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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Émilie du Châtelet


Memories of Émilie du Châtelet
by Voltaire

In the year 1733, I met a like-minded young lady who invited me to spend time at her country chateau where we could cultivate our minds far from the hustle and bustle of the city.

This lady was none other than the Marquise du Châtelet.  She had the most capable scientific mind of all the women in France.  Her father had taught her Latin.  She could recite from memory the most beautiful passages of all the ancient poets.  But she was most interested in mathematics and metaphysics.  Few other individuals have possessed such keen perception, elegant taste, and desire for knowledge.

She loved to socialize and play, but she decided to set that all aside to pursue her studies.  She beautified her old chateau with pretty gardens.  I built a small museum to house a rather nice natural history collection.  We also had a good library.  Many visitors came there to learn and share ideas.

I taught her English.  In about three months, she understood it as well as I did.  She read Newton and other English writers.  She learned Italian just as quickly.

In this, delightful place, we devoted ourselves to learning.  We focused all our energy on the ideas of Leibniz and Newton.  Madame du Châtelet was first attracted to the ideas of Leibniz.  She wrote an excellent book about them titled, Institutions de Physique.  Her style is clear, precise, and elegant.

She soon applied herself to the discoveries of the great Newton as well.  She translated his whole book, Principia, from Latin into French.  Newton's ideas are very difficult for the average person to understand, so she later added her own helpful explanations to make them easier to follow.

…………………..


Excerpt from
"The Translator's Preface"
by Émilie du Châtelet (1735)

The prejudice that excludes us women so universally from the sciences weighs heavily on me.  It has always astonished me that there are great nations whose laws permit us to control their fate, but there is not a single place where we are brought up to think.  This is one of the great contradictions of our times.

The theater is the only profession requiring some study and some cultivation of wit in which women are allowed to participate.  At the same time, it is a profession that has been declared an improper one.
Just think for a moment.  Why is it that for so many centuries not a single good tragedy, fine poem, valued story, beautiful painting, or good book on physics has been produced by the hand of a woman?  Why do these creatures-whose understanding appears to be similar in every way to that of men-seem to be held back by an insurmountable force?  Let someone give me a reason for it, if they can.  I leave it to the naturalists to find a physical reason for it, but until they have found one, women have a right to speak out for their education.

I confess that if I were king, I would conduct the following experiment.  I would correct this abuse that has cut short a full half of the human race.  I would get women to participate in all the privileges of humanity, especially those of the mind.

It's as though women were born only to flirt, so they are given nothing but that activity to exercise their minds.  The new education I propose would do all of humanity a great deal of good.  Women would be better off for it, and men would gain a new source of competition.

All too often, the way we currently conduct our daily affairs weakens and narrows women's minds rather than improves them.  With men and women as equal partners, such interactions would serve to extend everyone's knowledge.

I'm convinced that most women are either ignorant of their talents, or they cover them up.  Everything I've experienced myself confirms this opinion.  I've been lucky to know men of letters who have included me in their circle.  I saw with extreme astonishment that they held me in high esteem.  I then began to believe that I was a thinking creature.
.........

Legenda primeira imagem:
Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil, marquise du Châtelet (French: [dy ʃɑtlɛ]; 17 December 1706  – 10 September 1749) was a French mathematician, physicist, and author during the Age of Enlightenment. Her crowning achievement is considered to be her translation and commentary on Isaac Newton's work Principia Mathematica. The translation, published posthumously in 1759, is still considered the standard French translation. Wikipedia

Legenda segunda imagem:
By 1736 Voltaire and du Châtelet were jointly working on the book, Eléments de la philosophie de Newton. The book was published in 1738 under Voltaire’s name, but in the preface he makes it clear that the book was a collaborative process with Emilie. The engraving shows Newton, sitting on High, with Emilie holding a mirror to reflect the truth of his Wisdom, so that Voltaire, the scribe, could render the wisdom into words.http://mikerendell.com/emilie-du-chatelet-a-great-female-scientist-in-the-eighteenth-century/


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Curso online UM REGRESSO À DEUSA


ARQUÉTIPOS DO FEMININO – UM REGRESSO À DEUSA

Curso online


PORQUÊ A DEUSA?
 Acaso precisamos mesmo de outra divindade, de outra religião, de alguma coisa diferente para venerar?
Se existe um Deus, não deveria existir também uma Deusa? Não é disso que trata a Criação — as energias masculinas e femininas juntando-se para criar vida nova? Sem a mulher não pode existir vida nova.
Se os seres humanos foram criados à semelhança do Criador, e existe apenas um Deus masculino, à imagem de quem foram criadas as mulheres? Se vive numa cultura em que há apenas um Deus masculino e nenhuma Deusa, onde está o modelo para o feminino? Como é que as meninas podem aprender a ser mulheres sem a Deusa? In O Oráculo da Deusa, Amy Sophia Marashinsky

