No próximo dia 27 de Março, 2015, na Casa Do Fauno, em Sintra
O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de chegada a casa.Jean Shinoda Bolen
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quarta-feira, 18 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
O EPISÓDIO MÍTICO O "JULGAMENTO DE PÁRIS" E O FIM DO MATRIARCADO
Depois deu-se a derrocada do império hitita relatada na
Ilíada e assim se definiu a fronteira da mitologia greco-romana moderna que
afinal os romanos nem reconheciam muito bem mantendo os seus deuses arcaicos indígenas, di indigetes.
No entanto a modernidade descobriu as mitologias nórdicas e
celtas e as suas estranhas semelhanças com as orientais, factos que nem os
autores das teorias do indo-europeu suspeitavam e queriam admitir.
Ora, é obvio que falta um elo perdido entre essas tradições
extremas e ele só poderia ter sido a cultura cretense que depois veio a ser
herdada pelos fenícios. E fica assim explicada a semelhança com a mitologia
maia e a azteca.
Mas pouco ou nada se sabe da mitologia cretense e tudo o que
se diga dela é muito especulativo. No entanto a intriga do Julgamento de Páris,
que precedeu a guerra de Troia, foi e deve ser encarada como um momento
importante na trama histórica, porque ele marca uma luta de poder entre 3
deusas que precede a primeira guerra mundial da história ocidental, que a
partir daí passou a ser de guerras constantes.
Este episódio do Julgamento de Páris deve ser considerado
como o marco do começo do patriarcado no mundo greco-romano, por ser a visão mítica
de um fenómeno político nunca visto: o fim do domínio absoluto da tríade
política das três fases da vida da mulher e que ia da Anatólia à Irlanda nos barcos
da talassocracia cretense.
Assim, é no que resta dos cultos de Hera, Atena e Afrodite que deve ser reconstruida a
tríade matriarcal, realçando o facto da vitória de Afrodite no julgamento de
Páris fazer parte do processo de capitulação do matriarcado em relação ao
patriarcado.
A TRÍADE MATRIARCAL DO JULGAMENTO DE PÁRIS CHEGOU ATÉ À IRLANDA
Confirmando a ideia de que a talassocracia cretense espalhou pelo mundo o mesmo culto da Deusa, este investigador acrescenta:
©Artur Felisberto
A TRÍADE MATRIARCAL DO JULGAMENTO DE PÁRIS CHEGOU ATÉ À IRLANDA
Confirmando a ideia de que a talassocracia cretense espalhou pelo mundo o mesmo culto da Deusa, este investigador acrescenta:
(...)Na tríade Ériu, Banbha e Fódla...é óbvio que Vénus,
sendo Afrodite, era Fódla porque:
Fódla < Folda < Forda < Afroda + Te > Afrodite
Como esta tíade é seguramente a mesma do julgamento de
Páris e já sabemos quem era Afrodite, fica Eridu como só podendo ser Hera. E resta a Banbha ser Atena:
Banbha < Wan-wika < Kian-Kika < Tianita > Anat
> Atena > Diana.
Porque foi a partir desta epifania que eu dei conta de como
tudo o resto estava interligado!
©Artur Felisberto
Imagem: Rubens, O Julgamento de Páris
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Émilie du Châtelet
Memories of
Émilie du Châtelet
by Voltaire
In the year
1733, I met a like-minded young lady who invited me to spend time at her
country chateau where we could cultivate our minds far from the hustle and
bustle of the city.
This lady
was none other than the Marquise du Châtelet.
She had the most capable scientific mind of all the women in
France. Her father had taught her Latin. She could recite from memory the most
beautiful passages of all the ancient poets.
But she was most interested in mathematics and metaphysics. Few other individuals have possessed such
keen perception, elegant taste, and desire for knowledge.
She loved
to socialize and play, but she decided to set that all aside to pursue her
studies. She beautified her old chateau
with pretty gardens. I built a small
museum to house a rather nice natural history collection. We also had a good library. Many visitors came there to learn and share
ideas.
I taught
her English. In about three months, she
understood it as well as I did. She read
Newton and other English writers. She
learned Italian just as quickly.
In this,
delightful place, we devoted ourselves to learning. We focused all our energy on the ideas of
Leibniz and Newton. Madame du Châtelet
was first attracted to the ideas of Leibniz.
