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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

YULE, O Solstício do Inverno



Na tradição de Avalon e da Deusa, Yule, o Solstício do Inverno, representa o estado de morte e de hibernação, quando a vida se recolhe no interior das camadas e camadas de neve e de terra, protegida do gelo e dos ventos frios, esperando adormecida que chegue a Primavera para renascer. As aves de rapina limpam até ao osso os cadáveres dos animais cuja vida chegou ao fim; as sementes apodrecem, transformam-se, preparando-se para ativar os códigos com que a Natureza as dotou. No ventre da terra, a vegetação morta torna-se alimento para a nova vida. Ossos, pedras, conchas, cascas vazias são tudo o que resta neste tempo em que a morte cumpre em pleno a função que tinha começado no Equinócio do Outono.
Até ao renascimento, Yule é quietude, resiliência. É preciso parar, aguentar, esperar. Entretanto, no meio de toda a morte e desolação, uma planta há que permanece igual a si mesma: o verde Azevinho com as suas bagas vermelhas, um símbolo da permanência da Deusa, daquilo que na Vida é eterno, mas também uma importante reserva de alimento que Ela providenciou para os seus pássaros sagrados, mensageiros entre a Terra e os Céus, representações do Espírito e do Elemento Ar. Sabemos que as aves são por todo o lado uma das mais antigas zoofanias da Deusa. 
É óbvio que o nosso clima mediterrânico não nos permite sentir este rigor extremis, a não ser nas regiões mais montanhosas e mais a Norte. Seja como for a estação convida-nos ao recolhimento e à quietude, e também à possibilidade de nos submetermos à ação precisa e rigorosa dos ventos, que nos ajudarão a despir, a libertar-nos de tudo aquilo que já não queremos, do que já não faz sentido conservarmos connosco ou em nós.


A Deusa, no seu aspeto anciã, Danu, Cailleach, Cailícia-Beira, convida-nos a chegarmos ao “osso”, à essência da nossa verdade, libertando-nos do falso e do supérfluo, soltando as máscaras, a falsa alegria, a conversa fiada, tudo aquilo que repetimos como autómatos, vazio de sentido, sem alma nem consciência. Ela convida-nos a estarmos mais presentes e mais despert@s na Vida, honrando o silêncio, permitindo-nos a nós mesm@s igualmente hibernar, interiorizarmo-nos, vivendo a nossa verdade, centrad@s no coração.
Este é por excelência um tempo de interiorização, tempo para nutrirmos o espírito e a alma, para orarmos, meditarmos, para enfatizarmos a nossa vida espiritual, uma vez que o elemento Ar representa o próprio Espírito. Como os nossos Ancestrais nos permitem uma conexão vital com o divino, com a fonte de toda a Vida, contactando com esses mesmos Ancestrais, podemos contactar com a própria essência divina, com a fonte de toda a Vida e, com sorte, receberemos a sua graça. Este é o tempo ideal para nos encontrarmos com  os nossos mais remotos Ancestrais, aqueles que nos criaram, os seres de Fogo, Ar, Vento, Água, Terra primordiais, tentando ouvir as mensagens que podem ter para nós.
Luiza Frazão©, 2010

Fontes:
- "Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess, Kathy Jones
- "Spinning the Wheel of Ana", Kathy Jones

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

HONRAR A ANCIÃ - DALILA PEREIRA DA COSTA

Como este é o momento especial do ano para honrarmos a Anciã, o Yule, quero prestar aqui a minha homenagem a DALILA PEREIRA DA COSTA, mística, filósofa, investigadora portuguesa, que escreve como ninguém sobre o nosso glorioso matriarcado neolítico. Sim, sim, a nossa época de todas a mais gloriosa, diz ela. Grande conhecedora do território, especialmente dos seus lugares de poder, bem como da literatura e da alma portuguesa, o que ela conclui sobre a origem da Saudade, por exemplo, é muito surpreendente...

Vive no Porto, onde nasceu, tem agora 93 anos e está com alguns problemas de saúde. Fico muito triste por saber que está prestes a partir alguém que sabe de nós segredos tão incríveis!

domingo, 13 de novembro de 2011

AS MULHERES SÃO LÓTUS NUM OCEANO DE FOGO

“De que é feita a COMPAIXÃO?... Como se activa a compaixão?...Foi descoberto por vários investigadores que a compaixão melhora o nosso sistema imunitário... Então... Por que não treinamos as nossas crianças em compaixão?... Por que não treinamos os nossos agentes de cuidados médicos em compaixão, para fazerem o que é suposto fazer e que é, na verdade, transformar o sofrimento?... Por que não votamos em compaixão... nas pessoas que, para governar, estejam baseadas em compaixão... para que tenhamos um Mundo melhor?...” (Joan Halifax)




quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Just Imagine...

