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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O CULTO DO ESPÍRITO SANTO EM PORTUGAL


"A simbologia do culto do Espírito Santo virá a ser retomada por Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e Natália Correia, entre outros pensadores, poetas ou filósofos portugueses. Citando uma análise recente [37]: se em Fernando Pessoa a ideia quinto-imperialista era uma espécie de ecumenismo multicolor, ou melhor, de total fusão das raças, culturas, povos e religiões do mundo pela capacidade unificadora da língua e da cultura portuguesas transformando tudo num Paganismo Superior; se em Agostinho da Silva a Era do Espírito Santo era a assunção do domínio sereno da inocência infancial pela diluição das hierarquias contra a estreiteza da ordenação da racionalidade ortodoxa e pela miscigenação de todas as raças ao sabor do exemplo português; para Natália Correia o Quinto Império é a harmonização das relações humanas pela afirmação dos valores tutelares associados ao universo feminino.
Na teoria joaquimita colocavam-se assim as três idades, nas palavras de Joaquim de Flora [38]: o chicote para o primeiro, a acção para o segundo, a contemplação para o terceiro; sucessivamente, o temor, a fé, a caridade; o estado de escravos, o estado de homens livres, o estado de amigos; de velhos, de adultos, de crianças.

Existem tríades onde o género feminino é dominante. Na Sé de Lisboa (igreja de Santa Maria Maior) tem-se uma imagem na capela do Espírito Santo, também designada da Trindade: a capela foi erguida no final do século XIII [39] e a imagem é designada de Nossa Senhora da Pombinha e estava referenciada por frei Agostinho de Santa Maria como a mais antiga em mãos de cristãos, titular da paróquia de Sé, antecessora da invocação de Santa Maria [40]. O culto de Nossa Senhora da Pomba é reportado aos séculos XI/XII, datando de 1136 o início da construção da abadia do seu nome, próxima do povoado de Alseno, por S. Bernardo [41]. Trata-se aqui de uma trindade com um conceito predominantemente feminino, já que a figura de Deus Pai é agora mulher, Nossa Senhora, que domina a tríade, segurando numa mão a pomba e na outra o menino - a pomba apresenta-se horizontal e o menino transporta numa mão a bola do mundo. Recorda-se uma significação mítica: no livro do Genesis refere-se que foi uma pomba largada por Noé que levava no bico um raminho de oliveira e assim anunciava o fim do Dilúvio, promessa de paz."

http://www.triplov.com/novaserie.revista/numero_07/jose_casquilho/index.html

sábado, 16 de julho de 2011

SEM ESTA CONSCIÊNCIA, QUERIDAS IRMÃS, NÃO VAMOS LONGE...


Olhar para dentro da alma da mulher

A IMPORTÃNCIA DAS RELAÇÕES COM AS NOSSAS ANCESTRAIS...

Olhar para dentro da alma da mulher é ir ao encontro de um sofrimento abafado há milénios...não é tarefa fácil. Por isso estamos aqui, para que juntas percorramos esse caminho da exploração de nós, do inconsciente feminino.

A história, tal como é ensinada, conta só metade da mesma e há nela lacunas imensas, sendo a mais importante, a história vivida e vista pelas mulheres. Esta parte da grande história da humanidade não está escrita em pergaminhos e encontra-se fechada à chave nas nossas memórias individuais e colectivas. Cabe a cada uma de nós ir ao encontro da sua, a da nossa linhagem feminina.

Na minha perspectiva é um trabalho importante a fazer para o resgate do feminino sagrado; como é que na minha família as mulheres se situam, que lugares ocupam elas na dinâmica familiar? Quais foram os legados das minhas antepassadas? O que me foi dito em surdina ou explicitamente sobre os homens, sobre as mulheres? Como me sinto eu na relação que tenho com elas; Com a mãe, com as irmãs, com as avós? E finalmente, o que escolho eu de largar e o que vou eu guardar delas?

