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quinta-feira, 7 de maio de 2015

SEDUZIR?... NÃO ME PARECE...


A ideia da sedução é uma distorção do patriarcado que sempre viu a mulher como uma perigosa Tentadora. Na verdade a Tentação é sempre algo que as mulheres exercem sobre os homens e nunca o contrário, porque, enquanto sujeito da história, tem sido a visão do homem que têm prevalecido na cultura. Estar sujeito a tentação implica o reconhecimento do homem como ser dotado de sexualidade legítima e ativa. Ora a questão da mulher ser tentada pelo homem seria uma aberração inconcebível num ser que tem sido percebido como dotado apenas duma sexualidade latente, digamos, não ativa, eventualmente ativada pelo homem, de preferência por aquele a quem ela irá pertencer ou ao serviço de quem se vai colocar. 

Claro que o feminino ferido entrou muito nesse jogo da Sedução que foi como que legitimada em si por algumas pessoas como fazendo parte duma sexualidade saudável. Não me parece que assim seja porque o que contém de artificialismo e portanto de falsidade, de manipulação e de vontade de exercer o controlo sobre a reação da outra pessoa, do uso da versão patriarcal do poder, que é o poder sobre, dizem-me que essa não será a via da Deusa do Amor e da Sexualidade. 

Quando Ela se manifesta em nós, e quando aceitamos ser o veículo para a Sua manifestação, não precisamos de forçar nada, de nos insinuarmos junto de ninguém, mas apenas de irradiar a Sua energia que nos leva a estar ali completamente presentes e abertas para aquele ser que atraímos e aos nossos olhos se torna sumamente atraente, sendo objeto do nosso desejo. E isso pode acontecer apenas num momento pontual em que a Deusa baixou, como se diz, permitindo-nos viver aquela experiência maravilhosa de fusão, de absoluta intimidade com alguém, atingir um estado de êxtase que profundamente nos transformou e acrescentou, a nós e à outra pessoa e ao mundo pelo amor que gerámos e irradiámos e pela experiência numinosa que pudemos viver. 

Sabemos que isso acontecia de forma cerimonial nos antigos templos das Deusas do Amor, como Afrodite, Astarte, Ishtar e Outras, em que as sacerdotisas incorporavam a Deusa para quem viesse receber a Sua graça.

Não imaginamos, quando uma flor exótica da cor mais inaudita nos oferece a visão da sua deslumbrante beleza, que ela nos esteja a “seduzir”, a querer algo de nós. Sabemos que não é assim,  sabemos que a flor simplesmente é. E a visão da sua beleza é um portal de conexão com a energia da alma. E como o seu poder e encanto seriam reduzidos e diminuídos se soubéssemos que a flor queria algo de nós, que ela tinha para nós algum inconfessado propósito...

©Luiza Frazão

Imagem: Google

terça-feira, 14 de abril de 2015

A GRANDE MÃE CÓSMICA

De 1975... mas nunca publicado em Portugal - uma das bíblias do Movimento da Deusa…

THE GREAT COSMIC MOTHER, Rediscovering the Religion of the Earth
(Data da 1.ª edição: Dezembro de 1975)
Monica Sjöö & Barbara Mor

O Primeiro Sexo: “No princípio tod@s fomos criad@s fêmeas”

No princípio era… um oceano feminino. Durante 2 billiões e meio de anos, todas as formas de vida terrestres flutuavam numa espécie de grande útero oceânico, alimentadas e protegidas pelos seus fluidos químicos, embaladas pelo ritmo lunar das marés. Charles Darwin acreditava que o ciclo menstrual teve aqui a sua origem, um eco orgânico do pulsar do oceano ao ritmo da lua. E, por causa deste longo período em que a vida na terra foi dominada por formas marinhas reproduzindo-se por partenogénese, ele concluiu que o princípio feminino é primordial. No princípio, a vida não foi gestada no interior do corpo de nenhuma criatura, mas sim dentro do útero oceânico que continha toda a vida orgânica. Não havia órgãos sexuais diferenciados, mas tão-somente uma existência feminina generalizada que se reproduzia a si mesma dentro do corpo feminino do mar*.