O ARQUÉTIPO

 Arquétipos são padrões, formas nas quais se exprimem naturalmente as forças do universo. Todos os comportamentos femininos, todas as fases da vida da mulher, correspondem a um padrão/Arquétipo que em cada cultura é representado por uma Deusa específica. Todas as culturas tiveram, ou têm ainda, as suas deusas, mesmo que muitas vezes desconheçamos os seus nomes e atributos. No meu caso e no caso do país onde nasci, há apenas alguns anos, eu desconhecia por completo qualquer divindade feminina autóctone ou que aqui tivesse sido cultuada antes do Cristianismo; nunca tinha ouvido falar nem desconfiava que tal pudesse alguma vez ter existido. Mas mal essa possibilidade entrou na minha consciência, informações sobre Elas começaram a surgir das mais variadas fontes.

A PRIMEIRA DIVINDADE

A Deusa foi a primeira divindade a que a humanidade prestou culto, porque a função materna é anterior à paterna. Nas sociedades matriarcais, ou ginecocêntricas, dos primórdios da humanidade, onde um homem não tinha a exclusividade na vida duma mulher, a função de pai era desconhecida. Isso ainda hoje pode ser atestado pela observação dos raros vestígios de matriarcados existentes no mundo, como é o caso do povo Mosuo, no sul da China.

A ASCENSÃO DA DIVINDADE MASCULINA

Progressivamente a situação foi-se invertendo. Com o sistema da propriedade privada, tornou-se imperioso, por razões de transmissão da herança, garantir a “pureza” da linhagem, e a mulher tornou-se propriedade do patriarca, como a terra, o gado e as alfaias agrícolas, sua ajudante e insubstituível tecnologia de reprodução para o cumprimento da célebre injunção de Jeová: “Crescei, multiplicai-vos e dominai a Terra”. As funções sacerdotais que a mulher exercia foram usurpadas e atualmente todas as grandes religiões que dominam o mundo são exclusivamente masculinas. As deusas foram suprimidas, os deuses deixaram de ter parceiras, o acesso à hierarquia religiosa foi vedado à mulher.
Sem uma Deusa à imagem da qual possa ter sido criada, sem padrões de comportamento validados pela existência reconhecida e sacralizada dum Arquétipo/Deusa, como é o caso, por exemplo, de Afrodite e a Sexualidade, a mulher viu-se cortada da sua força e do seu poder, tornando-se o chamado “sexo fraco”. Basicamente, a mulher foi reduzida a uma espécie de escravatura, como todo o povo vencido e colonizado.
É urgente portanto resgatarmos a Deusa e a autoridade espiritual da mulher, e esse resgate apenas nós mulheres o poderemos fazer, valorizando o Feminino e a Mulher, procurando em nós mesmas a Deusa das origens, a Grande Deusa nas suas várias facetas e manifestações, a nossa única fonte de sabedoria feminina profundamente relacionada com a terra e com o corpo e orientada para a criação e a manutenção da Vida.   
O trabalho com os Arquétipos, forças vivas como tudo neste universo, é o trabalho do resgate da força da mulher, sendo o Arquétipo um portal que nos permite o acesso à fonte do nosso próprio poder.
As oito Deusas que selecionei para o nosso trabalho fornecem-nos, na minha perspetiva, inspiração nos principais aspectos da nossa vida de mulheres do século XXI. Eles provêm da cultura grega e correspondem a uma fase já patriarcal, pelo que teremos ocasião de refletir sobre as suas feridas que espelham as nossas.


O CURSO

Durante seis semanas trabalharemos o Arquétipo de uma das 8 Deusas selecionadas do panteão grego, correspondentes às várias fases da vida da mulher.

Atividades:

Leitura da informação disponibilizada
Reflexão orientada por um conjunto de questões
Meditação/visualização
Criação dum altar da Deusa/Arquétipo do Módulo
Atividades práticas que apelam à criatividade de cada participante.
As datas em que enviarei as propostas de trabalho de cada um dos Módulos, bem como aquela em que a sua resolução deverá chegar até mim serão conhecidas previamente por cada participante.
Estarei aberta e disponível para responder a qualquer questão que vá surgindo, quer a nível dos materiais enviados, quer a nível pessoal.