Ana Vieira

Publicada por Rosa Leonor Pedro

DESDE QUE DEIXÁMOS DE CULTUAR A RAINHA DOS CÉUS, FICÁMOS SOB A LEI DA ESPADA


“Vieira da Natividade acrescentou às referências da procissão das Candeias na Ataíja: “Por uma tradição cujas origens não atingimos, em todas as casas se fazem filhozes. É como uma prece, um voto à patrona dos olivais que se faz em toda a região serrana. Diz-se que “quem não tem (farinha) que fritar, frita folhinhas de oliveira”. Este costume das mulheres fazerem filhozes a 2 de Fevereiro, era comum às regiões envolventes. Foi uma homenagem à deusa-mãe da Natureza. A Senhora do Fetal (Batalha), é festejada com candeias e também com “cavacas” (bolos de açúcar). Já a Astarté fenícia, que tinha o título de Rainha dos Céus, era cultuada com bolos pelos cananitas (fenícios) e pelos judeus da Grécia e do Egipto em favor da agricultura, no século VII a. C. O livro bíblico de Jeremias, dessa época, até conta a azáfama da feitura dos bolos: “Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres amassam a farinha para fazer os bolos à Rainha dos Céus, tudo isto para ofender Yaveh”.

Perante isto, o profeta escreveu uma carta aos maridos para que eles impusessem a disciplina religiosa às mulheres. Mas eles, reunidos em assembleia, responderam ao profeta: “Quanto à mensagem que nos mandaste, sobre as ordens de Yaveh (no que toca aos bolos à Rainha dos Céus), nós nem te queremos ouvir. Pelo contrário: continuaremos a fazer como os nossos pais fizeram. No tempo deles havia pão com fartura, eram felizes e sem nenhuma desgraça. Desde que deixámos de oferecer bolos à Rainha dos Céus, começámos a faltar de tudo e morremos pela espada e pela fome.”*

*citando Franz Cumont, “Las Religiones Orientales y el Paganismo Romano”, Madrid, Akal Universitária, 1987

in “Cinco Mil Anos de Cultura a Oeste”, Moisés Espírito Santo, Assírio & Alvim, 2004

domingo, 3 de julho de 2011

TANIT - UMA DAS DEUSAS DAS NOSSAS ORIGENS FENÍCIAS


Tanit was a Phoenician lunar goddess, worshiped as the patron goddess at Carthage where from the fifth century BCE onwards her name is associated with that of Baal Hammon and she is given the epithet pene baal ("face of Baal"). Tanit and Baal Hammon were worshiped in Punic contexts in the Western Mediterranean, from Malta to Gades into Hellenistic times. In North Africa, where the inscriptions and material remains are more plentiful, she was, as well as a consort of Baal, a heavenly goddess of war, a virginal mother goddess and nurse, and, less specifically, a symbol of fertility. Several of the major Greek goddesses were identified with Tanit. Tanit was also a goddess among the ancient Berber people, and so may be one of the ancestral goddesses of ancient North Africa

Encontrei referências ao seu culto na Nazaré, assim como a Isis

ANTIQUÍSSIMA VIRGEM NEGRA EM PORTUGAL - ANTIGO TEMPLO DE ÍSIS?



Hoje, veio até mim uma fantástica Virgem Negra, aqui bem perto naquele que é, ao que consta, o primeiro santuário mariano da Península Ibérica, o SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA NAZARÉ

Jung dizia que as Virgens Negras eram representações de Ísis, cujo culto abrangeu uma vasta área. Haverá alguma relação entre o culto de Ísis e as 7 saias usadas pelas mulheres da Nazaré? Dois dados muito interessantes que encontrei nestes textos da Wikipedia: o Seu culto estendeu-se por todo o mundo greco-romano e Ela era adorada pelos... pescadores!

O local é poderoso e absolutamente fascinante!

A VIRGEM NEGRA

"Centenas de ícones de Maria, mãe de Jesus de Nazaré, possuem as mãos e o rosto negros. Em França, elas são chamadas “Vièrges Noires” e noutros lugares da Europa “Madonas Negras”. Alguns chamam à sua imagem “a Outra Maria”, Carl Jung dizia que eram representações de Ísis e a sua iconografia remonta ao culto pré-histórico da Mãe Terra. Ela possuia analogia com as Deusas Cybele, Diana e Vénus e associações culturais com Kali, Innana e Lilith. Historicamente, Ela foi introduzida pelos cruzados voltando da Palestina e os conquistadores espanhóis levaram-na para o Novo Mundo. Seguindo as tradições esotéricas, os Templários chamavam-lhe Maria Madalena. Como a negra Sara-la-Kali, ela é reverenciada pelos ciganos em todo o mundo, possuindo a sua data e lugares sagrados: 24 de Maio, Sainte- Marie- de- la-Mer , na região francesa da Camargne.
Para os psicólogos modernos, Ela expressa o Feminino Sombrio. Mas independentemente daquilo que Ela possa parecer, ou daquilo que possam dizer dela, o seu culto continua poderoso e exerce uma estranha fascinação em milhões de devotos em todo o planeta. Os Seus lugares sagrados são centros de energia telúrica, enlaçados com as Linhas Ley e a arquitetura sagrada. Desde os tempos remotos até hoje, multidões peregrinam até aos Seus santuários, entregando-se aos seus milagrosos trabalhos de cura, transformação interior e inspiração. A França possui mais de 300 lugares de Virgens Negras e existem mais de 150 outros no mundo.
Nos meios herméticos e pagãos, incluindo a Wicca, Ela é a imagem da sábio ctónica Anciã."

