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segunda-feira, 15 de abril de 2013

A ECONOMIA DA DÁDIVA


Nos mails desta manhã, chega-me um texto da Carol Christ sobre a Economia da Dádiva, inspirando-se no exemplo da sociedade cretense atual com que convive nas suas frequentes deslocações com grupos de mulheres àquela ilha grega. Carol lembra-nos ainda o trabalho da ativista Genevieve Vaughan sobre este modelo económico com provas dadas durante milénios (de outro modo não estaríamos hoje aqui), que surge como uma solução para substituir o modelo económico capitalista patriarcal vigente com o qual muito dificilmente nos vamos safar, nós e o planeta…  

Poucas coisas me dão tanto prazer como o verdadeiro Potlatch de algumas segundas-feiras de mercado com a G, a minha prima L e por vezes a minha irmã… é porque naquele ambiente nós ainda comungamos completamente desse espírito tribal muito familiar e muito antigo, dessa segurança primordial em que nos permitimos relaxar no grande colo coletivo, sabendo que ali a nossa luta solitária e frenética pela sobrevivência encontra um autêntico momento de repouso…



O livro editado pela Genevieve Vaughan é este:

WOMEN AND THE GIFT ECONOMY
 A Radically Different Worldview is Possible
edited by Genevieve Vaughan
















Na Wikipedia encontrei isto na entrada “Economia do Dom”, gosto mais de “Economia da Dádiva”.
Por aqui ainda existem muitos resquícios deste tipo de economia, sobretudo nos meios rurais, onde as bênçãos duma horta são normalmente repartidas por familiares, amigos e vizinhos e outros bens são generosamente partilhados. Quando nos tornámos “ricos” ficámos muito mais egoístas e pobres de coração… acho.

Economia do Dom

"Em Ciências Sociais, economia do dom, economia da doação ou economia da dádiva ou ainda cultura da dádiva é uma forma de organização social na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros, sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata ou futura, como no escambo ou num mercado. Todavia, a obrigação de reciprocidade existe, não necessariamente envolvendo as mesmas pessoas, mas como uma corrente contínua de doações.
A economia do dom é uma forma económica baseada sobre o valor de uso dos objetos ou ações. Contrapõe-se portanto à economia de mercado, que se baseia no valor de troca de bens e serviços. A doação é na realidade uma troca recíproca com algumas características definidas por convenções e não por regras escritas: a obrigação de dar, a obrigação de receber, a obrigação de restituir mais do que se recebe.
A economia de dom caracteriza as chamadas economias primitivas. Autossuficientes, elas podem realizar a troca do excedente produzido pelos poucos bens que não conseguem produzir.
Um típico exemplo de economia de dom é a prática do Potlatch dos indígenas americanos, como a economia dos iroqueses ou da Kula, a cerimónia dos habitantes das ilhas Trobriand. (...)"



quinta-feira, 11 de abril de 2013

CÍRCULOS E... RODAS




Resposta de Cacilda Rodrigañez Bustos à editora argentina Madreselva, de Buenos Aires, pela edição que fez da sua obra PARIREMOS COM PRAZER, substituindo a palavra “corro” (roda) por “círculo”, em outubro de 2010.
Tradução do e-mail enviado pela autora à editora:

Pergunto-me a mim mesma se pode haver pessoas que não tenham sentido nunca o desejo de acariciar com a sua mão a mão de outrem, o impulso  imperativo de vincular as mãos com outras mãos e de mantê-las ligadas.  É possível que a rigidez do corpo atinja o ponto de não se ter na memória o registro do toque mais básico? Até que ponto podem os esquemas mentais artificiais esmagar a pulsação orgânica? E a resposta que eu dei a mim mesma é que sim, que existem pessoas domesticadas e  desvitalizadas o suficiente para não sentirem o mais elementar desejo, corpos embutidos de misticismo e do fanatismo, que realizam a sua ginástica para manter se manterem nos limites duma determinada capacidade muscular.


Sim, há pessoas que não sabem o que é o desejo ou o que é, ou era, uma roda; que a roda era formado assiduamente por mulheres e meninas que entrelaçavam as mãos umas com as outras movidas por um desejo concreto e imediato, por um impulso de prazer e de comprazimento, com as suas brancas mãos, como dizia Gôngora, com um branco desejo, como diria Cernuda. O desejo leve e subtil que nem por o ser é menos intenso, menos complacente, menos prazenteiro. Gente que não sabe o que é uma roda, e que a confunde com um simples círculo, que é uma figura geométrica, a projeção do sol ou de qualquer outro objeto que tenha forma circular. No entanto, a roda, por definição, é formado por corpos vivos, movidos pelas suas pulsões. Por conseguinte, se dizemos “círculo” em vez de roda, estamos a engolir os corpos que formam as rodas. As rodas estão vivas, são compostas por seres vivos, movendo-se com o impulso dos seres vivos que a formam, o que é todo o contrário duma abstração, duma figura imaginária. Nunca melhor metáfora da substituição da vida pela morte. Nunca em toda a história do patriarcado houve exemplo mais claro da sublimação das pulsões sexuais. O movimento dos corpos vivos sobre a terra fossilizado numa figura geométrica.

