Ver aqui:
http://templodadeusadojardimdashesperides.blogspot.pt/2013/09/circulo-de-estudos-sobre-mulher-e-o.html
O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de chegada a casa.Jean Shinoda Bolen
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
CONFERÊNCIA DA DEUSA – GLASTONBURY 2013
Deep into the Earth we go
Deep into de Earth we know... (canção de Sally la Diosa Pullinger)
A Terra, a Mãe Terra, foi o tema deste ano, direção Oeste
Por momentos mal se cabia no Town Hall, espaço público
disponibilizado todos os anos para este evento que já vai na 18.ª edição. A
representante do poder local, na sessão de abertura, salientou o papel e a responsabilidade
das mulheres na mudança de paradigma no sentido de criarmos sociedades mais
equilibradas, justas, muito mais pró-vida do que as que temos na atualidade.
A Visão MãeMundo
Para inundarmos o mundo com os valores da Mãe, os valores
Matriarcais, foi finalmente apresentada ao grande público a visão de Kathy Jones,
apoiada pela comunidade de sacerdotisas e sacerdotes de Avalon e de outras
pessoas que se identificam com o Movimento da Deusa. Para melhor compreender esta
visão, sugiro que consulte: em inglês e na tradução portuguesa.
Curar a Sombra
Para trazer este mundo ao plano físico, torna-se imperioso para nós mulheres enfrentarmos e curarmos os nossos aspetos Sombra, que
tantas e tantas vezes nos voltam umas contra as outras, sabotando todo o
trabalho que possamos fazer em conjunto. A nossa divisão, interna e que depois se reflete para o exterior, a nossa profunda insegurança cientificamente desenhada para nos manter no estado de colonizadas, de escravatura mais ou menos disfarçada, em que nos encontramos, acabam por nos tornar cúmplices do
sistema patriarcal que sem a nossa energia, aliás, não tem como sobreviver…
Na
apresentação da sua visão, Kathy Jones enfatizou este aspeto e durante a
própria Conferência tivemos ocasião de com humildade visitar ou revisitar os
nossos aspetos mais densos e mais difíceis e de publicamente os admitir (dentro do nosso círculo de trabalho), o que já significa curá-los…
Entretanto, tal como aconteceu com o resto d@s participantes
que encheram por completo o Tawn Hall na cerimónia de sexta-feira à noite, houve um comprometimento perante
a Deusa de dedicação plena a esta via revolucionária no verdadeiro sentido do
termo porque se trata de substituir os valores patriarcais vigentes que nos
conduzem à destruição pelos valores matriarcais que agem no sentido da Vida.
A Via da Deusa é uma Via Revolucionária
A via da Deusa não é apenas glamour e olhinhos doces, roupas
coloridas e magníficos altares; a via da Deusa é essencialmente Serviço. A via
da Deusa implica além de outras coisas reflexão e estudo, por muito que nos
possa assustar a lista de autor@s cujo trabalho é urgente conhecermos. A via da
Deusa implica sairmos do nosso mundinho e ganharmos perspetiva, vermos as coisas
dum plano mais e mais elevado; implica uma consciência social, e política no
grande sentido da palavra. Implica Reeducação.
Yeshe Rabbit, inspiradora presença americana na conferência
de Glastonbury
I dance at the edge of the
world
Like my Ancestresses before me.
I am a sacred vessel.
My blood is indomitable.
Cradling the Now at my breast.
Nurturing the future unfolding.
There is nothing to fear.
I am a Mother of the New Time.
(Eu danço à beira do Mundo
Como @s ancestrais antes de mim
Sou recipiente sagrado
E o meu sangue é indómito
No meu regaço embalo o agora
Nutrindo o futuro que aí vem
Não existe nada a temer
Eu sou mãe do Novo Tempo)
"Conscious Goddess, a Sustainable Feminist Future of Spirituality"
Tive de novo o grande prazer de participar no workshop desta
feminista, tal como já tinha sucedido no ano passado. Yeshe Rabbit é
co-fundadora da The Bloodroot Honey Priestess Tribe, uma comunidade matriarcal
do norte da Califórnia, e a sua proposta e ensinamentos vão no sentido de nos
ajudar a criar núcleos matriarcais à nossa volta que paulatinamente substituam
as estruturas patriarcais altamente tóxicas, mas felizmente já muito caducas.