She wrote an excellent book about them titled, Institutions de
Physique. Her style is clear, precise,
and elegant.
She soon
applied herself to the discoveries of the great Newton as well. She translated his whole book, Principia,
from Latin into French. Newton's ideas
are very difficult for the average person to understand, so she later added her
own helpful explanations to make them easier to follow.
…………………..
Excerpt from
"The
Translator's Preface"
by Émilie
du Châtelet (1735)
The
prejudice that excludes us women so universally from the sciences weighs
heavily on me. It has always astonished
me that there are great nations whose laws permit us to control their fate, but
there is not a single place where we are brought up to think. This is one of the great contradictions of
our times.
The theater
is the only profession requiring some study and some cultivation of wit in
which women are allowed to participate.
At the same time, it is a profession that has been declared an improper
one.
Just think
for a moment. Why is it that for so many
centuries not a single good tragedy, fine poem, valued story, beautiful
painting, or good book on physics has been produced by the hand of a woman? Why do these creatures-whose understanding
appears to be similar in every way to that of men-seem to be held back by an
insurmountable force? Let someone give
me a reason for it, if they can. I leave
it to the naturalists to find a physical reason for it, but until they have
found one, women have a right to speak out for their education.
I confess
that if I were king, I would conduct the following experiment. I would correct this abuse that has cut short
a full half of the human race. I would
get women to participate in all the privileges of humanity, especially those of
the mind.
It's as
though women were born only to flirt, so they are given nothing but that
activity to exercise their minds. The
new education I propose would do all of humanity a great deal of good. Women would be better off for it, and men
would gain a new source of competition.
All too
often, the way we currently conduct our daily affairs weakens and narrows
women's minds rather than improves them.
With men and women as equal partners, such interactions would serve to extend
everyone's knowledge.
I'm
convinced that most women are either ignorant of their talents, or they cover
them up. Everything I've experienced
myself confirms this opinion. I've been
lucky to know men of letters who have included me in their circle. I saw with extreme astonishment that they
held me in high esteem. I then began to
believe that I was a thinking creature.
.........
Legenda primeira imagem:
Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil,
marquise du Châtelet (French: [dy ʃɑtlɛ]; 17 December 1706 – 10 September 1749) was a French
mathematician, physicist, and author during the Age of Enlightenment. Her
crowning achievement is considered to be her translation and commentary on
Isaac Newton's work Principia Mathematica. The translation, published
posthumously in 1759, is still considered the standard French translation.
Wikipedia
Legenda segunda imagem:
By 1736 Voltaire and du Châtelet were jointly working on the book, Eléments de la philosophie de Newton. The book was published in 1738 under Voltaire’s name, but in the preface he makes it clear that the book was a collaborative process with Emilie. The engraving shows Newton, sitting on High, with Emilie holding a mirror to reflect the truth of his Wisdom, so that Voltaire, the scribe, could render the wisdom into words.http://mikerendell.com/emilie-du-chatelet-a-great-female-scientist-in-the-eighteenth-century/
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Curso online UM REGRESSO À DEUSA
ARQUÉTIPOS DO FEMININO – UM REGRESSO À DEUSA
Curso online
PORQUÊ A DEUSA?
Acaso precisamos mesmo de outra divindade, de
outra religião, de alguma coisa diferente para venerar?
Se existe um Deus, não
deveria existir também uma Deusa? Não é disso que trata a Criação — as energias
masculinas e femininas juntando-se para criar vida nova? Sem a mulher não pode
existir vida nova.
Se os seres humanos
foram criados à semelhança do Criador, e existe apenas um Deus masculino, à
imagem de quem foram criadas as mulheres? Se vive numa cultura em que há apenas
um Deus masculino e nenhuma Deusa, onde está o modelo para o feminino? Como é
que as meninas podem aprender a ser mulheres sem a Deusa? In O Oráculo da Deusa, Amy Sophia
Marashinsky
O ARQUÉTIPO
Arquétipos são
padrões, formas nas quais se exprimem naturalmente as forças do universo. Todos
os comportamentos femininos, todas as fases da vida da mulher, correspondem a um
padrão/Arquétipo que em cada cultura é representado por uma Deusa específica.