O fascismo de base são pessoas que têm os corpos encarquilhados e disciplinados, e por isso não sabem o que é uma roda. Em contrapartida, as forças que as controlam, essas sabem bem qual é a diferença entre a roda feminina e o círculo, e por isso escrevem obras de propaganda para que ninguém saiba o que é o desejo e os seus jogos. E como as obras encomendadas não devem ser suficientes, têm de usurpar o trabalho genuíno feito com base na vida e na verdade, para que continuemos a não entender a diferença entre dizer “roda e dizer “círculo”. Os corpos amortalhados, convertidos em figuras geométricas, sobre mortas ardósias.

Não se dão conta de que o meu trabalho é apenas o trabalho de uma pessoa, que o podem perseguir e destruir, como tantos outros trabalhos e tantas outras pessoas. Mas nós apenas falamos e escrevemos sobre os factos da vida, e as coisas continuarão a ser como são sem que nada as afete. Poderão matar e torturar, continuar a matar, mentindo e torturando, aniquilando milhares de milhões de vidas humanas, que a vida, enquanto vida houver, continuará a ser e a funcionar como ela é e sempre foi.

Editorial Madreselva: em vez de se porem a fazer este tipo de “edições”, mais valia sentarem-se à espera de que brote em vós o puro desejo de acariciar um ser humano.

Cacilda Rodrigañez Bustos
11 de fevereiro de 2011

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

IMBOLC 2013 EM AVALON

Dancing trees
Priestess training correspondence group
Sweet Way
Bridie's Swans
Isle of Avalon
Chalice Hill
The Tor

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

SOMOS NÓS OS PRIMITIVOS CELTAS?

"Verificamos afinal que "a "misteriosa chegada" dos Celtas ao Ocidente da Europa (...) é substituída pelo panorama de uma mais primitiva diferenciação dos Celtas, enquanto grupo indo-europeu mais ocidental da Europa (1). E que a Europa Ocidental deve ter sido sempre céltica" (...)

 A estes testemunhos sobre a celticidade do território português temos agora de acrescentar um dos mais recentes estudos sobre a escrita tartéssica (abrangendo todo o Sul de Portugal e boa parte do Sudoeste de Espanha e datável entre 800-550 a. C.) de John T. Koch (2). Este investigador vem, aliás, ao encontro do já aventado Xaverio Ballester (3), um dos mais famosos defensores do novo paradigma da continuidade paleolítica: o tartéssico (tal como o galaico-lusitano, para Ballester) deverá ser talvez acrescentado à lista das línguas célticas mais primitivas. Também nesta obra de Koch se inclui um texto (4), devidamente fundamentado, a questionar seriamente as teorias tradicionais. Mapas muito elucidativos, inseridos neste artigo, apresentam o que hoje, à luz de novos conhecimentos, se considera ser muito mais provável: foi no Extremo Ocidental da Europa que se situou o berço dos povos Celtas.

(1) Alinei, M., A Teoria da Continuidade Paleolítica das Origens Indo-Europeias: Uma Introdução, Lisboa, Apenas Livros, 2008

(2) Koch, John T., Tartessian, Celtic in the South-West at the Dawn of History, Aberystwyth, 2009

(3) Ballester, Xaverio, Sobre el Origen de las Lenguas Indoeuropeas Prerromanas de la Península Ibérica, www.continuitas.com

(4) O'Donnell, Charles James, Celtic Studies Lectures, 2008 (Was the Atlantic Zone the Celts Homeland? e People called Keltoi, the La Tène Style, and Ancient Celtic Languages: the Threefold Celts in the Light of Geography), in Koch, John T., op. cit, pp. 132 a 142

in Portugal, Mundo dos Mortos e das Mouras Encantadas, Vol. I,  Fernanda Frazão e Gabriela Morais, Apenas Livros, Lisboa, 2009

Imagem Google

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O SOLSTÍCIO DO INVERNO NA TRADIÇÃO DE AVALON E DA LUSITÂNIA



"Este momento do ano marca o princípio da segunda fase do Inverno, quando nos movemos para a quietude da hibernação e para o foco na interioridade que vai até ao Imbolc.