Será fornecida uma lista com a bibliografia aconselhada.

email de contacto: jardimdashesperidestemplo@gmail.com




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

UMA CONFERÊNCIA DA DEUSA PARA PORTUGAL



A minha amiga que muito estimo RLP acaba de publicar mais um texto forte e poderoso sobre a nossa condição de mulheres num mundo de homens, sobre divisões, traições e subalternidades… e muito bem. É só o 500.º do mesmo género que  publica sobre o tema e se ela deixasse de o fazer eu iria sentir muito a perda dessa voz lúcida que se ergue corajosa e insistente no meio da inconsciência e deixa andar geral, falando sobre a forma insana como convivemos com o género oposto e ele connosco, sobre esse profundo desequilíbrio de que padecemos e morremos…

Ao mesmo tempo que vejo as vantagens destes alertas até pela forma como tantas mulheres reagem e se reveem e identificam com o que é dito e contado, o que significa que de repente tomam consciência, também vejo as tremendas desvantagens que são a energia que se fornece ao monstro, ao grande sorvedouro patriarcal que de tudo isso se alimenta…

Por outro lado, a minha amiga KJ resolveu dar o seu tempo, energia e talento à criação dum outro foco de interesse e atenção que congregue a energia das mulheres, devolvendo-lhes um sentido de poder e de completude em si mesmas, colocando tudo aquilo que é específico do feminino e da mulher no centro duma nova cultura, que faz com que a energia que dávamos ao sistema criado e dominado pelo homem vá gradualmente enfraquecendo. E o sistema, acredito, acabará por morrer à míngua da energia com que as mulheres o alimenta(va)m.

Senti isso quando em 2011 assisti (ou vivenciei melhor dizendo) à Glastonbury Goddess Conference em direto. O poder deste evento de mudar o foco da cultura para os valores femininos e para a mulher está provado pela propagação do conceito por esse mundo fora. Atualmente realizam-se Conferências da Deusa em quase todos os países da Europa, bem como nos Estados Unidos, Austrália e em alguns países da América Latina como a Argentina e o México. 

Portugal entretanto terá a sua primeira Conferência da Deusa a valer em setembro de 2016, em Sintra. Prepara-se e reserve desde já o seu lugar, venha refazer em direto a História no feminino!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Vou andar pelo campo enquanto cá andar e enquanto o houver




Esta manhã acordei com o pensamento nos caminhos da minha terra. São caminhos por onde já quase não se anda, paisagens cujo encanto não impressiona mais ninguém. Não são áreas protegidas, não vêm em nenhum roteiro turístico. De cada vez que lá vou falta mais um pedaço tomado por alguma nova construção. O mais selvagem e avassalador foi o IP não sei quantos que destruiu, entre muitas outras coisas, os carvalhos mais antigos e imponentes da área que oficialmente até seriam árvores protegidas.

Gosto, dizia, de percorrer esses caminhos, sinto que preciso deles e que eles precisam de mim. Dizem-nos @s mestr@s que o mundo precisa da nossa atenção para existir e eu acredito e é quase com um sentimento de dever ou de missão que sempre que posso percorro os campos, para garantir que perduram, que continuam a mudar de aparência em cada estação, que ainda rescendem a ervas mágicas no Verão, que se enchem de flores quando vem a Primavera e de pássaros nos ninhos e de regatos e poças de água no Inverno e que amarelecem no Outono quando a Deusa Abundância estende para nós os seus frutos e bagas todas ao mesmo tempo.
  
Entretanto perguntam-me as pessoas da aldeia que, imagine-se, já não andam pelos campos no meio dos quais construíram as habitações onde vivem, se não tenho medo de andar sozinha pelo campo. A pergunta, mais do que incomodar-me, fere a minha alma como o bulldozer fere a paisagem. Ao indagar dos hipotéticos perigos, dizem-me que vêm basicamente das cobras e dos assaltantes.

Devo dizer entretanto que considero as cobras dos animais mais sagrados de toda a criação. Quanto aos assaltantes, eles estão por todo o lado, toda a paisagem foi tomada de assalto, a cultura foi tomada de assalto, toda a terra foi tomada de assalto. Eu visito apenas o que resta do saque, por enquanto, o que vai sobrevivendo no meio de toda a desolação, e dou-lhe toda a atenção e carinho que posso e perecer nesse acto não vou dizer que seria heróico, mas alguma coisa do género.

Mas não sou assim tão destemida, também tenho os meus medos. Tenho medo duma cultura em que as pessoas se trancam em casa com medo das cobras, dos assaltantes, dos fiscais das finanças, dos banqueiros, dos polícias, daqueles que se dizem seus governantes, e aí ficam embasbacadas à frente da televisão, vendo incessantes novelas e arraiais populares, gouchas, casas de segredos e jogos de futebol, enquanto engolem as pastilhas prescritas pelo médico de família, alternando tudo isso com os vinte crimes seguidos do telejornal das oito, mais as ameaças dos ministros, no meio da euforia de plástico da publicidade. E não é apenas medo, é pavor por ver a forma vil e abjecta como se destrói a alma e se drena a força vital dum país e duma cultura. 

Luiza Frazão

sábado, 23 de agosto de 2014

KATHY JONES finalmente em Portugal!