Antes que formas de vida mais complexas se pudessem desenvolver e viver em terra firme, foi necessário minimizar o ambiente oceânico, reproduzi-lo numa escala ínfima e móbil. Ovos frágeis e húmidos depositados na terra seca e expostos aos elementos não poderiam sobreviver, a vida não poderia mover-se para lá do aquoso estádio anfibiano. No decurso da evolução, o oceano – o espaço protetor e nutridor, os fluidos amnióticos, e até o ritmo lunar das marés – foi transferido para o interior do corpo da fêmea. O pénis, um dispositivo mecânico para a reprodução em ambiente terrestre, começou então a desenvolver-se.

O pénis surge primeiro na Idade dos Répteis, há cerca de 200 milhões de anos. A associação arquetípica entre o pénis e a serpente contém sem dúvida essa memória genética.

Este recurso fundamental ocorre com frequência na natureza: a vida é um ambiente feminino onde o macho aparece, muitas vezes periodicamente, criado pela fêmea, para realizar tarefas altamente especializadas relacionadas com a reprodução da espécie no sentido duma evolução mais complexa. Daphnia, um crustáceo de água doce, produz várias gerações de fêmeas por partenogénese: ela gera o ovo e a sua polaridade masculina para produzir um complexo de genes de onde resulta uma cria fêmea. Uma vez por ano, no final do ciclo anual, um grupo de machos de curta duração são produzidos; os machos especializam-se na manufatura de cascas de ovos com a resistência do couro capazes de sobreviver ao inverno. Entre as abelhas, os zangãos são produzidos e regulados pelas crias fêmeas estéreis da rainha fértil. Os zangãos existem para acasalar com a rainha. Uma média de sete zangãos por enxame cumpre esse acto em cada estação, após o que todo o grupo de machos é dizimado pelas abelhas operárias. Na América do Sudoeste, quatro espécies de lagartos reproduzem-se por partenogénese; aí os machos são muitos raros nas pradarias e planaltos.

Entre os mamíferos e mesmo na espécie humana, a partenogénese não é tecnicamente impossível. Cada óvulo feminino contém uma polaridade masculina com um conjunto completo de cromossomas; quando unificados, poderiam criar um embrião do género feminino. Os quistos nos ovários são óvulos não fertilizados que se unem à sua polaridade masculina, implantando-se nas paredes dos ovários onde se começam a desenvolver.

Não quer isto dizer que o macho seja dispensável. A partenogénese é um processo de clonagem. A reprodução sexual, que faz aumentar a variedade e a saúde do conjunto dos genes, é necessária para o tipo de evolução complexa que produziu a espécie humana. O ponto aqui é apenas demonstrar que no que se refere aos dois sexos, um deles anda por cá há muito mais tempo do que o outro.

*The First Sex: “In the Beginning We Were all Created Female”

Helen Diner, Mothers and Amazons (Nova Iorque: Doubleday/Anchor, 1973), 74. Diner refere-se à obra de Charles Darwin Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, volume 1 (Nova Iorque: J. A. Hill and Co., 1904), 164-68; Darwin acreditava que ambos os sexos, eram maternos na origem e que a próstata dos homens seria um útero rudimentar. 

domingo, 1 de março de 2015

O EPISÓDIO MÍTICO O "JULGAMENTO DE PÁRIS" E O FIM DO MATRIARCADO



(...) De facto a grande cultura que precedeu a grega foi a cretense que subitamente desapareceu no séc. XVI antes de Cristo.

Depois deu-se a derrocada do império hitita relatada na Ilíada e assim se definiu a fronteira da mitologia greco-romana moderna que afinal os romanos nem reconheciam muito bem mantendo os seus deuses arcaicos indígenas, di indigetes.

No entanto a modernidade descobriu as mitologias nórdicas e celtas e as suas estranhas semelhanças com as orientais, factos que nem os autores das teorias do indo-europeu suspeitavam e queriam admitir.

Ora, é obvio que falta um elo perdido entre essas tradições extremas e ele só poderia ter sido a cultura cretense que depois veio a ser herdada pelos fenícios. E fica assim explicada a semelhança com a mitologia maia e a azteca.

