O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de chegada a casa.Jean Shinoda Bolen
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quinta-feira, 29 de março de 2012
A DEUSA NO CORAÇÃO DA MULHER, curso online, 12 meses
A DEUSA NO CORAÇÃO DA MULHER, ARQUÉTIPOS DO FEMININO - CURSO ON-LINE, 12 MESES, em fase de elaboração
Sobre Luiza Frazão
Sacerdotisa de
Avalon e de Rhiannon, formada pelo Templo da Deusa de Glastonbury, Reino Unido, licenciada em Línguas e Literaturas pela Universidade Nova de Lisboa, com formação
no Método Louise Hay de Desenvolvimento Pessoal, Programação Neurolinguística,
Constelações Familiares, Astrologia, Xamanismo e largos anos de
experiência em Desenvolvimento Pessoal e Espiritual. Depois de intensa pesquisa
na tradição celta do nosso território, integrado na cultura do Arco Atlântico,
reivindico para Portugal a dimensão do Jardim das Hespérides, a nossa dimensão
da Deusa. Impulsionada e inspirada pelo meu treino de Sacerdotisa de Avalon, e por
intensa pesquisa no nosso território, criei uma Roda do Ano e um Templo, em
expansão, de que sou Guardiã: a Roda do Ano e o Templo da Deusa Cale do Jardim
das Hespérides. Cerimonialista, facilitadora de Círculos de Mulheres, Formadora
de Sacerdotisas e de Sacerdotes da Deusa, autora da obra A Deusa do Jardim das Hespérides: Desvelando a Dimensão Encoberta do
Sagrado Feminino em Portugal.
domingo, 18 de março de 2012
PERDEMOS A MÃE PRIMORDIAL, A GRANDE RAINHA DOS COMEÇOS
O continente e o conteúdo
À força de rejeitar tudo o que a feminilidade representava como solução para a angústia do homem, criou-se uma humanidade perfeitamente neurótica, pois se o rapazinho é obrigado a praticar este acto é porque não lhe vestiram na mais tenra idade uma veste feminina, como se fazia antigamente. Uma concepção estúpida e formal da virilidade impediu a continuação desta prática que, com origem em motivos inconscientes, era muito mais válida que a destruição do amor que educadores desprovidos de educação tentam levar a cabo, criando uma putativa educação sexual. É, uma vez mais, toda a nossa sociedade que está em causa.
A masculinização da sociedade conduziu a ignorar aquilo que constitui o próprio fundamento de toda a relação psicossocial, a saber, os laços afectivos que unem os membros duma mesma família, dum mesmo clã. E estes repousam muito particularmente na relação mãe-filho (rapaz ou rapariga). Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo-a à autoridade dum deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintual que estabelecia o primitivo equilíbrio. Daí provêm as neuroses e outros dramas que transtornam as sociedades paternalistas, incluindo aquelas que se consideram mais evoluídas, aquelas que pretendem, com belas palavras, atribuir à mulher um lugar de honra, um lugar escolhido pelo homem.
Na verdade, o homem não pode escolher o lugar da mulher nem o seu próprio lugar face à mulher. Ele deve obedecer a uma lei inelutável, que é, para retomar a definição de Montesquieu, uma lei de natura, contra a qual a lei da razão nada pode. Esta lei de natura concretiza-se no instinto, que não é algo que possamos negar. Negá-lo, como fizeram tantos moralistas e psicólogos, antes de Freud, é abrir a via dos desregulamentos psíquicos, porque todo o comportamento se ressente do facto de não estar apoiado na lei natural.
Esta querela entre natureza e razão, que de resto sempre foi uma falsa questão, é responsável pela cegueira desta sociedade que, ao querer corrigir o instinto, cortou o ser humano daquilo que era a sua natureza. A verdade é que o instinto não se corrige. Sublima-se, transcende-se, e isso graças a uma razão que o dirige, mas que em caso algum o deve encerrar em limites estreitos e negá-lo. E o instinto assusta, porque é forte e porque é inelutável.