AVALON E JARDIM DAS HESPÉRIDES
a Tradição do Arco Atlântico

Com KATHY JONES sacerdotisa de Avalon, autora e formadora de sacerdotisas, cofundadora do primeiro Templo da Deusa da actualidade, organizadora da Glastonbury Goddess Conference.

“A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos destes jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro tais paraísos situam-se no Oeste.”
The Language of Ma, Annine Van der Meer


Participação de: Luiza Frazão, Amala Amélia, 
Íris Lican,Saucco de Trivia, Irantzu Gonazpi

Avalon e o Jardim das Hespérides, reinos míticos e lendários, terras de abundância e bem-aventurança, das maçãs da imortalidade, são reminiscências duma Idade de Ouro em que a Deusa, a Natureza e a Mulher foram honradas e preponderantes em sociedades igualitárias, pacíficas e sustentáveis. 

Por milénios inclusos, inacessíveis, ocultados por brumas, estes reinos oferecem-se agora de novo à manifestação e o tempo é chegado de também nós reclamarmos esta herança ancestral, a Tradição do Arco Atlântico, herdeira da antiga civilização Atlante, e de aceitarmos partir à sua redescoberta com um coração puro, como reza a lenda, deixando-nos transformar pela sua magia e energia curadora, capaz de nos inspirar na cocriação dum mundo de harmonia, inclusão, abundância e paz regido pelos valores da Mãe. 

É intenção deste evento introduzir o conhecimento e a prática espiritual relativa à Roda do Ano da Deusa na Britânia, ou Roda de Avalon, segundo a visão de Kathy Jones, sacerdotisa de Avalon e cofundadora do primeiro Templo da Deusa reconhecido oficialmente como lugar de culto da actualidade.
 
Paralelamente, será dada a conhecer a Roda do Ano do Jardim das Hespérides, com as suas Deusas, lugares de poder, Hespérides, árvores e animais totémicos. Teremos ocasião de trabalhar directamente com algumas das nossas Deusas e honraremos as energias do momento, o Equinócio do Outono, percorrendo de forma cerimonial o Labirinto, um antigo e poderoso símbolo da Deusa, propiciador de equilíbrio, integração e completude. 

Programa:
Sexta-feira 3 de Outubro 
21:00
Palestra "Reviver a Dimensão de Avalon em Glastonbury." 
Com Kathy Jones e Luiza Frazão.
Local: Casa do Fauno

Workshop Avalon e Jardim das Hespérides
4 e 5 de Outubro
Com Kathy Jones, Luiza Frazão, Amala e Iris Lican
Local: Senhora d’Azenha

Sábado 4 de Outubro
09:30 
Recepção
10:00 
Invocação das Deusas da Roda do Ano .
10:30 
Apresentação de Kathy e da sua visão de Avalon .
11:30 
Break 
12:00 
Apresentação Roda do Ano do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão.
13:00 
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 
Iris Lican : 
As três idades da Mulher, vivência de dança ritual
17:00 

Break
17:30 - 18:30 
Journey Kathy Jones
20:00 - 22:00 
Caminhos da Deusa: Arte devocional performativa pagã (programa e artistas performativos a anunciar brevemente)

Domingo 5 de Outubro
09:30 
Invocação. 
10:15 
Amala : Iccona Loiminna 
13:00 
Almoço na Cozinha das Bruxas que Bailam
14:15 - 14:45 
Apresentação da Roda do Ano basca, Irantzu Gonazpi . 
15:00 
Percorrer o Labirinto . 
20:00 
Cerimónia de comunhão com a terra da Hespéria

Informações/ Inscrições:
Iris Lican
contacto@irislican.com
965 143 973

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O PAÍS DA RAPARIGA BREVE


De Portugal diz-se normalmente que é o país mais antigo, ou um dos mais antigos, do mundo ou pelo menos da Europa. Ele é o país da Anciã, da velha Deusa Cale, Beira, Calaica, uma Velha muito velha, mais antiga que o tempo, e muito sábia porque a sua longuíssima, eterna, vida lhe ensinou tudo o que havia para aprender e sobretudo lhe permitiu viver tudo o que havia para viver, todo o sucesso e toda a derrota, todos os ganhos e todas as perdas, todas as ilusões e desilusões, todas as mortes e renascimentos. Vezes sem conta. Estão a ver a Velha matreira, picante, das histórias populares, a que muda de forma, a sem forma, a que rola encosta abaixo dentro duma cabaça? É Ela, Aquela que coloca desafios e apresenta enigmas insondáveis que fazem perder a pose e a compostura e ter consciência das nossas humanas limitações e ralações, A que foi transformada na Bruxa Má (Bruxa tudo bem, mas “Má” já é simplória desinformação da propaganda patriarcal). Muito sábia e capaz do amor maior e da maior compaixão, pode perceber-se a Sua maravilhosa energia numa Grande Avó que fosse livre e tivesse real poder.

