O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de chegada a casa.Jean Shinoda Bolen
"As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente à sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos das suas tribos há séculos. As mulheres precisam de aprender a amar, compreender, e desta forma, curarem-se umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade.
O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido no nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados com os órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua." Jamie Sams
“Se você, Mulher, Mãe, jovem ou anciã ouve esse chamamento...
Moço, cuidado com ela! Há que se ter cautela com esta gente que menstrua... Imagine uma cachoeira às avessas: Cada ato que faz, o corpo confessa. Cuidado, moço Às vezes parece erva, parece hera Cuidado com essa gente que gera Essa gente que se metamorfoseia Metade legível, metade sereia. Barriga cresce, explode humanidades E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar Mas é outro lugar, aí é que está: Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita.. Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente Que vai cair no mesmo planeta panela. Cuidado com cada letra que manda pra ela! Tá acostumada a viver por dentro, Transforma fato em elemento A tudo refoga, ferve, frita Ainda sangra tudo no próximo mês. Cuidado moço, quando cê pensa que escapou É que chegou a sua vez! Porque sou muito sua amiga É que tô falando na "vera" Conheço cada uma, além de ser uma delas. Você que saiu da fresta dela Delicada força quando voltar a ela. Não vá sem ser convidado Ou sem os devidos cortejos.. Às vezes pela ponte de um beijo Já se alcança a "cidade secreta" A atlântida perdida. Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela. Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas Cai na condição de ser displicente Diante da própria serpente Ela é uma cobra de avental Não despreze a meditação doméstica É da poeira do cotidiano Que a mulher extrai filosofando Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso Julgando a arte do almoço: eca!... Você que não sabe onde está sua cueca? Ah, meu cão desejado Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir Então esquece de morder devagar Esquece de saber curtir, dividir. E aí quando quer agredir Chama de vaca e galinha. São duas dignas vizinhas do mundo daqui! O que você tem pra falar de vaca? O que você tem eu vou dizer e não se queixe: Vaca é sua mãe, de leite. Vaca e galinha... Ora, não ofende, enaltece, elogia: Comparando rainha com rainha Óvulo, ovo e leite Pensando que está agredindo Que tá falando palavrão imundo. Tá, não, homem. Tá citando o princípio do mundo!
“O povo amava as senhoras pejadas. Ardentemente as veneravam as mulheres. Orando por uma hora “breve”, uma “hora pequenina”, um “bom sucesso” no parto. Apelando à Senhora como seu princípio, o princípio feminino no céu.”
“A Senhora Mãe acalentando o seu filho. Nos braços. No regaço. Ao seio, nessas quase desconhecidas Senhoras do Leite. Mas, além destas imagens expostas, divulgadas, outras há. Durante anos e anos estiveram escondidas. Foram veladas. Foram enterradas. E até destruídas: são imagens das virgens pejadas, prenhadas, as senhoras do Ó ou da Expectação. Virgens grávidas. O repúdio oficial que as atingiu é significativo do que Simone de Beauvoir chama “a repugnância do cristianismo pelo corpo feminino” que “é tal que consente em votar o seu deus a uma morte ignominiosa, mas afasta-o da "mancha” do nascimento”.
Entre as inúmeras imagens de deusas antigas, encontram-se com frequência esculturas – em pedra, osso, argila – pinturas ou vasos em forma de deusas duplas ou geminadas. Elas simbolizam a polaridade biológica e oculta do princípio feminino, a eterna dança entre vida e morte, luz e escuridão, as fases da Lua, os ciclos da Natureza e da vida humana. Nos antigos Mistérios Femininos, as deusas duplas - aparecendo como mãe e filha ou irmãs - expressam os elos profundos dos laços de sangue, a solidariedade e parceria femininas, sendo um incentivo para a reformulação dos conceitos contemporâneos de cooperação e competição entre as mulheres.
