Conteúdos

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

UM HOMEM INTELIGENTE FALA DA MULHER



SALVEM AS MULHERES


Por Luís Fernando Veríssimo

"O desrespeito para com a natureza tem afectado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana. Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha: 'Salvem as Mulheres!'

Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

Habitat: mulher não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolada,fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa de ser reforçada diariamente.
Alimentação correcta: ninguém vive do vento. Mulher vive de carinho. Dê-lho em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo' no café da manhã as mantêm viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as plantas. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.
Flores também fazem parte do seu cardápio - mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos, como rispidez e brutalidade.

Respeite a natureza: você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso. Não tolha a sua vaidade: é da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza,coleccionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.
Cérebro feminino não é um mito: por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objecto de decoração. Se você se cansou de coleccionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão-lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela: se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um belo bronzeado.Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pontapé-na-bunda. Aceite: as mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, estará salvando a si mesmo.

E meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode."
Imagem: a actriz Liv Taylor, em "O Senhor dos Anéis"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

HOJE É LUA NOVA


LUA NOVA DE VIRGEM (grau 15)
"PUREZA DE PENSAMENTO
Hábitos saudáveis, trabalho, higiene, dieta, exercício, organização, discriminação, diligência, ordem, espírito de serviço, terapeutas e curadores, sentido prático e crítico."

"Agora chegou o momento de juntar forças e trabalhar em grupo, pesquisar, organizar-se, tomar decisões afetivas ou de trabalho. Fase ideal para meditar e reavaliar-se a si mesm@ ou a uma situação pendente. Tempo de organizar-se e de traçar estratégias e planos de ação. O momento não é propício para divulgação de novas ideias. Os segredos estão preservados nesta fase. O jejum nesta fase evita uma série de doenças, pois o corpo desintoxica facilmente. Bom período para o iniciar coisas novas e abandonar coisas velhas, como vícios, por exemplo. Os efeitos não são tão fortes e a pessoa reage com mais calma, positivamente. Entretanto, na Lua Nova tem de haver cautela pela ausência da Lua. Momento bom para começos, quando a Lua e o Sol estão próximos, em conjunção, no Céu. Pode dizer-se que é quando ocorre o "casamento do Sol com a Lua", o equilíbrio entre masculino e feminino. Temos então a Lua na “morada do Sol". Período especialmente rico e fértil para conceber novos projetos e mentalizar aquilo que se deseja ver florescer na nossa vida. É igualmente um momento propício à meditação, à mentalização, à canalização espiritual."

"Até 8 horas depois de cada Lua Nova pegue numa folha de papel colorido (branco também serve, mas é preferível usar uma cor de que goste – e de preferência cores diferentes nas diferentes lunações), e comece por anotar a data e a hora, o signo (e os graus, se souber) em que ocorre a Lua Nova, a casa astrológica do seu tema natal em que “cai” essa lunação, e os aspectos que faz aos planetas do seu tema astrológico.

Escreva-os no presente do indicativo “eu quero…”, e não “eu queria” ou “eu gostava”. Devem igualmente ser formulados pela positiva “eu quero ser promovido ou “eu quero encontrar um emprego mais útil (ou seguro, ou original, ou bem pago) para as minhas energias” em vez de “eu não quero ser despedido”. É indispensável afirmarmos realidades positivas e saudáveis, p.e., “eu quero usar a minha energia eficientemente”, em vez de ir pela negativa: “eu não quero desperdiçar energia”.

A escolha das palavras é importante, a maneira como o desejo é formulado deve “soar-nos” bem e ressoar dentro de nós. Devemos sentir-nos harmonizados com os desejos que formulamos. Quanto mais confortáveis nos sentirmos com o desejo que formulamos, melhor. Não podemos obter aquilo que não visualizamos, não podemos obter aquilo que não nos imaginamos receber, não podemos atrair algo que não tenhamos criado mentalmente, e mantido firme por um esforço consciente da vontade e por um investimento continuado de energia emocional.

Através da aspiração, da meditação, do silêncio, do serviço e do desenvolvimento da Mente Superior pelos estudos metafísicos, aumentamos a integração e a permanência do nosso contacto consciente com a Alma. Quando o nosso contacto com a Alma atingiu já um determinado grau de integração e permanência, e se os nossos desejos permitem manifestar a Vontade da Alma e do bem-maior de todos os envolvidos, o magnetismo próprio da Alma, expressando-se através do chacra do coração, se encarrega de acelerar o processo e a materialização.