Apesar disso, neste país tão antigo é confrangedor ver o modo como as pessoas se tornaram descartáveis. Todas poderosas na sua juventude, vão paulatinamente perdendo viço e colorido, exuberância e visibilidade, voz e poder à medida que o tempo vai passando. O que viveram e experienciaram não conta mais para nada.

Este tornou-se o país da rapariga, que em vez de sábia é “sabida”, ou arrogante, e sumamente ambiciosa. A sua arrogância e ambição crescem na exacta proporção da sua confrangedora ignorância e falta de mundo. Mas sabe de computadores, de aipades, aipedes e aipodes e telemóveis de última geração e conhece o jargão que permite manter o contacto sem ter de basicamente dizer nada de relevante e muito menos de novo e de pensado. Sabe de celebridades, de marcas, de moda e decoração e fez longos estágios no shopingue. Tudo coisas que a sua mãe desconhecia quando tinha a sua idade, o que lhe dá sobre ela um vertiginoso ascendente. À mãe resta agora a hipertensão, o colesterol e a diabetes, se tiver sorte, e as novelas, que já não são apenas brasileiras, mas sobretudo um glorioso produto nacional de última geração.

Isto não é um exclusivo nem nacional nem das raparigas, óbvio (veja-se o fenómeno futebol) e parece que é o resultado da tal era tecnológica ou tecnocrática em que a técnica e o técnico de informática são quem reunirá as melhores condições para formar governo.

É também o tal culto da juventude. Está tudo ligado, óbvio, e tudo pensado na óptica do mercado, e a situação parece complicar-se dado o poder crescente de que gozam as crianças desde o berço, como se duma forma inesperada e sumamente perversa tivéssemos alcançado já a tal Idade do Espírito Santo, aquela utopia do Joaquim de Fiore em que a imperadora ou o imperador serão… uma criança…

Este estado das coisas, se não é criado por, é pelo menos mantido, entretido e entretecido pela televisão omnipresente. Não existe neste país espaço urbanizado onde se esteja a salvo da estridência duma tvi, com vários ecrãs se for preciso num mesmo espaço. Ora, em tempos e lugares assim não precisamos de ter vida própria, que dá muita chatice, é um enorme gasto de meios, comporta inúmeros perigos e não oferece nenhuma garantia de sucesso, nem dela nunca sairemos viv@s, como se sabe. Basta vê-la na televisão. 

De resto que espécie de vida poderia competir com a excitação, a frescura e o glamur da que aparece nos ecrãs da televisão, devidamente condimentada com doses massivas da adrenalina do crime passional ou dos gangues dos shopingues? Não senhora, podemos viver perfeitamente nas novelas que se sucedem pelo dia fora, e essas sim com gente a sério, viva, jovem e de última geração, lembrando aqueles insectos duma beleza estonteante que subitamente e apenas por um brevíssimo instante eclodem em toda a sua glória à luz do dia.

Se espreitarmos por um bocadinho que seja esses dramas da juventude das novelas, entretanto, como já me aconteceu, havemos de constatar incrédulas que são os mesmíssimos dos respectivos progenitores só que em cenários ligeiramente diferentes, mais modernizados pelos estilo ikeia.

E porque os aipades, aipedes e aipodes não têm como explicar as armadilhas onde vão perder a pose e o brilho, as raparigas vão sendo substituídas por outras cada vez mais novas e mais arrogantes e engrossar o lote das mulheres transparentes, hipervulneráveis, serviçais, desautorizadas e resignadas, que suspirando e desculpando-se com os picos da tensão e diabetes se recostam nos sofás da casa deleitando-se com a vida das raparigas das novelas como quem se refastela com os restos dum banquete do qual se foi inexplicavelmente, mas também não faz mal, banid@...

Luiza Frazão




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Conferência da Deusa de Glastonbury 2014


A Roda do Ano determinou que esta 19.ª edição da Conferência fosse dedicada à Deusa Anciã, que ocupa nessa mesma Roda a direcção Noroeste, o momento em que o ano termina com a morte da natureza anunciada já no Equinócio do Outono. A Deusa Anciã é portanto a Senhora da Morte, a que ceifa a vida que chegou ao seu término, recolhendo-a no Seu caldeirão, o Seu útero, o interior da Terra, onde será transformada para de novo renascer. A Morte, a que sempre se segue um novo começo, um Renascimento, foi portanto o grande tema desta Conferência: the Cauldron and the Loom, o Caldeirão e o Tear, lia-se no título do programa.