A dupla de deusas simbolizava a soberania feminina na maioria das culturas pré-patriarcais, no nível espiritual e profano, representada pelos cultos matrifocais e a linhagem matrilinear. Com o passar do tempo, o ícone da Deusa Dupla metamorfoseia-se em Duas Mães, Senhoras, Irmãs ou Rainhas, reafirmando os laços de sangue e a parceria femininas. A iconografia da Deusa Dupla fortalece o conceito da natureza ambivalente da Grande Mãe, cujos polos de vida e morte se complementam numa mandala que mescla as forças de nascimento, crescimento, morte e renascimento. As mulheres espelham esta biologia bipolar, alternando nos seus corpos as fases hormonais (ovulação/menstruação), emocionais (expansão/retração) e espirituais (manifestação/contemplação). Nas culturas antigas ambas as polaridades eram honradas e consagradas, os rituais sendo organizados em função desta dualidade rítmica.
Assim como em outras mitologias, no Egito o tema da Deusa Dupla permaneceu durante milénios e era representado por várias deusas como Nekhbet/Wadjet, Tauret/Mut e Ísis/Nepthys.
A conexão complementar entre Ísis e Nephtys é muito antiga, dividindo entre si as regências: a luz lunar, a estrela matutina e o mundo visível e manifesto pertenciam a Ísis enquanto a face negra e oculta da Lua, a estrela vespertina e o mundo invisível e não manifestado eram o domínio de Nephtys. A sua dualidade – como faces opostas mas complementares da Grande Mãe – espelhava a dos seus maridos e irmãos, Osiris, deus da luz e fertilidade da terra e Seth, regente da escuridão e aridez do deserto.
Irmã gémea de Ísis, filha da deusa celeste Nut e do deus da terra Geb, Nepthys – ou Nebet Het - tem uma simbologia complexa e aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que representa o fim da vida – seu nome simbolizava os “confins da terra e do tempo” - ela também anunciava o renascimento. O Seu tempo sagrado era o anoitecer, quando o barco solar mergulhava nas profundezas da terra, delas ressurgindo na manhã seguinte abençoado pela luz de Ísis. O Seu título era a “Senhora da Casa” reproduzido pelo hieróglifo e a imagem sobre a sua cabeça, o de Ísis sendo “A Senhora do trono”, que adornava a sua cabeça.
Enquanto Ísis governava o céu e a terra, o domínio de Nephtys era o mundo desconhecido e misterioso dos sonhos, do inconsciente e dos fenómenos psíquicos, bem como a realidade desafiadora da transformação dos mortos em seres de luz .O que acontecia no mundo astral (de Nephtys) afetava o mundo natural (de Ísis), assim como também o contrário. A morte era uma passagem estreita da luz para a escuridão, mas a alma precisava de atravessar esta escuridão para alcançar novamente a luz, conforme dizia esta frase gravada nos sarcófagos egípcios: “Que possas acordar para uma nova vida com as bênçãos de Nephtys, que te renovou durante a noite fria e escura”.
Nephtys era a padroeira do sofrimento feminino e também da cura, enviando sonhos curadores e energias de alívio aos doentes, bem como apoiando os moribundos na sua passagem, o que a tornou a deusa guardiã dos ritos fúnebres. Juntamente com Ísis, ela foi a criadora dos rituais de reverência aos deuses e das práticas templárias e mortuárias. Chamadas de Ma’aty – a dupla verdade – as irmãs eram “As Senhoras”, que apareciam em forma de pássaros migratórios nos sarcófagos para descrever o inverno (e a morte), bem como a primavera (e o renascer). Representadas juntas e com as asas estendidas ao lado dos faraós sobre os seus sarcófagos, elas não apenas simbolizavam a sua proteção, mas também o seu renascimento. O espaço entre as suas asas forma o símbolo ka, o abraço divino que contém o todo e todas as suas partes.Isis e Nephtys tornam-se uma deusa só quando juntam as suas energias complementares e assistem Osiris na sua ressurreição, assim como fazem com o Sol (na sua passagem entre noite e dia) e acredita-se que farão com todas as almas na sua transição entre vida/morte e renascimento.
