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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma doçura implacável


Mulheres E Deusas Blogue 29 de Abril de 2011

A Mãe diz:
Toda a energia é uma só, todas as experiências de sensibilidade de sentimentos são diferenciações da única grande experiência de Sensibilidade e de Sentimento. No corpo emocional a Mãe vai fazer descer uma Doçura implacável, um Carinho terrível, uma Pureza erótica, uma Transubstanciação.

O que é um Carinho e uma Doçura implacáveis? É a força da Mãe repensando as substâncias dos teus veículos, e essa ondulação estabelece um princípio de paz, quietude e transparência para com o princípio Filho que já está estabelecido em ti.
Quando se fala de uma Pureza erótica, significa que toda a potência que antes era utilizada no fogo vermelho é organizada pelo poder da Mãe; então tem que ser a Mãe que vem e diz assim:
Agora este fogo vermelho vai passar a azul. E tu não sentes quebra nenhuma no circuito da Energia, Ela Transubstanciou, Ela Modulou os Fogos."

André Louro de Almeida - Portugal - 1999

Imagem: Google

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A DESUNIÃO ENTRE AS MULHERES SERVE PROPÓSITOS PATRIARCAIS




..."diria até que um dos grandes trunfos masculinos é de facto a poderosa força de união e cumplicidade relativamente ao feminino, em contrapartida a forma como as mulheres se relacionam umas com as outras é por vezes de uma extrema dureza.As mulheres no contexto social actual são rivais entre si perante o masculino e portanto desunidas na sua base sendo muito comum tomarem o partido do homem em detrimento de outras mulheres.



A própria sociedade porque baseada nos modelos de actuação masculinos fomenta esta desunião e torna-nos enfraquecidas e isoladas umas das outras. Parece-me que a fim de superar este desiquilibrio a primeira onda tem que partir de nós individualmente, somos nós mulheres que necessitamos mudar o nosso comportamento umas com as outras e apoiar-nos mutuamente. Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós proprias e sobre os nossos preconceitos."


Lurdes Oliveira (comentário ao blogue Mulheres & Deusas)


Imagem Google (filme "The Other Boleyn Girl")

E O HOMEM CRIOU A MULHER... À SUA MEDIDA E CONVENIÊNCIA...


O INSTINTO E A RAZÃO...E O EROTISMO

“(...) O instinto que nós apelidamos de sexual, sensual e erótico, ler “baixos instintos”, não é senão a procura de um estado de beatitude interna a que alguns chamam felicidade. Esta felicidade é a finalidade em que nos fixamos. Como a não conseguimos atingir, a ação acaba num efeito no resultado que é o prazer e não um fim em si nem um meio mas o acabar num acto incompleto ou num acto pelo qual todas as causas para o seu sucesso não estavam à partida reunidas. O prazer é de algum modo a forma imperfeita do que nós julgamos ser a felicidade, mas no mundo relativo que é o nosso será possível atingir essa felicidade?
Somos obrigados com isto a chegar a um outra constatação: o prazer é o que resta ao ser humano de mais desejável quando ele quer satisfazer o seu instinto.

É este instinto que a “civilização” nos fez esquecer e que os diferentes sistemas de educação colocam deliberadamente sob repressão em detrimento da natureza humana e evidentemente simbolizado nas sociedades paternalistas pela Mulher. Se o instinto é oposto à produção, a Mulher que é Instinto, que é Sensibilidade, que é Intuição, opõe-se fatalmente ao Homem que é Razão, que é Lógica, que é o Construtor, que é o Produtor, que é Organizador. E depois, os antigos terrores face à Mulher ficam bem presentes: a Mulher é também o Amor, e o amor culpado.
(...)

“Pelo seu poder sexual a mulher torna-se perigosa para a colectividade, cuja estrutura social assenta na angústia que, antigamente era inspirada pela mãe e hoje em dia tem como fonte o pai.” E se esta mulher é perigosa, ela é afastada, e remetemo-la às cavernas mais profundas, mascaramo-la, ou masculinizamo-la por vezes. A Deusa-Mãe tornou-se Deus-Pai. Mas como os homens têm necessidade ainda das mulheres, para quê aborrecer-se? Deus criou o homem à sua imagem, porque não haveria o homem de criar a mulher à sua imagem?” (...)

(in JEAN MARKALE – LA FEMME CELTE)

Imagem: Laurie Blank

DOMINAR O PREDADOR DENTRO DE NÓS

(...)
"A mulher que ouve a sua intuição, que percebe os seu sonhos, que ouve a voz interior das velhas e das mulheres guerreiras de sua ancestralidade e que possui o olhar suspeito dos desconfiados, essa sim, é uma ameaça ao predador natural da história e da cultura. Por isso o predador tem medo dela quando ela percebe a violência de seu algoz.