E o Tear, onde se entrelaçam os fios da Vida, veio para Glastonbury pela mão da fantástica Carolyn Hyllier, xamã, artesã, autora, compositora e intérprete, pintora… uma mulher única, um potentado, out of this world, como dizia alguém.  Carolyn Hyllier encheu o Assembly Rooms de Glastonbury com a sua instalação, misto de pintura e tecelagem, com a sua própria música de fundo, onde sobressaiam 13 tecedeiras, representantes de várias culturas do mundo que ganhavam vida quando percorríamos cerimoniosamente a instalação, interpelando-nos até às profundidades mais
inconfessadas da alma, fazendo estremecer todas as camadas de esquecimento, menosprezo e abuso com que recobrimos o feminino no mundo, desvalorizando a sua função, na aparência tão humilde mas na verdade tão grandiosa de simplesmente tecer as condições para que a vida seja possível. E de repente percebemos que as fantásticas tecedeiras míticas de Caroline Hyllier são como os grandes pilares em que assenta a própria alma do mundo…

Sob a sua alçada e com orientação da Sacerdotisa Annabel Du Boulay foi criada a Estrada da Morte com a participação de tod@s que na sexta-feira à noite percorremos em cerimónia e que em cerimónia fora transportada em ombros pelas sacerdotisas desde o Assembly Rooms até ao Town Hall nessa tarde num sublime cortejo fúnebre com o qual se pretendeu honrar a morte dando-lhe o peso e o lugar que merece, sabendo que ela é necessária para que a vida se renove e não algo de pavoroso com sabor a derrota que “civilizadamente” escondemos ou tentamos ignorar. Foi um dos momentos mais desafiadores percorrermos um-a por um-a a grande Estrada da Morte, sendo o desafio morrer para aquilo que não queremos mais na nossa vida, aprender o desapego. No fim de tod@s termos passado para o outro lado, fizemos em glória o percurso inverso sobre a grande estrada vermelha da Vida.

Foi muito interessante constatar que nunca vira tanta gente no Town Hall como este ano atraída pela energia da Deusa Anciã que forneceu ainda inspiração para uma cerimónia marcante de coroação das Anciãs, mulheres acima dos 69 anos, que encheram o palco, onde foram apresentadas por alguém íntimo que ressaltava os aspectos mais marcantes da sua vida e personalidade. Foi lindo e poderoso ver contrariar a tendência da cultura dominante para equacionar o avançar da idade com decadência, na lógica do simples mecanismo que se desgasta, em vez de com valor acrescentado, enriquecimento tanto pessoal  como para toda a comunidade.

Nesta Conferência coube-me também a mim, a convite da minha formadora na terceira espiral do meu treino de Sacerdotisa, Kathy Jones, a grande honra de apresentar um workshop sobre um trabalho inspirado pela energia da Bean Sidhe celta em que pudemos trabalhar aspectos relacionadas com a Sombra feminina.

Para muitas mulheres e alguns homens de várias partes do mundo, a Conferência é o grande momento do ano e a pequena cidade de Glastonbury enche-se de gente que vem aqui  celebrar o regresso da Deusa, honrá-La no lugar desde mundo em que a Sua energia está mais presente e mais se faz sentir, o lugar da Senhora de Avalon com a maravilhosa Sua energia de profunda cura e transformação.



Imagens da Conferência, a primeira no lugar aonde nos levou a procissão do último dia, junto à imagem da Deusa Anciã; a segunda com o grupo de Espanha, da Ibéria, ao qual se juntou a sacerdotisa de Avalon e de Rhiannon Katinka Soetens; a terceira do altar mexicano dos Mortos que criei para o meu workshop Women in White, the Universality of the Celtic Bean Sidhe, no Camino Center.  

terça-feira, 13 de maio de 2014

RESGATAR MARIA, RESGATAR A MÃE


Hoje em Portugal é o grande dia de
Maria, a Senhora de Fátima, a Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, crê-se. Nunca lhe ouvi chamar Deusa, a não ser uma vez na televisão um padre muito preocupado porque o que se passava em Fátima era puro paganismo, adoração da Deusa. Não me lembro do nome dele, já foi há uns 30 anos, mas a verdade é que o indivíduo tinha mesmo razão – quando dizia ser adoração da Deusa, não quando se mostrava preocupado, óbvio. Como muito bem lembra Moisés Espírito Santo e outr@s, a religião popular encontrou maneira de subsistir no seio da viril, seca, sensaborona, rígida e implacável  Igreja de Roma tratando de arranjar nela um lugar de honra para a sua Rica Mãezinha sem a qual hoje em dia não haveria nada na Igreja Católica capaz de ainda mover multidões como a que hoje deve ter estado em Fátima e de que também já fiz parte e adorei a experiência.