Mirella Faur
in. http://witchclubhouse.blogspot.com/2010/03/o-culto-da-mae-e-da-filha.html
"Rosa, minha deusa…aceita meu amor… Meu amor de filha, minha Ceres Iluminada... Meu amor de aprendiz, rebelde às vezes... mas leal...
Às vezes, nós, meninas mais crescidas, ainda demoramos muito tempo a perceber toda essa intricada trama patriarcal, com as suas fantasias-armadilhas... ainda nos deixamos enredar por elas, ainda nos sufocamos e ficamos com os pés no ar, no cadafalso... Só quando sentimos de novo a chama ardente, e o grito que coa de dor dentro de nós, lembramos quem nós verdadeiramente somos...
Ainda serei rebelde muitas vezes, como uma filha perdida no inferno de Hades...
Ainda, se calhar, cairei na armadilha, vou desmaiar de medo, fazer xixi na cama, vou voltar com a cabeça cheia de piolho... kkkkkkkkkkkkkk... coisas q só uma mãe sabe cuidar... Você ainda vai ralhar comigo, ficar zangada e rabugenta, praguejando as suas bruxarias.... kkkkkkkkkkk... mas eu estou aprendendo... eu, como tantas irmãs...
Já posso me sentar de noite na mesa da cozinha e beberiscar qualquer coisa, delirar, voar com minha vassoura... Vamos rir de madrugada, aquelas risadas de bruxa e fofocar das meninas ainda perambulando pelos reinos dos Hades modernos... tão perdidas, tão tontinhas... kkkkkkkkkkkkkkkk... vamos rir risadas de bruxa, fazer uma fogueira de madrugada no nosso quintal e dançar nuas, na chegada de alguma primavera... e não vamos dançar sozinhas... da sua semente, da minha, e de outras... novas flores e frutos irão ser ofertados a Ostara, à Ceres, a todas as deusas diânicas que zelam pelo feminino do mundo e preparam seu retorno...
Acho que eu só conheço uma mulher que não tem medo de ser bruxa, que não tem vergonha; muitas são ainda aprendizes como eu, algumas se apegam a receitas, alegorias, vassouras e chapéus, mas não são bruxas no essencial... são cinderelas brincando de bruxa... completamente submissas ao patriarcado, ainda dedicadas aos homens... e não estão de verdade ligadas às mulheres... nem à mulher em si mesma, nem à mulher ancestral... Queremos isso, mas ainda não chegamos lá... é que algumas mulheres, mesmo despertas, só tem coragem de seguir, segurando a mão do homem, ele é quem dá segurança, ainda não estamos religadas com as deusas altivas, fortes, poderosas, ainda não estamos no ciclo sagrado, apenas queremos entrar... Sonhamos com ele, desejamos a tenda sagrada das velhas sábias, desejamos de todo coração, tocar suas mãos, ajoelhar e pedir a bênção, como eu fazia com minha avozinha quando era pequena... Queríamos ao menos espiar, como meninas ainda, de pés no chão, que acordam de madrugada curiosas e ouvem o buchicho vindo da tenda, o burburinho das vozes, as melodias dos instrumentos, o cracalhar da fogueira... vemos os vultos, da dança... indecente, libidinosa, daquelas deusas safadinhas e serelepes...
