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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Honrar a Feiticeira

Encontrei este texto enquanto procurava sobre a deusa Noctiluca.

A condenação destas mulheres livres e sábias ainda agora continua a ensombrar a nossa psique...

“Michelet fala da feiticeira da Idade Média, conselheira, médica, adivinha e parteira. Ela era a única salvação da vida entediante e sofrida dos camponeses; ela trazia o sonho e a possibilidade de realização de desejos contidos numa época em que o clero e o sistema feudal impunham leis rígidas contra o corpo e a voz e, por que não dizer, contra a alma.
O medievalista Paul Zumthor fala-nos dessa época em que o corpo e a voz humanas eram condenadas à inércia, pelas rígidas leis cristãs, tais como o jejum, o voto de silêncio, a castidade e a autoflagelação, normas essas que se dirigiam contra as necessidades básicas do corpo humano: a fala, o movimento (imaginário e físico) e a voracidade.

Como manter inerte um corpo que palpita, que lateja, que tem como características primeiras o movimento e a fala? Como calar a voz?

O patriarcalismo cristão tentou calar a voz da mulher, paralisou o seu corpo e condenou-a a viver “fora da lei”, pois era impossível adequar-se a leis tão rígidas, tão mortais. Para não morrer, foi obrigada a estabelecer-se na “bordas” dum mundo marginal, num submundo, vivendo sempre à beira. O patriarcalismo cristão foi um indício da interpretação deformada do complexo de crenças que originou a chamada bruxa."
Ritos Encantatórios, os Signos que Serpenteiam as Chamadas Bruxas, Vânia Cardoso Coelho, S. Paulo, Annablume, 1998 (adaptado)
Pode ler aqui

sábado, 14 de agosto de 2010

O PRAZER DE NASCER

Estaremos prestes a livrar-nos da milenar maldição bíblica?



"Um parto orgasmico é possível! Conheço muitas mulheres e aqui msm perto de casa que o tiveram! Todo o mecanismo hormonal do corpo está criado para isso mesmo! Os hospitais e a obstetrícia altamente interventiva é que não querem nem o pode...m admitir :) Mas sim há muitos bebés a nascer em pura luz e puro amor nas mais altas frequências. Em Portugal há a Humpar uma associação da qual faço parte e que ajuda as mulheres que querem tomar este caminho." Comentário de Ana Alpande (Facebook)
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

13 de AGOSTO, FESTIVAL GREGO DE HÉCATE

O dia 13 de Agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades de Verão que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã, comemora-se no dia 15 de Agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta às antigas festividades pagãs para apagar a sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção.Com o passar do tempo, perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Esta poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate. Mirella Faur