Desta comunidade de sacerdotisas saiu um projeto muito semelhante ao de Kathy
Jones, Mother of the New Time (http://www.cayacoven.org/motnt/index.html).
Eyshe lembrou-nos da maturidade duma espiritualidade, a da Deusa,
que esteve ativa no planeta por cerca de 35 000 anos, enquanto o Cristianismo
reina há pouco mais de 2 000. Transposto isto para uma vida humana, temos uma
criança de 11 anos e a sua premente necessidade de poder, manipulação e controlo… É sob os
ditames deste ser imaturo que temos vivido na maior das inconsciências… Se
continuarmos a alimentar as suas “birras”, não restará por fim pedra sobre
pedra… Por isso é tão urgente o BASTA! da
Mãe.
More fun, more sex, more chocolate!
Sociedades matriarcais proporcionam-nos “more fun, more sex,
more chocolate”… é o lema da bem-humorada sacerdotisa californiana. Lá onde
patriarcado é Utilitarismo e Transação, o matriarcado é Criatividade e
Processo. Para o utilitarismo patriarcal somos recursos a usar e a deitar fora;
apenas em sociedades matriarcais temos hipótese de ser uma Pessoa. O princípio
do Prazer em sociedades matriarcais é o que nos salvará da escravatura,
resultado da ganância patriarcal, com a sua obsessão pelo Crescimento a
qualquer preço.
Nos matriarcados, o círculo substitui a pirâmide hierárquica.
O círculo não exclui, pelo contrário, tal como acontece quando nos reunimos
numa roda, ele inclui e cura. É assim que sempre colocamos no seu interior quem
mais precisa da nossa atenção, como as crianças ou aquelas pessoas que estão a
precisar de cura. @s mais necessitad@s colocamo-l@s no interior do círculo, lá
onde se concentra o máximo do poder.
“The Stones of Wonder, Sacred Drama
Performance from the Mithos of Eartha”, escrito por Kathy Jones, com encenação
de Katie Player
Precisamos como de pão para a boca de ouvir as histórias
daquilo que aconteceu a uma cultura baseada nos valores femininos com a brutal
invasão patriarcal. Os atores masculinos contaram mais tarde o quão doloroso foi
para eles representar os papéis que Kathy Jones lhes destinou… Mas fizeram-no
com entrega, amor e compaixão, compreendendo como é importante revisitar estes
episódios para nos curarmos a to@s, homens e mulheres, num mundo completamente
desequilibrado como o nosso.
Lembrar o que por vezes algumas de nós parecem esquecer ou de que nunca tiveram realmente muita consciência: a importância de fazermos este trabalho nós mulheres, por nós e para nós. Na presença dos homens, rapidamente alteramos o nosso comportamento e com grande facilidade e inconsciência lhes entregamos o nosso poder. O homem tem sido o grande detentor do poder, ele é visto por muitas de nós como o pai provedor, o líder que nos salvará com o poder da sua palavra e da sua espada... Nos céus, nos últimos milénios, tem reinado em exclusivo uma entidade masculina e nos nossos mitos modernos o seu filho homem é o grande salvador... Dá para perceber o quanto estamos imbuídas de masculinidade? Dá para sentir o desequilíbrio? Só o nosso trabalho conjunto pode criar novos mitos que tragam o equilíbrio e a paz a este mundo, um novo mundo!
Se tivesse que contar-vos tudo o que me maravilhou nesta
conferência, nunca mais acabava e ia enfadar-vos por certo, por isso fico por
aqui…
Mas deixem-me só dizer-vos isto: não concebo que nenhum anjo, ET ou mestr@ ascenç@ crie um mundo para nós. Por que tal seria necessário quando somos criador@s tão capazes e talentos@s?!!!
Mas deixem-me só dizer-vos isto: não concebo que nenhum anjo, ET ou mestr@ ascenç@ crie um mundo para nós. Por que tal seria necessário quando somos criador@s tão capazes e talentos@s?!!!