Este estudo sistemático do princípio feminino na cultura celta tem pelo menos o mérito de trazer à luz da consciência a ideia de que o instinto é primordial, no sentido etimológico do termo, que ele é necessário, que é um factor de progresso e de evolução. Mas o instinto tem algo de selvagem, de “bárbaro”, mesmo. E é por aí que ele atinge a “grandiosidade”. Ele é o único motor dos nossos sentimentos, da nossa acção. E, tendo em conta os nossos hábitos morais, é por vezes difícil formulá-lo e olhá-lo de frente: a verdade choca-nos.
Quando ousamos afirmar que todas as relações entre homens e mulheres, quaisquer que elas sejam (conjugais, filiais ou outras) são necessariamente relações incestuosas entre mãe e filho, atraímos as mais ásperas críticas e somos tidos por obcecados. E no entanto… O homem é, com efeito, um ser incompleto e tem consciência disso. O seu medo e a sua atracção pelo abismo negro (o nada de onde provém), o seu medo e a sua vertigem diante da morte (o nada que o espera) tornam-no um ser frágil que procura a segurança a todo o custo. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher.
Mas o homem, física e afectivamente, possui um meio de reentrar, pelo menos provisoriamente, na mãe. Não é preciso insistir: qualquer tendência da psicanálise já esclareceu suficientemente bem que o pénis, pequena parte do homem, mas uma parte exterior e susceptível de aumentar, constitui o substituto do próprio homem. Ele pode, portanto, em certas ocasiões, reactualizar de modo fantasmagórico o regresso ao paraíso que a mãe representa. E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. O homem está portanto biologicamente sujeito à mulher, quer ele queira, quer não.
Ele é o conteúdo, enquanto a mulher é o continente: isso constitui um estado de inferioridade muito óbvio para o homem e ele passará depois todo o seu tempo a negar tal realidade para provar a si próprio que é superior. É assim que se explica a acção masculina, o facto dos homens serem dotados para a acção, para a violência e o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem afirmar-se. E se o homem é o conteúdo, portanto um ser inferior, ele arroga-se o direito dum ser superior, mostrando que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie.
Até conseguiu persuadir a própria mulher dessa superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho no momento do nascimento, feito pela mãe ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “É um rapaz!”, repetido geração após geração, é bastante eloquente a esse respeito. Quando nasce uma rapariga, aceita-se; mas quando nasce um rapaz, rejubila-se. No entanto, o continente, a mãe, que é o mesmo que dizer a mulher , é a própria realização do Paraíso. Ela realiza-o sob dois aspectos duma mesma realidade: ela contém o filho e o amante.
De resto, como alguns psicanalistas já referiram, a vagina da rapariga não é reconhecida pela mãe, nem pelo pai, no momento do nascimento. Tal reconhecimento far-se-á, no entanto, um dia, e será o homem a efectuá-lo. Assim, para se afirmar, para tomar consciência de quem é e sobretudo do seu poder, a mulher precisa do homem. Traduzido em linguagem mitológica dá: o homem precisa duma deusa, mas a deusa precisa do homem. É esta a razão pela qual se perpetuaram, sob formas diversas, os antigos cultos da divindade feminina.
Na cultura celta, vimo-la sob os seus diferentes aspectos, ou melhor, sob as diferentes máscaras que os homens lhe atribuíram. Todos os nomes que lhe foram dados, entretanto, não nos devem fazer esquecer que se trata dum ser único, da mãe primordial, da primitiva deusa, da grande rainha dos começos.