Pode criar um espaço sagrado para esta actividade:

INVOCAÇÃO DOS ELEMENTOS

Primeiro limpar o espaço com incenso ou salva. Criar um espaço sagrado, começando pela centragem e visualizando a área à nossa volta repleta de energia, fechada a más energias e aberta apenas aos espíritos convidados a entrar. Determinar com a ajuda duma bússola os pontos cardeais e colocar em cada um seu símbolo. Norte, Terra, uma pedra ou um pouco de terra ou de sal; Este, Ar, uma pena, uma campainha; Sul, Fogo, uma vela que pode ser vermelha; Oeste, Água, uma taça com água ou uma concha.

Norte
Espírito da Terra, guardião do Norte, tu enraízas-me e alimentas a minha ligação com a terra. Permanece agora comigo como testemunha e guardião deste ritual.


Este
Espírito do Vento, guardião do Este, tu alimentas a minha imaginação e criatividade. Permanece agora comigo como testemunha e guardião deste ritual.

Sul
Espírito do Fogo, guardião do Sul, o teu poder impõe o meu respeito e a tua chama reconforta-me. Permanece agora comigo como testemunha e guardião deste ritual.
Oeste
Espírito da Água, guardião do Oeste, tu és o meu caminho para a Deusa, tu trazes-me a paz. Permanece agora comigo como testemunha e guardião deste ritual.

Akasha,
Espírito e energia que nos rodeia, permanece agora comigo, como testemunha e guardião deste ritual.

Honrar a Deusa
Depois, honrar a Deusa, pedir-lhe para proteger o ritual que se lhe oferece e acender uma vela (azul, branca ou outra) para Ela.

Final
Libertar a energia criada e enviá-la para o Universo.
Agradecer à Deusa a Sua presença na nossa vida e arrumar a sua vela.
Agradecer aos Elementos por nos darem a sua energia, pedir-lhes que regressem aos seus reinos e arrumar os seus símbolos.



Regressar ao espaço/tempo normal integrando a energia que foi criada no espaço sagrado.

Fontes:
Nuno Michaels (astrólogo)
http://www.mulhernatural.hpg.ig.com.br/trablux/lua4fases.htm (adaptado)
Vários sites temáticos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA DOÇURA IMPLACÁVEL


"Quem é este Ser? Quem é a Mãe?

A medida que nós nos percebemos integrados a vibração de Miz Tli Tlan, tu começas a ser visitado por uma Doçura cósmica hiper-lúcida, provavelmente já não é uma ordem impreterível sobre tua consciência, mas é uma Ondulação de infinita doçura sobre os teus veículos. Tu começas a perceber que o teu corpo astral tem sede de um outro nível de sentimentos, tu começas a perceber que os sentimentos conhecidos não são todos os sentimentos possíveis.

A Mãe diz:

Toda a energia é uma só, todas as experiências de sensibilidade de sentimentos são diferenciações da única grande experiência de Sensibilidade e de Sentimento. No corpo emocional a Mãe vai fazer descer uma Doçura implacável, um Carinho terrível, uma Pureza erótica, uma Transubstanciação.

O que é um Carinho e uma Doçura implacável?

É a força da Mãe repensando as substâncias dos teus veículos, e essa ondulação estabelece um princípio de paz, quietude e transparência para com o princípio Filho que já está estabelecido em ti.

Quando se fala de uma Pureza erótica, significa que toda a potência que antes era utilizada no fogo vermelho é organizada pelo poder da Mãe, então tem que ser a Mãe que vem e diz assim:
Agora este fogo vermelho vai passar a azul. E tu não sentes quebra nenhuma no circuito da Energia, Ela Transubstanciou, Ela Modulou os Fogos."

André LOURO DE ALMEIDA, Portugal, 1999

IN http://www.iridia-lumina.org/mae-forca-circuito.html
Retirado do blogue Mulheres & Deusas

O PRIMEIRO TEMPLO DA DEUSA DA ACTUALIDADE


Entrevista realizada a Kathy Jones, sacerdotisa de Avalon, organizadora da Conferência anual da Deusa, pela BBC Somerset Sound's:

Kathy, sendo uma especialista como tu és, podes explicar-nos o que é exactamente a Deusa?

A Deusa é a face feminina do divino. Ela é a fonte de tudo o que é, Ela é a terra e o planeta, Ela é o céu e o paraíso.