(Autor(a) desconhecid@)

Mais sobre Virgens Negras

quinta-feira, 30 de junho de 2011

ATAECINA - DEUSA AGRÁRIA E AVERNAL



Os deuses de outrora criaram para si um abrigo na memória das mulheres
Gauguin, Noa Noa

Se existe uma divindade da Lusitânia que, sendo quase estrangeira ao território português, pela sua parca presença de vestígios arqueológicos e, simultaneamente, tenha provocado uma grande afeição entre os que, de entre nós, procuram pelo caminho do reconstrucionismo étnico ressuscitar o seu antigo gentilismo, será sem dúvida Ataecina. Apenas foi encontrada uma ara fiável dedicada a Ataecina no espaço territorial português (ref: CIL II 71; IRCP 287), precisamente em Quintos, Beja, quase na fronteira com Espanha, sendo muito pouco para tão grande barulhenta devoção e veneração. Contudo, existem muitos autores, talvez mais inspirados pelo patriotismo do que pela objectividade científica, que têm atribuído a várias aras encontradas em Portugal onde existe o seu epíteto Dea Sancta, também propriedade de outras divindades da Península, uma ligação directa ao culto a Ataecina! Esta adesão sentimental a Ataecina só é explicável porque ela tem um Mistério à sua volta que não deixa de ter relação com aquilo que se sabe ser o traço de carácter da alma portuguesa gentílica: ser, segundo Leite de Vasconcelos, uma Deusa simultaneamente Agrária e Infernal. Assimilada algumas vezes a Proserpina pela epigrafia e interpretação extensiva das aras espanholas, ela adequa-se bem à ideia de que os povos portugueses teriam melhor vizinhança com os Mortos e seus Deuses do que com os Deuses diurnos e celestes, dispensadores da luz. Parece que para o português a Luz, tal como no rio Lucefecit, vem das profundezas do Submundo. Por isso, mesmo em pleno Verão, as suas romarias são mais sumptuosas pelas noites iluminadas de lantejoulas, candeias, balões e arcos festivos, do que pela luminosidade solar, directa e concreta. A noite é propícia ao lúdico, festivo e sagrado, tudo isso indissociável do verdadeiro sentir religioso no antigo português, enquanto o dia lembra o martírio do trabalho sol a sol.

Gilberto de Lascariz, in Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia

SE SER VADIA É SER LIVRE, ENTÃO SOU VADIA!

A DIMENSÃO HUMANA ANTES DA DIMENSÃO CÓSMICA


"Penso que a mulher deve resgatar, antes da sua dimensão cósmica, a sua dimensão humana, numa imagem corpo de mulher que a dignifique e devolva a sua integridade...Há muitas mulheres a fugir para uma dimensão espiritual sem resolver os seus conflitos entre a imagem da mulher que os mídea e a cultura em geral lhes oferece de si e as avilta e deforma, e a sua realidade física e psicológica...Muitas mulheres buscam consolo e compensação para o que julgam ser os seus complexos e inibições ou frustrações em terapias ou caminhos espirituais sem primeiro terem consciência do que realmente as oprime e sem se aperceberem sequer do quanto precisam de consciencializar-se do seu ser essencial enquanto Mulher-mulher.
A mulher parte muitas vezes ou quase sempre para a sua busca espiritual sem primeiro entender a sua natureza intrínseca e isso leva-a a viver processos simulados porque a sua estrutura interior e a sua consciência enquanto mulher integral não está activa...Isso acontece sistematicamente porque a mulher estando dividida em esteriótipos e fragmentada na sua pessoa, (carregando sempre consigo a imagem da mulher séria e a da pecadora) luta antes de tudo consigo mesma e espelhando essa luta contra as outras mulheres através da competição, do ciúme e da inveja, tal como o faziam com filhos e maridos e pais...fazem-no com os mestres e guias...e mentores."