Jean Markale, “La Femme Celte”, Petite Bibliothèque Payot (tradução Luiza Frazão)
Imagnes Google - Deusa Mãe Deméter; Adolphe W. Bourguereau; Almada Negreiros
À força de rejeitar tudo o que a feminilidade representava como solução para a angústia do homem, criou-se uma humanidade perfeitamente neurótica, pois se o rapazinho é obrigado a praticar este acto é porque não lhe vestiram na mais tenra idade uma veste feminina, como se fazia antigamente. Uma concepção estúpida e formal da virilidade impediu a continuação desta prática que, com origem em motivos inconscientes, era muito mais válida que a destruição do amor que educadores desprovidos de educação tentam levar a cabo, criando uma putativa educação sexual. É, uma vez mais, toda a nossa sociedade que está em causa.
A masculinização da sociedade conduziu a ignorar aquilo que constitui o próprio fundamento de toda a relação psicossocial, a saber, os laços afectivos que unem os membros duma mesma família, dum mesmo clã. E estes repousam muito particularmente na relação mãe-filho (rapaz ou rapariga). Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo-a à autoridade dum deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintual que estabelecia o primitivo equilíbrio. Daí provêm as neuroses e outros dramas que transtornam as sociedades paternalistas, incluindo aquelas que se consideram mais evoluídas, aquelas que pretendem, com belas palavras, atribuir à mulher um lugar de honra, um lugar escolhido pelo homem.
Na verdade, o homem não pode escolher o lugar da mulher nem o seu próprio lugar face à mulher. Ele deve obedecer a uma lei inelutável, que é, para retomar a definição de Montesquieu, uma lei de natura, contra a qual a lei da razão nada pode. Esta lei de natura concretiza-se no instinto, que não é algo que possamos negar. Negá-lo, como fizeram tantos moralistas e psicólogos, antes de Freud, é abrir a via dos desregulamentos psíquicos, porque todo o comportamento se ressente do facto de não estar apoiado na lei natural.
Esta querela entre natureza e razão, que de resto sempre foi uma falsa questão, é responsável pela cegueira desta sociedade que, ao querer corrigir o instinto, cortou o ser humano daquilo que era a sua natureza. A verdade é que o instinto não se corrige. Sublima-se, transcende-se, e isso graças a uma razão que o dirige, mas que em caso algum o deve encerrar em limites estreitos e negá-lo. E o instinto assusta, porque é forte e porque é inelutável.
Este estudo sistemático do princípio feminino na cultura celta tem pelo menos o mérito de trazer à luz da consciência a ideia de que o instinto é primordial, no sentido etimológico do termo, que ele é necessário, que é um factor de progresso e de evolução. Mas o instinto tem algo de selvagem, de “bárbaro”, mesmo. E é por aí que ele atinge a “grandiosidade”. Ele é o único motor dos nossos sentimentos, da nossa acção. E, tendo em conta os nossos hábitos morais, é por vezes difícil formulá-lo e olhá-lo de frente: a verdade choca-nos.
Quando ousamos afirmar que todas as relações entre homens e mulheres, quaisquer que elas sejam (conjugais, filiais ou outras) são necessariamente relações incestuosas entre mãe e filho, atraímos as mais ásperas críticas e somos tidos por obcecados. E no entanto… O homem é, com efeito, um ser incompleto e tem consciência disso. O seu medo e a sua atracção pelo abismo negro (o nada de onde provém), o seu medo e a sua vertigem diante da morte (o nada que o espera) tornam-no um ser frágil que procura a segurança a todo o custo. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher.
Mas o homem, física e afectivamente, possui um meio de reentrar, pelo menos provisoriamente, na mãe. Não é preciso insistir: qualquer tendência da psicanálise já esclareceu suficientemente bem que o pénis, pequena parte do homem, mas uma parte exterior e susceptível de aumentar, constitui o substituto do próprio homem. Ele pode, portanto, em certas ocasiões, reactualizar de modo fantasmagórico o regresso ao paraíso que a mãe representa. E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. O homem está portanto biologicamente sujeito à mulher, quer ele queira, quer não.