Hoje, me sinto uma menina, que acordou a meio da noite, junto com outras, e espiamos as velhas bruxas, dançando nuas, para além daquela fogueira, e nós só vemos os vultos, esperamos o dia em que também estaremos em volta da fogueira... acho que eu ainda tenho tanto a aprender que nem sei andar ainda, estou engatinhando... mas tenho muita sede... sede de aprender e de fazer parte desse trabalho, de leva rosas para o altar, e descalçar minhas sandálias, para dançar nua, festejar a chegada da primavera... e homenagear deusas como você, Rosa Leonor, a Ceres de todas nós, ainda perdida nos subterrâneos de Hades, nós, Persefones virtuais... todas q queremos ser bruxas de verdade... e ainda estamos engatinhando, dando os primeiros passos... desejo de todo coração viver o dia em q as mulheres finalmente serão de fato leais umas com as outras, sem medo... essa força feminina, essa rede de amor fraterno, essa rede de luz, q fará de todas nós mulheres verdadeiras... muito diferente do que hoje em dia se considera ser mulher (se deitar debaixo de um falo...)
Seremos mulheres, deusas e bruxas... dançando descalças em volta da fogueira... Celebrando mulheres como você, incansável Sacerdotisa... Aceita-me, como uma menina de joelhos, com a mão estendida, esperando a sua bênção, como adulta, na mesma posição, expressando o meu reconhecimento ao seu valoroso trabalho em prol de todas nós e do feminino do mundo... o meu agradecimento por todo esse percurso em que me ensina tanto...
Aceita meu amor, minha gratidão e minha lealdade... te amo Rainha Rosa..."
NANA ODARA
Imagem: Google (altar de Hécate, Deusa da Sabedoria)
Adoro ser uma rapariga. Posso sentir o que tu estás a sentir como te estás a sentir agora e aquilo que sentias antes.
Eu sou uma criatura emotiva. As coisas não vêm a mim como teorias intelectuais ou ideias muito estruturadas. Elas pulsam através dos meus órgãos, sobem pelas minhas pernas e queimam os meus ouvidos. Eu sei quando a tua namorada está farta mesmo que penses que ela te está a dar aquilo que tu queres. Eu sei quando uma tempestade se aproxima. Posso sentir a vibração no ar. Posso dizer-te que ele não vai voltar a ligar. É cá um feeling que eu tenho.
Eu sou uma criatura emotiva. Adoro levar as coisas a peito. Tudo para mim é intenso. O meu estilo de andar na rua. A forma como a minha mãe me acorda. A maneira como ouço as más notícias. Como fico bera quando perco.
Eu sou uma criatura emotiva. Estou ligada a tudo e a tod@s. Nasci assim. Não te atrevas a dizer que tudo isto é mau coisas de adolescentes ou que é só porque eu não passo duma rapariga. Estes sentimentos fazem-me melhor. Fazem-me estar pronta. Estar presente. São eles que me dão força.
Eu sou uma criatura emotiva. Há uma forma específica de saber. E as mulheres mais velhas já a esqueceram. Que bom que ela ainda esteja no meu corpo.
Eu sei quando o coco está prestes a cair Eu sei que nós já abusámos demais da terra. Eu sei que o meu pai não vai voltar. Que ninguém está preparado para o fogo. Eu sei que o batom não é só aquilo que parece. Eu sei que os rapazes se sentem super-inseguros e que os terroristas não nascem já feitos. Eu sei que um beijo pode acabar com a minha habilidade para tomar decisões e, sabes, às vezes, é bom que assim seja.
Isso não é o fim do mundo. São coisas de raparigas. O que todos devíamos ser se a grande porta dentro de nós continuasse aberta. Não me digas para não chorar. Para acalmar Para não ser tão exagerada Para ter juízo. Eu sou uma criatura emotiva. Foi assim que a terra foi feita. É assim que o vento continua a polinização. Tu não podes dizer ao Atlântico que tenha modos.
Eu sou uma criatura emotiva. Por que me queres derrubar ou desligar? Eu sou aquilo que resta da tua memória. Eu estou ligada à tua fonte. Nada foi ainda diluído. Nada vazou. Eu posso trazer tudo de volta. Eu adoro poder sentir o que vai na tua alma os teus sentimentos, mesmo que eles acabem com a minha vida mesmo que magoem muito ou me façam descarrilar mesmo que destrocem o meu coração. Ela tornam-me responsável. Eu sou uma criatura emotiva devotada, incondicional E, ouve-me, eu adoro, adoro, adoro ser uma rapariga.