Maria de Fátima, entretanto, como os padres a travestiram, que é exactamente uma versão católica portuguesa daquilo que o lobby gay da indústria internacional da moda faz com as manequins: pré-adolescentes, anoréticas, sem resquícios de feminidade no corpo, assexuadas, tendo mais do rapazinho do que da rapariga (mas esperem lá que isto pode levar-nos muito longe se lermos “Os Mouros Fatimidas e as Aparições de Fátima” do já referido Moisés E. Santo…), Maria, enquanto Senhora de Fátima, dizia eu, sejamos realistas, nada tem de uma Mãe. Só com muito boa vontade e um grande transe de pai-nossos e ave-marias e muita água benta é que conseguimos ver n’Ela a Grande Criadora Toda-Poderosa, a Senhora da Abundância, da Fartura, capaz de proteger, cuidar e alimentar as filhas e os filhos, que era assim que Ela, a Deusa, que o povo levou para a Igreja de Roma, era vista e sentida.

Entretanto o processo por que passou, o lifting, levou-lhe os benéficos e fecundos atributos maternos que apenas em outras Senhoras muito mais esquecidas hoje em dia podemos encontrar, como a Senhora do Ó, a Senhora grávida, e em especial a Senhora do Leite, Essa sim, uma verdadeira Mãe capaz de alimentar o mundo. O lifting, o processo de emagrecimento, a mastectomia e, presumo, também a histerectomia por que passou a Virgem Maria, penso que estarão relacionadas com o profundo ar de apatia depressiva que apresenta e que estranha e, desconfio que, perfidamente se confunde com santidade (iluminação em outros credos). Oficialmente é o sofrimento pelos pecados do mundo, contra o seu Filho, ou seja, todo um programa de manipulação emocional capaz de nos tornar tão apátic@s e depressiv@s como a sua imagem aparenta, se não tomarmos providências.

Misericórdia, dirão, Compaixão. Concedo. Maria, que é a Senhora do Mar, do mar das emoções, é uma Deusa da Compaixão, como a oriental Kuan Yin, uma Mãe capaz de sofrer por nós e de interceder por nós junto do Pai demasiado severo e ocupado com coisas sérias para directamente atender as suas míseras criaturas... Tão interessante…  sobretudo quando se diz com desdém que os deuses do Olimpo grego tinham qualidades demasiado humanas… ahahah! E seriam apenas eles?

Ora ter na cultura como arquétipo feminino dominante uma Mãe, assexuada, anoréctica, mastectomizada, deprimida, que apenas pode oferecer compaixão, misericórdia, piedade (acho que é tudo a mesma coisa) às suas criaturas terrenas, sem qualquer poder para além do de aplacar a insensibilidade da divindade masculina, é extremamente preocupante e a minha preocupação é mesmo genuína. 

Por que terá Maria, entretanto, esse poder junto de Deus Pai também é um mistério, uma vez que Ela é tão-somente a Mãe do Seu Filho, ou seja, Deus é um Pai solteiro que usou o ventre de Maria como única tecnologia de reprodução disponível. Óbvio que Ela seria de qualidade superior, enquanto Deus, ele só podia escolher o melhor. Podemos imaginar, por exemplo, o Michael Jackson a escolher a Mãe que daria à luz os seus preciosos rebentos com um rigor o mais semelhante que a sua simples humanidade torna possível. Só me espanta no meio disto tudo é que os cristãos se insurjam tanto contra o direito dos gays adoptarem crianças…

Mas Maria nunca poderá aspirar ao estatuto de Deusa, a menos que nós o decidamos. Nós, mulheres, que há que ter mão nisto, e foi o que fez ontem Marion Brigantia numa cerimónia no Templo da Deusa de Glastonbury em que eu não participei por ainda não ter sentido que para mim chegou esse momento. Só para mim, só eu sentir-me mais conectada com a energia de Maria. Processos que às vezes podem demorar.

 E enquanto isso o que eu faço é procurar as nossas antigas Deusas Mães capazes de nos valerem, ajudando a empoderar a Mãe em nós e no mundo para ver se pomos alguma ordem na grande casa humana.
©Luiza Frazão

Imagens: Google
1.ª Senhora de Fátima
2.ª Senhora do Ó, orago da minha aldeia, juntamente com S. Mateus
3.ª Senhora de Leite, retirada daqui: http://rezairezairezai.blogspot.co.uk/2011/02/imagens-e-oracoes-nossa-senhora-do.html e parecida com a minha bela e fecunda tia Carolina que foi Mãe de 6 filhas e filhos! Uma Mãe que nos merece confiança por ter para dar.
  

domingo, 20 de abril de 2014

DON JUAN e a Motivação de Poder


“De particular relevância é o trabalho muito mais recente do psicólogo David Winter. Tal como outr@s académic@s modern@s de nomeada, Winter tem vindo a estudar aquilo que no livro do mesmo nome designa de “motivação de poder”. Como psicólogo social, dedicou-se à descoberta de padrões históricos através de medições objectivas. E embora uma vez mais convenha olhar para além daquilo que Winter sublinhou, a partir da perspectiva psicológica convencional centrada no masculino, as suas descobertas documentam decisivamente que atitudes mais repressivas para com as mulheres prenunciam períodos de belicismo agressivo.