Ele é o conteúdo, enquanto a mulher é o continente: isso constitui um estado de inferioridade muito óbvio para o homem e ele passará depois todo o seu tempo a negar tal realidade para provar a si próprio que é superior. É assim que se explica a acção masculina, o facto dos homens serem dotados para a acção, para a violência e o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem afirmar-se. E se o homem é o conteúdo, portanto um ser inferior, ele arroga-se o direito dum ser superior, mostrando que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie.
Até conseguiu persuadir a própria mulher dessa superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho no momento do nascimento, feito pela mãe ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “É um rapaz!”, repetido geração após geração, é bastante eloquente a esse respeito. Quando nasce uma rapariga, aceita-se; mas quando nasce um rapaz, rejubila-se. No entanto, o continente, a mãe, que é o mesmo que dizer a mulher , é a própria realização do Paraíso. Ela realiza-o sob dois aspectos duma mesma realidade: ela contém o filho e o amante.
De resto, como alguns psicanalistas já referiram, a vagina da rapariga não é reconhecida pela mãe, nem pelo pai, no momento do nascimento. Tal reconhecimento far-se-á, no entanto, um dia, e será o homem a efectuá-lo. Assim, para se afirmar, para tomar consciência de quem é e sobretudo do seu poder, a mulher precisa do homem. Traduzido em linguagem mitológica dá: o homem precisa duma deusa, mas a deusa precisa do homem. É esta a razão pela qual se perpetuaram, sob formas diversas, os antigos cultos da divindade feminina.
Na cultura celta, vimo-la sob os seus diferentes aspectos, ou melhor, sob as diferentes máscaras que os homens lhe atribuíram. Todos os nomes que lhe foram dados, entretanto, não nos devem fazer esquecer que se trata dum ser único, da mãe primordial, da primitiva deusa, da grande rainha dos começos.
Jean Markale, “La Femme Celte”, Petite Bibliothèque Payot (tradução Luiza Frazão)
Imagnes Google - Deusa Mãe Deméter; Adolphe W. Bourguereau; Almada Negreiros
sábado, 17 de março de 2012
A LINGUAGEM DOS ARQUÉTIPOS
"De acordo com a teoria Junguiana, as deusas são arquétipos, o que equivale a dizer fontes derradeiras dos padrões emocionais dos nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos que poderíamos chamar de “femininos”, na acepção mais ampla da palavra.
Tudo aquilo que concebemos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, de que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que impele à união, à coesão social, à comunhão e à proximidade humana; todas as alianças e fusões; e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo universal do feminino.
Entretanto, a psicologia académica moderna, com o seu amor pelas abstracções masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos “instintos”, “impulsos” e “padrões de comportamentos” – palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma. Como disse certa vez James Hillman, o psicólogo dos arquétipos, a “linguagem da psicologia é um insulto à alma”.
No entanto, os Gregos e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstracções destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre os nossos processos psicológicos.
Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que activavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenómenos de “compulsões dos deuses e das deusas”.
(Texto extraído da obra “A Deusa Interior ”, de Roger J. Woolger, Ed.Cultrix) http://terapiadamulher.blog.com/653746/(adaptado por Luiza Frazão)
Imagem: Google
Tudo aquilo que concebemos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, de que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que impele à união, à coesão social, à comunhão e à proximidade humana; todas as alianças e fusões; e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo universal do feminino.
Entretanto, a psicologia académica moderna, com o seu amor pelas abstracções masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos “instintos”, “impulsos” e “padrões de comportamentos” – palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma. Como disse certa vez James Hillman, o psicólogo dos arquétipos, a “linguagem da psicologia é um insulto à alma”.
No entanto, os Gregos e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstracções destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre os nossos processos psicológicos.
Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que activavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenómenos de “compulsões dos deuses e das deusas”.
