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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O SOLSTÍCIO DO INVERNO NA TRADIÇÃO DE AVALON E DA LUSITÂNIA



"Este momento do ano marca o princípio da segunda fase do Inverno, quando nos movemos para a quietude da hibernação e para o foco na interioridade que vai até ao Imbolc.

Este é o momento de fazermos cerimónias para honrarmos a Mãe do Ar. Em Avalon Ela é Nolava do Ar, Danu, a Morgen Tyronoe, Cailleach, Arianrhod da Roda de Prata. Nesta fase exploramos a nossa vida espiritual, aprendemos a orar, a criar altares, começamos um diário de sonhos, aprendemos a limpar a aura e a abençoarmo-nos mutuamente usando o elemento ar. Momento ainda de aprendermos sobre proteção psíquica, de caminharmos pelas paisagens sagradas d@s noss@s antepassad@s. Momento propício para irmos mais fundo na nossa árvore genealógica e reivindicarmos a nossa linhagem.

A Mãe do Ar é a respiração espiritual da Terra, a amorosa essência invisível que permeia todas as formas criadas, tanto no mundo visível como no invisível. Ela é a Senhora dos Ossos, a Senhora da Pedra, Calaica/Cale/Beira, a Anciã do Inverno que perdeu toda a carne, que se tornou luz e imaterialidade.


Enquanto a Deusa Anciã nos conduz para a morte, Calaica é a própria morte, o espaço entre vidas, entre a morte e o renascimento. Ela á a quietude absoluta, a experiência do espírito antes da forma, a antepassada imaterial do nosso povo. Através dela, podemos conectar-nos com @s antepassad@s primordiais, os seres de Fogo, Gelo, Água, Ar e Terra que criaram o maravilhoso mundo em que nós vivemos. Em visões ou em transe podemos voar com os Seus pássaros do ar até Avalon, ou até ao Jardim das Hespérides, no nosso caso, para encontrarmos @s noss@s antepassad@s remot@s.


A Mãe do Ar é ao mesmo tempo o ponto da morte e a Eterna Vida que continua entre encarnações. Ela é o Ar e o Vento, o Movimento do Invisível, Respiração, Ideia e Inspiração, a própria Sabedoria e todos os seus frutos.

Frequentemente, quando nos aproximamos d’Ela, o vento da Mãe do Ar sopra nas nossas vidas, limpando as velhas teias de aranha na nossa mente, mudando o nosso modo habitual de vermos as coisas. Ela pode ser suave como a brisa num dia de verão, que nos alivia do calor excessivo, ou assustadora como um furacão, chamando a nossa atenção para o Seu incomensurável poder. Ela despe as árvores e faz voar as telhas dos telhados por cima das nossas cabeças, expondo o nosso medo e a nossa vulnerabilidade. Podemos sentir o Seu toque quando subimos as encostas da Sua paisagem, de onde por vezes Ela parece querer arrancar-nos. Somos muitas vezes obrigad@s a dobrar-nos com a força das Suas rajadas e a aconchegar-nos nos Seu abraço para nos mantermos de pé e no nosso centro. Por vezes, abrindo os braços como asas, quase nos sentimos voar com Ela.


Os pássaros do ar pertencem-Lhe e pela noite estrelada voam as Suas corujas, enquanto durante o dia pairam no ar os abutres. Seus são os bandos de pequenos pássaros que buscam o que comer na natureza e nos nossos quintais, agradecendo as sementes que deixamos para eles. Em muitos dias do ano, é possível vê-los voando nas Suas correntes, subindo nos céus ou descendo sobre a terra, inspirando-nos com o seu mágico poder de voar.


O ar é o elemento mais subtil e simboliza a nossa natureza espiritual, é o elemento que nos conecta a todas as criaturas. Human@s, plantas, animais, tod@s respiramos o mesmo ar…

Kathy Jones, Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess (traduzido e adaptado em alguns pontos à Roda do Ano do Jardim das Hespérides por Luiza Frazão) 

Imagens Google:
1. Serra da Estrela
2. Cabeça da Velha, Serra da Estrela
3. Deusa Arianrhod da Roda de Prata
4. Capela dos Ossos, Campo Maior
5. Coruja

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