Há quanto tempo existe esta ideia da Deusa?
Há cerca de 4 ou 5 000 anos, a Deusa era cultuada nas Ilhas Britânicas, na Europa e em muitos outros lugares do mundo.
Onde quer que encontremos vestígios neolíticos (círculos de pedras, pedras ou terras sagradas) todas eram especialmente dedicadas a uma antiga deusa em particular. Portanto a Deusa era conhecida por esse mundo fora há muito, muito tempo.
Foi só quando as culturas patriarcais se instalaram no mundo, removendo as manifestações do Seu culto, que nós deixámos de estar em contacto com a Sua essência.
Como se relaciona a Deusa em particular com Glastonbury?

O modo como encontramos a Deusa em Glastonbury é através da própria paisagem, da forma dos montes e dos vales. Glastonbury é uma cidade situada num pequeno grupo de colinas, composto pelo Tor, pela colina do Cálice (Chalice Hill) e pelas Wearyall Hill, Windmill Hill e Stone Down. Estas Colinas erguem-se na planície que rodeia Glastonbury, e quando olhamos para a sua forma, podemos ver as diferentes linhas dos seus contornos. Uma das formas observáveis é a de uma gigantesca mulher deitada de costas sobre a terra. É a Deusa Mãe deste lugar.
Apenas a encontramos aqui, em Glastonbury, ou será que Ela está também noutros sítios?

A Deusa está em todo o lado. Podemos ver belas paisagens em qualquer lugar, mas alguns sítios são particularmente belos. Glastonbury é um dos lugares onde A podemos ver de modo mais óbvio, porque Ela está aqui, na própria paisagem. Este sempre foi um lugar de peregrinação, pessoas de todas as confissões religiosas vêm até cá. Portanto, apesar da Deusa estar aqui na própria paisagem, as pessoas vêm, não aparentemente por isso, mas porque isto é um centro espiritual.
Existe algo de muito forte na energia deste lugar que atrai as pessoas.
Acha que aquilo que sente quando está em Glastonbury é devido à presença da Deusa?

Penso que sim. Porque Ela é uma presença muito poderosa. Outras pessoas dirão que vêm cá por outras razões.
Quando vim pela primeira vez, há cerca de 30 anos, ninguém falava na Deusa.
Todas as histórias sobre Glastonbury eram sobre personagens masculinos. Era uma tradição muito masculina. A consciência da Deusa apenas despertou nos últimos 20 anos.
O que terá provocado este ressurgimento da Deusa?


A meu ver, esse despertar veio da própria Deusa. Ela pede-nos para A relembrarmos. Muitas pessoas, particularmente mulheres, são chamadas a Glastonbury, para A relembrarem, para virem aqui e tornarem-se sacerdotisas de novo. Em termos práticos, as coisas começaram a acontecer. Uma escultora chamada Philippa Bowers começou a criar esculturas da Deusa. Na Glastonbury Assembly Rooms, tivemos uma exposição de quadros representando a Deusa. Há umas largas centenas de anos que tal não acontecia.
Também eu própria, e outras pessoas, escrevemos livros e peças de teatro sobre a Deusa. Houve uma série de factores que se juntaram em simultâneo.
Será que as mulheres têm mais conexão com a Deusa do que os homens?

Mulheres, homens, crianças, todos são iguais perante a Deusa – Ela não discrimina. De certo modo, é mais fácil para as mulheres conectarem-se com a Deusa porque nos identificamos na nossa forma e nos nossos corpos. Experienciamos os Seus ciclos na nossa vida. Mas para os homens é igualmente poderoso. Eu faço formação de sacerdotisas de Avalon, que é um curso aberto igualmente aos homens, e eles têm a sua própria relação com a Deusa – não existem diferenças perante Ela.

A Kathy foi uma das fundadoras do Templo da Deusa em Glastonbury. Como é que isso aconteceu e qual a sua finalidade?

Em Glastonbury, cada Verão, nós temos a Conferência da Deusa. Todo o tipo de pessoas vêm aqui nesse momento – artistas, poetas, actores, etc. Depois de alguns anos (completaram-se agora 11), pensámos que gostaríamos de poder celebrar a Deusa de forma contínua durante todo o ano e não apenas uma vez. Viajei muito e em quase todos os lugares onde estive há templos da Deusa, mas estão todos em ruinas. Então pensei em como gostaria de ir a um templo vivo da Deusa. Começámos por alugar um espaço, decorávamo-lo durante três ou quarto dias como um templo da Deusa, realizávamos cerimónias e depois desmontávamo-lo.
Foi assim durante uns 18 meses até que surgiu um espaço disponível na Glastonbury Experience, que é exactamente na rua principal, e pudemos finalmente ter um verdadeiro Templo da Deusa.
Em 2002, fizemos o nosso registo como um local de culto, como um templo da Deusa, o primeiro a ser formalmente reconhecido como templo da primitiva Deusa britânica, desde há cerca de 1 500 anos.