Mas pouco ou nada se sabe da mitologia cretense e tudo o que se diga dela é muito especulativo. No entanto a intriga do Julgamento de Páris, que precedeu a guerra de Troia, foi e deve ser encarada como um momento importante na trama histórica, porque ele marca uma luta de poder entre 3 deusas que precede a primeira guerra mundial da história ocidental, que a partir daí passou a ser de guerras constantes.

Este episódio do Julgamento de Páris deve ser considerado como o marco do começo do patriarcado no mundo greco-romano, por ser a visão mítica de um fenómeno político nunca visto: o fim do domínio absoluto da tríade política das três fases da vida da mulher e que ia da Anatólia à Irlanda nos barcos da talassocracia cretense.

Assim, é no que resta dos cultos de Hera, Atena e Afrodite que deve ser reconstruida a tríade matriarcal, realçando o facto da vitória de Afrodite no julgamento de Páris fazer parte do processo de capitulação do matriarcado em relação ao patriarcado.

A TRÍADE MATRIARCAL DO JULGAMENTO DE PÁRIS CHEGOU ATÉ À IRLANDA

Confirmando a ideia de que a talassocracia cretense espalhou pelo mundo o mesmo culto da Deusa, este investigador acrescenta: 

(...)Na tríade Ériu, Banbha e Fódla...é óbvio que Vénus, sendo Afrodite, era Fódla porque:

Fódla < Folda < Forda < Afroda + Te > Afrodite

Como esta tíade é seguramente a mesma do julgamento de Páris e já sabemos quem era Afrodite, fica Eridu como só podendo ser Hera. E resta a Banbha ser Atena:

Banbha < Wan-wika < Kian-Kika < Tianita > Anat > Atena > Diana.

Porque foi a partir desta epifania que eu dei conta de como tudo o resto estava interligado!


©Artur Felisberto 

Imagem: Rubens, O Julgamento de Páris




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Émilie du Châtelet


Memories of Émilie du Châtelet
by Voltaire

In the year 1733, I met a like-minded young lady who invited me to spend time at her country chateau where we could cultivate our minds far from the hustle and bustle of the city.

This lady was none other than the Marquise du Châtelet.  She had the most capable scientific mind of all the women in France.  Her father had taught her Latin.  She could recite from memory the most beautiful passages of all the ancient poets.  But she was most interested in mathematics and metaphysics.  Few other individuals have possessed such keen perception, elegant taste, and desire for knowledge.

She loved to socialize and play, but she decided to set that all aside to pursue her studies.  She beautified her old chateau with pretty gardens.  I built a small museum to house a rather nice natural history collection.  We also had a good library.  Many visitors came there to learn and share ideas.

I taught her English.  In about three months, she understood it as well as I did.  She read Newton and other English writers.  She learned Italian just as quickly.

In this, delightful place, we devoted ourselves to learning.  We focused all our energy on the ideas of Leibniz and Newton.  Madame du Châtelet was first attracted to the ideas of Leibniz.  She wrote an excellent book about them titled, Institutions de Physique.  Her style is clear, precise, and elegant.

She soon applied herself to the discoveries of the great Newton as well.  She translated his whole book, Principia, from Latin into French.  Newton's ideas are very difficult for the average person to understand, so she later added her own helpful explanations to make them easier to follow.

…………………..


Excerpt from
"The Translator's Preface"
by Émilie du Châtelet (1735)

The prejudice that excludes us women so universally from the sciences weighs heavily on me.  It has always astonished me that there are great nations whose laws permit us to control their fate, but there is not a single place where we are brought up to think.  This is one of the great contradictions of our times.

The theater is the only profession requiring some study and some cultivation of wit in which women are allowed to participate.  At the same time, it is a profession that has been declared an improper one.
Just think for a moment.  Why is it that for so many centuries not a single good tragedy, fine poem, valued story, beautiful painting, or good book on physics has been produced by the hand of a woman?  Why do these creatures-whose understanding appears to be similar in every way to that of men-seem to be held back by an insurmountable force?  Let someone give me a reason for it, if they can.  I leave it to the naturalists to find a physical reason for it, but until they have found one, women have a right to speak out for their education.