©Luiza Frazão
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
DEUSAS SOLARES
Embora a iconografia ocidental considere
geralmente o sol como sendo do género masculino e a lua do género feminino, a
antiga tradição oriental fala do sol no feminino. Os clãs que governavam o antigo
Japão situam a sua origem na poderosa Deusa Solar, Omikami Amaterasu. Em 238
AD, as tribos japonesas eram governadas por uma rainha chamada Himiko, Filha do
Sol.
A Grande Mãe hindu tomou a forma
do sol enquanto deusa Aditi, mãe das doze Adityas zodiacais, espíritos cuja luz
era revelada no dia do Juízo Final. No Mahanirvanatantra
é dito que o sol era a indumentária da Grande Deusa: “O sol, o símbolo mais
glorioso no mundo físico, é a
indumentária daquela que está “vestida com o sol”. A mesma deusa, identificada
com Maria, aparece nos Evangelhos como a “mulher vestida de sol” (Revelação
12:1).
O Budismo Tântrico reconheceu um
precursor da Mari do Oriente Médio, ou Maria, como o sol. Na aurora, os seus monges
agradecem-lhe enquanto “a gloriosa, o sol da felicidade… Eu saúdo-te, ó Deusa
Marici! Abençoa-me e satisfaz os meus desejos. Protege-me, ó Deusa, de todos os
oito medos”.
Quando os japoneses reviram a sua
mitologia para adaptá-la às novas ideias patriarcais, a Deusa Marici foi
masculinizada e o facto dela ter sido um dia identificada com Omikami Amaterasu
foi esquecido. Havia no entanto uma estranha ambivalência envolvendo o “poderoso
deus” chamado Marici-deva ou Marici-ten. “Ele” era chamado protetor do sol,
aparecendo no entanto sempre vestido com a indumentária duma mulher chinesa,
indicando uma origem feminina com raízes a leste do Japão.
Entre os antigos árabes, o sol
era uma Deusa, Atthar, por vezes apelidada de Archote dos Deuses.
Os celtas tinham uma Deusa Sol
chamada Sulis, nome que vem de suil, que
significa ao mesmo tempo “olho” e “sol”. Os povos germânicos chamavam-lhe
Sunna. Para os noruegueses, ela era Sol. Na Escandinávia, era igualmente
conhecida como “Glória-dos-Elfos”, a Deusa que daria à luz uma filha depois do
juízo final, produzindo assim o sol da nova criação. Nos Eddas diz-se “uma filha
radiante a brilhante sol conceberá antes de ser engolida por Fenrir; e a
donzela trilhará o caminho de sua mãe quando os deuses consumarem a sua própria
desgraça”.
A Deusa Sol Sul, Sol, ou Sulis
era cultuada na Britânia na famosa colina artificial do complexo megalítico de
Avebury, conhecido atualmente como Silbury Hill. Aí ela pariu cada novo Éon,
que saiu do seu útero-túmulo, com mais de 130 pés de altura e mais de 500 de
diâmetro. “A influência da deusa britânica Sul estendeu-se a grande parte do
sudoeste de Inglaterra, e o seu culto parece ter tido praticado no alto de
montes com vista para nascentes. Assim, perto da nascente de Bath temos o monte isolado chamado
Solsbury, ou Salisbury, provavelmente o seu lugar de culto”. Em Bath, os
romanos identificaram Sul com Minerva e erigiram-lhe altares designando-a por
Sul Minerva”.
Barbara Walker, The Woman’s Encyclopedia of
Myths and Secrets, HarperSan Francisco, 1983
sexta-feira, 10 de maio de 2013
DEUSAS SOLARES - CAÍDAS E REMETIDAS PARA A NOITE
“(…) a Artemis grega, divindade solar na origem dos tempos, que perdeu este aspeto e esta função a favor dum deus masculino. Podemos de
resto ver como é que esse processo se desenrolou no mundo helénico e
relacioná-lo com a tradição celta. Com efeito, primitivamente, Artemis
identificava-se com sua mãe, Leto (ou Latona), tal como Core-Perséfone era a
dupla da mãe Deméter: ela representava o Sol jovem, o Sol levante, por
oposição a Leto que personificava o velho Sol, o Sol poente (tal como Core era
a jovem filha, ou seja, a Terra jovem, face a Deméter, a velha Terra, o
conhecido mito da renovação).