Para dominar esse predador que está dentro dela, e fora dela na sua cultura, ela precisa tomar posse de seu instinto selvagem, de seus poderes intuitivos, de seu ser resistente, ser guerreira, ser questionadora, ter insight, ter tenacidade e personalidade no amor que procura, ter percepção aguçada, ter audição apurada, ouvir os cantos dos mortos, ter sensibilidade, ter alcance de visão, cuidar de seu fogo criativo, ter espiritualidade, mesmo que para tudo isso ela sofra, ela sangre, ela trema, ela se rasgue e grite ou que vá ao fundo do poço do sofrimento humano para renascer mais bela !!!!! É UMA LUTA DELA CONTRA ELA MESMA. O predador natural da história faz com que ela se sinta ESGOTADA, mas mesmo assim ela vence, se quiser vencer. Ela renascida fará renascer também seus descendentes, inclusive os masculinos.
(...)
ELIANE POTIGUARA

terça-feira, 26 de abril de 2011

OS CICLOS DA NATUREZA SÃO OS CICLOS DA MULHER


“Os ciclos da natureza são os ciclos da mulher. A feminidade biológica é uma sequência de retornos circulares, que começa e acaba no mesmo ponto. A centralidade da mulher confere-lhe uma identidade estável. Ela não tem que tornar-se, basta-lhe ser. A sua centralidade é um grande obstáculo para o homem, cuja busca de identidade é bloqueada pela mulher. Ele tem que se transformar num ser independente, isto é, libertar-se da mulher. Se o não fizer acabará simplesmente por cair em direcção a ela. A união com a mãe é o canto da sereia que assombra constantemente a nossa imaginação. Onde existiu inicialmente felicidade agora existe uma luta. As recordações da vida anterior à traumática separação do nascimento podem estar na origem das fantasias arcádicas acerca de uma idade de ouro perdida. A ideia ocidental da história como movimento propulsor em direcção ao futuro, um desígnio progressivo ou providencial que atinge o seu apogeu na revelação de um Segundo Advento, é uma formulação masculina. Não creio que alguma mulher pudesse ter concebido tal ideia, já que a mesma é uma estratégia de evasão em relação à própria natureza cíclica da mulher, na qual o homem teme ser aprisionado. A história evolutiva ou apocalíptica é uma espécie de lista de desejos masculinos que desemboca num final feliz, num fálico cume”

In Personas Sexuais, de Camille Paglia (através de Rosa Leonor Pedro)

A PASSAGEM DO CULTO DA TERRA AO CULTO CELESTE DESLOCOU A MULHER PARA A ESFERA INFERIOR


“É correcta a identificação mitológica entre a mulher e a natureza. O contributo masculino para a procriação é fugaz e momentâneo. A concepção resume-se a um ponto diminuto no tempo, apenas mais um dos nossos fálicos pico de acção, após o qual o macho, tornado inútil, se afasta. A mulher grávida é demonicamente (diamon), diabolicamente completa. Como entidade ontológica, ela não precisa de nada nem de ninguém. Eu defendo que a mulher grávida, que vive durante nove meses absorta na sua própria criação, representa o modelo de todo o solipsismo, e que a atribuição do narcisismo às mulheres é outro mito verdadeiro. A aliança masculina e o patriarcado foram os recursos a que o homem teve de deitar a mão a fim de lidar com o que sentia ser o terrível poder da mulher. O corpo feminino é um labirinto no qual o homem se perde. É um jardim murado, o hortus conclusus do pensamento medieval, no qual a natureza exerce a demónica feitiçaria. A mulher é o construtor primordial, o verdadeiro Primeiro Motor. Converte um jacto de matéria expelida na teia expansível de um ser sensível, que flutua unido ao serpentino cordão umbilical, essa trela com que ela prende o homem.”*

In Personas Sexuais de Camille Paglia (através de Rosa Leonor Pedro)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

LEALDADE FEMININA



"A lealdade entre mulheres só pode acontecer a partir de um determinado estado de consciência das ditas mulheres. Ou seja: quem são, ao que se sujeitam ou não, qual a sua “estratégia” pessoal de emancipação. Donde vêm, o que as divide, o que as pode unir. Bem sei que há a força de certos laços afectivos mas eles empalidecem frequentemente perante os cancros da competição face ao homem, dos padrões sociais extremamente redutores do seu poder inato e da autonomia do seu ser. A ordem estabelecida (patriarcal) fomenta o culto e a superioridade da beleza física e da juventude, fomenta a intriga, a inveja e a deslealdade entre as mulheres (dividir para controlar), desencoraja o aprofundamento dos aspectos hoje herméticos e quase esquecidos da Mulher Inteira.
Para ser leal é preciso saber desmontar as armadilhas sistémicas antes que elas nos manipulem e nos afastem umas das outras.
Ser leal é estar com, ao lado de, é substituir-se a, quando necessário. Ser leal é dar a mão, acarinhar, proteger, pôr acima de tudo, amar, acarinhar...na alegria, na celebração mas em especial na hora amarga, na hora da dor, do desamparo. De forma consequente, continuada, firme. Não episódicamente, por capricho ou impulso momentâneo. Mas por uma corrente subterrânea, anímica, um fundo comum, um laço sagrado ligado à própria essência da Vida."

