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quinta-feira, 7 de maio de 2015

SEDUZIR?... NÃO ME PARECE...


A ideia da sedução é uma distorção do patriarcado que sempre viu a mulher como uma perigosa Tentadora. Na verdade a Tentação é sempre algo que as mulheres exercem sobre os homens e nunca o contrário, porque, enquanto sujeito da história, tem sido a visão do homem que têm prevalecido na cultura. Estar sujeito a tentação implica o reconhecimento do homem como ser dotado de sexualidade legítima e ativa. Ora a questão da mulher ser tentada pelo homem seria uma aberração inconcebível num ser que tem sido percebido como dotado apenas duma sexualidade latente, digamos, não ativa, eventualmente ativada pelo homem, de preferência por aquele a quem ela irá pertencer ou ao serviço de quem se vai colocar. 

Claro que o feminino ferido entrou muito nesse jogo da Sedução que foi como que legitimada em si por algumas pessoas como fazendo parte duma sexualidade saudável. Não me parece que assim seja porque o que contém de artificialismo e portanto de falsidade, de manipulação e de vontade de exercer o controlo sobre a reação da outra pessoa, do uso da versão patriarcal do poder, que é o poder sobre, dizem-me que essa não será a via da Deusa do Amor e da Sexualidade. 

Quando Ela se manifesta em nós, e quando aceitamos ser o veículo para a Sua manifestação, não precisamos de forçar nada, de nos insinuarmos junto de ninguém, mas apenas de irradiar a Sua energia que nos leva a estar ali completamente presentes e abertas para aquele ser que atraímos e aos nossos olhos se torna sumamente atraente, sendo objeto do nosso desejo. E isso pode acontecer apenas num momento pontual em que a Deusa baixou, como se diz, permitindo-nos viver aquela experiência maravilhosa de fusão, de absoluta intimidade com alguém, atingir um estado de êxtase que profundamente nos transformou e acrescentou, a nós e à outra pessoa e ao mundo pelo amor que gerámos e irradiámos e pela experiência numinosa que pudemos viver. 

Sabemos que isso acontecia de forma cerimonial nos antigos templos das Deusas do Amor, como Afrodite, Astarte, Ishtar e Outras, em que as sacerdotisas incorporavam a Deusa para quem viesse receber a Sua graça.

Não imaginamos, quando uma flor exótica da cor mais inaudita nos oferece a visão da sua deslumbrante beleza, que ela nos esteja a “seduzir”, a querer algo de nós. Sabemos que não é assim,  sabemos que a flor simplesmente é. E a visão da sua beleza é um portal de conexão com a energia da alma. E como o seu poder e encanto seriam reduzidos e diminuídos se soubéssemos que a flor queria algo de nós, que ela tinha para nós algum inconfessado propósito...

©Luiza Frazão

Imagem: Google

2 comentários:

  1. Luiza - achei genial o seu texto - muito obrigada por por os pontos nos iii...adorei - se me permite vou partilhar no meu blog.
    um grande abraço

    rleonor

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    1. Muito obrigada, Rosa, e sim pode partilhar, obrigada por ter pedido permissão porque na verdade este texte fará parte dum dos capítulos do meu livro. Um abraço, grande e inspiradora mulher e amiga!

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