A partir do momento em que as divindades femininas foram
masculinizadas, e também porque era impossível esquecer completamente o seu aspeto
feminino, conservou-se a personagem de Artemis, apondo-se-lhe no entanto um paredro macho, o seu irmão Apolo, o qual monopolizou o aspeto solar, ao
mesmo tempo que Artemis era remetida para a noite transformando-se em Deusa-Lua.
O mesmo aconteceu no Egipto onde Osiris tomou o lugar de
Isis como Sol poente enquanto Hórus se tornava o Sol levante.
Sabemos que primitivamente a Lua era masculina e o Sol
feminino, ainda assim é nas línguas semitas, germânicas e celtas e também nas
tradições populares (onde se diz que “a Lua engravida as mulheres”).
Houve por conseguinte uma grande reviravolta no simbolismo
mítico e religioso: a deusa-mãe Sol, Leto, foi substituída pelo seu filho e
pela sua filha, macho e fêmea, e sabemos que Juno-Hera tudo fez para que essas
crianças, fruto do adultério de Zeus (e portanto das prerrogativas
paternalistas) não nascessem, o que significa que Hera, mulher divina, recusou
admitir a mudança de orientação da sociedade, da ginecocracia para o
paternalismo”.
Jean Markale, La Femme Celte, Payot (tradução Luiza
Frazão)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A ECONOMIA DA DÁDIVA
Nos mails desta manhã, chega-me um texto da Carol Christ sobre a Economia da Dádiva, inspirando-se no exemplo da
sociedade cretense atual com que convive nas suas frequentes deslocações com
grupos de mulheres àquela ilha grega. Carol lembra-nos ainda o trabalho da
ativista Genevieve Vaughan sobre este modelo económico com provas dadas durante
milénios (de outro modo não estaríamos hoje aqui), que surge como uma solução para
substituir o modelo económico capitalista patriarcal vigente com o qual muito dificilmente
nos vamos safar, nós e o planeta…
Poucas coisas me dão tanto prazer como o verdadeiro Potlatch de algumas segundas-feiras de mercado com a G, a minha prima L e por vezes a minha irmã… é porque naquele ambiente nós ainda comungamos completamente desse espírito tribal muito familiar e muito antigo, dessa segurança primordial em que nos permitimos relaxar no grande colo coletivo, sabendo que ali a nossa luta solitária e frenética pela sobrevivência encontra um autêntico momento de repouso…
O livro editado pela Genevieve Vaughan é este:
WOMEN AND THE GIFT ECONOMY
A
Radically Different Worldview is Possible
edited by Genevieve Vaughan
Por aqui ainda existem muitos resquícios deste tipo de economia,
sobretudo nos meios rurais, onde as bênçãos duma horta são normalmente
repartidas por familiares, amigos e vizinhos e outros bens são generosamente
partilhados. Quando nos tornámos “ricos” ficámos muito mais egoístas e pobres
de coração… acho.
Economia do Dom
"Em Ciências Sociais, economia do dom, economia da doação ou
economia da dádiva ou ainda cultura da dádiva é uma forma de organização social
na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros,
sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata
ou futura, como no escambo ou num mercado. Todavia, a obrigação de
reciprocidade existe, não necessariamente envolvendo as mesmas pessoas, mas
como uma corrente contínua de doações.
A economia do dom é uma forma económica baseada sobre o
valor de uso dos objetos ou ações. Contrapõe-se portanto à economia de mercado,
que se baseia no valor de troca de bens e serviços. A doação é na realidade uma
troca recíproca com algumas características definidas por convenções e não por
regras escritas: a obrigação de dar, a obrigação de receber, a obrigação de
restituir mais do que se recebe.
A economia de dom caracteriza as chamadas economias
primitivas. Autossuficientes, elas podem realizar a troca do excedente produzido
pelos poucos bens que não conseguem produzir.