ARQUÉTIPO DA TRANSFORMAÇÃO E TRANSMUTAÇÃO

Hécate é também um vaso-útero, que recebe os processos passados no interior da psique. Ela é o vaso alquímico que permite a transformação e transmutação dos elementos materiais em espirituais. Hécate habita as grutas e cavernas. E para sermos fertilizados pela semente da criação espiritual e do renascimento psíquico temos de visitar a sua morada, fazer a entrada no reino dessa deusa. Ela é a Caverna-Mãe onde se dão os processos espirituais.
Muitos mistérios e ritos de iniciação se passavam no interior das grutas e cavernas.
Hécate é a regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida, da entrada nos caminhos árduos da transformação.
A Deusa nos diz que as mudanças servem para determinar o nosso comportamento e que devemos ter cuidado com os caminhos falsos ou atalhos inadequados. O caminho, por vezes, pode não ter muita importância, mas premente é a necessidade de fazer a passagem.
Hécate estava por perto quando Perséfone foi raptada por Hades, mas não interferiu, porque ela sabia que as passagens são necessárias, às vezes não importam os caminhos. Mas é Hécate que ensina e ajuda Deméter a achar o caminho para recuperar a filha Perséfone.
A entrada no mundo inferior é necessária para o contacto com as fontes internas da fertilidade, mas é preciso saber o caminho de volta para poder tornar consciente toda a possibilidade criativa. Enquanto houver o mergulho no mundo inferior, a consciência pode adormecer e descansar, e novamente será renovada e frutificará com a volta.
Hoje podemos relacionar-nos com Hécate como uma figura guardiã do nosso inconsciente, que tem nas mãos a chave dos reinos sombrios que há dentro de nós e que traz as tochas para iluminar o caminho para as profundezas do nosso interior.
A nossa civilização patriarcal talvez nos tenha ensinado a temer esta figura, mas se confiarmos nas suas energias antigas, encontraremos nela uma gentil guardiã.
Ela está presente em todas as encruzilhadas que existem em todos os níveis do nosso ser, manifestando-se como espírito, alma e corpo. Devemos reconhecer que a imagem terrível, tenebrosa e horrenda de
Hécate é um mero registo do medo inconsciente do feminino que os homens, imersos num patriarcado unilateral, projetaram ao longo de milénios nesse arquétipo.
Temos que encarar a nossa Hécate interior, estabelecer uma relação com ela e, confiando na sua assistência, permitir a nós mesmas o desenvolvimento duma percepção desse rico reino do nosso Mundo Inferior Pessoal. Somente por meio dessa atitude poderemos tornar-nos seres integrados, capazes de lidar com as polaridades sem projetar de imediato dualismos.
Ao passar por uma encruzilhada, irá deparar-se com Hécate e ela dirá que as nossas vidas são feitas de escolhas. Não existem escolhas certas ou erradas, mas somente escolhas. Independente do que escolher, a experiência, por si só, já é algo valioso. Hécate insiste para que não tenhamos medo do desconhecido. Os desafios apresentados precisam de um salto de fé da pessoa que faz a escolha. Confie que será capaz de fazer uma escolha quando chegar a hora. Conceda-se tempo e espaço, nunca se censure ou se culpe, faça apenas a sua escolha.
Rosane Volpatto

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A RENDIÇÃO AO AMOR


Vem de Glastonbury, da conferência da Deusa, esta bela e poderosa mensagem da Deusa do Amor. Chegou até mim via Vera Faria Leal:




Saibam que estão sempre comigo e Eu em vós.
Habitem o vosso corpo como se me vestissem a mim: que o prazer, o respeito e o amoroso nutrir sejam a forma de se relacionarem com esse corpo maravilhoso que vos dei, altar tecido no meu ventre. Amem as vossas Yonis, os vossos linghams, como a mim mesma.
Irradiem a alegria que não tem fim, que vive na taça do vosso coração.
Amem, amem, amem!
Recebam com deleite a minha abundância de ar, água, fogo e terra.
Visitem-me todos os dias, na paixão do vosso ventre, na compaixão do vosso coração, no riso do vosso olhar, na gratidão dos vossos lábios, na saudação ao sol, no caminhar na floresta, no marejar das ondas, no silvo do vento.
Tenham flores e espigas na vossa casa, recordando continuamente o meu corpo-alimento e a minha eterna doação a vós, Amados filhos e filhas.
Reconciliem-se com a Vida, aceitando amar e ser amados.
Há tanto Amor para vós!
Que nessa rendição ao Amor, possam recordar que são todas/os irmãos e irmãs, partes de uma mesma família, troncos de uma mesma raiz. Celebrem-se mutuamente, e a árvore crescerá forte e gloriosa, até ao templo do céu.
Eu vim para vós, dancem para mim, com entrega e ritmo,
Façam amor como o sol e a lua, a terra e o oceano.
Respirem-me em vós todos, bebam-me na inspiração e na esperança, saibam que são muito amados e que vivem na eternidade comigo, agora e aqui.
Abençoados sejam,
A Mãe Divina.