Todas as culturas tiveram, ou têm ainda, as suas deusas, mesmo que muitas vezes
desconheçamos os seus nomes e atributos. No meu caso e no caso do país onde
nasci, há apenas alguns anos, eu desconhecia por completo qualquer divindade
feminina autóctone ou que aqui tivesse sido cultuada antes do Cristianismo;
nunca tinha ouvido falar nem desconfiava que tal pudesse alguma vez ter existido.
Mas mal essa possibilidade entrou na minha consciência, informações sobre Elas
começaram a surgir das mais variadas fontes.
A PRIMEIRA DIVINDADE
A Deusa foi a primeira divindade a que a humanidade prestou
culto, porque a função materna é anterior à paterna. Nas sociedades
matriarcais, ou ginecocêntricas, dos primórdios da humanidade, onde um homem
não tinha a exclusividade na vida duma mulher, a função de pai era
desconhecida. Isso ainda hoje pode ser atestado pela observação dos raros
vestígios de matriarcados existentes no mundo, como é o caso do povo Mosuo, no
sul da China.
A ASCENSÃO DA DIVINDADE MASCULINA
Progressivamente a situação foi-se invertendo. Com o sistema
da propriedade privada, tornou-se imperioso, por razões de transmissão da
herança, garantir a “pureza” da linhagem, e a mulher tornou-se propriedade do
patriarca, como a terra, o gado e as alfaias agrícolas, sua ajudante e
insubstituível tecnologia de reprodução para o cumprimento da célebre injunção
de Jeová: “Crescei, multiplicai-vos e dominai a Terra”. As funções sacerdotais
que a mulher exercia foram usurpadas e atualmente todas as grandes religiões
que dominam o mundo são exclusivamente masculinas. As deusas foram suprimidas,
os deuses deixaram de ter parceiras, o acesso à hierarquia religiosa foi vedado
à mulher.
Sem uma Deusa à imagem da qual possa ter sido criada, sem
padrões de comportamento validados pela existência reconhecida e sacralizada dum
Arquétipo/Deusa, como é o caso, por exemplo, de Afrodite e a Sexualidade, a
mulher viu-se cortada da sua força e do seu poder, tornando-se o chamado “sexo
fraco”. Basicamente, a mulher foi reduzida a uma espécie de escravatura, como todo
o povo vencido e colonizado.
É urgente portanto resgatarmos a Deusa e a autoridade
espiritual da mulher, e esse resgate apenas nós mulheres o poderemos fazer, valorizando
o Feminino e a Mulher, procurando em nós mesmas a Deusa das origens, a Grande
Deusa nas suas várias facetas e manifestações, a nossa única fonte de sabedoria
feminina profundamente relacionada com a terra e com o corpo e orientada para a
criação e a manutenção da Vida.
O trabalho com os Arquétipos, forças vivas como tudo neste
universo, é o trabalho do resgate da força da mulher, sendo o Arquétipo um
portal que nos permite o acesso à fonte do nosso próprio poder.
As oito Deusas que selecionei para o nosso trabalho
fornecem-nos, na minha perspetiva, inspiração nos principais aspectos da nossa
vida de mulheres do século XXI. Eles provêm da cultura grega e correspondem a
uma fase já patriarcal, pelo que teremos ocasião de refletir sobre as suas feridas
que espelham as nossas.
O CURSO
Durante seis semanas trabalharemos o Arquétipo de uma das 8
Deusas selecionadas do panteão grego, correspondentes às várias fases da vida
da mulher.
Atividades:
Leitura da informação disponibilizada
Reflexão orientada por um conjunto de questões
Meditação/visualização
Criação dum altar da Deusa/Arquétipo do Módulo
Atividades práticas que apelam à criatividade de cada
participante.
As datas em que enviarei as propostas de trabalho de cada um
dos Módulos, bem como aquela em que a sua resolução deverá chegar até mim serão
conhecidas previamente por cada participante.
Estarei aberta e disponível para responder a qualquer questão
que vá surgindo, quer a nível dos materiais enviados, quer a nível pessoal.