Este é o momento de fazermos cerimónias para honrarmos a Mãe do Ar. Em Avalon Ela é Nolava do Ar, Danu, a Morgen Tyronoe, Cailleach, Arianrhod da Roda de Prata. Nesta fase exploramos a nossa vida espiritual, aprendemos a orar, a criar altares, começamos um diário de sonhos, aprendemos a limpar a aura e a abençoarmo-nos mutuamente usando o elemento ar. Momento ainda de aprendermos sobre proteção psíquica, de caminharmos pelas paisagens sagradas d@s noss@s antepassad@s. Momento propício para irmos mais fundo na nossa árvore genealógica e reivindicarmos a nossa linhagem.

A Mãe do Ar é a respiração espiritual da Terra, a amorosa essência invisível que permeia todas as formas criadas, tanto no mundo visível como no invisível. Ela é a Senhora dos Ossos, a Senhora da Pedra, Calaica/Cale/Beira, a Anciã do Inverno que perdeu toda a carne, que se tornou luz e imaterialidade.


Enquanto a Deusa Anciã nos conduz para a morte, Calaica é a própria morte, o espaço entre vidas, entre a morte e o renascimento. Ela á a quietude absoluta, a experiência do espírito antes da forma, a antepassada imaterial do nosso povo. Através dela, podemos conectar-nos com @s antepassad@s primordiais, os seres de Fogo, Gelo, Água, Ar e Terra que criaram o maravilhoso mundo em que nós vivemos. Em visões ou em transe podemos voar com os Seus pássaros do ar até Avalon, ou até ao Jardim das Hespérides, no nosso caso, para encontrarmos @s noss@s antepassad@s remot@s.


A Mãe do Ar é ao mesmo tempo o ponto da morte e a Eterna Vida que continua entre encarnações. Ela é o Ar e o Vento, o Movimento do Invisível, Respiração, Ideia e Inspiração, a própria Sabedoria e todos os seus frutos.

Frequentemente, quando nos aproximamos d’Ela, o vento da Mãe do Ar sopra nas nossas vidas, limpando as velhas teias de aranha na nossa mente, mudando o nosso modo habitual de vermos as coisas. Ela pode ser suave como a brisa num dia de verão, que nos alivia do calor excessivo, ou assustadora como um furacão, chamando a nossa atenção para o Seu incomensurável poder. Ela despe as árvores e faz voar as telhas dos telhados por cima das nossas cabeças, expondo o nosso medo e a nossa vulnerabilidade. Podemos sentir o Seu toque quando subimos as encostas da Sua paisagem, de onde por vezes Ela parece querer arrancar-nos. Somos muitas vezes obrigad@s a dobrar-nos com a força das Suas rajadas e a aconchegar-nos nos Seu abraço para nos mantermos de pé e no nosso centro. Por vezes, abrindo os braços como asas, quase nos sentimos voar com Ela.


Os pássaros do ar pertencem-Lhe e pela noite estrelada voam as Suas corujas, enquanto durante o dia pairam no ar os abutres. Seus são os bandos de pequenos pássaros que buscam o que comer na natureza e nos nossos quintais, agradecendo as sementes que deixamos para eles. Em muitos dias do ano, é possível vê-los voando nas Suas correntes, subindo nos céus ou descendo sobre a terra, inspirando-nos com o seu mágico poder de voar.


O ar é o elemento mais subtil e simboliza a nossa natureza espiritual, é o elemento que nos conecta a todas as criaturas. Human@s, plantas, animais, tod@s respiramos o mesmo ar…

Kathy Jones, Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess (traduzido e adaptado em alguns pontos à Roda do Ano do Jardim das Hespérides por Luiza Frazão) 

Imagens Google:
1. Serra da Estrela
2. Cabeça da Velha, Serra da Estrela
3. Deusa Arianrhod da Roda de Prata
4. Capela dos Ossos, Campo Maior
5. Coruja

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

UM RITUAL PAGÃO NUNCA INTERROMPIDO



Tigh nam Bodach (the Hag’s House)

Localizado em Glen Calliche, perto de Glen Lyon, fica Tig nam Bodach (a Casa da Bruxa). Esta pequena estrutura em pedra contendo pedras moldadas pela água é conhecida como a  "Cailleach e as suas crianças". Nos meses de verão, do primeiro de maio ao primeiro de novembro, as pedras são colocadas fora do santuário, até que no começo do inverno elas regressam ao seu interior pelas mãos dos pastores locais.

Este é considerado o mais antigo ritual pagão nunca interrompido na Britânia e até mesmo, segundo algumas fontes,  em toda a Europa.

Trata-se de rituais relacionados com a divisão primordial do ano em duas estações, verão e inverno, o tempo da Deusa enquanto Donzela e o Seu tempo enquanto Anciã.