(Texto extraído da obra “A Deusa Interior ”, de Roger J. Woolger, Ed.Cultrix) http://terapiadamulher.blog.com/653746/(adaptado por Luiza Frazão)
Imagem: Google
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
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marialuizafrazao@gmail.com
+351 96 854 84 88
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SANTA BRÍGIDA - THE IBERIAN CONNECTION
A verdade é que talvez não seja assim tão estranha a vinda desta relíquia
(a cabeça de santa Brígida) para Portugal e a pedido de D. Dinis, pois afinal este nosso território
terá pertencido ao mesmo universo mítico de que fazia parte esta deusa
tornada santa, cuja figura e o destacado valor atribuído a cabeça – fenómeno
integrado no culto das cabeças – representam apenas a ponta de
um icebergue chamado celtismo.
Celtismo esse que reivindicamos como uma possível realidade histórica, assente sobretudo em dados arqueológicos, genéticos, linguísticos, antropológicos ou etnológicos, os mesmos de que nos temos servido ao longo de trabalhos anteriores e que, neste caso, continuam a ser válidos. Desses dados faz parte também a tradição mítica, tanto irlandesa, como escocesa, que diz dever a sua própria fundação a descendentes de príncipes ibéricos, designadamente Gatelo ou Mil, os chamados Milesianos, provenientes da Península Ibérica, onde também tinham fundado Portugal, em 1553 a. C.107.
E a força desta tradição é tanta nos países britânicos que a pedra (dita fadada) onde Gatelo aqui se sentava para fazer justica e receber a vassalagem dos seus súbditos terá sido levada, segundo a lenda, primeiro para a Irlanda, depois para a Escócia e, por fim, para Inglaterra. Tomou o nome de Lia Fail ou Pedra da Coroação e sobre ela se coroavam (e coroam) os reis legítimos: ainda hoje existe, guardada na Escócia, e continua a desempenhar a mesma função, pois será trazida para Inglaterra para coroar o rei sucessor de Isabel II.
Mas recuando, ainda mais, ao “refugio ibérico”, um dos locais mais importantes da Europa onde o Homo sapiens sapiens se reuniu para sobreviver à glaciação, até há 16 ou 17 mil anos, quase nos atrevemos a dizer que a afirmação da vinda da cabeça de Santa Brígida para ser entregue a D. Dinis, rei de Portugal, é o vestígio simbólico de um “regresso às origens” do mito.
Nessa época longínqua e de difícil sobrevivência estávamos “num tempo em que o mito e o rito eram o sistema fundamental de representação e organização do universo mental da humanidade e a consciência assumia de facto a forma e o conteúdo do património tradicional dos contos e dos rituais colectiva e individualmente próprios de uma dada população. [...] o corpo mítico-ritual assegurava, assim, a sobrevivência do grupo[...]”.
E acerca do fenómeno do mito e da sua transmissão, de forma ritmada e rimada para mais fácil memorização, também as ciências cognitivas afirmam que um povo sem mitos nunca teria sobrevivido às ásperas condições de então. Assim, mito e celtismo serão as duas faces da mesma moeda que estão na base da Historia e da tradição deste vasto território ocidental europeu de que fazemos parte. E que estarão na base deste fenómeno de uma deusa/santa em Lisboa.
O eco que encontrou, aqui em Lisboa, a cabeça da padroeira irlandesa com toda a panóplia dos rituais seus derivados – que a seguir desenvolveremos – enquadra-se, assim, de um modo mais compreensivo, na nossa cultura medieva, herdeira dessa história e tradição.
Gabriela Morais, Lisboa Guarda Segredos Milenares, Santa Brígida, uma Deusa Celta em Lisboa
http://www.continuitas.org/texts/morais_lisboa.pdf
Imagem: Bridget, de Caroline Gully-Lir
http://www.spinningthewheel.com/
Celtismo esse que reivindicamos como uma possível realidade histórica, assente sobretudo em dados arqueológicos, genéticos, linguísticos, antropológicos ou etnológicos, os mesmos de que nos temos servido ao longo de trabalhos anteriores e que, neste caso, continuam a ser válidos. Desses dados faz parte também a tradição mítica, tanto irlandesa, como escocesa, que diz dever a sua própria fundação a descendentes de príncipes ibéricos, designadamente Gatelo ou Mil, os chamados Milesianos, provenientes da Península Ibérica, onde também tinham fundado Portugal, em 1553 a. C.107.