Será fornecida uma lista com a bibliografia aconselhada.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
UMA CONFERÊNCIA DA DEUSA PARA PORTUGAL
A minha
amiga que
muito estimo RLP acaba de publicar mais um texto forte e poderoso sobre a nossa
condição de mulheres num mundo de homens, sobre divisões, traições e
subalternidades… e muito bem. É só o 500.º do mesmo género que
publica sobre o tema e se ela deixasse de o fazer eu iria sentir muito a
perda dessa voz lúcida que se ergue corajosa e insistente no meio da
inconsciência e deixa andar geral, falando sobre a forma insana como convivemos
com o género oposto e ele connosco, sobre esse profundo desequilíbrio de que
padecemos e morremos…
Ao mesmo tempo que vejo as vantagens destes alertas até pela
forma como tantas mulheres reagem e se reveem e identificam com o que é dito e contado,
o que significa que de repente tomam consciência, também vejo as tremendas
desvantagens que são a energia que se fornece ao monstro, ao grande sorvedouro
patriarcal que de tudo isso se alimenta…
Por outro lado, a minha amiga KJ resolveu dar o seu tempo,
energia e talento à criação dum outro foco de interesse e atenção que congregue
a energia das mulheres, devolvendo-lhes um sentido de poder e de completude em
si mesmas, colocando tudo aquilo que é específico do feminino e da mulher no
centro duma nova cultura, que faz com que a energia que dávamos ao sistema
criado e dominado pelo homem vá gradualmente enfraquecendo. E o sistema,
acredito, acabará por morrer à míngua da energia com que as mulheres o alimenta(va)m.
Senti isso quando em 2011 assisti (ou vivenciei melhor
dizendo) à Glastonbury Goddess Conference em direto. O poder deste evento de
mudar o foco da cultura para os valores femininos e para a mulher está provado
pela propagação do conceito por esse mundo fora. Atualmente realizam-se
Conferências da Deusa em quase todos os países da Europa, bem como nos Estados
Unidos, Austrália e em alguns países da América Latina como a Argentina e o
México.
Portugal entretanto terá a sua primeira Conferência da Deusa a valer em setembro de 2016, em Sintra. Prepara-se e reserve desde já o seu lugar, venha refazer em direto a História no feminino!
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Vou andar pelo campo enquanto cá andar e enquanto o houver
Gosto, dizia, de percorrer esses caminhos, sinto que preciso
deles e que eles precisam de mim. Dizem-nos @s mestr@s que o mundo precisa da
nossa atenção para existir e eu acredito e é quase com um sentimento de dever
ou de missão que sempre que posso percorro os campos, para garantir que
perduram, que continuam a mudar de aparência em cada estação, que ainda rescendem
a ervas mágicas no Verão, que se enchem de flores quando vem a Primavera e de
pássaros nos ninhos e de regatos e poças de água no Inverno e que amarelecem no
Outono quando a Deusa Abundância estende para nós os seus frutos e bagas todas
ao mesmo tempo.
Entretanto perguntam-me as pessoas da aldeia que, imagine-se,
já não andam pelos campos no meio dos quais construíram as habitações onde
vivem, se não tenho medo de andar sozinha pelo campo. A pergunta, mais do que
incomodar-me, fere a minha alma como o bulldozer fere a paisagem. Ao indagar dos
hipotéticos perigos, dizem-me que vêm basicamente das cobras e dos assaltantes.
Devo dizer entretanto que considero as cobras dos animais
mais sagrados de toda a criação. Quanto aos assaltantes, eles estão por todo o
lado, toda a paisagem foi tomada de assalto, a cultura foi tomada de assalto,
toda a terra foi tomada de assalto. Eu visito apenas o que resta do saque, por
enquanto, o que vai sobrevivendo no meio de toda a desolação, e dou-lhe toda a atenção
e carinho que posso e perecer nesse acto não vou dizer que seria heróico, mas alguma
coisa do género.
Luiza Frazão
sábado, 23 de agosto de 2014
KATHY JONES finalmente em Portugal!
AVALON E JARDIM DAS
HESPÉRIDES
a Tradição do Arco Atlântico
a Tradição do Arco Atlântico
Com KATHY JONES sacerdotisa de Avalon, autora e formadora de sacerdotisas, cofundadora do primeiro Templo da Deusa da actualidade, organizadora da Glastonbury Goddess Conference.
“A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos destes jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro tais paraísos situam-se no Oeste.”
The Language of Ma, Annine Van der Meer
Participação de: Luiza Frazão, Amala Amélia,
Íris Lican,Saucco de Trivia, Irantzu Gonazpi
Avalon e o Jardim das Hespérides, reinos míticos e lendários, terras de abundância e bem-aventurança, das maçãs da imortalidade, são reminiscências duma Idade de Ouro em que a Deusa, a Natureza e a Mulher foram honradas e preponderantes em sociedades igualitárias, pacíficas e sustentáveis.