I confess that if I were king, I would conduct the following experiment.  I would correct this abuse that has cut short a full half of the human race.  I would get women to participate in all the privileges of humanity, especially those of the mind.

It's as though women were born only to flirt, so they are given nothing but that activity to exercise their minds.  The new education I propose would do all of humanity a great deal of good.  Women would be better off for it, and men would gain a new source of competition.

All too often, the way we currently conduct our daily affairs weakens and narrows women's minds rather than improves them.  With men and women as equal partners, such interactions would serve to extend everyone's knowledge.

I'm convinced that most women are either ignorant of their talents, or they cover them up.  Everything I've experienced myself confirms this opinion.  I've been lucky to know men of letters who have included me in their circle.  I saw with extreme astonishment that they held me in high esteem.  I then began to believe that I was a thinking creature.
.........

Legenda primeira imagem:
Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil, marquise du Châtelet (French: [dy ʃɑtlɛ]; 17 December 1706  – 10 September 1749) was a French mathematician, physicist, and author during the Age of Enlightenment. Her crowning achievement is considered to be her translation and commentary on Isaac Newton's work Principia Mathematica. The translation, published posthumously in 1759, is still considered the standard French translation. Wikipedia

Legenda segunda imagem:
By 1736 Voltaire and du Châtelet were jointly working on the book, Eléments de la philosophie de Newton. The book was published in 1738 under Voltaire’s name, but in the preface he makes it clear that the book was a collaborative process with Emilie. The engraving shows Newton, sitting on High, with Emilie holding a mirror to reflect the truth of his Wisdom, so that Voltaire, the scribe, could render the wisdom into words.http://mikerendell.com/emilie-du-chatelet-a-great-female-scientist-in-the-eighteenth-century/


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Curso online UM REGRESSO À DEUSA


ARQUÉTIPOS DO FEMININO – UM REGRESSO À DEUSA

Curso online


PORQUÊ A DEUSA?
 Acaso precisamos mesmo de outra divindade, de outra religião, de alguma coisa diferente para venerar?
Se existe um Deus, não deveria existir também uma Deusa? Não é disso que trata a Criação — as energias masculinas e femininas juntando-se para criar vida nova? Sem a mulher não pode existir vida nova.
Se os seres humanos foram criados à semelhança do Criador, e existe apenas um Deus masculino, à imagem de quem foram criadas as mulheres? Se vive numa cultura em que há apenas um Deus masculino e nenhuma Deusa, onde está o modelo para o feminino? Como é que as meninas podem aprender a ser mulheres sem a Deusa? In O Oráculo da Deusa, Amy Sophia Marashinsky

O ARQUÉTIPO

 Arquétipos são padrões, formas nas quais se exprimem naturalmente as forças do universo. Todos os comportamentos femininos, todas as fases da vida da mulher, correspondem a um padrão/Arquétipo que em cada cultura é representado por uma Deusa específica. Todas as culturas tiveram, ou têm ainda, as suas deusas, mesmo que muitas vezes desconheçamos os seus nomes e atributos. No meu caso e no caso do país onde nasci, há apenas alguns anos, eu desconhecia por completo qualquer divindade feminina autóctone ou que aqui tivesse sido cultuada antes do Cristianismo; nunca tinha ouvido falar nem desconfiava que tal pudesse alguma vez ter existido. Mas mal essa possibilidade entrou na minha consciência, informações sobre Elas começaram a surgir das mais variadas fontes.

A PRIMEIRA DIVINDADE

A Deusa foi a primeira divindade a que a humanidade prestou culto, porque a função materna é anterior à paterna. Nas sociedades matriarcais, ou ginecocêntricas, dos primórdios da humanidade, onde um homem não tinha a exclusividade na vida duma mulher, a função de pai era desconhecida. Isso ainda hoje pode ser atestado pela observação dos raros vestígios de matriarcados existentes no mundo, como é o caso do povo Mosuo, no sul da China.