Um típico exemplo de economia de dom é a prática do Potlatch
dos indígenas americanos, como a economia dos iroqueses ou da Kula, a cerimónia
dos habitantes das ilhas Trobriand. (...)"
quinta-feira, 11 de abril de 2013
CÍRCULOS E... RODAS
Tradução do e-mail enviado pela autora à editora:
Pergunto-me a mim mesma se pode
haver pessoas que não tenham sentido nunca o desejo de acariciar com a sua mão a
mão de outrem, o impulso imperativo de vincular as mãos com outras mãos e
de mantê-las ligadas. É possível que a rigidez do corpo atinja o ponto de
não se ter na memória o registro do toque mais básico? Até que ponto podem os esquemas
mentais artificiais esmagar a pulsação orgânica? E a resposta que eu dei a mim
mesma é que sim, que existem pessoas domesticadas e desvitalizadas o
suficiente para não sentirem o mais elementar desejo, corpos embutidos de
misticismo e do fanatismo, que realizam a sua ginástica para manter se manterem
nos limites duma determinada capacidade muscular.
Sim, há pessoas que não sabem o
que é o desejo ou o que é, ou era, uma roda; que a roda era formado assiduamente
por mulheres e meninas que entrelaçavam as mãos umas com as outras movidas por
um desejo concreto e imediato, por um impulso de prazer e de comprazimento, com
as suas brancas mãos, como dizia Gôngora, com um branco desejo, como diria
Cernuda. O desejo leve e subtil que nem por o ser é menos intenso, menos
complacente, menos prazenteiro. Gente que não sabe o que é uma roda, e que a
confunde com um simples círculo, que é uma figura geométrica, a projeção do sol
ou de qualquer outro objeto que tenha forma circular. No entanto, a roda, por
definição, é formado por corpos vivos, movidos pelas suas pulsões. Por conseguinte,
se dizemos “círculo” em vez de roda, estamos a engolir os corpos que formam as
rodas. As rodas estão vivas, são compostas por seres vivos, movendo-se com o
impulso dos seres vivos que a formam, o que é todo o contrário duma abstração,
duma figura imaginária. Nunca melhor metáfora da substituição da vida pela
morte. Nunca em toda a história do patriarcado houve exemplo mais claro da
sublimação das pulsões sexuais. O movimento dos corpos vivos sobre a terra
fossilizado numa figura geométrica.
O fascismo de base são pessoas
que têm os corpos encarquilhados e disciplinados, e por isso não sabem o que é
uma roda. Em contrapartida, as forças que as controlam, essas sabem bem qual é
a diferença entre a roda feminina e o círculo, e por isso escrevem obras de
propaganda para que ninguém saiba o que é o desejo e os seus jogos. E como as
obras encomendadas não devem ser suficientes, têm de usurpar o trabalho genuíno
feito com base na vida e na verdade, para que continuemos a não entender a
diferença entre dizer “roda” e dizer “círculo”.
Os corpos amortalhados, convertidos em figuras geométricas, sobre mortas
ardósias.
Não se dão conta de que o meu
trabalho é apenas o trabalho de uma pessoa, que o podem perseguir e destruir,
como tantos outros trabalhos e tantas outras pessoas. Mas nós apenas falamos e
escrevemos sobre os factos da vida, e as coisas continuarão a ser como são sem
que nada as afete. Poderão matar e torturar, continuar a matar, mentindo e
torturando, aniquilando milhares de milhões de vidas humanas, que a vida,
enquanto vida houver, continuará a ser e a funcionar como ela é e sempre foi.
Editorial Madreselva: em vez de
se porem a fazer este tipo de “edições”, mais valia sentarem-se à espera de que
brote em vós o puro desejo de acariciar um ser humano.
Cacilda Rodrigañez Bustos
11 de
fevereiro de 2011
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
IMBOLC 2013 EM AVALON
Dancing trees
Priestess training correspondence group
Sweet Way
Bridie's Swans
Isle of Avalon
Chalice Hill
The Tor
Priestess training correspondence group
Sweet Way
Bridie's Swans
Isle of Avalon
Chalice Hill
The Tor
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
SOMOS NÓS OS PRIMITIVOS CELTAS?