Por milénios inclusos,
inacessíveis, ocultados por brumas, estes reinos oferecem-se agora de novo à
manifestação e o tempo é chegado de também nós reclamarmos esta herança
ancestral, a Tradição do Arco Atlântico, herdeira da antiga civilização
Atlante, e de aceitarmos partir à sua redescoberta com um coração puro, como
reza a lenda, deixando-nos transformar pela sua magia e energia curadora, capaz
de nos inspirar na cocriação dum mundo de harmonia, inclusão, abundância e paz
regido pelos valores da Mãe.
É intenção deste evento introduzir o conhecimento e a prática espiritual relativa à Roda do Ano da Deusa na Britânia, ou Roda de Avalon, segundo a visão de Kathy Jones, sacerdotisa de Avalon e cofundadora do primeiro Templo da Deusa reconhecido oficialmente como lugar de culto da actualidade.
Paralelamente, será dada a conhecer a Roda do Ano do Jardim das Hespérides, com as suas Deusas, lugares de poder, Hespérides, árvores e animais totémicos. Teremos ocasião de trabalhar directamente com algumas das nossas Deusas e honraremos as energias do momento, o Equinócio do Outono, percorrendo de forma cerimonial o Labirinto, um antigo e poderoso símbolo da Deusa, propiciador de equilíbrio, integração e completude.
Programa:
Sexta-feira 3 de Outubro
21:00
Palestra "Reviver a Dimensão de Avalon em Glastonbury."
Com Kathy Jones e Luiza Frazão.
Local: Casa do Fauno
Workshop Avalon e Jardim das Hespérides
4 e 5 de Outubro
Com Kathy Jones, Luiza Frazão, Amala e Iris Lican
Local: Senhora d’Azenha
Sábado 4 de Outubro
09:30
Recepção
10:00
Invocação das Deusas da Roda do Ano .
10:30
Apresentação de Kathy e da sua visão de Avalon .
11:30
Break
12:00
Apresentação Roda do Ano do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão.
13:00
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15
Iris Lican :
As três idades da Mulher, vivência de dança ritual
17:00
Palestra "Reviver a Dimensão de Avalon em Glastonbury."
Com Kathy Jones e Luiza Frazão.
Local: Casa do Fauno
Workshop Avalon e Jardim das Hespérides
4 e 5 de Outubro
Com Kathy Jones, Luiza Frazão, Amala e Iris Lican
Local: Senhora d’Azenha
Sábado 4 de Outubro
09:30
Recepção
10:00
Invocação das Deusas da Roda do Ano .
10:30
Apresentação de Kathy e da sua visão de Avalon .
11:30
Break
12:00
Apresentação Roda do Ano do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão.
13:00
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15
Iris Lican :
As três idades da Mulher, vivência de dança ritual
17:00
Break
17:30 - 18:30
Journey Kathy Jones
20:00 - 22:00
Caminhos da Deusa: Arte devocional performativa pagã (programa e artistas performativos a anunciar brevemente)
Domingo 5 de Outubro
09:30
Invocação.
10:15
Amala : Iccona Loiminna
13:00
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 - 14:45
Apresentação da Roda do Ano basca, Irantzu Gonazpi .
15:00
Percorrer o Labirinto .
20:00
Cerimónia de comunhão com a terra da Hespéria
Informações/ Inscrições:
Iris Lican
contacto@irislican.com
965 143 973
17:30 - 18:30
Journey Kathy Jones
20:00 - 22:00
Caminhos da Deusa: Arte devocional performativa pagã (programa e artistas performativos a anunciar brevemente)
Domingo 5 de Outubro
09:30
Invocação.
10:15
Amala : Iccona Loiminna
13:00
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 - 14:45
Apresentação da Roda do Ano basca, Irantzu Gonazpi .
15:00
Percorrer o Labirinto .