E a força desta tradição é tanta nos países britânicos que a pedra (dita fadada) onde Gatelo aqui se sentava para fazer justica e receber a vassalagem dos seus súbditos terá sido levada, segundo a lenda, primeiro para a Irlanda, depois para a Escócia e, por fim, para Inglaterra. Tomou o nome de Lia Fail ou Pedra da Coroação e sobre ela se coroavam (e coroam) os reis legítimos: ainda hoje existe, guardada na Escócia, e continua a desempenhar a mesma função, pois será trazida para Inglaterra para coroar o rei sucessor de Isabel II.
Mas recuando, ainda mais, ao “refugio ibérico”, um dos locais mais importantes da Europa onde o Homo sapiens sapiens se reuniu para sobreviver à glaciação, até há 16 ou 17 mil anos, quase nos atrevemos a dizer que a afirmação da vinda da cabeça de Santa Brígida para ser entregue a D. Dinis, rei de Portugal, é o vestígio simbólico de um “regresso às origens” do mito.
Nessa época longínqua e de difícil sobrevivência estávamos “num tempo em que o mito e o rito eram o sistema fundamental de representação e organização do universo mental da humanidade e a consciência assumia de facto a forma e o conteúdo do património tradicional dos contos e dos rituais colectiva e individualmente próprios de uma dada população. [...] o corpo mítico-ritual assegurava, assim, a sobrevivência do grupo[...]”.
E acerca do fenómeno do mito e da sua transmissão, de forma ritmada e rimada para mais fácil memorização, também as ciências cognitivas afirmam que um povo sem mitos nunca teria sobrevivido às ásperas condições de então. Assim, mito e celtismo serão as duas faces da mesma moeda que estão na base da Historia e da tradição deste vasto território ocidental europeu de que fazemos parte. E que estarão na base deste fenómeno de uma deusa/santa em Lisboa.
O eco que encontrou, aqui em Lisboa, a cabeça da padroeira irlandesa com toda a panóplia dos rituais seus derivados – que a seguir desenvolveremos – enquadra-se, assim, de um modo mais compreensivo, na nossa cultura medieva, herdeira dessa história e tradição.
Gabriela Morais, Lisboa Guarda Segredos Milenares, Santa Brígida, uma Deusa Celta em Lisboa
http://www.continuitas.org/texts/morais_lisboa.pdf
Imagem: Bridget, de Caroline Gully-Lir
http://www.spinningthewheel.com/
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
HERA, A DEUSA DAS MULHERES
Cantemos agora Hera, a deusa das mulheres,
Que governa o mundo no seu trono de ouro.
Cantemos agora Hera, a filha de Terra, filha da mais antiga das deusas.
Cantemos agora a rainha d@s deus@s,
Cantemos a mais bela de todas as deusas.
Ninguém é mais amada do que tu,
Feminina Hera, ninguém é mais venerada.
Não há ninguém na terra mais respeitad@ do que tu
Ó majestosa Hera, ninguém mais partilha da tua glória.
És acima de todas a mais venerada das deusas.
És acima de tod@s @s deus@s a mais amada de sempre.
Hino Homérico
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
JUNO FEBRUA - HONRAR E CELEBRAR O AMOR
A deusa Juno Februata e o dia de S. Valentim
Em Roma, o mês de Fevereiro era dedicado à Deusa Juno Februata ou Juno Februa. A Sua festa era celebrada a 14 de fevereiro. Ela era a Deusa da “febre” de amor tanto quanto das mulheres e do casamento. Na Sua festa, os homens solteiros participavam dum sorteio tirando bilhetinhos de papel de dentro dum recipiente. Nesses bilhetes estavam escritos os nomes das mulheres solteiras da comunidade. O par mantinha uma relação temporária durante os jogos eróticos que tinham lugar durante o festival, permanecendo juntos durante os doze meses seguintes. Estas práticas davam por vezes lugar a relações duradouras.