MARIANA INVERNO
Imagem do filme "My Best Friend Girl" (Google)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

SERÁ POSSÍVEL A AMIZADE ENTRE MULHERES?


Hoje uma amiga pede-me que fale das relações entre mulheres. Acreditamos que tais amizades sejam possíveis, pergunta ela, depois de citar alguém, um homem, muito cético sobre o assunto.

O que seria da minha vida sem as amizades, sem os laços que estabeleci com as várias mulheres com as quais fui sentindo afinidade ao longo dos anos? Garantidamente um deserto. As mulheres são seres vivos, animados, vibrantes, apaixonados, criativos, inteligentes, versáteis, compassivos, tolerantes. Antes de também serem carentes e inseguras. Tudo qualidades que reconheço em mim.

Mas o maior problema das mulheres é serem tão pouco livres e autónomas. Logo que entramos de cabeça na grande armadilha patriarcal chamada casamento, ou logo que a nossa vida começa a gravitar muito em torno dos homens – e é raro que isso não aconteça -, chapéu! Todo o nosso raciocínio fica ensombrado, já não somos “nós nem o outro, mas qualquer coisa de intermédio, pilar da ponte de tédio que vai de um para outro”, atrapalhando um bocadinho os famosos versos do poeta Mário de Sá Carneiro (O Outro).

Por que são, lamentavelmente, os homens muito mais centrais na vida das mulheres do que o contrário, já todas sabemos sobejamente, não vale a pena repetir tudo outra vez. Mas só para recapitular: quem nos mete medo tem muito poder sobre nós. Tem-nos na mão. Uma simples questão de sobrevivência. O poder que deixamos que os homens tenham sobre nós, visto de perto, é absolutamente ridículo e conseguiríamos neutralizá-lo se houvesse mais coesão entre as mulheres. Mas é a pescadinha de rabo na boca: seríamos mais livres se nos apoiássemos umas às outras; não nos apoiamos tanto como devíamos porque somos pouco livres.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando menstruo fica instaurado o meu tempo sagrado de mulher



"É tempo de se falar, mostrar e partilhar o conhecimento das mulheres. É tempo das mulheres descobrirem e reconstituírem os seus próprios mistérios – os seus processos de menstruação e nascimento e os ciclos das suas emoções. "O que é isto que eu estou sentindo?" "O que diria aos outros se explicasse o que é ser mulher?" A Deusa interior é aquela que sabe, que leva informação de um sistema para o outro.
Pela Deusa, foi concebido às mulheres o dom de criar (gerar) e nutrir. É necessário, para caminhar com beleza e saúde, alinhar-se com as forças cósmicas, as mesmas forças que as medicinas tradicionais nativas reverenciam, identificando-nos com os elementos da natureza (ar, fogo, terra, água e éter) que estão em tudo. Este alinhamento com a natureza traz-nos o shakti-prana, ou a respiração da Grande Mãe, que se move em cada célula do nosso corpo. Esta energia permeia os dois chakras inferiores localizados perto do períneo e do osso sacro. O shkati-prana tem de estar em equilíbrio para que o aparelho reprodutor feminino, órgãos genitais, útero e abdómen estejam sadios. Em outras palavras, a mulher necessita tomar conhecimento do seu poder de criação.
A saúde e o bem-estar da família, da sociedade e da cultura giram em redor da mulher e dependem em grande parte da sua própria saúde, ou seja, se a capacidade de manter o fluxo de suas energias criativas está em dia.
A característica mutante da mulher presente desde a pré-história revela hoje ser a grande chance para a reintegração das perspectivas femininas no pensamento da corrente dominante. E é claro que a consciência ecofeminista é a via política e ativista para garantir a consciência dos ciclos femininos. (…)

DeAnna L'am (através de Rosa Leonor Pedro)

domingo, 17 de abril de 2011

Morremos de tão boazinhas...



“Não é o bom comportamento, mas a actividade lúdica que é a artéria central, o cerne, o bulbo cerebral da vida criativa. O impulso para o lúdico é instintivo. Sem o lúdico, não há vida criativa. Com o comportamento restrito ao “bom”, não há vida criativa. Quando estamos sentadas sem nos mexer, não há vida criativa. Quando falamos, pensamos e agimos apenas com modéstia, não há vida criativa. Qualquer grupo, sociedade, instituição ou organização que incentive as mulheres a desprezar o que for excêntrico; a suspeitar do que for novo e incomum; a evitar o que for inovador, vital, veemente; a desprezar o que lhe for característico, estará à procura de uma cultura de mulheres mortas.”
Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que Correm com os Lobos