A ASCENSÃO DA DIVINDADE MASCULINA

Progressivamente a situação foi-se invertendo. Com o sistema da propriedade privada, tornou-se imperioso, por razões de transmissão da herança, garantir a “pureza” da linhagem, e a mulher tornou-se propriedade do patriarca, como a terra, o gado e as alfaias agrícolas, sua ajudante e insubstituível tecnologia de reprodução para o cumprimento da célebre injunção de Jeová: “Crescei, multiplicai-vos e dominai a Terra”. As funções sacerdotais que a mulher exercia foram usurpadas e atualmente todas as grandes religiões que dominam o mundo são exclusivamente masculinas. As deusas foram suprimidas, os deuses deixaram de ter parceiras, o acesso à hierarquia religiosa foi vedado à mulher.
Sem uma Deusa à imagem da qual possa ter sido criada, sem padrões de comportamento validados pela existência reconhecida e sacralizada dum Arquétipo/Deusa, como é o caso, por exemplo, de Afrodite e a Sexualidade, a mulher viu-se cortada da sua força e do seu poder, tornando-se o chamado “sexo fraco”. Basicamente, a mulher foi reduzida a uma espécie de escravatura, como todo o povo vencido e colonizado.
É urgente portanto resgatarmos a Deusa e a autoridade espiritual da mulher, e esse resgate apenas nós mulheres o poderemos fazer, valorizando o Feminino e a Mulher, procurando em nós mesmas a Deusa das origens, a Grande Deusa nas suas várias facetas e manifestações, a nossa única fonte de sabedoria feminina profundamente relacionada com a terra e com o corpo e orientada para a criação e a manutenção da Vida.   
O trabalho com os Arquétipos, forças vivas como tudo neste universo, é o trabalho do resgate da força da mulher, sendo o Arquétipo um portal que nos permite o acesso à fonte do nosso próprio poder.
As oito Deusas que selecionei para o nosso trabalho fornecem-nos, na minha perspetiva, inspiração nos principais aspectos da nossa vida de mulheres do século XXI. Eles provêm da cultura grega e correspondem a uma fase já patriarcal, pelo que teremos ocasião de refletir sobre as suas feridas que espelham as nossas.


O CURSO

Durante seis semanas trabalharemos o Arquétipo de uma das 8 Deusas selecionadas do panteão grego, correspondentes às várias fases da vida da mulher.

Atividades:

Leitura da informação disponibilizada
Reflexão orientada por um conjunto de questões
Meditação/visualização
Criação dum altar da Deusa/Arquétipo do Módulo
Atividades práticas que apelam à criatividade de cada participante.
As datas em que enviarei as propostas de trabalho de cada um dos Módulos, bem como aquela em que a sua resolução deverá chegar até mim serão conhecidas previamente por cada participante.
Estarei aberta e disponível para responder a qualquer questão que vá surgindo, quer a nível dos materiais enviados, quer a nível pessoal.

Será fornecida uma lista com a bibliografia aconselhada.

email de contacto: jardimdashesperidestemplo@gmail.com




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

UMA CONFERÊNCIA DA DEUSA PARA PORTUGAL



A minha amiga que muito estimo RLP acaba de publicar mais um texto forte e poderoso sobre a nossa condição de mulheres num mundo de homens, sobre divisões, traições e subalternidades… e muito bem. É só o 500.º do mesmo género que  publica sobre o tema e se ela deixasse de o fazer eu iria sentir muito a perda dessa voz lúcida que se ergue corajosa e insistente no meio da inconsciência e deixa andar geral, falando sobre a forma insana como convivemos com o género oposto e ele connosco, sobre esse profundo desequilíbrio de que padecemos e morremos…

Ao mesmo tempo que vejo as vantagens destes alertas até pela forma como tantas mulheres reagem e se reveem e identificam com o que é dito e contado, o que significa que de repente tomam consciência, também vejo as tremendas desvantagens que são a energia que se fornece ao monstro, ao grande sorvedouro patriarcal que de tudo isso se alimenta…

Por outro lado, a minha amiga KJ resolveu dar o seu tempo, energia e talento à criação dum outro foco de interesse e atenção que congregue a energia das mulheres, devolvendo-lhes um sentido de poder e de completude em si mesmas, colocando tudo aquilo que é específico do feminino e da mulher no centro duma nova cultura, que faz com que a energia que dávamos ao sistema criado e dominado pelo homem vá gradualmente enfraquecendo. E o sistema, acredito, acabará por morrer à míngua da energia com que as mulheres o alimenta(va)m.