Dezembro de 2008




Nota: No seguimento da entrevista (disponível em audio aqui), Kathy Jones fala da importância da obra de Marion Zimmer Bradley, AS BRUMAS DE AVALON, que apresenta uma perspectiva feminina das antigas lendas e narrativas, e que teve um enorme impacto por todo o lado.

Embora ela não refira Jean Shinoda Bolen, creio que também esta psicóloga junguiana, particularmente com a obra TRAVESSIA PARA AVALON, teve um papel importantíssimo no ressurgimento do culto da Deusa e no recrudescimento do interesse por Glastonbury e outros lugares sagrados britânicos.

Uma outra obra de grande importância no despertar do interesse por este lugar, mas que não me parece que tenha chegado até nós, foi O SOL E A SERPENTE (THE SUN AND THE SERPENT), de Paul Broadhurst e Hamish Miller. Dan Brown, com O CÓDIGO DA VINCI, também deu uma boa ajuda.
Imagens: Google

MENSTRUAÇÃO SAGRADA


por Monika von Koss

"Menstruar é um facto central na vida de qualquer mulher. Das diferenças que existem entre homens e mulheres, 'sangrar sem morrer' certamente é uma das mais significativas e que deixou forte impressão na mente humana, desde o primórdio dos tempos. Para as nossas ancestrais da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. A palavra sacramento provavelmente tem origem em sacer mens, literalmente, menstruação sagrada.

Menstruação significa "mudança de lua". Tem como sílaba-raíz mens, mensis, e está na origem da contagem do tempo. Forma palavras como medida, dimensão, metro, mente, para citar algumas.

O sangue menstrual, representando o poder de criar vida que conecta as mulheres com o próprio universo, era tabu, palavra polinésia significando "sagrado" e "proibido". Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrado com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar a sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida.


" O que define uma mulher? Muitas respostas poderiam ser dadas a esta pergunta, mas o que caracteristicamente a define é o facto de que a mulher menstrua. E na sua condição plena, ela menstrua regularmente, expressão redundante, pois a palavra menstruação, que significa, literalmente, ‘mudança de lua’, tem como sílaba-raiz mens, mensis, a medida, origem da contagem do tempo, i.é., da regularidade.


A sílaba latina mens forma palavras como medida, dimensão metro, mente, para citar algumas. No sânscrito, a sílaba original era ma, de mãe, mana. Na Suméria, os princípios organizadores do mundo, atributos da deusa Inana, eram os me, sílaba contida no nome de muitas deusas, como Medéia, Medusa, Nêmesis e Deméter. Para as mulheres da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. É provável que a palavra sacramento se origine de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada. Um ritual exclusivamente feminino, conhecido pelos gregos como Thesmophoria, mas cuja origem se perde no tempo, era realizado anualmente no período das sementeiras. As mulheres que tinham atingido a idade do sangramento reuniam-se num campo sagrado, e ao primeiro sinal do fluxo menstrual, desciam por uma fenda para levar a sua oferenda às Cobras, as grandes divindades primárias do mundo profundo, que representam o poder regenerador na terra, no campo e no corpo das mulheres.


Mooncup


Ofereciam o melhor leitão da ninhada, cuja carne apodrecida junto ao sangue menstrual era misturada às sementes, que então eram enterradas no campo sagrado, para promover e propiciar uma colheita abundante.


Os antigos ritos de menstruação hindus estão relacionados com Vajravarahi, literalmente ‘Porca de Diamante’, a deusa que rege as divindades femininas iradas, que dançam o campo energético do ciclo menstrual.


Ela é a dançante Dakini vermelha, filha da Deusa Primal do Oceano de Sangue, mais tarde denominado de Soma.


Representando o fluido da vida, o sangue menstrual sempre foi considerado tabu, palavra polinésia que significa ‘sagrado’ e que foi interpretada pelos antropólogos como sendo ‘proibido’. De fato, o sangue menstrual, como o poder de criar vida que conecta as mulheres com o próprio universo, era tabu, isto é, sagrado e portanto proibido àqueles que não menstruassem, como era o caso dos primeiros antropólogos homens.