20:00
Cerimónia de comunhão com a terra da Hespéria
Informações/ Inscrições:
Iris Lican
contacto@irislican.com
965 143 973
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
O PAÍS DA RAPARIGA BREVE
De Portugal diz-se normalmente que é o país mais antigo, ou um
dos mais antigos, do mundo ou pelo menos da Europa. Ele é o país da Anciã, da
velha Deusa Cale, Beira, Calaica, uma Velha muito velha, mais antiga que o
tempo, e muito sábia porque a sua longuíssima, eterna, vida lhe ensinou tudo o
que havia para aprender e sobretudo lhe permitiu viver tudo o que havia para
viver, todo o sucesso e toda a derrota, todos os ganhos e todas as perdas,
todas as ilusões e desilusões, todas as mortes e renascimentos. Vezes sem
conta. Estão a ver a Velha matreira, picante, das histórias populares, a que
muda de forma, a sem forma, a que rola encosta abaixo dentro duma cabaça? É Ela,
Aquela que coloca desafios e apresenta enigmas insondáveis que fazem perder a
pose e a compostura e ter consciência das nossas humanas limitações e ralações,
A que foi transformada na Bruxa Má (Bruxa tudo bem, mas “Má” já é simplória desinformação
da propaganda patriarcal). Muito sábia e capaz do amor maior e da maior
compaixão, pode perceber-se a Sua maravilhosa energia numa Grande Avó que fosse
livre e tivesse real poder.
Apesar disso, neste país tão antigo é confrangedor ver o
modo como as pessoas se tornaram descartáveis. Todas poderosas na sua juventude,
vão paulatinamente perdendo viço e colorido, exuberância e visibilidade, voz e
poder à medida que o tempo vai passando. O que viveram e experienciaram não
conta mais para nada.
Este tornou-se o país da rapariga, que em vez de sábia é “sabida”,
ou arrogante, e sumamente ambiciosa. A sua arrogância e ambição crescem na exacta
proporção da sua confrangedora ignorância e falta de mundo. Mas sabe de
computadores, de aipades, aipedes e aipodes e telemóveis de última geração e
conhece o jargão que permite manter o contacto sem ter de basicamente dizer
nada de relevante e muito menos de novo e de pensado. Sabe de celebridades, de
marcas, de moda e decoração e fez longos estágios no shopingue. Tudo coisas que
a sua mãe desconhecia quando tinha a sua idade, o que lhe dá sobre ela um
vertiginoso ascendente. À mãe resta agora a hipertensão, o colesterol e a diabetes,
se tiver sorte, e as novelas, que já não são apenas brasileiras, mas sobretudo um
glorioso produto nacional de última geração.
Isto não é um exclusivo nem nacional nem das raparigas,
óbvio (veja-se o fenómeno futebol) e parece que é o resultado da tal era tecnológica
ou tecnocrática em que a técnica e o técnico de informática são quem reunirá as melhores condições para formar governo.
É também o tal culto da juventude. Está tudo ligado, óbvio,
e tudo pensado na óptica do mercado, e a situação parece complicar-se dado o
poder crescente de que gozam as crianças desde o berço, como se duma forma
inesperada e sumamente perversa tivéssemos alcançado já a tal Idade do Espírito
Santo, aquela utopia do Joaquim de Fiore em que a imperadora ou o imperador
serão… uma criança…
Este estado das coisas, se não é criado por, é pelo menos
mantido, entretido e entretecido pela televisão omnipresente. Não existe neste
país espaço urbanizado onde se esteja a salvo da estridência duma tvi, com
vários ecrãs se for preciso num mesmo espaço. Ora, em tempos e lugares assim
não precisamos de ter vida própria, que dá muita chatice, é um enorme gasto de
meios, comporta inúmeros perigos e não oferece nenhuma garantia de sucesso, nem dela nunca sairemos viv@s, como se sabe. Basta vê-la na televisão.
De resto que
espécie de vida poderia competir com a excitação, a frescura e o glamur da que
aparece nos ecrãs da televisão, devidamente condimentada com doses massivas da
adrenalina do crime passional ou dos gangues dos shopingues? Não senhora, podemos
viver perfeitamente nas novelas que se sucedem pelo dia fora, e essas sim com
gente a sério, viva, jovem e de última geração, lembrando aqueles insectos duma
beleza estonteante que subitamente e apenas por um brevíssimo instante eclodem em
toda a sua glória à luz do dia.