Fontes:
Sorita d’Este & David Rankin, Visions of the Cailleach)

Imagem: Google

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Faleceu Patricia Monaghan

Faleceu no último dia 10, aos 66 anos, Patricia Monaghan, poeta e feminista, autora entre outros títulos de O Caminho da Deusa, editado em Portugal pela Europa-América, livro que forneceu inspiração a muitas de nós, nomeadamente a mim no meu trabalho com os arquétipos do Feminino.

Patricia Monaghan Ph.D. publicou mais de 15 títulos, incluindo um sobre vinhos, matéria em que era perita, e os 2 volumes da Enciclopédia das Deusas e Heroínas. Foi uma das fundadoras do Black Earth Institut, no Wisconsin, onde vivia, apesar de também ter a nacionalidade irlandesa.

Considerada por muit@s uma verdadeira força da natureza, que entre outras atividades também se dedicava à agricultura biológica, Patricia Monaghan foi uma das primeiras autoras através das quais aprendi antigos rituais da religião da Deusa. Onde quer que estejas, irmã, a minha profunda gratidão pela tua força, inspiração e generosidade. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SAMHAIN - CELEBRAR O FIM DUM CICLO



Este é o momento do ano em que o ciclo da vida termina, tudo o que a terra produziu já foi colhido e armazenado, o grão, os frutos, os vegetais (resta-nos a azeitona, a nós, mas está quase...!). Tudo o que resta vai agora ser cortado rente pela foice da morte da Anciã e retornar ao útero da Mãe Terra para aí ser transformado. O caldeirão simboliza esse útero da Mãe onde tudo é recriado para voltar a nascer. Na natureza, vão acontecer processos de decomposição, de putrefação, de transmutação; pétalas, folhagem, galhos secos transformar-se-ão em húmus suculento, enquanto das sementes nova vida germinará para que o ciclo recomece. O tempo circular, o tempo da Deusa.
 
Este é o momento da hibernação, quando a vida se recolhe para o interior da terra, quando a nós humanos também apetece ficar em recolhimento no interior das nossas casas, no aconchego do calor da lareira, honrando esta época de introspeção, de avaliação daquilo que na nossa vida também precisa de morrer, de ser transformado. Momento ainda de confronto com a Sombra... Quando aceitamos fluir com a Vida, com a Natureza, quando compreendemos que dela fazemos parte enquanto criações da Deusa, aprendemos a aceitar, respeitar, valorizar, honrar e celebrar o processo da morte. Sabemos que somos energia eterna, que como dizia Lavoisier, na Natureza nada se perde, tudo se transforma e que por isso também nós estamos envolvidas e envolvidos neste ciclo de morte e renascimento. Assim aquelas e aqueles que nos precederam, que continuam a viver noutra dimensão, e a quem naturalmente na nossa cultura nós recordamos e honramos neste momento do ano. 

Pessoalmente, gosto de ir ao cemitério visitar o túmulo da minha mãe, do meu pai, das minhas avós e avôs, das tias e dos tios já falecidos. Levo-lhes flores e uma prece de gratidão pela herança que me legaram. No meu altar coloco um bolo para elas e para eles, aquilo a que agora chamamos bolo dos santos, herança duma tradição muito antiga, pagã, que como tantas outras o cristianismo teve de assimilar para conseguir impor-se e dominar enquanto religião. É óbvio que elas e eles não irão comer esse bolo de uma forma física, mas a energia amorosa que foi colocada na sua confeção e na intenção desta oferenda tocará a energia que são agora, e sempre foram, e que conecta os nossos corações.

Neste festival honremos a Deusa Anciã, a Deusa Negra do Mundo de Baixo e peçamos-lhe que nos ajuda a transmutar dentro do Seu caldeirão ou na fogueira que Lhe acendemos, aquilo que não queremos mais na nossa vida. 
E depois celebremos a Vida com muita alegria!

©Maria Luiza Oliveira Frazão

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CRISE NO PATRIARCADO



A estrutura caractereológica do homem atual (que vem perpetuando uma cultura patriarcal e autoritária desde há entre 4 a 6 mil anos) caracteriza-se por um encouraçamento contra a natureza dentro de si mesmo e contra a m
iséria social que o rodeia. Este encouraçamento do carácter está na base da solidão, do desamparo, do insaciável desejo de autoridade, do medo, da angústia mística, da miséria sexual, da rebelião impotente, assim como duma resignação artificial e patológica. Os seres humanos adotaram uma atitude hostil àquilo que dentro deles mesmos está vivo, mas de que se afastaram. A origem desta alienação não é biológica, mas social e económica e não é detetável na história humana antes do surgimento da ordem social patriarcal.

WILHEM REICH
La Función del Orgasmo
citado por Cacilda Rodrigañez Bustos, em El Assalto al Hades





Imagem: Magritte