Eve Ensler, dramaturga e ativista, é a fundadora da V-Day, um movimento global para acabar com a violência contra mulheres e raparigas. Em conjunto com o EU SOU UMA CRIATURA EMOCIONAL, V-Day criou um programa-piloto, V-Girls, para mobilizar as mulheres jovens para o "empowerment filantrópico" proporcionando-lhes uma plataforma que lhes permite amplificarem as suas vozes.
"Uma penteadeira toda cercada de espelhos que refletiam frascos de cristal; tinha pequenas gavetas que eram um fascínio, com caixas de perfumes e de pó-de-arroz e, entre a tampa da caixa e o pó, uma espécie de esponja levíssima que quando a gente soprava parecia voar. Uma cama de casal com um medalhão de madeira clara desenhado na cabeceira. A cama usualmente era coberta com um forro de cetim e, sobre este, uma colcha de cambraia branca com bordados abertos; no centro, outro medalhão de renda de filé fazendo o desenho de um cupido.
No quadro que em mim ficou gravado, a colcha de cambraia tinha sido dobrada; sobre travesseiros e deitadas no forro de cetim, duas mulheres amigas de minha mãe, e talvez minha mãe fosse uma delas, amamentavam seus bebês. Tinham tirado seus vestidos e estavam de combinações de cores claras, também de cetim. Outras mulheres estavam em volta, sentadas nos pés da cama e na banqueta da penteadeira. Todas falavam ao mesmo tempo e riam. Eu, a mais velha de muitas crianças que vieram depois, fui naturalmente admitida a um momento que era todo suavidade e graça. Participava de um mundo colorido e cheio de perfumes, de brilho de espelhos, cetins e cristais, um mundo cujo significado e mistério eu busca- ria sempre decifrar. Não se perpetuou como símbolo de maternidade mas de algo em que a maternidade simplesmente está inserida. Algo mais leve - uma realidade que ecoa dentro de mim como notas arpejadas, tênues, doces, traduzindo a experiência do feminino em sua mais pura essência."
A Mãe diz: Toda a energia é uma só, todas as experiências de sensibilidade de sentimentos são diferenciações da única grande experiência de Sensibilidade e de Sentimento. No corpo emocional a Mãe vai fazer descer uma Doçura implacável, um Carinho terrível, uma Pureza erótica, uma Transubstanciação.
O que é um Carinho e uma Doçura implacáveis? É a força da Mãe repensando as substâncias dos teus veículos, e essa ondulação estabelece um princípio de paz, quietude e transparência para com o princípio Filho que já está estabelecido em ti. Quando se fala de uma Pureza erótica, significa que toda a potência que antes era utilizada no fogo vermelho é organizada pelo poder da Mãe; então tem que ser a Mãe que vem e diz assim: Agora este fogo vermelho vai passar a azul. E tu não sentes quebra nenhuma no circuito da Energia, Ela Transubstanciou, Ela Modulou os Fogos."
..."diria até que um dos grandes trunfos masculinos é de facto a poderosa força de união e cumplicidade relativamente ao feminino, em contrapartida a forma como as mulheres se relacionam umas com as outras é por vezes de uma extrema dureza.As mulheres no contexto social actual são rivais entre si perante o masculino e portanto desunidas na sua base sendo muito comum tomarem o partido do homem em detrimento de outras mulheres.
A própria sociedade porque baseada nos modelos de actuação masculinos fomenta esta desunião e torna-nos enfraquecidas e isoladas umas das outras. Parece-me que a fim de superar este desiquilibrio a primeira onda tem que partir de nós individualmente, somos nós mulheres que necessitamos mudar o nosso comportamento umas com as outras e apoiar-nos mutuamente. Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós proprias e sobre os nossos preconceitos."
Lurdes Oliveira (comentário ao blogue Mulheres & Deusas)