Se espreitarmos por um bocadinho que seja esses dramas da
juventude das novelas, entretanto, como já me aconteceu, havemos de constatar
incrédulas que são os mesmíssimos dos respectivos progenitores só que em
cenários ligeiramente diferentes, mais modernizados pelos estilo ikeia.
E porque os aipades, aipedes e aipodes não têm como explicar
as armadilhas onde vão perder a pose e o brilho, as raparigas vão sendo substituídas
por outras cada vez mais novas e mais arrogantes e engrossar o lote das
mulheres transparentes, hipervulneráveis, serviçais, desautorizadas e
resignadas, que suspirando e desculpando-se com os picos da tensão e diabetes
se recostam nos sofás da casa deleitando-se com a vida das raparigas das
novelas como quem se refastela com os restos dum banquete do qual se foi
inexplicavelmente, mas também não faz mal, banid@...
Luiza Frazão
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Conferência da Deusa de Glastonbury 2014
E o Tear, onde se entrelaçam os fios da Vida, veio para
Glastonbury pela mão da fantástica Carolyn Hyllier, xamã, artesã, autora,
compositora e intérprete, pintora… uma mulher única, um potentado, out of this world, como dizia
alguém. Carolyn Hyllier encheu o
Assembly Rooms de Glastonbury com a sua instalação, misto de pintura e
tecelagem, com a sua própria música de fundo, onde sobressaiam 13 tecedeiras, representantes
de várias culturas do mundo que ganhavam vida quando percorríamos
cerimoniosamente a instalação, interpelando-nos até às profundidades mais
inconfessadas da alma, fazendo estremecer todas as camadas de esquecimento,
menosprezo e abuso com que recobrimos o feminino no mundo, desvalorizando a sua
função, na aparência tão humilde mas na verdade tão grandiosa de simplesmente tecer
as condições para que a vida seja possível. E de repente percebemos que as fantásticas
tecedeiras míticas de Caroline Hyllier são como os grandes pilares em que
assenta a própria alma do mundo…
Sob a sua alçada e com orientação da Sacerdotisa Annabel Du
Boulay foi criada a Estrada da Morte com a participação de tod@s que na sexta-feira
à noite percorremos em cerimónia e que em cerimónia fora transportada em ombros
pelas sacerdotisas desde o Assembly Rooms até ao Town Hall nessa tarde num sublime
cortejo fúnebre com o qual se pretendeu honrar a morte dando-lhe o peso e o
lugar que merece, sabendo que ela é necessária para que a vida se renove e não
algo de pavoroso com sabor a derrota que “civilizadamente” escondemos ou tentamos
ignorar. Foi um dos momentos mais desafiadores percorrermos um-a por um-a a grande
Estrada da Morte, sendo o desafio morrer para aquilo que não queremos mais na
nossa vida, aprender o desapego. No fim de tod@s termos passado para o outro
lado, fizemos em glória o percurso inverso sobre a grande estrada vermelha da
Vida.
Foi muito interessante constatar que nunca vira tanta gente
no Town Hall como este ano atraída pela energia da Deusa Anciã que forneceu
ainda inspiração para uma cerimónia marcante de coroação das Anciãs, mulheres
acima dos 69 anos, que encheram o palco, onde foram apresentadas por alguém
íntimo que ressaltava os aspectos mais marcantes da sua vida e personalidade.
Foi lindo e poderoso ver contrariar a tendência da cultura dominante para
equacionar o avançar da idade com decadência, na lógica do simples mecanismo
que se desgasta, em vez de com valor acrescentado, enriquecimento tanto pessoal
como para toda a comunidade.
Nesta Conferência coube-me também a mim, a convite da minha
formadora na terceira espiral do meu treino de Sacerdotisa, Kathy Jones, a
grande honra de apresentar um workshop sobre um trabalho inspirado pela energia
da Bean Sidhe celta em que pudemos trabalhar aspectos relacionadas com a Sombra
feminina.
terça-feira, 13 de maio de 2014
RESGATAR MARIA, RESGATAR A MÃE
Maria de Fátima, entretanto, como os padres a travestiram,
que é exactamente uma versão católica portuguesa daquilo que o lobby gay da
indústria internacional da moda faz com as manequins: pré-adolescentes,
anoréticas, sem resquícios de feminidade no corpo, assexuadas, tendo mais do
rapazinho do que da rapariga (mas esperem lá que isto pode levar-nos muito
longe se lermos “Os Mouros Fatimidas e as Aparições de Fátima” do já referido Moisés
E. Santo…), Maria, enquanto Senhora de Fátima, dizia eu, sejamos realistas,
nada tem de uma Mãe. Só com muito boa vontade e um grande transe de pai-nossos
e ave-marias e muita água benta é que conseguimos ver n’Ela a Grande Criadora
Toda-Poderosa, a Senhora da Abundância, da Fartura, capaz de proteger, cuidar e
alimentar as filhas e os filhos, que era assim que Ela, a Deusa, que o povo
levou para a Igreja de Roma, era vista e sentida.