Nos tempos do Paganismo, esta celebração era conhecida como “Lupercalia”, palavra que deriva de “Lupa” (a Deusa Loba que normalmente encontramos nas representações de Rómulo e Remo aos quais se atribui a fundação mítica de Roma). Nos templos erigidos em honra de Lupa, serviam sacerdotisas chamadas “Rainhas” e também “Lupae”, que atuavam como sacerdotisas do amor, e os ritos realizados na Gruta da Loba asseguravam a fertilidade dos campos durante todo o ano. Quando o imperador Constantino decretou o nascimento “oficial” da religião Cristã e a impôs a todo o território do império Romano, a igreja encarregou-se de rebatizar esta festividade como “Festa da Purificação da Virgem Maria”. Deste modo, o papa Gelásio I, no ano 494, decidiu comemorar nela o momento em que Maria foi “purificada” no Templo, aquando do nascimento de Jesus. Parece que para os patriarcas da igreja todos os atos de amor são impuros, não só os de carácter sexual, mas também o milagroso ato de dar à luz uma nova vida.
Curiosamente, a denominação “Februa”, “Februlis”, “Februta” ou “Februalis” referem-se à Deusa Juno no seu aspeto “Purificadora”, num sentido diametralmente oposto àquele dado posteriormente pelo Cristianismo. A data foi novamente mudada pela igreja para 2 de fevereiro, e o nome da festividade passou a ser “Festa da Candelária”, consagrada à Deusa como “Santa Brígida”. No entanto o regresso da luz está relacionado com os ritos sagrados de carácter sexual celebrados na festa de 14 de fevereiro, os quais eram designados por “ritos do matrimónio espiritual com anjos na câmara nupcial”. Uma fórmula que era hábito recitar-se durante essas cerimónias dizia: “Permite à semente de luz descer até esta câmara da noiva (…) a Graça desça até ela”.
No ano de 496, o papa GelásioI instituiu o dia de S. Valentim para acabar com aquilo que era então considerado como “lascivos costumes selvagens”. Como muitos outros santos que substituíram antigos deuses pagãos, a história de São Valentim conta com inúmeras versões, todas confusas e contraditórias, e os homens da igreja tentaram substituir as antigas mensagens de amor por outras de carácter moral e doutrinário e incluir nelas nomes de santos. A verdade é que as pessoas rapidamente as transformaram em mensagens de amor, tendo São Valentim sido nomeado “patrono dos namorados”, enquanto os antigos rituais foram secretamente mantidos, apesar de todos os esforços realizados pela igreja para os eliminar. Ao trazerem a Deusa Juno para a Península, os Romanos trouxeram seguramente os rituais em Sua honra… ou então já cá existiam, a julgar pela forma como se celebram hoje em dia festas que supostamente são de carácter religioso, mas que no entanto são abundantes em comida, bebida e… jogos de carácter amoroso e sexual.
In Deusas de Sangue e de Sol, Sandra Román, Mandala Ediciones (traduzido e adaptado por Luiza Frazão)
Em Roma, o mês de Fevereiro era dedicado à Deusa Juno Februata ou Juno Februa. A Sua festa era celebrada a 14 de fevereiro. Ela era a Deusa da “febre” de amor tanto quanto das mulheres e do casamento. Na Sua festa, os homens solteiros participavam dum sorteio tirando bilhetinhos de papel de dentro dum recipiente. Nesses bilhetes estavam escritos os nomes das mulheres solteiras da comunidade. O par mantinha uma relação temporária durante os jogos eróticos que tinham lugar durante o festival, permanecendo juntos durante os doze meses seguintes. Estas práticas davam por vezes lugar a relações duradouras.