A DEUSA HISPÂNICA - LA DAMA DE ELCHE

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CELEBRAR AS DÁDIVAS DA NATUREZA



Festival de Lammas ou Lughnashad

"Lammas significa “massa”, e é um nome que somente na Idade Média começou a ser usado para se referir a Lughnashad. É o primeiro festival dos Sabaths das colheitas e é celebrado, no nosso hemisfério, no final de Julho, princípio de Agosto.
Este festival também é conhecido como “o Sabath das primeiras frutas” e as cores desta celebração são castanho, laranja, vermelho, amarelo.
É hábito fazer-se pães com os primeiros grãos das colheitas para honrar a união da Deusa com o Deus, Aine e Lugh para os celtas, que através dessa união geram a fertilidade. Damos também graças por tudo o que recebemos.
Outra das actividades deste Sabath é acender velas nessas cores em honra da Deusa e do Deus, e saborear comidas e bebidas que se tornam sagradas neste dia pela bênção da Deusa e do Deus: ervas frescas, frutas e vegetais, pão de milho, amoras pretas, tortas, sidra e vinho
tinto.


Se deseja fazer um pequeno acto de sintonia com este festival dos grãos e das frutas faça uma lista com as suas metas para o futuro e depois enterre-a num pote com aveia. Guarde o pote até realizar as suas metas ou até que termine o prazo que determinou; depois desse tempo lance a aveia ao vento e peça às Fadas que lhe devolvam em impulsos criativos cada um dos grãos de aveia."


Fonte: http://deusario.com/lammas-e-imbolc/

sexta-feira, 30 de julho de 2010

OS PÓLOS YIN E YANG


Ensina-nos a Sabedoria Taoísta
que a Unidade se desdobrou no
Pólo Yang
e no Pólo Yin do Mundo.

Yang é o Pólo Activo,
expansivo, diurno, criativo e emandor.
do Yang surge a essência do Masculino.

Yin é o Pólo Passivo, receptivo, nocturno,
gestativo e acumulador.
Do Yin nasce a essência do Feminino.

Yin e Yang
definem-se como realidade diferenciada
e fundamental.
Entre eles gera-se a tensão
A que chamamos energia.
Tudo é energia.
O Universo é um todo energético,
dividido e polarizado.
São dois pólos contrários
que activam os Cículos Cósmicos,
que por sua vez geram a Vida.

Cada Ser Humano é Yin e Yang.
Tem em si as duas polaridades.
A dimensão receptiva, passiva
e interiorizada do Ser
é o seu pólo Yin,
o seu lado mais obscuro,
o que dificilmente hoje se manifesta.
Séculos de História
criaram a supremacia do Yang.
Esta supremacia deu origem a uma Cultura
predominantemente Masculina.
Com o tempo, a afirmação Yang
levou à perda do Yin.

O nosso lado passivo, feminino,
interiorizado, meditativo e receptivo
deixou progressivamente de ser valorizado
pelo pensamento comum.
Sem se darem conta, as Mulheres
ficaram condicionadas e limitadas
por uma Sociedade criada por Homens
e para Homens,
onde a sua contribuição feminina
não encontra lugar.

No séc. XX a afirmação do Yang
tornou-se de tal modo radical,
que o comum das pessoas se perdeu
das experiências mais profundas da vida,
reveladas pela dimensão interior.

Já ninguém sabe lidar com a noite,
com a pausa,
com os intervalos na acção,
Com tudo o que existe
quando se acaba o movimento.

Não se valoriza o Silêncio,
o que não tem forçosamente de ser dito,
o que não tem forçosamente de ser dito,
o que se subentende.

As pessoas perderam-se do Yin,
confundidas no Yang,
na afirmação extrovertida da personalidade,
nas conquistas,
nas guerras de todas as naturezas.

O contrário da afirmação
significa receptividade,
a capacidade de receber o Mundo,
de sentir o reverso das coisas.
É a revelação da Vida interior,
isso que nos habita.

Maria Flávia de Monsaraz, O RETORNO DO FEMININO, Hugin

Imagem: Google

quinta-feira, 29 de julho de 2010

UM ALTAR PARA DEMÉTER

Ofertas que tradicionalmente se faziam a Deméter: lã virgem, espigas de cereais, mel. Os restantes elementos: água (a concha), fogo (a vela), ar (a campainha). O ninho com as cascas de ovos de andorinha (hóspedes cá de casa...) é um símbolo da maternidade.

