

Kalil Gibran

Luiza Frazão é Sacerdotisa de Avalon, tendo sido formada durante três anos pelo Templo da Deusa de Glastonbury, onde fez igualmente por um ano a formação de Sacerdotisa de Rhiannon, Deusa do Amor e da Sexualidade sagrada. É professora, investigadora, autora, comunicadora, criadora da Roda do Ano e Guardiã do Templo da Deusa Cale do Jardim das Hespérides, a dimensão sobrenatural do nosso território. Como cerimonialista, concebe e realiza cerimónias de grande beleza e significado, abençoadas pela Deusa. Entre elas, a União de Mãos, que celebra e magnifica o amor entre duas pessoas e o seu compromisso uma para com a outra. Cada cerimónia é concebida em função das pessoas envolvidas e do espaço onde tem lugar.

Para mais informações:

e-mail: jardimdashesperidestemplo@gmail.com


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

ACORDAR A SACERDOTIA - As Faces da Deusa do Jardim das Hespérides


ACORDAR A SACERDOTISA
 AS FACES DA DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES
INSPIRAÇÃO . INVOCAÇÃO . DEDICAÇÃO

Motivação
Fornecer bases que permitam abraçar com segurança a formação de Sacerdotisa ou de Sacerdote de Cale do Jardim das Hespérides e a dedicação ao serviço da Deusa..

Durante milénios a Deusa foi cultuada pela humanidade e a lembrança desse tempo permanece na nossa memória coletiva como a Idade de Ouro. Nela prosperaram sociedades centradas na Mãe, pacíficas, igualitárias, sustentáveis, regidas pelo princípio do prazer – paraísos que com a alteração do paradigma social mudaram de dimensão, estando agora encantados, encobertos por brumas, inclusos. Mundos do Além existindo para lá da nossa realidade ordinária. Ao nível do nosso território, esse mundo é conhecido como o Jardim das Hespérides. Aí encontramos a Deusa, de muitas faces e de muitos nomes, que é una e múltipla, imanente e transcendente, pessoal e impessoal, local e universal. A natureza desse Jardim é o Seu próprio corpo mudando ao ritmo das estações, das fases da Lua, do ciclo da sementeira, germinação, crescimento, floração, frutificação, maturação e colheita, bem como das várias fases e idades da mulher.
A proposta deste curso é, além do encontro com a Deusa nas Suas várias faces, pesquisar e dar sentido a tradições sagradas do nosso território, assumir com amor o nosso papel de grandes tecedeiras da teia da Vida, resgatar antigas memórias, limpando-as porventura do contágio patriarcal, conhecer e honrar antigos lugares de poder.
É ainda intenção deste curso aprofundar o nosso conhecimento do Movimento da Deusa, de algumas das suas principais mentoras, fortalecendo ao mesmo tempo a nossa parte mental, e ainda honrar a Deusa através da arte, do canto e da dança e da criação de belas e poderosas cerimónias repletas de magia e de significado.

Atividades principais
O que faremos para explorar e fortalecer a nossa conexão com o divino feminino:
♥ Canto, oração e invocação como forma de louvar a Deusa
♥ Dança e movimento
♥ Pesquisa, trabalho académico, desenvolvimento do conhecimento intuitivo
♥ Visita a um lugar sagrado
♥ Co-criação e participação em cerimónias
♥ Jornadas meditativas
Criação de objetos sagrados cerimoniais
♥ Criação de um estandarte da Deusa
♥ Práticas oraculares

Programa e datas

14/15 Novembro 2015: A Deusa Anciã, Senhora da Boa Morte, da transformação e do renascimento
2/3 Janeiro: A Mãe do Ar, do som e das estrelas
13/14 Fevereiro: A Donzela dos novos começos
26/27 Março: a Mãe do Fogo e da coragem
7/8 Maio: A Senhora das Flores, dos Campos e dos Prazeres
18/19 Junho: A Mãe das Águas, do movimento e do fluir
16/17 Julho: A Mãe do Grão e da abundância
10/11 Setembro: A Mãe da Terra, do enraizamento e da manifestação

Informação sobre o Curso
O Curso desenrola-se em oito fins-de-semana, sábado e domingo, das 10 às 18 horas, com pausas para almoço e lanche.
Espaço ainda indeterminado mas na área de Lisboa, Sintra.
Luiza Frazão é Sacerdotisa de Avalon e de Rhiannon formada pelo Templo da Deusa de Glastonbury, Reino Unido, cerimonialista, investigadora, comunicadora, autora e professora, facilitando cursos e oficinas inspiradas na Deusa. É ainda a criadora da Roda do Ano e a Guardiã do Templo da Deusa Cale do Jardim das Hespérides, dimensão sobrenatural do nosso território.
No seu trabalho fornece suporte e encoraja o desenvolvimento dos talentos e capacidades únicas de cada participante, fomentando o gosto pela pesquisa, o desenvolvimento da intuição, e o regresso à dimensão da alma.