Rosa Leonor Pedro

Imagem: Herman Smorenburg

quarta-feira, 15 de junho de 2011

HOJE É LUA CHEIA



Lua em Sagitário, Sol em Gémeos

"Dançar, cantar, celebrar ...
Desde os primórdios da humanidade que a Lua influencia o ser humano: nascimento, momento certo de plantar e colher, menstruação, calendário. Na LUA NOVA, quando existe a escuridão no céu, é o momento de semear novas metas, novos projetos. Na LUA CRESCENTE, quando a Lua está pela metade, é o momento de se movimentar em direção a estes projetos. Na LUA CHEIA, quando a Lua está totalmente radiante e transbordando de luz, é o momento em que os projetos estão em sua plenitude, e atingiram o ápice de sua realização. Nesta fase, a posição da Lua é oposta ao sol. Na LUA MINGUANTE, quando a Lua está na outra metade, é o momento de esperar os resultados do que foi plantado. Caso não sejam satisfatórios, temos a oportunidade de iniciar um novo ciclo e um novo semear.
A Lua é o grande símbolo do feminino. Os encontros na Lua Cheia para Dançar e Cantar ajudam a resgatar este princípio, conectando-nos com novos ritmos. Eles trazem grandes benefícios aos participantes na medida em que, juntos, tomamos consciência da energia de luz e bênçãos que se manifesta a cada mês, e das possibilidades de recriar a vida.
A cada Lua Cheia é uma grande oportunidade para nos abrirmos e recebermos as energias do signo daquele mês. Cada signo traz qualidades específicas para serem trabalhadas naquele momento e, à medida que fazemos isto conscientemente, vamos crescendo e nos transformando. Quando o Sol está num signo, a Lua está no oposto, e cada um tem seu elemento: terra, ar, água ou fogo. A cada Lunação é um momento propício para nos conscientizarmos daquilo que é necessário para ser trabalhado.
Durante o ano celebra-se três importantes Festivais da Lua Cheia, onde a luz é mais intensa e é preciso unir pessoas para ancorar estas energias. Estes Festivais são momentos muito importantes de serviço planetário.

- Festival da Páscoa (Recebe a luz): Lua Cheia de Áries
- Festival do Wesak (Assimila a Luz): Lua Cheia de Touro
- Festival da Humanidade (Distribui a Luz): Lua Cheia de Gémeos
Vivenciar cantos, gestos, passos e símbolos antigos no período da Lua Cheia auxilia na abertura para uma nova dimensão, uma nova consciência da humanidade como um todo. Ajuda a nos alinhar energeticamente e crescer espiritualmente. Neste momento temos a grande oportunidade de distribuir toda a energia que contatamos para todos os lugares, seres e pessoas que precisem dela, inclusive nós mesmos."

http://www.sirlenebarreto.com.br/luacheia.html

Dominar o Predador


"A mulher que ouve a sua intuição, que percebe os seu sonhos, que ouve a voz interior das velhas e das mulheres guerreiras de sua ancestralidade e que possui o olhar suspeito dos desconfiados, essa sim, é uma ameaça ao predador natural da história e da cultura. Por isso o predador tem medo dela quando ela percebe a violência de seu algoz.

Para dominar esse predador que está dentro dela, e fora dela na sua cultura, ela precisa tomar posse de seu instinto selvagem, de seus poderes intuitivos, de seu ser resistente, ser guerreira, ser questionadora, ter insight, ter tenacidade e personalidade no amor que procura, ter percepção aguçada, ter audição apurada, ouvir os cantos dos mortos, ter sensibilidade, ter alcance de visão, cuidar de seu fogo criativo, ter espiritualidade, mesmo que para tudo isso ela sofra, ela sangre, ela trema, ela se rasgue e grite ou que vá ao fundo do poço do sofrimento humano para renascer mais bela !!!!! É UMA LUTA DELA CONTRA ELA MESMA. O predador natural da história faz com que ela se sinta ESGOTADA, mas mesmo assim ela vence, se quiser vencer. Ela renascida fará renascer também seus descendentes, inclusive os masculinos."
(...)
ELIANE POTIGUARA
Imagem: Alexander Rokoff