Senti isso quando em 2011 assisti (ou vivenciei melhor dizendo) à Glastonbury Goddess Conference em direto. O poder deste evento de mudar o foco da cultura para os valores femininos e para a mulher está provado pela propagação do conceito por esse mundo fora. Atualmente realizam-se Conferências da Deusa em quase todos os países da Europa, bem como nos Estados Unidos, Austrália e em alguns países da América Latina como a Argentina e o México. 

Portugal entretanto terá a sua primeira Conferência da Deusa a valer em setembro de 2016, em Sintra. Prepara-se e reserve desde já o seu lugar, venha refazer em direto a História no feminino!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Vou andar pelo campo enquanto cá andar e enquanto o houver




Esta manhã acordei com o pensamento nos caminhos da minha terra. São caminhos por onde já quase não se anda, paisagens cujo encanto não impressiona mais ninguém. Não são áreas protegidas, não vêm em nenhum roteiro turístico. De cada vez que lá vou falta mais um pedaço tomado por alguma nova construção. O mais selvagem e avassalador foi o IP não sei quantos que destruiu, entre muitas outras coisas, os carvalhos mais antigos e imponentes da área que oficialmente até seriam árvores protegidas.

Gosto, dizia, de percorrer esses caminhos, sinto que preciso deles e que eles precisam de mim. Dizem-nos @s mestr@s que o mundo precisa da nossa atenção para existir e eu acredito e é quase com um sentimento de dever ou de missão que sempre que posso percorro os campos, para garantir que perduram, que continuam a mudar de aparência em cada estação, que ainda rescendem a ervas mágicas no Verão, que se enchem de flores quando vem a Primavera e de pássaros nos ninhos e de regatos e poças de água no Inverno e que amarelecem no Outono quando a Deusa Abundância estende para nós os seus frutos e bagas todas ao mesmo tempo.
  
Entretanto perguntam-me as pessoas da aldeia que, imagine-se, já não andam pelos campos no meio dos quais construíram as habitações onde vivem, se não tenho medo de andar sozinha pelo campo. A pergunta, mais do que incomodar-me, fere a minha alma como o bulldozer fere a paisagem. Ao indagar dos hipotéticos perigos, dizem-me que vêm basicamente das cobras e dos assaltantes.

Devo dizer entretanto que considero as cobras dos animais mais sagrados de toda a criação. Quanto aos assaltantes, eles estão por todo o lado, toda a paisagem foi tomada de assalto, a cultura foi tomada de assalto, toda a terra foi tomada de assalto. Eu visito apenas o que resta do saque, por enquanto, o que vai sobrevivendo no meio de toda a desolação, e dou-lhe toda a atenção e carinho que posso e perecer nesse acto não vou dizer que seria heróico, mas alguma coisa do género.

Mas não sou assim tão destemida, também tenho os meus medos. Tenho medo duma cultura em que as pessoas se trancam em casa com medo das cobras, dos assaltantes, dos fiscais das finanças, dos banqueiros, dos polícias, daqueles que se dizem seus governantes, e aí ficam embasbacadas à frente da televisão, vendo incessantes novelas e arraiais populares, gouchas, casas de segredos e jogos de futebol, enquanto engolem as pastilhas prescritas pelo médico de família, alternando tudo isso com os vinte crimes seguidos do telejornal das oito, mais as ameaças dos ministros, no meio da euforia de plástico da publicidade. E não é apenas medo, é pavor por ver a forma vil e abjecta como se destrói a alma e se drena a força vital dum país e duma cultura. 

Luiza Frazão

sábado, 23 de agosto de 2014

KATHY JONES finalmente em Portugal!



AVALON E JARDIM DAS HESPÉRIDES
a Tradição do Arco Atlântico

Com KATHY JONES sacerdotisa de Avalon, autora e formadora de sacerdotisas, cofundadora do primeiro Templo da Deusa da actualidade, organizadora da Glastonbury Goddess Conference.