Entretanto o processo por que passou, o lifting, levou-lhe
os benéficos e fecundos atributos maternos que apenas em outras Senhoras muito
mais esquecidas hoje em dia podemos encontrar, como a Senhora do Ó, a Senhora
grávida, e em especial a Senhora do Leite, Essa sim, uma verdadeira Mãe capaz
de alimentar o mundo. O lifting, o processo de emagrecimento, a mastectomia e,
presumo, também a histerectomia por que passou a Virgem Maria, penso que
estarão relacionadas com o profundo ar de apatia depressiva que apresenta e que
estranha e, desconfio que, perfidamente se confunde com santidade (iluminação
em outros credos). Oficialmente é o sofrimento pelos pecados do mundo, contra o
seu Filho, ou seja, todo um programa de manipulação emocional capaz de nos tornar
tão apátic@s e depressiv@s como a sua imagem aparenta, se não tomarmos providências.
Misericórdia, dirão, Compaixão. Concedo. Maria, que é a
Senhora do Mar, do mar das emoções, é uma Deusa da Compaixão, como a oriental
Kuan Yin, uma Mãe capaz de sofrer por nós e de interceder por nós junto do Pai demasiado
severo e ocupado com coisas sérias para directamente atender as suas míseras
criaturas... Tão interessante… sobretudo
quando se diz com desdém que os deuses do Olimpo grego tinham qualidades
demasiado humanas… ahahah! E seriam apenas eles?
Ora ter na cultura como arquétipo feminino dominante uma Mãe,
assexuada, anoréctica, mastectomizada, deprimida, que apenas pode oferecer
compaixão, misericórdia, piedade (acho que é tudo a mesma coisa) às suas
criaturas terrenas, sem qualquer poder para além do de aplacar a
insensibilidade da divindade masculina, é extremamente preocupante e a minha
preocupação é mesmo genuína.
Por que terá Maria, entretanto, esse poder junto
de Deus Pai também é um mistério, uma vez que Ela é tão-somente a Mãe do Seu
Filho, ou seja, Deus é um Pai solteiro que usou o ventre de Maria como única tecnologia
de reprodução disponível. Óbvio que Ela seria de qualidade superior, enquanto
Deus, ele só podia escolher o melhor. Podemos imaginar, por exemplo, o Michael
Jackson a escolher a Mãe que daria à luz os seus preciosos rebentos com um
rigor o mais semelhante que a sua simples humanidade torna possível. Só me
espanta no meio disto tudo é que os cristãos se insurjam tanto contra o direito
dos gays adoptarem crianças…
Mas Maria nunca poderá aspirar ao estatuto de Deusa, a menos
que nós o decidamos. Nós, mulheres, que há que ter mão nisto, e foi o que fez
ontem Marion Brigantia numa cerimónia no Templo da Deusa de Glastonbury em que
eu não participei por ainda não ter sentido que para mim chegou esse momento.
Só para mim, só eu sentir-me mais conectada com a energia de Maria. Processos
que às vezes podem demorar.
E enquanto isso o que
eu faço é procurar as nossas antigas Deusas Mães capazes de nos valerem, ajudando
a empoderar a Mãe em nós e no mundo para ver se pomos alguma ordem na grande casa
humana.
©Luiza Frazão
Imagens: Google
1.ª Senhora de Fátima
2.ª Senhora do Ó, orago da minha aldeia, juntamente com S. Mateus
3.ª Senhora de Leite, retirada daqui: http://rezairezairezai.blogspot.co.uk/2011/02/imagens-e-oracoes-nossa-senhora-do.html e parecida com a minha bela e fecunda tia Carolina que foi Mãe de 6 filhas e filhos! Uma Mãe que nos merece confiança por ter para dar.
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