"Verificamos afinal que "a "misteriosa chegada" dos Celtas ao Ocidente da Europa (...) é substituída pelo panorama de uma mais primitiva diferenciação dos Celtas, enquanto grupo indo-europeu mais ocidental da Europa (1). E que a Europa Ocidental deve ter sido sempre céltica" (...)
A estes testemunhos sobre a celticidade do território português temos agora de acrescentar um dos mais recentes estudos sobre a escrita tartéssica (abrangendo todo o Sul de Portugal e boa parte do Sudoeste de Espanha e datável entre 800-550 a. C.) de John T. Koch (2). Este investigador vem, aliás, ao encontro do já aventado Xaverio Ballester (3), um dos mais famosos defensores do novo paradigma da continuidade paleolítica: o tartéssico (tal como o galaico-lusitano, para Ballester) deverá ser talvez acrescentado à lista das línguas célticas mais primitivas. Também nesta obra de Koch se inclui um texto (4), devidamente fundamentado, a questionar seriamente as teorias tradicionais. Mapas muito elucidativos, inseridos neste artigo, apresentam o que hoje, à luz de novos conhecimentos, se considera ser muito mais provável: foi no Extremo Ocidental da Europa que se situou o berço dos povos Celtas.
(1) Alinei, M., A Teoria da Continuidade Paleolítica das Origens Indo-Europeias: Uma Introdução, Lisboa, Apenas Livros, 2008
(2) Koch, John T., Tartessian, Celtic in the South-West at the Dawn of History, Aberystwyth, 2009
(3) Ballester, Xaverio, Sobre el Origen de las Lenguas Indoeuropeas Prerromanas de la Península Ibérica, www.continuitas.com
(4) O'Donnell, Charles James, Celtic Studies Lectures, 2008 (Was the Atlantic Zone the Celts Homeland? e People called Keltoi, the La Tène Style, and Ancient Celtic Languages: the Threefold Celts in the Light of Geography), in Koch, John T., op. cit, pp. 132 a 142
in Portugal, Mundo dos Mortos e das Mouras Encantadas, Vol. I, Fernanda Frazão e Gabriela Morais, Apenas Livros, Lisboa, 2009
Imagem Google
A estes testemunhos sobre a celticidade do território português temos agora de acrescentar um dos mais recentes estudos sobre a escrita tartéssica (abrangendo todo o Sul de Portugal e boa parte do Sudoeste de Espanha e datável entre 800-550 a. C.) de John T. Koch (2). Este investigador vem, aliás, ao encontro do já aventado Xaverio Ballester (3), um dos mais famosos defensores do novo paradigma da continuidade paleolítica: o tartéssico (tal como o galaico-lusitano, para Ballester) deverá ser talvez acrescentado à lista das línguas célticas mais primitivas. Também nesta obra de Koch se inclui um texto (4), devidamente fundamentado, a questionar seriamente as teorias tradicionais. Mapas muito elucidativos, inseridos neste artigo, apresentam o que hoje, à luz de novos conhecimentos, se considera ser muito mais provável: foi no Extremo Ocidental da Europa que se situou o berço dos povos Celtas.
(1) Alinei, M., A Teoria da Continuidade Paleolítica das Origens Indo-Europeias: Uma Introdução, Lisboa, Apenas Livros, 2008
(2) Koch, John T., Tartessian, Celtic in the South-West at the Dawn of History, Aberystwyth, 2009
(3) Ballester, Xaverio, Sobre el Origen de las Lenguas Indoeuropeas Prerromanas de la Península Ibérica, www.continuitas.com
(4) O'Donnell, Charles James, Celtic Studies Lectures, 2008 (Was the Atlantic Zone the Celts Homeland? e People called Keltoi, the La Tène Style, and Ancient Celtic Languages: the Threefold Celts in the Light of Geography), in Koch, John T., op. cit, pp. 132 a 142
in Portugal, Mundo dos Mortos e das Mouras Encantadas, Vol. I, Fernanda Frazão e Gabriela Morais, Apenas Livros, Lisboa, 2009
Imagem Google
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
O SOLSTÍCIO DO INVERNO NA TRADIÇÃO DE AVALON E DA LUSITÂNIA
"Este momento do ano marca o princípio da segunda fase do
Inverno, quando nos movemos para a quietude da hibernação e para o foco na
interioridade que vai até ao Imbolc.