“A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos destes jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro tais paraísos situam-se no Oeste.”
The Language of Ma, Annine Van der Meer


Participação de: Luiza Frazão, Amala Amélia, 
Íris Lican,Saucco de Trivia, Irantzu Gonazpi

Avalon e o Jardim das Hespérides, reinos míticos e lendários, terras de abundância e bem-aventurança, das maçãs da imortalidade, são reminiscências duma Idade de Ouro em que a Deusa, a Natureza e a Mulher foram honradas e preponderantes em sociedades igualitárias, pacíficas e sustentáveis. 

Por milénios inclusos, inacessíveis, ocultados por brumas, estes reinos oferecem-se agora de novo à manifestação e o tempo é chegado de também nós reclamarmos esta herança ancestral, a Tradição do Arco Atlântico, herdeira da antiga civilização Atlante, e de aceitarmos partir à sua redescoberta com um coração puro, como reza a lenda, deixando-nos transformar pela sua magia e energia curadora, capaz de nos inspirar na cocriação dum mundo de harmonia, inclusão, abundância e paz regido pelos valores da Mãe. 

É intenção deste evento introduzir o conhecimento e a prática espiritual relativa à Roda do Ano da Deusa na Britânia, ou Roda de Avalon, segundo a visão de Kathy Jones, sacerdotisa de Avalon e cofundadora do primeiro Templo da Deusa reconhecido oficialmente como lugar de culto da actualidade.
 
Paralelamente, será dada a conhecer a Roda do Ano do Jardim das Hespérides, com as suas Deusas, lugares de poder, Hespérides, árvores e animais totémicos. Teremos ocasião de trabalhar directamente com algumas das nossas Deusas e honraremos as energias do momento, o Equinócio do Outono, percorrendo de forma cerimonial o Labirinto, um antigo e poderoso símbolo da Deusa, propiciador de equilíbrio, integração e completude. 

Programa:
Sexta-feira 3 de Outubro 
21:00
Palestra "Reviver a Dimensão de Avalon em Glastonbury." 
Com Kathy Jones e Luiza Frazão.
Local: Casa do Fauno

Workshop Avalon e Jardim das Hespérides
4 e 5 de Outubro
Com Kathy Jones, Luiza Frazão, Amala e Iris Lican
Local: Senhora d’Azenha

Sábado 4 de Outubro
09:30 
Recepção
10:00 
Invocação das Deusas da Roda do Ano .
10:30 
Apresentação de Kathy e da sua visão de Avalon .
11:30 
Break 
12:00 
Apresentação Roda do Ano do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão.
13:00 
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 
Iris Lican : 
As três idades da Mulher, vivência de dança ritual
17:00 

Break
17:30 - 18:30 
Journey Kathy Jones
20:00 - 22:00 
Caminhos da Deusa: Arte devocional performativa pagã (programa e artistas performativos a anunciar brevemente)

Domingo 5 de Outubro
09:30 
Invocação. 
10:15 
Amala : Iccona Loiminna 
13:00 
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 - 14:45 
Apresentação da Roda do Ano basca, Irantzu Gonazpi . 
15:00 
Percorrer o Labirinto . 
20:00 
Cerimónia de comunhão com a terra da Hespéria

Informações/ Inscrições:
Iris Lican
contacto@irislican.com
965 143 973

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O PAÍS DA RAPARIGA BREVE


De Portugal diz-se normalmente que é o país mais antigo, ou um dos mais antigos, do mundo ou pelo menos da Europa. Ele é o país da Anciã, da velha Deusa Cale, Beira, Calaica, uma Velha muito velha, mais antiga que o tempo, e muito sábia porque a sua longuíssima, eterna, vida lhe ensinou tudo o que havia para aprender e sobretudo lhe permitiu viver tudo o que havia para viver, todo o sucesso e toda a derrota, todos os ganhos e todas as perdas, todas as ilusões e desilusões, todas as mortes e renascimentos. Vezes sem conta. Estão a ver a Velha matreira, picante, das histórias populares, a que muda de forma, a sem forma, a que rola encosta abaixo dentro duma cabaça? É Ela, Aquela que coloca desafios e apresenta enigmas insondáveis que fazem perder a pose e a compostura e ter consciência das nossas humanas limitações e ralações, A que foi transformada na Bruxa Má (Bruxa tudo bem, mas “Má” já é simplória desinformação da propaganda patriarcal). Muito sábia e capaz do amor maior e da maior compaixão, pode perceber-se a Sua maravilhosa energia numa Grande Avó que fosse livre e tivesse real poder.