No mais esotérico dos rituais tântricos, o Yoni Puja, os sucos libertados pela cópula eram misturados com vinho e partilhados pela congregação. O mais poderoso de todos os sucos era aquele obtido quando a yogini estava menstruando.


Ao longo dos milénios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar a sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender a sua condição física e a sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir das suas regras, a jovem devia assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar-se e a assumir a sua nova identidade?


Ao longo do processo civilizacional, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, tendo-se tornado um tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda a mulher madura se tornou invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos ‘higiénicos’, mas que continua a reforçar a ideia de que o sangue menstrual é ‘sujo’. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou tal marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva.

Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam o seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do facto biológico central nas suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres ‘emancipadas’ acredita que a suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da ideia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida. O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação. O pólo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o pólo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente ao serviço da espécie. O pólo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o pólo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de nos curarmos a nós mesmas.


Desprezada e negligenciada, não é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externo. O período menstrual torna-nos mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordo. Se aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece no nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando a sua sacralidade.

Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos recolher-nos na cabana da menstruação, como faziam as nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam as suas experiências. Mas podemos reduzir as nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos recolher-nos para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos retirar-nos para um lugar tranquilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar as nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.


Nota: Existe a alternativa ao penso higiénico, a mooncup. Veja aqui.
Imagens: Google

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Honrar a Feiticeira

Encontrei este texto enquanto procurava sobre a deusa Noctiluca.

A condenação destas mulheres livres e sábias ainda agora continua a ensombrar a nossa psique...

“Michelet fala da feiticeira da Idade Média, conselheira, médica, adivinha e parteira. Ela era a única salvação da vida entediante e sofrida dos camponeses; ela trazia o sonho e a possibilidade de realização de desejos contidos numa época em que o clero e o sistema feudal impunham leis rígidas contra o corpo e a voz e, por que não dizer, contra a alma.
O medievalista Paul Zumthor fala-nos dessa época em que o corpo e a voz humanas eram condenadas à inércia, pelas rígidas leis cristãs, tais como o jejum, o voto de silêncio, a castidade e a autoflagelação, normas essas que se dirigiam contra as necessidades básicas do corpo humano: a fala, o movimento (imaginário e físico) e a voracidade.

Como manter inerte um corpo que palpita, que lateja, que tem como características primeiras o movimento e a fala? Como calar a voz?

O patriarcalismo cristão tentou calar a voz da mulher, paralisou o seu corpo e condenou-a a viver “fora da lei”, pois era impossível adequar-se a leis tão rígidas, tão mortais. Para não morrer, foi obrigada a estabelecer-se na “bordas” dum mundo marginal, num submundo, vivendo sempre à beira. O patriarcalismo cristão foi um indício da interpretação deformada do complexo de crenças que originou a chamada bruxa."
Ritos Encantatórios, os Signos que Serpenteiam as Chamadas Bruxas, Vânia Cardoso Coelho, S. Paulo, Annablume, 1998 (adaptado)
Pode ler aqui

sábado, 14 de agosto de 2010

O PRAZER DE NASCER

Estaremos prestes a livrar-nos da milenar maldição bíblica?



"Um parto orgasmico é possível! Conheço muitas mulheres e aqui msm perto de casa que o tiveram! Todo o mecanismo hormonal do corpo está criado para isso mesmo! Os hospitais e a obstetrícia altamente interventiva é que não querem nem o pode...m admitir :) Mas sim há muitos bebés a nascer em pura luz e puro amor nas mais altas frequências. Em Portugal há a Humpar uma associação da qual faço parte e que ajuda as mulheres que querem tomar este caminho." Comentário de Ana Alpande (Facebook)
·

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

13 de AGOSTO, FESTIVAL GREGO DE HÉCATE

O dia 13 de Agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades de Verão que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã, comemora-se no dia 15 de Agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta às antigas festividades pagãs para apagar a sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção.Com o passar do tempo, perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Esta poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate. Mirella Faur