O RAPTO DE PERSÉFONE - ACTUALIZAÇÃO DO MITO


Algo de muito estranho aconteceu quando investigava sobre Deméter. Embora praticamente não veja televisão, nesse sábado, enquanto alimentava uma pessoa da minha família acamada, ouvi no telejornal da noite uma notícia estranhíssima: “Mulher mexicana procurou a filha desaparecida durante nove dias”!...

Nove?!... nem oito, nem dez, mas… nove!

A notícia, entretanto, continuava: a criança, deficiente, fora encontrada morta aos pés da cama, enfiada num saco entre o estrado e o colchão, e a mãe era suspeita… Embora testemunhos referissem o avistamento dum homem misterioso pelas redondezas…

Isto estava a passar-se no mundo real (isso existe?...), ou seja, o mito do rapto de Perséfone em plena actualização ali para mim… Então, conteúdos do meu próprio inconsciente em plena revelação…
Pânico. Aquela história ilustrava um mundo completamente às avessas no qual a mãe, em vez de sofrer desesperadamente, era agora a própria algoz…
Bom, imaginam como me senti...

Na verdade, a maternidade representa um corpo de dor imenso, para usar o conceito criado por Eckart Tolle, no livro "O Poder do Agora". Sem a nossa ligação a um plano superior, à Mãe Divina, facilmente ficamos prisioneiras do medo e da culpa… Sem a presença em nós do arquétipo de Deméter, se não o evocamos e cultivamos – ajuda criarmos-lhe um altar (imagem do post seguinte).

Clarissa Pikola Estés, no seu livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, fala-nos dos vários tipos de mães ... (continua)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DEMÉTER

Deméter é a deusa grega da manifestação, da renovação da natureza, da agricultura, das dádivas da terra, do alimento/nutrição. A semente, promessa da renovação e da continuidade da vida, personificada pela sua filha Perséfone, é a Sua grande dádiva à humanidade.

Ela representa então o aspecto Mãe da Deusa. Como Mãe, Ela é a deusa da criação e por isso é sempre associada à sua filha Kore/Perséfone, a sua criação, o seu fruto, a sua semente.

Perséfone, entretanto, é vítima duma catástrofe que afecta profundamente ambas, Mãe e Filha, um dos pares mais importantes do Olimpo. A donzela é certo dia raptada por seu tio Hades, o senhor dos Infernos, com o consentimento de seu pai, Zeus (irmão da própria Deméter...). Tal acontece quando, alegre e despreocupadamente, colhe flores no prado.

Desesperada, a mãe vagueia então pela terra, durante nove dias, implorando pela filha e decretando a morte de toda a vegetação. Nada mais crescerá sobre a terra, não haverá mais alimentos, até que Perséfone seja restituída sã e salva a sua mãe Deméter…

A história, entretanto, termina bem, pois a vítima acaba mesmo por ser enviada de volta à casa materna, embora apenas por alguns meses do ano, sendo que nos restantes, vai ter de descer aos infernos, para junto de Hades, que fez dela a senhora e rainha desse lugar...

E percebemos que se trata da expressão alegórica da mudança das estações, sendo os processos de morte por que passa a natureza no Outono/Inverno simbolizados pelo rapto de Perséfone.

Mas o mito é muito mais rico e profundo. Um dos seus aspectos, segundo vários autores, são as fortes reminiscências que aqui encontramos da luta travada pelo patriarcado para se impor numa sociedade à partida matriarcal…

Para a Psicologia dos Arquétipos, entretanto, Deméter representa a maternidade, e a relação com Perséfone a própria relação mãe/filha, sendo o rapto o símbolo do processo de individuação da rapariga, o momento em que esta se desliga da mãe e se assume como mulher…

Temos então aqui aquilo a que poderíamos chamar o percurso da heroína, um percurso que, muito embora passe igualmente pelos infernos, nada tem a ver com o que é próprio de um herói.