Escreve STARHAWK na sua introdução imaginária para a futura 50.ª edição do seu best-seller, THE SPIRAL DANCE (A Dança em Espiral):
Esta obra clássica do milénio passado remonta a uma época em que os mestres religiosos, líderes políticos e divindades, praticamente na sua totalidade, eram homens. É extremamente difícil para nós imaginar essa época, numa altura em que as mulheres abundam nas instâncias de tomada de decisão de todos os países e religiões, em que a violação, o incesto e a violência se tornaram tão raras e impensáveis como o canibalismo, em que a linguagem religiosa inclui de forma tão universal ambos os sexos, em que as crianças aprendem os cânticos do Solstício juntamente com os vilancetes e as Cantigas de Amigo, as canções de Hanukka e as orações Kuanza, e em que novas tradições da Deusa surgem todos os anos. (tradução livre da edição espanhola)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

MORREU A ATIVISTA AMBIENTAL E FEMINISTA QUENIANA WANGARI MAATHAI


Morre queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz, ícone popular e mundial
De Boris BACHORZ (AFP)

NAIROBI — A queniana Wangari Maathai, que lutou em favor do meio ambiente e dos direitos das mulheres, recebendo o reconhecimento internacional e ganhando a simpatia de seus compatriotas, morreu neste domingo aos 71 anos por complicações causadas por um câncer.
"É com imensa tristeza que a família de Wangari Maathai anuncia sua morte no dia 25 de setembro de 2011 após um longo e corajoso combate contra o câncer", anunciou o Green Belt Movement (Movimento do Cinturão Verde), movimento de luta contra o desflorestamento que ela criou em 1977.
Foi por sua ação nesta área que a militante recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004. Ela foi a primeira mulher africana a receber o Nobel.
Sua luta busca promover a biodiversidade, criar empregos para as mulheres e valorizar a imagem destas na sociedade. O Movimento do Cinturão Verde afirma ter plantado 47 milhões de árvores no continente africano.
Manifestações de respeito e carinho se multiplicaram nesta segunda-feira depois do anúncio da morte de Wangari Maathai.
Para Achim Steiner, diretor executivo da Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a militante "era uma força da natureza".
"Enquanto outros usam seu poder e força vital para destruir e degradar o meio ambiente para fazer lucro em pouco tempo, ela utilizou (suas capacidades) para criar obstáculos, mobilizar as populações e defender a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável", afirmou.
O presidente queniano Mwai Kibaki lamentou a perda de um "ícone internacional, que deixará um vazio no mundo da proteção do meio ambiente".

Wangari Maathai era uma "voz poderosa em favor de um desenvolvimento partilhado e harmonioso" que "vai deixar saudades no mundo", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.
Um resultado amargo do exercício do poder
Wangari Maathai colecionou honrarias depois de seu prêmio Nobel da paz. Em 2009, por exemplo, foi nomeada mensageira da paz pela ONU.
Apesar dos títulos e prêmios, Wangari continuou muito popular e próxima aos quenianos, que comentavam nesta segunda-feira a "triste novidade" de sua morte nas ruas e transportes públicos.

A prêmio Nobel da paz "nasceu em uma pequena cidade, mas deixou sua marca no cenário internacional", um comentário, entre os muitos, deixados na página do Facebook pela memória de Wangari. Ela era "a mais importante militante pelo meio ambiente no Quênia. Serviu ao seu país com diligência", acrescentou um outro internauta.
Primeira a receber o título de doutorado na África Central e do Leste, diplomada em biologia nos Estados Unidos graças a uma bolsa, Wangari Maathai liderou o combate contra o autoritarismo do regime do ex-presidente Daniel Arap Moi nos anos de 1980 e 1990, o que a levou diversas vezes à prisão.
Após o advento do multipartidarismo e a eleição de Mwai Kibaki, motivo de grandes esperanças para o Quênia em 2002, ela se tornou secretária de Estado para o Meio Ambiente de 2003 a 2005, mas tirou desta experiência no poder uma lição amarga.
Wangari expandiu seu combate pelos Direitos Humanos e pelo meio ambiente para outros países. Foi nomeada em 2005, embaixadora para a proteção da floresta da Bacia do Congo na África central, segunda maior floresta tropical do mundo.
Em 2010, tornou-se administradora da Fundação para a Educação e Meio Ambiente da Karura Forest, uma floresta do subúrbio norte de Nairobi, para a qual conseguiu a proteção em uma das batalhas mais emblemáticas do país.