ARQUÉTIPO DA TRANSFORMAÇÃO E TRANSMUTAÇÃO

Hécate é também um vaso-útero, que recebe os processos passados no interior da psique. Ela é o vaso alquímico que permite a transformação e transmutação dos elementos materiais em espirituais. Hécate habita as grutas e cavernas. E para sermos fertilizados pela semente da criação espiritual e do renascimento psíquico temos de visitar a sua morada, fazer a entrada no reino dessa deusa. Ela é a Caverna-Mãe onde se dão os processos espirituais.
Muitos mistérios e ritos de iniciação se passavam no interior das grutas e cavernas.
Hécate é a regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida, da entrada nos caminhos árduos da transformação.
A Deusa nos diz que as mudanças servem para determinar o nosso comportamento e que devemos ter cuidado com os caminhos falsos ou atalhos inadequados. O caminho, por vezes, pode não ter muita importância, mas premente é a necessidade de fazer a passagem.
Hécate estava por perto quando Perséfone foi raptada por Hades, mas não interferiu, porque ela sabia que as passagens são necessárias, às vezes não importam os caminhos. Mas é Hécate que ensina e ajuda Deméter a achar o caminho para recuperar a filha Perséfone.
A entrada no mundo inferior é necessária para o contacto com as fontes internas da fertilidade, mas é preciso saber o caminho de volta para poder tornar consciente toda a possibilidade criativa. Enquanto houver o mergulho no mundo inferior, a consciência pode adormecer e descansar, e novamente será renovada e frutificará com a volta.
Hoje podemos relacionar-nos com Hécate como uma figura guardiã do nosso inconsciente, que tem nas mãos a chave dos reinos sombrios que há dentro de nós e que traz as tochas para iluminar o caminho para as profundezas do nosso interior.
A nossa civilização patriarcal talvez nos tenha ensinado a temer esta figura, mas se confiarmos nas suas energias antigas, encontraremos nela uma gentil guardiã.
Ela está presente em todas as encruzilhadas que existem em todos os níveis do nosso ser, manifestando-se como espírito, alma e corpo. Devemos reconhecer que a imagem terrível, tenebrosa e horrenda de
Hécate é um mero registo do medo inconsciente do feminino que os homens, imersos num patriarcado unilateral, projetaram ao longo de milénios nesse arquétipo.
Temos que encarar a nossa Hécate interior, estabelecer uma relação com ela e, confiando na sua assistência, permitir a nós mesmas o desenvolvimento duma percepção desse rico reino do nosso Mundo Inferior Pessoal. Somente por meio dessa atitude poderemos tornar-nos seres integrados, capazes de lidar com as polaridades sem projetar de imediato dualismos.
Ao passar por uma encruzilhada, irá deparar-se com Hécate e ela dirá que as nossas vidas são feitas de escolhas. Não existem escolhas certas ou erradas, mas somente escolhas. Independente do que escolher, a experiência, por si só, já é algo valioso. Hécate insiste para que não tenhamos medo do desconhecido. Os desafios apresentados precisam de um salto de fé da pessoa que faz a escolha. Confie que será capaz de fazer uma escolha quando chegar a hora. Conceda-se tempo e espaço, nunca se censure ou se culpe, faça apenas a sua escolha.
Rosane Volpatto

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A RENDIÇÃO AO AMOR


Vem de Glastonbury, da conferência da Deusa, esta bela e poderosa mensagem da Deusa do Amor. Chegou até mim via Vera Faria Leal:




Saibam que estão sempre comigo e Eu em vós.
Habitem o vosso corpo como se me vestissem a mim: que o prazer, o respeito e o amoroso nutrir sejam a forma de se relacionarem com esse corpo maravilhoso que vos dei, altar tecido no meu ventre. Amem as vossas Yonis, os vossos linghams, como a mim mesma.
Irradiem a alegria que não tem fim, que vive na taça do vosso coração.
Amem, amem, amem!
Recebam com deleite a minha abundância de ar, água, fogo e terra.
Visitem-me todos os dias, na paixão do vosso ventre, na compaixão do vosso coração, no riso do vosso olhar, na gratidão dos vossos lábios, na saudação ao sol, no caminhar na floresta, no marejar das ondas, no silvo do vento.
Tenham flores e espigas na vossa casa, recordando continuamente o meu corpo-alimento e a minha eterna doação a vós, Amados filhos e filhas.
Reconciliem-se com a Vida, aceitando amar e ser amados.
Há tanto Amor para vós!
Que nessa rendição ao Amor, possam recordar que são todas/os irmãos e irmãs, partes de uma mesma família, troncos de uma mesma raiz. Celebrem-se mutuamente, e a árvore crescerá forte e gloriosa, até ao templo do céu.
Eu vim para vós, dancem para mim, com entrega e ritmo,
Façam amor como o sol e a lua, a terra e o oceano.
Respirem-me em vós todos, bebam-me na inspiração e na esperança, saibam que são muito amados e que vivem na eternidade comigo, agora e aqui.
Abençoados sejam,
A Mãe Divina.