Nos tempos do Paganismo, esta celebração era conhecida como “Lupercalia”, palavra que deriva de “Lupa” (a Deusa Loba que normalmente encontramos nas representações de Rómulo e Remo aos quais se atribui a fundação mítica de Roma). Nos templos erigidos em honra de Lupa, serviam sacerdotisas chamadas “Rainhas” e também “Lupae”, que atuavam como sacerdotisas do amor, e os ritos realizados na Gruta da Loba asseguravam a fertilidade dos campos durante todo o ano. Quando o imperador Constantino decretou o nascimento “oficial” da religião Cristã e a impôs a todo o território do império Romano, a igreja encarregou-se de rebatizar esta festividade como “Festa da Purificação da Virgem Maria”. Deste modo, o papa Gelásio I, no ano 494, decidiu comemorar nela o momento em que Maria foi “purificada” no Templo, aquando do nascimento de Jesus. Parece que para os patriarcas da igreja todos os atos de amor são impuros, não só os de carácter sexual, mas também o milagroso ato de dar à luz uma nova vida.
Curiosamente, a denominação “Februa”, “Februlis”, “Februta” ou “Februalis” referem-se à Deusa Juno no seu aspeto “Purificadora”, num sentido diametralmente oposto àquele dado posteriormente pelo Cristianismo. A data foi novamente mudada pela igreja para 2 de fevereiro, e o nome da festividade passou a ser “Festa da Candelária”, consagrada à Deusa como “Santa Brígida”. No entanto o regresso da luz está relacionado com os ritos sagrados de carácter sexual celebrados na festa de 14 de fevereiro, os quais eram designados por “ritos do matrimónio espiritual com anjos na câmara nupcial”. Uma fórmula que era hábito recitar-se durante essas cerimónias dizia: “Permite à semente de luz descer até esta câmara da noiva (…) a Graça desça até ela”.
No ano de 496, o papa GelásioI instituiu o dia de S. Valentim para acabar com aquilo que era então considerado como “lascivos costumes selvagens”. Como muitos outros santos que substituíram antigos deuses pagãos, a história de São Valentim conta com inúmeras versões, todas confusas e contraditórias, e os homens da igreja tentaram substituir as antigas mensagens de amor por outras de carácter moral e doutrinário e incluir nelas nomes de santos. A verdade é que as pessoas rapidamente as transformaram em mensagens de amor, tendo São Valentim sido nomeado “patrono dos namorados”, enquanto os antigos rituais foram secretamente mantidos, apesar de todos os esforços realizados pela igreja para os eliminar. Ao trazerem a Deusa Juno para a Península, os Romanos trouxeram seguramente os rituais em Sua honra… ou então já cá existiam, a julgar pela forma como se celebram hoje em dia festas que supostamente são de carácter religioso, mas que no entanto são abundantes em comida, bebida e… jogos de carácter amoroso e sexual.
In Deusas de Sangue e de Sol, Sandra Román, Mandala Ediciones (traduzido e adaptado por Luiza Frazão)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
HEMISFÉRIOS
Eu sou um cientista.
Um matemático.
Eu amo o familiar, categorizar.
Eu sou preciso.
Linear.
Analítico.
Estratégico.
Eu sou prático.
Sempre no controle.
Um mestre das palavras e linguagem.
Realista.
Eu calculo equações e brinco com números.
Eu organizo.
Sou lógico.
Eu sei exatamente quem eu sou.
Eu sou o lado direito do cérebro.
Eu sou a criatividade, um espírito livre.
Eu sou paixão.
Anseio.
Sensualidade.
Eu sou o som das gargalhadas.
Eu sinto. A sensação de areia debaixo dos pés descalços.
Sou movimento.
Cores vivas, Eu sou o desejo de pintar sobre uma tela vazia,
Eu sou a imaginação sem limites.
Arte. Poesia.
Eu percebo.
Eu sinto.
Eu sou tudo o que eu queria ser." (através de Amala Shakti Devi)
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