Este é o momento de fazermos
cerimónias para honrarmos a Mãe do Ar. Em Avalon Ela é Nolava do Ar, Danu, a
Morgen Tyronoe, Cailleach, Arianrhod da Roda de Prata. Nesta fase exploramos a nossa vida
espiritual, aprendemos a orar, a criar altares, começamos um diário de sonhos,
aprendemos a limpar a aura e a abençoarmo-nos mutuamente usando o elemento ar.
Momento ainda de aprendermos sobre proteção psíquica, de caminharmos pelas
paisagens sagradas d@s noss@s antepassad@s. Momento propício para irmos mais
fundo na nossa árvore genealógica e reivindicarmos a nossa linhagem.
A Mãe do Ar é a respiração
espiritual da Terra, a amorosa essência invisível que permeia todas as formas
criadas, tanto no mundo visível como no invisível. Ela é a Senhora dos Ossos, a
Senhora da Pedra, Calaica/Cale/Beira, a Anciã do Inverno que perdeu toda a
carne, que se tornou luz e imaterialidade.
Enquanto a Deusa Anciã nos conduz
para a morte, Calaica é a própria morte, o espaço entre vidas, entre a morte e
o renascimento. Ela á a quietude absoluta, a experiência do espírito antes da
forma, a antepassada imaterial do nosso povo. Através dela, podemos conectar-nos
com @s antepassad@s primordiais, os seres de Fogo, Gelo, Água, Ar e Terra que
criaram o maravilhoso mundo em que nós vivemos. Em visões ou em transe podemos
voar com os Seus pássaros do ar até Avalon, ou até ao Jardim das Hespérides, no
nosso caso, para encontrarmos @s noss@s antepassad@s remot@s.
A Mãe do Ar é ao mesmo tempo o
ponto da morte e a Eterna Vida que continua entre encarnações. Ela é o Ar e o
Vento, o Movimento do Invisível, Respiração, Ideia e Inspiração, a própria
Sabedoria e todos os seus frutos.
Frequentemente, quando nos
aproximamos d’Ela, o vento da Mãe do Ar sopra nas nossas vidas, limpando as
velhas teias de aranha na nossa mente, mudando o nosso modo habitual de vermos
as coisas. Ela pode ser suave como a brisa num dia de verão, que nos alivia do
calor excessivo, ou assustadora como um furacão, chamando a nossa atenção para o
Seu incomensurável poder. Ela despe as árvores e faz voar as telhas dos
telhados por cima das nossas cabeças, expondo o nosso medo e a nossa
vulnerabilidade. Podemos sentir o Seu toque quando subimos as encostas da Sua
paisagem, de onde por vezes Ela parece querer arrancar-nos. Somos muitas vezes obrigad@s
a dobrar-nos com a força das Suas rajadas e a aconchegar-nos nos Seu abraço
para nos mantermos de pé e no nosso centro. Por vezes, abrindo os braços como
asas, quase nos sentimos voar com Ela.
Os pássaros do ar pertencem-Lhe e
pela noite estrelada voam as Suas corujas, enquanto durante o dia pairam no ar os
abutres. Seus são os bandos de pequenos pássaros que buscam o que comer na
natureza e nos nossos quintais, agradecendo as sementes que deixamos para eles.
Em muitos dias do ano, é possível vê-los voando nas Suas correntes, subindo nos
céus ou descendo sobre a terra, inspirando-nos com o seu mágico poder de voar.
O ar é o elemento mais subtil e
simboliza a nossa natureza espiritual, é o elemento que nos conecta a todas as
criaturas. Human@s, plantas, animais, tod@s respiramos o mesmo ar…
Kathy Jones, Priestess of Avalon,
Priestess of the Goddess (traduzido e adaptado em alguns pontos à Roda do Ano
do Jardim das Hespérides por Luiza Frazão)
Imagens Google:
1. Serra da Estrela
2. Cabeça da Velha, Serra da Estrela
3. Deusa Arianrhod da Roda de Prata
4. Capela dos Ossos, Campo Maior
5. Coruja
5. Coruja
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