Centrando-se numa das figuras românticas mais famosas da literatura e da ópera, o impetuoso sedutor Don Juan, a análise sociopsicológica de Winter baseia-se largamente no estudo da frequência de certos temas em documentos literários. Winter observa que, apesar da obrigatória condenação das acções de Don Juan como “perversas” e “malditas”, ele é de facto idealizado como “o maior sedutor de Espanha”. Assinala também que os motivos subjacentes de Don Juan são a agressão, o ódio e o desejo de humilhar e punir as mulheres – não os impulsos sexuais. Nota ainda algo de profunda importância psicológica e histórica: as atitudes extremamente hostis para com as mulheres são características de épocas em que as mulheres sofrem a máxima repressão por parte dos homens. 

O caso clássico relevante que cita é o da Espanha onde emergiu a lenda de Don Juan, quando os espanhóis das classes superiores haviam adoptado o “costume mourisco de manter as mulheres em isolamento”. A razão psicológica por detrás desta hostilidade acrescida, explica Winter, é o relacionamento mãe-filho tornar-se particularmente tenso em períodos assim – a par da generalidade das relações feminino-masculino.

Contextualmente, torna-se evidente que a “motivação de poder” de Winter é, na nossa terminologia, a pulsão androcrática para conquistar e dominar outros seres humanos. Tendo estabelecido ser o rebaixamento das mulheres por parte de Don Juan uma manifestação desta “motivação de poder”, Winter tabula então a frequência das histórias sobre Don Juan na literatura de uma nação relativamente aos períodos de expansão imperial e de guerra. O que documentam as suas descobertas é aquilo que nós prediríamos socorrendo-nos do modelo de alternância gilânico-androcrático: historicamente, as estórias do mais famoso arquétipo de dominação masculina sobre as mulheres aumentam de frequência antes e durante os períodos de militarismo e imperialismo exacerbados.”


in O Cálice e a Espada, Riane Eisler, Via Óptima
Imagem: Google    

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O PECADO ORIGINAL

“É necessário reconstruir a contradição homem-mulher a partir da negação do corpo da mulher, e portanto aquilo que na Psicanálise tradicional aparece como enfermidade, neurose, desadaptação, etc. converte-se numa contradição material. A mulher encontra-se desde o princípio sem uma forma própria de existir, como se o existir da mulher já se encontrasse numa forma de existência (mulher, mãe, filha, etc.) que a negam enquanto mulher. Ser mãe significa existir e usar o corpo em função do homem, e por isso uma vez mais carecer de sentido e de valor do próprio corpo e da própria existência a todos os níveis. 

Esta negação de si mesma esta interiorizada em níveis tão profundos que é como se as mulheres, ao longo de toda a sua história, não tivessem feito mais do que repetir esta história de autodestruição. Por consequência, o discurso sobre a violência masculina, sobre o vexame, a dominação, sobre os privilégios, etc. continuará sendo um discurso abstracto se não tivermos em conta o aspecto interiorizado desta mesma violência, a violência como autonegação, negação duma existência própria. A negação de si mesma é posta em marcha a partir do nascimento, a partir da primeira relação com a mãe, onde esta já não se encontra presente como mulher com o seu corpo de mulher, estando ali como mulher do homem e para o homem. (…)

O facto da menina viver a relação com a pessoa do seu sexo apenas através do homem, com essa espécie de filtro que existe entre ela e a mãe, é a razão mais profunda da divisão que encontramos entre uma mulher e outra mulher; nós as mulheres estamos divididas na nossa história desde sempre, não apenas porque cada uma de nós está unida socialmente ao marido, às e aos filh@s – este é apenas o aspecto visível da separação – a divisão dá-se a um nível mais profundo, ao não conseguirmos olhar-nos uma à outra, ao não sermos capazes de contemplar o nosso corpo sem termos sempre presente o olhar do homem. (…)

Num artigo em “L’Erba Voglio”… insistia na relação interrompida com a mãe, ou no mínimo deformada desde o começo precisamente porque a mãe não é a mulher, apenas “a mãe”, ou seja, a mulher do homem. Do facto de que a mulher não encontra na relação com a mãe o reconhecimento da sua própria sexualidade, do seu próprio corpo, procede depois toda a história sucessiva da relação com o homem como relação onde a negação de tudo aquilo que tu és, da tua sexualidade, da tua forma de vida, já se produziu.”

Lea Melandri, La Infamia Originaria (excertos),
citada por Cacilda Rodrigañez Bustos em El Assalto al Hades

Imagem: Arthur Hughes