Apesar disso, neste país tão antigo é confrangedor ver o modo como as pessoas se tornaram descartáveis. Todas poderosas na sua juventude, vão paulatinamente perdendo viço e colorido, exuberância e visibilidade, voz e poder à medida que o tempo vai passando. O que viveram e experienciaram não conta mais para nada.

Este tornou-se o país da rapariga, que em vez de sábia é “sabida”, ou arrogante, e sumamente ambiciosa. A sua arrogância e ambição crescem na exacta proporção da sua confrangedora ignorância e falta de mundo. Mas sabe de computadores, de aipades, aipedes e aipodes e telemóveis de última geração e conhece o jargão que permite manter o contacto sem ter de basicamente dizer nada de relevante e muito menos de novo e de pensado. Sabe de celebridades, de marcas, de moda e decoração e fez longos estágios no shopingue. Tudo coisas que a sua mãe desconhecia quando tinha a sua idade, o que lhe dá sobre ela um vertiginoso ascendente. À mãe resta agora a hipertensão, o colesterol e a diabetes, se tiver sorte, e as novelas, que já não são apenas brasileiras, mas sobretudo um glorioso produto nacional de última geração.

Isto não é um exclusivo nem nacional nem das raparigas, óbvio (veja-se o fenómeno futebol) e parece que é o resultado da tal era tecnológica ou tecnocrática em que a técnica e o técnico de informática são quem reunirá as melhores condições para formar governo.

É também o tal culto da juventude. Está tudo ligado, óbvio, e tudo pensado na óptica do mercado, e a situação parece complicar-se dado o poder crescente de que gozam as crianças desde o berço, como se duma forma inesperada e sumamente perversa tivéssemos alcançado já a tal Idade do Espírito Santo, aquela utopia do Joaquim de Fiore em que a imperadora ou o imperador serão… uma criança…

Este estado das coisas, se não é criado por, é pelo menos mantido, entretido e entretecido pela televisão omnipresente. Não existe neste país espaço urbanizado onde se esteja a salvo da estridência duma tvi, com vários ecrãs se for preciso num mesmo espaço. Ora, em tempos e lugares assim não precisamos de ter vida própria, que dá muita chatice, é um enorme gasto de meios, comporta inúmeros perigos e não oferece nenhuma garantia de sucesso, nem dela nunca sairemos viv@s, como se sabe. Basta vê-la na televisão. 

De resto que espécie de vida poderia competir com a excitação, a frescura e o glamur da que aparece nos ecrãs da televisão, devidamente condimentada com doses massivas da adrenalina do crime passional ou dos gangues dos shopingues? Não senhora, podemos viver perfeitamente nas novelas que se sucedem pelo dia fora, e essas sim com gente a sério, viva, jovem e de última geração, lembrando aqueles insectos duma beleza estonteante que subitamente e apenas por um brevíssimo instante eclodem em toda a sua glória à luz do dia.

Se espreitarmos por um bocadinho que seja esses dramas da juventude das novelas, entretanto, como já me aconteceu, havemos de constatar incrédulas que são os mesmíssimos dos respectivos progenitores só que em cenários ligeiramente diferentes, mais modernizados pelos estilo ikeia.

E porque os aipades, aipedes e aipodes não têm como explicar as armadilhas onde vão perder a pose e o brilho, as raparigas vão sendo substituídas por outras cada vez mais novas e mais arrogantes e engrossar o lote das mulheres transparentes, hipervulneráveis, serviçais, desautorizadas e resignadas, que suspirando e desculpando-se com os picos da tensão e diabetes se recostam nos sofás da casa deleitando-se com a vida das raparigas das novelas como quem se refastela com os restos dum banquete do qual se foi inexplicavelmente, mas também não faz mal, banid@...

Luiza Frazão