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ittuMHHWIE-zN_IicE-BVXmASRjg?docId=CNG.30ce3beeb1f6b07f2dceba95421a148f.01

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A CAUSA DE LILITH



MINHA DEUSA, A NATÁLIA CORREIA ESCREVEU ESTE LIVRO QUE EU NÃO CONHECIA... COMO É POSSÍVEL???...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O CULTO DO ESPÍRITO SANTO EM PORTUGAL


"A simbologia do culto do Espírito Santo virá a ser retomada por Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e Natália Correia, entre outros pensadores, poetas ou filósofos portugueses. Citando uma análise recente [37]: se em Fernando Pessoa a ideia quinto-imperialista era uma espécie de ecumenismo multicolor, ou melhor, de total fusão das raças, culturas, povos e religiões do mundo pela capacidade unificadora da língua e da cultura portuguesas transformando tudo num Paganismo Superior; se em Agostinho da Silva a Era do Espírito Santo era a assunção do domínio sereno da inocência infancial pela diluição das hierarquias contra a estreiteza da ordenação da racionalidade ortodoxa e pela miscigenação de todas as raças ao sabor do exemplo português; para Natália Correia o Quinto Império é a harmonização das relações humanas pela afirmação dos valores tutelares associados ao universo feminino.
Na teoria joaquimita colocavam-se assim as três idades, nas palavras de Joaquim de Flora [38]: o chicote para o primeiro, a acção para o segundo, a contemplação para o terceiro; sucessivamente, o temor, a fé, a caridade; o estado de escravos, o estado de homens livres, o estado de amigos; de velhos, de adultos, de crianças.

Existem tríades onde o género feminino é dominante. Na Sé de Lisboa (igreja de Santa Maria Maior) tem-se uma imagem na capela do Espírito Santo, também designada da Trindade: a capela foi erguida no final do século XIII [39] e a imagem é designada de Nossa Senhora da Pombinha e estava referenciada por frei Agostinho de Santa Maria como a mais antiga em mãos de cristãos, titular da paróquia de Sé, antecessora da invocação de Santa Maria [40]. O culto de Nossa Senhora da Pomba é reportado aos séculos XI/XII, datando de 1136 o início da construção da abadia do seu nome, próxima do povoado de Alseno, por S. Bernardo [41]. Trata-se aqui de uma trindade com um conceito predominantemente feminino, já que a figura de Deus Pai é agora mulher, Nossa Senhora, que domina a tríade, segurando numa mão a pomba e na outra o menino - a pomba apresenta-se horizontal e o menino transporta numa mão a bola do mundo. Recorda-se uma significação mítica: no livro do Genesis refere-se que foi uma pomba largada por Noé que levava no bico um raminho de oliveira e assim anunciava o fim do Dilúvio, promessa de paz."

http://www.triplov.com/novaserie.revista/numero_07/jose_casquilho/index.html

sábado, 16 de julho de 2011

SEM ESTA CONSCIÊNCIA, QUERIDAS IRMÃS, NÃO VAMOS LONGE...


Olhar para dentro da alma da mulher

A IMPORTÃNCIA DAS RELAÇÕES COM AS NOSSAS ANCESTRAIS...

Olhar para dentro da alma da mulher é ir ao encontro de um sofrimento abafado há milénios...não é tarefa fácil. Por isso estamos aqui, para que juntas percorramos esse caminho da exploração de nós, do inconsciente feminino.

A história, tal como é ensinada, conta só metade da mesma e há nela lacunas imensas, sendo a mais importante, a história vivida e vista pelas mulheres. Esta parte da grande história da humanidade não está escrita em pergaminhos e encontra-se fechada à chave nas nossas memórias individuais e colectivas. Cabe a cada uma de nós ir ao encontro da sua, a da nossa linhagem feminina.

Na minha perspectiva é um trabalho importante a fazer para o resgate do feminino sagrado; como é que na minha família as mulheres se situam, que lugares ocupam elas na dinâmica familiar? Quais foram os legados das minhas antepassadas? O que me foi dito em surdina ou explicitamente sobre os homens, sobre as mulheres? Como me sinto eu na relação que tenho com elas; Com a mãe, com as irmãs, com as avós? E finalmente, o que escolho eu de largar e o que vou eu guardar delas?

Ana Vieira

Publicada por Rosa Leonor Pedro